
Classicamente, nós pensamos na Psicanálise como um procedimento terapêutico que permite ao sujeito fazer uma espécie de mergulho em si mesmo.
A postura mais passiva e silenciosa do analista facilitaria esse movimento introspectivo que permitiria ao paciente se redescobrir.
Tudo isso é verdade. Mas não é TODA a verdade.
De fato, a gente faz análise para SE escutar e SE enxergar.
Mas a gente também faz análise para se RELACIONAR.
Sim: embora a terapia psicanalítica não seja uma conversa comum, ela se constitui inegavelmente como uma relação entre duas pessoas.
Isso pode parecer óbvio, mas não é.
O que quero destacar é o fato de que as transformações que ocorrem com o paciente não são resultantes apenas do mergulho que ele faz em si mesmo.
Na verdade, boa parte delas pode ser atribuída às vicissitudes da relação concreta com o analista — mediadas OU NÃO por elementos transferenciais.
Diferentemente do que se acredita no senso comum, um analista jamais é completamente neutro.
Quando um paciente confessa ter uma fantasia sequissual da qual sente vergonha, ao escutá-lo em silêncio, o terapeuta não está sendo neutro.
Afinal, ao agir assim, o analista comunica ao paciente que ali, no contexto terapêutico, ele tem a liberdade de falar abertamente sobre seus desejos.
E essa mensagem implícita, por si só, já é terapêutica.
De repente, esse paciente sente vergonha de sua fantasia por ter sido criado em um contexto excessivamente moralista e repressor.
Ora, ao escutar o sujeito sem condená-lo, o analista está oferecendo a ele um NOVO contexto que, diferentemente do primeiro, não o incita à vergonha.
Portanto, se a Psicanálise é terapêutica, não é só por conta dos insights e elaborações que o paciente faz, mas também pelo próprio VÍNCULO com o analista.
Esse vínculo pode ser transformador em si mesmo, pois contrasta com os vínculos adoecedores presentes na história do paciente.
Em outras palavras, o paciente se liberta dos efeitos patológicos de relações marcadas por moralismo, opressão ou abandono ao vivenciar uma relação nova, com o analista, pautada por liberdade, confiabilidade e acolhimento.
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