[Vídeo] Pare de alimentar o monstro do passado

Creio que a Psicanálise é o melhor tratamento para a dificuldade de esquecer eventos dolorosos pelos quais passamos.

No entanto, também acredito que é possível atenuar a tendência a ficar relembrando memórias ruins simplesmente deixando de alimentar esse movimento espontâneo da alma.


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[Vídeo] Falso self: quando a gente vive por viver

Neste vídeo: entenda como o conceito de falso self proposto pelo psicanalista Donald Winnicott nos ajuda a entender o que acontece com pessoas que se queixam de que suas vidas não fazem sentido e que estão vivendo por viver.


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Quando Freud nos ajuda a entender Lacan

Na primeira fase de sua produção teórica em Psicanálise, Lacan dizia que estava fazendo um “retorno a Freud”.

Para o psicanalista francês, boa parte dos seus colegas vinha praticando e pensando a Psicanálise (estamos falando da década de 1950) de uma forma que contrariava os princípios fundamentais estabelecidos por Freud.

Por isso, era preciso resgatar a essência do que o pai da Psicanálise havia proposto.

Lacan levará a cabo esse projeto fazendo uma RELEITURA dos textos freudianos através dos óculos da Filosofia, da Antropologia e da Linguística.

Um exemplo dos resultados dessa releitura é a fórmula “O Inconsciente é estruturado como uma linguagem”.

Lacan acredita que essa proposição pode ser EXTRAÍDA dos textos de Freud.

Com efeito, para o analista francês, Freud teria mostrado que as formações do Inconsciente (atos falhos, sonhos e sintomas) são construídas de modo análogo à produção de um discurso.

O que significa isso?

Deixa eu te dar um exemplo:

No plano do discurso, eu posso dizer “Ontem tomei um Porto”.

Qualquer pessoa em sã consciência saberá que eu não estou dizendo que bebi um lugar para embarque e desembarque de navios, certo?

Na verdade, eu fiz uso de uma figura de linguagem chamada METONÍMIA, que me permitiu designar a expressão “vinho do Porto” apenas com uma parte dela: “Porto”.

Para Lacan, num sonho, por exemplo, pode acontecer exatamente o mesmo processo:

Eu posso sonhar que estou pedindo “Socorro” e essa palavra ser apenas uma metonímia para o nome da minha mãe (“Maria do SOCORRO”), verdadeiro objeto da minha demanda.

Tá vendo?

O sonho (assim como as outras formações do Inconsciente) pode ser enquadrado como uma FALA, um DISCURSO, ou seja, uma produção de linguagem.

Existem alguns trechos da obra de Freud que nos ajudam a entender com notável clareza essas releituras lacanianas.

Ainda hoje quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá uma aula especial em que eu comento justamente um desses trechos.

Nele, Freud nos mostra de forma cristalina por que Lacan insistiu tanto na importância de prestarmos mais atenção nas PALAVRAS que os pacientes dizem, ou seja, nos SIGNIFICANTES, em vez de ficarmos o tempo todo tentando deduzir significados.

Te vejo lá na Confraria!


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A gente faz Psicanálise para aprender que, de fato, nada podemos contra a verdade, senão em favor da verdade.

A Psicanálise nos ensina que a verdade incomoda, perturba e, não raro, se torna insuportável.

Pudera!

A mentira é confortável.

O autoengano tem lá suas vantagens.

As ilusões anestesiam…

Mas a verdade sempre retorna — onde menos se espera encontrá-la.

Lá onde se tropeça, se repete, se esquece…

A pedra que os construtores rejeitaram, tornou-se pedra angular.


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A ansiedade denuncia a presença incômoda do Inconsciente batendo na porta do Eu.

Na última aula da Confraria Analítica eu comentei com os alunos um trecho do artigo de Freud “O Inconsciente”, em que ele diz o seguinte:

“É possível ao desenvolvimento do afeto proceder diretamente do sistema Ics.; nesse caso, o afeto sempre tem a natureza de ansiedade, pela qual são trocados todos os afetos ‘reprimidos'”.

O termo REPRIMIDOS aparece aí no finalzinho entre aspas porque, de acordo com Freud, não existem emoções reprimidas, apenas IDEIAS reprimidas.

No processo de repressão, uma emoção pode ser, digamos, “abortada”, mas não reprimida.

(Quem tá lá na Confraria me ouviu explicar isso detalhada e exaustivamente na última aula.)

Mas não é esse o ponto para o qual eu quero chamar sua atenção no trecho citado.

Meu objetivo aqui é destacar o que Freud fala sobre a ansiedade (ou angústia, dependendo da tradução).

No trecho, ele diz que todos os afetos que vêm do Inconsciente são “trocados” pela ansiedade.

Como eu expliquei para os alunos da Confraria, isso significa que, quando a gente se depara com a ansiedade, seja em nós mesmos, seja nos nossos pacientes, estamos na trilha do Inconsciente.

Pelo que Freud está dizendo, a ansiedade (neurótica, obviamente) é sempre a expressão de alguma coisa que está vindo do Inconsciente.

Talvez essa seja uma boa maneira de interpretar a fórmula lacaniana de que a angústia [ansiedade] é “aquilo que não engana” (Seminário 10).

Com efeito, os outros afetos podem se esconder atrás de outros. O ódio pode se fingir de tristeza, o tesão pode usar a máscara do medo.

A ansiedade, não.

Ela não se disfarça.

A ansiedade denuncia a presença incômoda do Inconsciente batendo na porta do Eu.

Se é por ela que os afetos desencadeados pelo Inconsciente são trocados é porque o Eu se sente ameaçado por eles.

Afinal, a imagem idealizada de si que o Eu utiliza como espelho só pode se constituir às custas da expulsão de todos os elementos que não se harmonizam com ela.

Elementos que, por sua vez, constituem a matéria-prima do Inconsciente.

Nesse sentido, a ansiedade é o sinal da aproximação do Real que precisou ser soterrado para a construção do belo, harmônico — e frágil — edifício da realidade egoica.


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Necessidade, demanda e desejo: entenda a tríade lacaniana

A necessidade é um anseio de natureza biológica por objetos ou experiências que não podem faltar, que são imprescindíveis para a sobrevivência.

Pense, por exemplo, na necessidade que temos de alimento e de sono.

Para entender mais facilmente o que é a demanda, trabalhe com um sinônimo dessa palavra: o termo PEDIDO.

Um pedido é algo que necessariamente depende da linguagem. A necessidade, não. A necessidade é biológica, vem do corpo.

Um pedido, por sua vez, é algo que só pode ser feito se eu conseguir construir um enunciado baseado num certo código. Não qualquer código, mas o código conhecido pela outra pessoa à qual dirijo meu pedido.

Ou seja, para que o outro atenda a minha demanda, eu preciso necessariamente me submeter ao código dele.

Ora, é exatamente isso o que acontece conosco quando somos bebês. A gente nasce e já vem “de fábrica” com necessidades. No entanto, a gente não consegue satisfazer essas necessidades por conta própria. Precisamos necessariamente dos nossos pais.

No início, eles até saciam nossas necessidades sem que a gente tenha que pedir. Todavia, com o passar do tempo, a gente tem que começar a demandar.

E, para demandar, a gente precisa necessariamente aprender a língua dos pais.

Ou seja, a partir de um certo momento, precisamos “traduzir” nossas necessidades em pedidos, em demandas.

Isso introduz uma novidade: ao articularmos nossas necessidades na forma de demandas, passamos a ansiar não só pelo alimento ou pelo sono, mas também pela COMPREENSÃO dos nossos pais.

Em outras palavras, a gente passa a não querer só a comida em si, por exemplo. Quando o bebê pede comida e a mãe traz, esse ato da mãe de ir até ele acaba sendo vivenciado como um signo de amor: “Mamãe me compreende, mamãe me ama”.

Por isso, Lacan dizia que, no fim das contas, toda demanda é demanda de amor. Ou seja, a gente pede coisas, mas o que verdadeiramente queremos não é só a coisa, mas O SIGNIFICADO DE AMOR que supomos estar em jogo quando o outro nos atende.

Só que tem um problema…

No processo de “traduzir” nossas necessidades de acordo com o código do outro, inevitavelmente ALGO QUE PERDE.

É o que acontece em toda tradução: por mais que o tradutor se esforce, a palavra escolhida nunca corresponde exatamente ao termo original que está sendo traduzido.

Da mesma forma, quando o bebê articula sua necessidade de comida, por exemplo, na forma de um pedido à mãe, o enunciado que ele produz não corresponde EXATAMENTE à sua necessidade.

Por isso, na hora que a mãe vem e dá o alimento ao bebê, ele se sacia, se sente amado, mas alguma coisa fica faltando; parece que não é o suficiente.

Essa sensação de que algo está faltando, algo que, como dizem Clarice Lispector e Chico Buarque “ainda não tem nome e nem nunca terá” é o tal do… DESEJO.

Mas sobre ele a gente fala em outro momento.


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[Vídeo] Terapia é o verdadeiro remédio

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, os medicamentos psiquiátricos não são, de fato, tratamento para transtornos emocionais visto que não atuam sobre as causas das patologias psíquicas, mas apenas amenizam alguns sintomas.


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[Vídeo] Obsessivos nostálgicos do ser e histéricos militantes do ter

Neste vídeo: entenda por que o psicanalista Joel Dor designou os neuróticos obsessivos como nostálgicos do ser e os histéricos como militantes do ter.


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Sim, tem gente que tá doente de verdade!

Eu já escrevi vários textos falando sobre o fenômeno da medicalização, mas hoje quero falar sobre o oposto dela — que também é extremamente pernicioso.

Para quem não sabe, medicalização é a tendência contemporânea de considerar problemas educacionais, sociais, familiares ou mesmo coisas que não são exatamente problemas como se fossem questões de saúde que precisam ser tratadas.

Um ótimo exemplo de medicalização é a criação do diagnóstico de “Transtorno Disfórico Pré-menstrual”, que nada mais é do que uma tentativa de converter o conhecido fenômeno NATURAL da TPM (tensão pré-menstrual) em um DISTÚRBIO que precisa de tratamento.

O pensamento medicalizador está presente na mente de muitos profissionais de saúde, sobretudo médicos, mas também psicólogos.

Isso os leva a verem transtornos como o TDAH (transtorno do déficit de atenção e hiperatividade), por exemplo, em muitos casos onde o que existe é apenas falta de disciplina e de educação familiar.

Por outro lado, também circula por aí um modo de pensar oposto ao da medicalização: aquele que menospreza a existência de quadros REAIS de adoecimento.

Creio que isso acontece quase exclusivamente com transtornos emocionais, mas é possível que, em certos casos, até algumas doenças físicas também não sejam levadas a sério.

Esse menosprezo tende a se manifestar mais com enfermidades psicológicas porque elas não são tão “visíveis” como as patologias orgânicas.

Pessoas que estão passando por episódios severos de depressão, por exemplo, sofrem em dobro quando precisam “convencer” familiares de que sua doença é real e não “falta de força de vontade”, “frescura” ou “vitimismo”.

O mesmo se passa com indivíduos que padecem de formas crônicas de transtornos de ansiedade. Muita gente não entende que tais patologias podem ser tão incapacitantes quanto uma fratura nas pernas ou qualquer outro problema físico grave.

Assim como devemos combater a tendência medicalizante de ver doença em tudo, precisamos também rechaçar a postura insensível (adotada, infelizmente, por alguns dos meus colegas psicanalistas) de não ver doença em nada…


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O dia em que um psicanalista proibiu sua paciente de cruzar as pernas

Certa vez o psicanalista húngaro Sándor Ferenczi estava atendendo uma paciente histérica que não melhorava de jeito nenhum.

Aí, ele resolveu adotar a mesma manobra técnica utilizada por Freud junto ao “Homem dos Lobos”: avisou à paciente que o tratamento acabaria dali a tantos meses, independentemente de como ela estivesse.

Funcionou?

No início, sim. A paciente deu uma melhoradinha, mas logo voltou a resistir à terapia, principalmente fazendo uso de uma intensa transferência erótica com Ferenczi.

Quando o chegou o prazo estabelecido, o médico honrou sua palavra e pôs fim ao tratamento.

Ferenczi acreditava que ainda havia muito trabalho a ser feito, mas a paciente se sentia bem.

E foi embora.

Alguns meses depois ela voltou a procurar o médico porque todos os seus sintomas haviam retornado.

Ferenczi relutou, mas acabou aceitando a paciente de volta.

Passou um tempo, ela melhorou um pouco, mas voltou a resistir ao progresso da terapia por meio da transferência erótica.

Ferenczi não sabia mais o que fazer para ajudar a moça, visto que até mesmo a manobra freudiana de fixação de um prazo não havia funcionado.

Foi aí que o médico passou a prestar atenção num detalhe:

Quando a paciente ficava descrevendo as fantasias eróticas que tinha com ele, ela volta e meia dizia que tinha “sensações por baixo”…

Depois de prestar atenção nisso, Ferenczi passou a observar que a paciente permanecia durante toda a sessão deitada no divã COM AS PERNAS CRUZADAS.

Ele se lembrou, então, que muitas mulheres se masturbam de forma disfarçada apertando uma coxa contra a outra…

O médico perguntou se a paciente costumava fazer isso, mas ela disse que nunca, jamais.

Depois de um bom tempo matutando, Ferenczi chegou à conclusão de que talvez aquela postura de pernas cruzadas poderia ser uma forma INCONSCIENTE de masturbação.

Em outras palavras, a paciente estaria, sem saber, se masturbando a sessão inteira fantasiando com seu terapeuta.

Apostando nessa hipótese, Ferenczi decidiu proibir a paciente de ficar com as pernas cruzadas!

Qual foi o resultado?

Isso eu te conto na aula especial que os membros da CONFRARIA ANALÍTICA receberão ainda hoje sobre a TÉCNICA ATIVA proposta por Ferenczi.

Te vejo lá!


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Na transferência, chamamos o outro para dançar a velha música que criamos na infância e que não cansamos de repetir.

Sempre acho que uma boa maneira de compreender um conceito psicanalítico é refletir sobre a palavra escolhida para nomeá-lo.

Veja-se, por exemplo, o conceito de superego.

Quando consideramos o fato de que a partícula “super” em latim significa “aquilo que está acima”, somos facilmente levados à ideia de que o superego só pode ser algo que está… acima do ego, né?

Isso torna mais fácil entender as relações entre essas duas instâncias psíquicas.

Da mesma forma, uma boa maneira de abordar o fenômeno da transferência é pensando no significado geral de TRANSFERIR.

Ora, transferir significa basicamente levar uma coisa do ponto A para o ponto B.

Tendo isso mente, podemos fazer a pergunta:

“Que coisa é essa que, no fenômeno da transferência, é levada de um ponto a outro?”.

E a resposta é: padrões de relacionamento, ou seja, formas fixas de me relacionar nas quais eu ajo de uma determinada forma e espero que o outro se comporte de um modo também específico.

É isso o que a gente leva do ponto A ao ponto B na transferência.

O ponto A é sempre a infância. É nas experiências iniciais com nossos pais e irmãos que consolidamos as nossas formas típicas de nos relacionarmos com as pessoas de forma geral.

Já o ponto B é variável: pode ser qualquer novo relacionamento, seja profissional, acadêmico, amoroso, virtual.

Diferentemente do que algumas pessoas pensam, a transferência não acontece só no tratamento psicanalítico.

Estamos o tempo todo transferindo nossos padrões infantis para as relações do presente.

Para enxergar isso, basta ter olhos para ver.


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O mais importante não é O QUE você vai escolher, mas COMO será feita a escolha.

Eu já falei aqui sobre a ILUSÃO DO GABARITO DA VIDA.

Trata-se da suposição que algumas pessoas fazem de que existem sempre escolhas CERTAS e escolhas ERRADAS, como se a existência fosse semelhante a uma prova de concurso ou de vestibular.

Essa ilusão tende a se manifestar principalmente em pessoas inseguras e sem autoconfiança.

Elas se protegem do próprio desejo e do risco inerente a qualquer decisão supondo que, em algum lugar transcendental, existe um gabarito de todas as escolhas da vida.

Ah, Lucas, mas e se a pessoa for cristã? Não existem algumas escolhas que são absolutamente certas e outras absolutamente erradas do ponto de vista religioso?

Sim, mas esse “gabarito religioso” já foi revelado num livro que tem mais de 2000 anos.

Se for o caso, é só ler e descobrir. Tá tudo lá.

Nesse sentido, se uma pessoa religiosa ainda fica cheia de dúvidas sobre tudo o que deve fazer da vida, é porque ela supõe que, para-além do “gabarito divino”, existe um outro gabarito, mais… “específico”, digamos.

O problema é que essa coisa NÃO EXISTE.

Mas o fato de acreditar nela faz com que o sujeito esteja sempre em dúvida em relação a suas decisões, como um candidato no Enem que não sabe se marca a alternativa a ou a alternativa c numa questão difícil da prova.

A ilusão do gabarito da vida faz com que a pessoa esteja sempre se arrependendo automaticamente das escolhas que faz por imaginar que elas podem não ser as alternativas certas.

É por isso que, se um paciente me pergunta: “Lucas, o que eu DEVO fazer?”, a minha resposta tende a ser: “Não faço a menor ideia!”.

Sim, porque essa pergunta está mal colocada.

Ela supõe o gabarito.

Afinal, se você quer saber o que DEVE fazer, é porque acredita que existe uma escolha certa.

Em vez de dizer o que o paciente DEVE escolher, eu o exorto a refletir sobre COMO será feita essa escolha.

Independentemente de qual seja a decisão, o mais importante é que ela seja feita sem a ilusão do gabarito da vida.

O que significa isso?

Significa escolher aceitando “de corpo e alma” os riscos implicados na decisão e as possíveis consequências dela.

Significa entrar por uma das veredas disponíveis e não ficar olhando para trás, pensando nos caminhos não escolhidos.


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Por qual livro devo começar a estudar Psicanálise?

Essa é uma das questões que mais me faziam na época em que eu abria diariamente a caixinha de perguntas nos stories do Instagram.

Quem me acompanhava naquela época sabe que eu jamais recomendei qualquer um desses manuais introdutórios, tipo aqueles do Zimerman.

Nunca sugeri também os textos de introdução à Psicanálise escritos pelo próprio Freud.

Eu indicava sempre a leitura de uma obra que possibilitasse ao neófito a conquista do MODO DE PENSAR necessário para estar no campo psicanalítico.

Que modo de pensar é esse?

Trata-se de um olhar sobre o comportamento humano que ultrapassa o senso comum.

Ontem mesmo eu estava conversando com um colega também psicanalista sobre o fato de que certas abordagens teóricas em Psicologia são basicamente senso comum disfarçado de linguagem científica.
A Psicanálise não.

A Psicanálise DESAFIA o senso comum.

E quem deseja se introduzir no campo analítico precisa aprender a pensar dessa maneira não convencional.

Esse olhar diferenciado é aquele que trabalha com a suposição do Inconsciente.

É essa suposição que leva o analista a não se contentar com as explicações mais ou menos óbvias do senso comum.

Portanto, quem deseja adentrar o universo psicanalítico precisa se habituar a olhar para o comportamento humano tendo sempre em mente a suposição do Inconsciente.

E o livro que, do meu ponto de vista, é o que melhor ajuda o neófito a desenvolver esse “hábito”  é “Sobre a Psicopatologia da Vida Cotidiana”, publicado por Freud em 1901.

Nesse volumoso trabalho, Freud vai simplesmente demonstrar, por meio de DEZENAS de exemplos, como o Inconsciente se manifesta no nosso cotidiano.

A argumentação do velho é desenvolvida de forma tão cristalina que somente uma pessoa com muita má vontade é capaz de sair da leitura desse texto sem estar convencida da existência do Inconsciente.

É como se o Inconsciente fosse um animal exótico e Freud estivesse convidando você a ir observar esse animal em seu hábitat natural, a saber: nos esquecimentos, nos lapsos, nos enganos, nos erros…

Esse foi o primeiro livro de Psicanálise que li na vida e, depois dele, nunca mais consegui olhar para a existência sem levar em conta o Inconsciente.


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[Vídeo] Quais são os óculos que você utiliza para se enxergar?

Nossa autoimagem é construída com base nos espelhos fornecidos por outras pessoas, sobretudo na infância.

Essa composição fundamentada no discurso do Outro funciona como os óculos através dos quais nos enxergamos.

Como são os seus?


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[Vídeo] Psicanalista explica o sentimento de culpa

Neste vídeo: entenda quais são as condições que ocasionam o surgimento do sentimento de culpa e por que algumas pessoas se sentem culpadas com tanta facilidade.


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