Por que não adianta só tratar o sintoma?

Na Psicanálise, nós não traçamos como objetivo primário do tratamento a remoção de sintomas e inibições, mas a elaboração de fantasias e angústias.

SINTOMA é aquilo que você faz (ou que se faz em você), mas que não queria que acontecesse. Por exemplo: permanecer num relacionamento tóxico.

INIBIÇÃO é aquilo que você não consegue (ou não se permite) fazer, mas queria. Por exemplo: não ser capaz de fazer apresentações em público.

Sintomas e inibições são expressões visíveis de FANTASIAS — as quais podem ser mais ou menos conscientes.

As fantasias, por sua vez, são construções imaginárias que surgem em nós como forma de proteção contra a ANGÚSTIA.

Vejamos o exemplo de Beatriz, uma moça de 24 anos que não se sentia suficientemente amada pelo pai na infância.

Para se proteger da angústia gerada por essa frustração, ela construiu a fantasia de que conquistaria o amor paterno se fosse obediente e submissa, como a mãe.

Não adiantou nada.

Mesmo sendo boazinha e dócil, Beatriz continuou se sentindo pouco amada pelo pai.

Por isso, na adolescência, acabou transferindo inconscientemente a fantasia para a relação com Valmir, seu primeiro namorado, um sujeito ciumento e muito violento.

Apesar de agredir verbalmente a moça e traí-la diversas vezes, o rapaz nunca quis terminar o namoro.

— Eu nunca vou te deixar, Bia.

Beatriz interpretava inconscientemente isso como sinal de que era verdadeiramente amada por Valmir e, por isso, não conseguia terminar com ele.

Percebeu?

A FANTASIA de conquistar o amor paterno pela via da submissão materna era o que estava na raiz do SINTOMA da moça (permanência num relacionamento tóxico).

Se Beatriz simplesmente rompesse com o namorado sem atravessar essa fantasia, ela se sentiria extremamente angustiada e insegura.

E aí, para se proteger, provavelmente transferiria a fantasia para outra pessoa, dando início a mais um ciclo de dependência emocional.

Moral da história:

Como psicanalistas, nossa luta não é contra sintomas e inibições.

Mas, sim, contra as fantasias e angústias encobertas no mundo interno de nossos pacientes — porque é ali que a verdadeira mudança acontece.


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Ansiedade excessiva e desproporcional: o que fazer?

Ansiedade é uma emoção que nos acomete sempre que acreditamos estar prestes a entrar em contato com alguma coisa perigosa.

É por isso que Marcos se sente ansioso antes de encontrar-se com Cláudia, a moça com quem ele vem conversando desde que se conheceram em um aplicativo de paquera.

Qual é a coisa perigosa que o rapaz acredita que pode acontecer?

Digamos que seja a rejeição.

Como qualquer pessoa, Marcos tem medo de frustrar as expectativas de Cláudia e acabar sendo rejeitado por ela.

A moça também tem medo de não ser do agrado do rapaz. É por isso que também está ansiosa para esse primeiro encontro.

Tanto Marcos quanto Cláudia estão experimentando uma ansiedade normal, realista. De fato, a rejeição pode acontecer e nenhum dos dois quer passar por ela.

Mas vamos supor que Marcos, por exemplo, se sentisse tão ansioso que não conseguisse sequer ir até o encontro e acabasse dando uma desculpa para Cláudia:

— Puxa, linda, infelizmente vou ter que desmarcar. Surgiu um imprevisto: vou ter que levar minha avó ao jiu-jitsu.

Ora, nesse caso, não estamos mais diante de uma ansiedade normal, compreensível, fundamentada na realidade.

O caráter excessivo e paralisante do estado ansioso de Marcos é o sinal inequívoco de que ele está vivenciando uma ansiedade NEURÓTICA.

Isso significa que o rapaz não está com medo somente de uma possível rejeição, mas de outras coisas que podem estar direta ou indiretamente ASSOCIADAS a ela.

Ele pode ter medo, por exemplo, da imagem que veria de si mesmo no espelho da alma, caso fosse rejeitado por Cláudia.

“Você é muito fresco. Mulher não gosta de homem assim, não, viu?”.

Essa fala infeliz do pai, dita quando Marcos tinha dez anos, ainda ecoa na cabeça do rapaz.

Uma rejeição de Cláudia, portanto, seria vista por ele como uma confirmação da “profecia” paterna.

Esse é apenas um exemplo fictício que estou utilizando para mostrar a você que a ansiedade excessiva, desproporcional, neurótica pode ter raízes muito profundas.

Quem não topa o desafio de investigá-las fazendo terapia pode estar se condenando a viver dopado de medicamentos pelo resto da vida.

O que você prefere?


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Qual é seu ponto fraco emocional?

Uma pessoa que sofreu um acidente físico (fraturou um dos dedos do pé, por exemplo) pode passar a apresentar uma maior sensibilidade no membro atingido mesmo depois de ter finalizado o tratamento médico e fisioterápico.

É como se o acidente tivesse convertido aquela área do corpo numa espécie de “ponto fraco”, de tal modo que qualquer pressão mais intensa no local provoca uma leve dor.

Na dimensão psíquica, um processo análogo também acontece.

Em função de certos “acidentes” emocionais, podemos desenvolver uma maior sensibilidade a certos estímulos e vivenciar um estado de dor psíquica diante de situações que a maioria das pessoas encara com naturalidade.

Clara, por exemplo, fica extremamente angustiada quando se vê envolvida em qualquer tipo de conflito interpessoal.

O choque entre os seus desejos e os interesses alheios provoca na moça um estado de tamanha aflição que ela faz de tudo para evitar que essa situação aconteça.

Quando criança, Clara presenciava com alguma frequência brigas violentas entre seus pais, as quais eventualmente ultrapassavam o âmbito verbal.

Para se proteger, a jovem começou a tentar adivinhar os momentos em que as contendas iriam começar a fim de correr para o seu quarto antes e tapar os ouvidos com o travesseiro.

Os embates agressivos entre os pais constituem o “acidente” pelo qual passou o psiquismo de Clara e que o tornou hipersensível a qualquer situação de conflito.

Apesar de não morar com os pais já há bastante tempo, essa moça ainda guarda na alma o registro do terror que vivenciava toda vez que eles brigavam.

Esse resto infantil permanece a maior parte do tempo em estado latente, pois Clara tornou-se extremamente habilidosa na arte de evitar conflitos.

Ele só é ativado quando periodicamente a vida coloca diante da jovem a necessidade de confrontar os interesses de outra pessoa.

Nesses momentos, Clara volta a ser aquela menininha de 8, 9 anos de idade que tinha medo de se desintegrar ao ouvir os gritos, tapas e xingamentos dos pais.

Felizmente, existe um caminho terapêutico que pode ajudar essa moça a não ser mais refém de seu ponto fraco.

Mas isso é assunto para outro momento.


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A mulher que tinha fobia de mariposas

No meio da sessão, enquanto narrava um sonho, Adriana soltou um forte grito e se levantou do divã.

— O que aconteceu? — perguntou Eduardo, seu analista.

A paciente apontou para a parede na direção de uma pequena mariposa que lá repousava, dizendo “Mata! Mata!” bem baixinho, quase sussurrando.

Eduardo, então, levantou-se da poltrona e esmagou o inseto com um de seus sapatos, deixando uma pequena mancha acinzentada na parede.

— Pronto. Está mais calma?

— Sim… — respondeu a moça visivelmente aliviada.

— A gente precisa falar sobre isso. Desde quando você tem esse medo?

— Desde criança. Minha mãe fala que no começo eu tinha medo só daquelas grandonas, sabe? Aquelas escuras que o povo chama de bruxas.

— Bruxas! — exclamou o analista intuindo que tal significante poderia ser uma pista para interpretar aquela fobia.

— Mas, depois — continuou a paciente — diz minha mãe que eu passei a ter medo de qualquer mariposa, até dessas pequenininhas.

— E o que exatamente você teme?

— Não sei direito… Passa um monte de coisas na minha cabeça. Mas acho que o maior medo é de que elas me passem alguma doença, sei lá…

— Imagino que você já deve saber que esse tipo de inseto não transmite doenças, né?

— Sim. Eu sei que é um medo irracional, mas não tem jeito, doutor. Quando é bruxa, eu até desmaio!

— Então o feitiço da bruxa é mesmo muito poderoso! — interveio Eduardo apostando numa comunicação direta com a dimensão infantil da paciente.

A paciente não compreendeu imediatamente a fala do analista, mas lhe veio à mente a imagem da mãe. Sentindo-se um pouco envergonhada, Adriana preferiu não verbalizar o que pensou.

Todavia, o próprio silêncio da moça indicou a Eduardo que a intervenção produzira um efeito sobre ela. Por isso, o terapeuta considerou que era o momento apropriado para encerrar a sessão:

— Vamos continuar na semana que vem? Agora, a bruxa tá solta!

O que você acaba de ler é uma vinheta clínica fictícia que exemplifica a maneira como abordamos uma fobia pela via da Psicanálise.

Se quiser se aprofundar e entender em detalhes como funciona o tratamento psicanalítico das fobias, assista à AULA ESPECIAL publicada hoje (sexta) na CONFRARIA ANALÍTICA.

O título da aula é “AULA ESPECIAL – 4 princípios básicos para o tratamento das fobias na Psicanálise” e já está disponível no módulo “AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS”.


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[Vídeo] Por que tem gente que fica triste no Natal?


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Resistência: por que todo paciente atrapalha o seu próprio processo terapêutico?

Desde o início de sua carreira como psicoterapeuta, Sigmund Freud, o criador da Psicanálise, se deparou com um fenômeno curioso, que ele chamou de RESISTÊNCIA.

O médico austríaco observou que seus pacientes pareciam EVITAR deliberadamente certos pensamentos que apontavam para a origem de seus sintomas neuróticos.

Eu digo que esse fenômeno é curioso porque ele aparentemente não faz muito sentido. Afinal, por que uma pessoa doente intencionalmente atrapalharia o trabalho do médico que deseja curá-la?

Estranho, né? Mas foi exatamente isso o que Freud constatou: seus pacientes queriam melhorar, mas, ao mesmo tempo, NÃO QUERIAM passar pelo processo necessário para a cura.

Como explicar essa aparente contradição com a qual todo psicanalista se depara em sua clínica?

A resposta está no entendimento de como se formam as nossas doenças emocionais.

Freud descobriu que a gente desenvolve problemas psicológicos na esperança de que, por meio deles, possamos resolver certos CONFLITOS PSÍQUICOS.

Conflitos entre certos desejos e nossas convicções morais.

Conflitos entre a percepção de uma realidade e a expectativa que tínhamos sobre ela.

Conflitos entre o amor e o ódio que sentimos por uma mesma pessoa.

Enfim, na tentativa de solucionar dilemas como esses, nós adoecemos. É como se os sintomas e inibições nos fizessem “esquecer” dessas questões.

Nesse sentido, o tratamento exigirá necessariamente levar o paciente a repensar seus conflitos a fim de ajudá-lo a encontrar outras formas de resolução que não passem pela via da doença.

É daí que vem a resistência!

Com efeito, se o sujeito adoeceu na esperança de resolver os conflitos, isso aconteceu justamente porque tais batalhas mentais provocam uma angústia quase insuportável.

Assim, é natural que ele RESISTA a retomar o contato com essas questões. A pessoa tem MEDO de voltar a experimentar aquela angústia.

Por isso, uma parte significativa do tratamento psicanalítico consiste em oferecer ao paciente o apoio necessário para que ele perca esse medo.


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O pessimismo como defesa

Como você encara o futuro?

Na minha experiência clínica, frequentemente me deparo com pessimistas convictos, ou seja, pessoas que olham para o futuro e só conseguem enxergar fracassos e frustrações.

O pessimismo parece ser uma atitude injustificável do ponto de vista racional.

Afinal, ao pensar que tudo vai dar errado, o sujeito é levado a sofrer por antecipação e a própria expectativa pessimista o desestimula a tentar evitar o desfecho negativo que imagina.

Considerando essa falta de razoabilidade, certos psicólogos buscam convencer o paciente pessimista de que o seu modo de pensar é ilógico e precisa ser alterado.

“Quais são as evidências de que as coisas vão dar errado no futuro?”, pergunta o terapeuta convencido de que uma simples reflexão racional será suficiente para levar o paciente à mudança.

Não será.

E não será pela simples razão de que o pessimismo não é apenas um raciocínio equivocado, mas fundamentalmente uma maneira DEFENSIVA de pensar.

Sim! Quando olhamos para o futuro e imaginamos que nada vai dar certo, estamos tentando nos proteger.

Quem me ensinou isso foi justamente… uma paciente pessimista.

A história de vida dela foi marcada por um episódio traumático ocorrido quando era criança: sua mãe decidiu ir trabalhar no exterior e deixou para avisá-la poucos dias antes da viagem.

Atônita com a notícia de que, dentro de pouco tempo, não veria mais a mãe, essa moça nunca mais conseguiu relaxar e passou a enxergar o futuro de modo catastrófico.

Pudera! Ao passar a imaginar que as coisas não dariam certo, ela estava, sem perceber, buscando evitar ser pega novamente DE SURPRESA, como aconteceu ao receber a notícia da partida da mãe.

É como se ela pensasse assim: “Preciso imaginar que todos os problemas que eu temo vão acontecer porque, caso eles efetivamente aconteçam, eu já estarei preparada para enfrentá-los.”.

Nesse sentido, o tratamento da expectativa pessimista não passa por um convencimento racional, pois depende da elaboração do trauma que o paciente vivenciou na infância.

Trauma que continua assombrando-o como um fantasma prestes a a reaparecer a qualquer momento.


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Terapeutas, prestem muita atenção ao modo como o paciente se relaciona com vocês.

Cada pessoa tem uma forma típica, mais ou menos estereotipada, de se relacionar com o outro.

Tem gente que está sempre querendo agradar.

Tem gente que está sempre querendo se esconder.

Tem gente que está sempre querendo seduzir.

Tem gente que está sempre querendo se mostrar forte.

Enfim, os padrões de relacionamento são os mais diversos. Eles expressam uma determinada FANTASIA e se constituem em resposta a um certo tipo de MEDO BÁSICO.

Por exemplo: o sujeito que está o tempo todo querendo agradar pode ter inconscientemente o medo de ser destruído por um objeto interno cruel e implacável.

Tal objeto mau se formou na mente dessa pessoa em função das suas experiências infantis. Ela pode ter tido, por exemplo, um pai muito agressivo e intolerante.

O medo de ser morto, a princípio pelo próprio pai real, e depois pela versão internalizada dele (muito mais cruel), leva o sujeito a desenvolver, na infância mesmo, uma FANTASIA.

Trata-se de uma situação imaginária muito simples que a pessoa acredita que a protegeria do perigo que ela tanto teme.

Nesse exemplo que estamos analisando, a fantasia poderia ser expressa da seguinte forma:

“Se eu agradar o papai, ele vai ficar feliz e não vai me matar.”

Como o pai real é introjetado, a fantasia passa a estar relacionada ao objeto interno mau. Esse, por sua vez, pode ser projetado em outras pessoas.

É daí que vem o padrão de estar sempre tentando agradar.

Com efeito, por estar sempre projetando o objeto cruel e impiedoso, o sujeito se sente o tempo todo ameaçado e precisa estar constantemente fazendo uso da fantasia para se defender.

Em outras palavras, buscando agradar os outros, a pessoa inconscientemente acredita que está “acalmando” o objeto interno mau e se protegendo dos ataques dele.

É claro que essa tendência de estar sempre querendo agradar pode estar ligada a outros medos e fantasias. Há vários cenários possíveis.

O exemplo citado serve apenas para enfatizar o quanto é importante que o terapeuta identifique o padrão de relacionamento interpessoal do paciente.

Afinal, como vimos, é na análise desse padrão que encontraremos os medos e fantasias básicas que governam inconscientemente a vida do sujeito.


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[Vídeo] De onde vem a angústia da escolha?

Antes de tomarmos qualquer decisão, antes de nos perguntarmos: “Escolho x ou y?”, nos fazemos outra indagação ainda mais fundamental: “Como serei amado pelo mundo? Escolhendo x ou escolhendo y?”.


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[Vídeo] A ansiedade e a falta da falta

Esta é uma pequena fatia da aula especial “LENDO LACAN #09 – A falta da falta é o que provoca a ansiedade”, já disponível para quem está na CONFRARIA ANALÍTICA.


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Bárbara e o Direito: a estudante ansiosa que não podia desejar

Bárbara, uma jovem de 19 anos, ingressou há cerca de 8 meses numa universidade pública para cursar Direito.

Apesar de sempre ter sido uma excelente aluna durante o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, a moça sente muito medo de tirar notas baixas na faculdade.

Curiosamente, até o momento isso não aconteceu.

Bárbara está no início do segundo período do curso e, por enquanto, suas notas foram sempre acima de 80% em todas as provas e trabalhos.

Se essa estudante tem um retrospecto tão positivo, como explicar as constantes crises de ansiedade que ela experimenta, principalmente antes das avaliações?

Será que, de fato, o que deixa a jovem apavorada é a possibilidade de ir mal numa prova, ser reprovada nas disciplinas e não conseguir concluir a graduação?

Bem, é esse o fluxo catastrófico de pensamentos que ela descreve para Leda, a analista que a acompanha desde que fazia cursinho pré-vestibular.

A terapeuta, que não é boba nem nada, sabe que o buraco é mais embaixo e resolve perguntar para Bárbara como se deu a escolha pelo curso de Direito.

— Escolha? Como assim ESCOLHA?, pergunta retoricamente a moça. Foi uma coisa natural… Acho que eu nunca pensei em fazer outra coisa.

Leda pede que a paciente explique isso melhor.

— Ah… Minha avó era advogada, minha mãe é defensora pública… Não tinha como ser diferente… Mas ninguém me pressionou, viu?

— Mas… E se tivesse como ser diferente?, provoca a analista. O que você escolheria se não fosse o Direito?

— Não faço a menor a ideia, diz a estudante depois de alguns segundos em silêncio. Nunca pensei na possibilidade de fazer outra coisa.

— Você nunca se permitiu DESEJAR outra coisa, né Bárbara?, diz Leda encerrando a sessão.

A terapeuta fez essa última intervenção levando em consideração uma tese contratuitiva proposta por Jacques Lacan acerca da ansiedade.

Para o psicanalista francês, a ansiedade nos visita justamente quando perdemos a possibilidade de desejar, ou seja, quando a FALTA (condição do desejo)… falta.

Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá ainda hoje (sexta) uma AULA ESPECIAL em que comento essa tese lacaniana de forma simples e didática com base num texto do próprio Lacan.

Te vejo lá!


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[Vídeo] Trate a ansiedade como uma febre

O fato de você estar momentaneamente muito ansioso ou o tempo todo ansioso é apenas um sinal, assim como a febre, de que algo em você não está OK. Nesse sentido, é preciso ir em busca das CAUSAS desse estado de ansiedade excessiva e frequente.


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Ansiedade é vida enclausurada


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[Vídeo] Ansiedade realística e neurótica

Esse corte foi extraído da nossa última aula AO VIVO de segunda-feira na CONFRARIA ANALÍTICA.

Hoje, a partir das 20h, teremos mais um encontro.

Estamos estudando linha a linha o texto de Freud “Sobre o narcisismo: uma introdução”.

Te vejo lá!


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A gente faz Psicanálise para mapear as rotas por onde caminha nossa angústia…


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