[Vídeo] Como funciona a mente do hater


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A psicologia do hater

A palavra “hater” vem do inglês “hate” (ódio/odiar) e surgiu no contexto das redes sociais para designar a pessoa que repudia, critica, despreza outra, mas consome assiduamente o conteúdo que ela produz.

Portanto, o hater age de forma paradoxal: ele manifesta ódio pelo outro, mas se comporta como se o amasse. Afinal, acompanhar constantemente o que o outro produz é se interessar por ele, buscar estar próximo dele — e essas são atitudes que fazem parte justamente da esfera do amor.

Como explicar esse paradoxo?

Vamos examinar dois tipos de hater: aquele que é um amante frustrado e aquele que é um amante inconsciente. Comecemos pelo primeiro:

Não raramente, o hater foi alguém que, inicialmente, admirava e, em certos casos, até idolatrava aquele que, no momento, odeia.

A virada do amor para o ódio geralmente acontece por conta de alguma frustração muito significativa: o objeto de amor deixa de corresponder às expectativas do sujeito (via de regra, idealizadas) ou não atende certas demandas de amor.

O objeto pode começar, por exemplo, a se comportar de forma diferente, defender posições que não defendia antes. O hater se sente frustrado com tais mudanças e, em retaliação, começa a detonar aquele a quem antes rendia louvores.

Ou, de repente, o sujeito vive mandando mensagens para o objeto e, por não conseguir as respostas ou a proximidade pela qual ansiava, passa gradativamente a odiar seu ex-ídolo — porém, sem deixar de acompanhá-lo…

A segunda possibilidade é a de que o hater seja um amante inconsciente, isto é, ele ama aquele em quem descarrega seu ódio, mas não sabe que ama.

Veja: esse tipo de hater nunca admirou conscientemente aquela pessoa, mas existe algo nela que o atrai, que o fascina, levando-o a consumir os conteúdos que ela produz como se fosse um fã.

Em ambos os casos, estamos diante de um ódio erotizado, ou seja, um ódio que existe a serviço do amor — seja de um amor frustrado ou de um amor inconsciente.

No fim das contas, o hater odeia para continuar amando. Para continuar amando sem precisar admitir que ama.

É como se, ao odiar, o hater frustrado dissesse para si mesmo no inconsciente: “Eu não posso reconhecer que ainda amo essa pessoa que não me dá bola ou que não é mais quem eu gostaria que fosse. Portanto, vou odiá-la com unhas e dentes. Ódio é oposto de amor. Logo, odiando, posso me enganar e fingir para mim mesmo que o amor acabou.”

Já no caso do hater inconsciente, é como se inconscientemente ele pensasse: “Eu odeio essa pessoa, mas é fato que também a amo, pois há algo nela que me fascina. O que fazer? Bom, se eu manifestar regularmente meu ódio por ela, posso acabar me convencendo de que esse amor não existe.”

Nessa reflexão, eu me mantive restrito ao contexto da internet, mas a figura do hater também aparece no âmbito dos relacionamentos amorosos.

Há muitas pessoas que acabam se tornando haters de seus ex-parceiros. “Fala mal de mim, mas quer me pegar de novo”, já dizia a poesia popular.

Agora, me diga aí nos comentários: você já foi hater de alguém ou já foi alvo do ódio de algum?


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[Vídeo] Seu nome também é Legião!


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[Vídeo] Relaxa… Odiar é normal!

Infelizmente, prevalece no senso comum uma visão completamente falsa e idealizada das relações amorosas na qual a presença do ódio é vista necessariamente como um erro.

Ora, é absolutamente impossível amar uma pessoa sem odiá-la AO MESMO TEMPO.


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Relaxa… odiar é normal!

Uma das coisas que eu mais gosto na Psicanálise é o fato de que ela retira os “fardos pesados” que a farisaísmo social insiste em colocar sobre nós.

Se você postar nos seus stories ou em qualquer outra rede social a frase “Gente, eu tô com um ódio do meu marido!”, muita gente achará que há um problema grave no seu relacionamento.

É provável até que algum Ricardão se sinta encorajado a lhe mandar um direct com o clássico “Oi, sumida…”. 😏

Poucas pessoas vão olhar para a sua postagem e simplesmente pensar: “É, faz parte. De vez em quando a gente odeia a quem ama mesmo.”.

Infelizmente, prevalece no senso comum uma visão completamente falsa e idealizada das relações amorosas na qual a presença do ódio é vista necessariamente como um erro.

Ora, é absolutamente impossível amar uma pessoa sem odiá-la AO MESMO TEMPO.

Qualquer pessoa minimamente honesta consigo mesma jamais negaria a veracidade dessa afirmação.

Eugen Bleuler chamou de AMBIVALÊNCIA essa mistura inevitável de sentimentos que ocorre não só nas relações amorosas mas em praticamente todo relacionamento interpessoal.

Nas últimas aulas ao vivo da CONFRARIA ANALÍTICA tenho estudado com os alunos como a dificuldade de assumir a ambivalência pode levar ao adoecimento emocional.

Muitas pessoas entram em depressão, por exemplo, porque não se permitem odiar abertamente seus parceiros. Elas descarregam em si o ódio que era direcionado ao outro.

Sem falar nos obsessivos que morrem de culpa por sentirem essa hostilidade impossível de conter.

Parte dessa dificuldade de admitir o ódio está relacionada à visão idealizada e hipócrita das relações humanas que eu mencionei anteriormente.

Muitas pessoas se martirizam quando experimentam esse afeto porque aprenderam desde cedo que não se deve odiar JAMAIS sob pena de serem… ODIADAS por Deus! 🤡

A Psicanálise, em contrapartida, nos mostra que odiar, inclusive aqueles que amamos, é não só normal como inevitável.

Como seres naturalmente dotados de inclinações agressivas e apaixonados por nosso próprio ego, jamais conseguiríamos nos relacionar uns com os outros na base do “só love, só love”…


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Do medo da própria bagunça interior nasce a paixão neurótica pela coerência

No texto “A Questão da Análise Leiga”, de 1926, Freud diz o seguinte:

“O ego é uma organização caracterizada por uma tendência muito marcante no sentido da unificação, da síntese. Essa característica falta ao id; está, como poderíamos dizer, ‘toda em pedaços’; seus diferentes anseios perseguem suas próprias finalidades independentemente e sem levar em conta uns aos outros”.

Isso está entre as páginas 191 e 192 da Edição Standard Brasileira de 1996 das obras de Freud.

Nesse trecho, o autor está chamando nossa atenção para o fato de que, nas regiões mais profundas da alma (o id) todos nós somos incoerentes, ambíguos, ambivalentes e contraditórios.

Não se deve esquecer essa realidade porque, como Freud diz, o ego, isto é, a imagem que construímos de nós mesmos, tem uma tendência para a síntese.

Isso significa que a gente não suporta muito conviver conscientemente com a ideia de que podemos amar e odiar ao mesmo tempo uma pessoa, por exemplo.

O ego é aristotélico. Para ele, A só pode ser A; não dá para ser A e B ao mesmo tempo.

Talvez isso explique porque muitas pessoas tendem a enxergar a bissexualidade manifesta como homossexualidade enrustida.

Do ponto de vista egoico, a coexistência numa mesma pessoa de um desejo hétero e outro homossexual representa uma contradição que não pode ser admitida.

Nesse sentido, podemos pensar a neurose como sendo um tipo de adoecimento emocional derivado de um apego excessivo do sujeito ao próprio ego.

O neurótico está o tempo todo polindo e lustrando a imagem de si a fim de retirar dela qualquer “impureza”, qualquer coisinha que comprometa sua organização.

Assim, aquela pobre moça histérica precisa criar uma dor nas pernas para expressar o desejo de pegar o cunhado. Anseio que não se encaixa na imagem de santinha que ela tem de si.

Assim também aquele senhor obsessivo precisa se manter o tempo todo preOCUPADO para esconder do próprio ego o ódio que alimenta desde a infância pela mãe.

Na saúde, em contrapartida, o ego se apresenta mais permeável ao caos dionisíaco do id.

Na saúde, não temos medo da contradição, da incoerência e da ambiguidade.

Gozamos da liberdade de amar e odiar.

Ao mesmo tempo.


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O que é resistência em Psicanálise?

Olá! Tudo bem? Este conteúdo não se encontra mais disponível aqui, pois foi reunido no ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”.

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