Uma jovem adulta chega à análise queixando-se de constantes crises de ansiedade.
Há mais de um ano ela terminou um namoro desagradável, insatisfatório, mas até hoje se pergunta se fez certo ao sair do relacionamento.
A moça tem um olhar muito negativo sobre si mesma, acha que é uma farsa…
Quando bate a ansiedade, se toca compulsivamente e depois se sente culpada e suja.
Na adolescência, sofreu diversas humilhações na escola.
Na infância, foi severamente repreendida ao explorar o próprio corpo.
Como tudo isso se articula?
De que forma a repressão vivida na infância pode ter moldado a autoimagem e o tipo de sofrimento psíquico apresentado por essa moça hoje?
Como a analista pode ajudá-la a sair de suas repetições e transformar sua relação consigo mesma?
Essas são algumas das perguntas que eu respondo na aula “ESTUDOS DE CASOS 24 – Repressão na infância, baixa autoestima e autopunição”, publicada hoje (sexta) na CONFRARIA ANALÍTICA, minha escola de formação teórica em Psicanálise.
Trata-se de mais uma aula do módulo ESTUDOS DE CASOS, em que comento casos clínicos reais que estão sendo conduzidos por alunos da Confraria.
Seja membro da nossa escola e libere o acesso imediato a essa aula e a todo o nosso acervo de mais de 600 horas de aulas sobre Psicanálise.
Participe da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Esta é uma pequena fatia da aula “A crítica de Balint à teoria do desenvolvimento libidinal” que já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – TEMAS VARIADOS da CONFRARIA ANALÍTICA.
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A popularização das redes sociais fez surgir um tipo muito curioso: o sujeito que se orgulha de exibir a própria ignorância.
Esse é o perfil daqueles profissionais de saúde mental que, volta e meia, fazem vídeos dizendo besteiras como:
“A Psicanálise não evolui.”
“Os psicanalistas continuam trabalhando do mesmo jeito que seus precursores de cem anos atrás.”
“Na Psicanálise, as proposições de Freud são tratadas como dogmas.”
Quem fala esse tipo de coisa está passando vergonha, pois revela uma lacuna intelectual que deveria ser mantida ao abrigo do olhar público.
Trata-se, todavia, de uma falta de conhecimento que poderia ser facilmente superada se tais fanfarrões calçassem as sandálias da humildade e fizessem parte da Confraria Analítica, minha escola de formação teórica em Psicanálise.
Sim, porque tendo acesso às nossas mais de 600 horas de aulas sobre teoria psicanalítica, esse pessoal jamais continuaria repetindo tanta bobagem.
Na Confraria, faço questão de mostrar aos alunos que, embora Freud seja um autor fundamental por ter estabelecido as bases do campo psicanalítico, muitas de suas formulações foram não só criticadas, mas até refutadas por outros autores.
É o caso, por exemplo, da conhecida teoria do desenvolvimento libidinal (fase oral, fase an4I, fase fálica etc.).
O psicanalista húngaro Michael Balint, já em 1935 (Freud ainda era vivo), ousou dizer que essa teoria era fundamentalmente falsa e que as tais fases seriam, na verdade, posições defensivas adotadas por algumas crianças como respostas a experiências traumáticas.
Balint teve a audácia de re-examinar o caso do Homem dos Lobos e dizer que Freud estava errado na leitura que fizera de certos eventos da infância do paciente.
Isso, repito, já em 1935!
Como, então, podem parar de pé afirmações do tipo “a Psicanálise não evolui” e “os psicanalistas tratam as ideias de Freud como dogmas”?
Se você quiser saber mais sobre as críticas de Balint à clássica teoria do desenvolvimento libidinal, assista à aula inédita publicada nesta sexta na Confraria.
O título dela é: “A crítica de Balint à teoria do desenvolvimento libidinal” e já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – TEMAS VARIADOS da Confraria.
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Esta é uma pequena fatia da aula “Natal e ano novo: gatilhos emocionais”, que já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – TEMAS VARIADOS da Confraria Analítica.
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Estamos nos aproximando daquela época do ano que teoricamente deveria ser fonte de alegria, mas que muita gente vivencia com certo mal-estar.
É o período das chamadas “festas de fim de ano”, Natal e Réveillon.
Na caixa de um famoso panettone com gotas de chocolate se lê: “O Natal é tempo de estar em família…”.
Na televisão circulam anúncios de programas especiais e se repete aquela velha musiquinha que ninguém suporta mais: “Hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa…”.
Alegria, celebração, confraternizações, euforia. Por toda parte.
Quem não compartilha desse clima festivo pode se sentir um peixe fora d’água:
“O que há de errado comigo? Por que não consigo ficar tão feliz como todo mundo?”.
Não, não é só você, meu caro, minha cara.
Existe toda uma multidão de pessoas que não recorre a essa defesa maníaca que a cultura nos convida a utilizar nestes últimos dias do ano.
— Defesa maníaca, Lucas? Como assim?
Defesa maníaca é como chamamos, em Psicanálise, o uso da alegria, da animação, da excitação para mascarar e compensar afetos dolorosos.
De fato, Natal e Réveillon são duas datas que tendem a evocar em nós memórias e constatações que não são nada agradáveis:
Os rituais natalinos de trocar presentes e se reunir em família evocam a infância que perdemos (ou que nunca tivemos).
Evocam também nossos inevitáveis (e às vezes traumáticos) problemas familiares.
O Réveillon, por sua vez, traz consigo a dolorosa constatação de que “o tempo está passando” e de que não sabemos o que o futuro nos reserva.
Pense, por exemplo, na passagem de 2019 para 2020. Desejamos “Feliz ano novo!” uns para outros sem ter a menor ideia de que uma pandemia estava para nascer.
Tudo isso faz com que seja bastante compreensível que muitas pessoas vivam esses últimos dias do ano com certa tristeza e uma boa dose de angústia.
É que talvez elas enxerguem o “lado b” desse período festivo — o que não as torna moralmente superiores, que fique bem claro.
Elas só não conseguem usufruir da defesa maníaca fornecida pela cultura.
Se você consegue, aproveite! Boas festas!
Se esse texto fez sentido para você, quero te dizer que eu aprofundo essa reflexão em uma aula recém-publicada na Confraria Analítica, intitulada “Natal e ano novo: gatilhos emocionais”.
Nela, eu falo com mais profundidade sobre como as festas de fim de ano podem funcionar como gatilhos para afetos dolorosos que muitas vezes ficam encobertos por esse clima de euforia socialmente esperado.
Também abordo o que costuma acontecer na relação entre pacientes e terapeutas nesse período em que muitos profissionais entram em recesso, e como esse intervalo pode reativar fantasias de abandono, dependência ou rejeição.
Por fim, discuto a função defensiva das chamadas “resoluções de ano novo” e por que, na maioria das vezes, elas não funcionam.
Ao assinar a Confraria Analítica, você tem acesso imediato a essa aula e a um acervo com mais de 600 horas de conteúdo em teoria psicanalítica, pensado para quem quer compreender melhor a si mesmo e aos outros, sem respostas fáceis e sem promessas vazias.
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Responda rápido: quem foi a primeira pessoa que você amou na vida?
Se você não respondeu “minha mãe”, sua resposta está errada.
Sim, a primeira pessoa que todos nós amamos na vida é a mãe (ou aquela que faz a função materna).
Não tem como ser diferente, gente. É natural que estabeleçamos um vínculo de amor com a pessoa que inicialmente assegura nossa sobrevivência.
É a mãe (ou figura materna) que nos alimenta, nos protege do frio, nos dá colo etc. É praticamente inevitável que amemos essa pessoa.
Para os chatos de plantão: é claro que o pai também pode fazer tudo isso, mas, via de regra, é a mãe quem se encarrega de tais funções — sobretudo nos primeiros meses.
— OK, Lucas, mas por que você está nos lembrando dessas obviedades?
Porque eu quero chamar sua atenção para um fato que não é tão óbvio assim… Veja:
Se a figura materna é a primeira pessoa que a gente ama, isso significa que o vínculo com ela servirá de base, de modelo, para nossas relações amorosas posteriores.
Não, não estou me referindo ao velho clichê de que você vai se apaixonar por pessoas parecidas com sua mãe. Pode acontecer, mas não é disso que estou falando.
O ponto é que certos aspectos estruturais presentes no vínculo inicial com a mãe tendem a reaparecer nas relações com nossos parceiros ou parceiras.
Vou citar um desses aspectos: a dupla função que a mãe exerce junto ao bebê.
O psicanalista inglês Donald Winnicott descobriu que a mãe é, ao mesmo tempo, objeto e ambiente para seu filho.
Enquanto objeto, ela se oferece ao bebê para ser sugada, mordida, imaginariamente atacada, ou seja, como um alvo dos impulsos dele.
Já como ambiente, a mãe se apresenta como um contexto que fornece (ou não) segurança, previsibilidade, rotina etc.
Ora, nossos parceiros e parceiras tendem a exercer exatamente esses dois papéis conosco:
Por um lado são objetos com os quais saciamos nossos desejos. Por outro, constituem um ambiente no qual nos sentimos acolhidos e seguros.
Vários problemas comuns nos relacionamentos acontecem justamente quando o parceiro não exerce uma dessas funções.
Aí surgem os clássicos:
A pessoa que é um objeto extremamente excitante, mas zero ambiente confiável. Ou aquela que é um ambiente super acolhedor, mas não se coloca como objeto de desejo.
As relações que costumam funcionar melhor — em que ambos se sentem suficientemente satisfeitos (suficientemente!) — são aquelas nas quais cada um consegue, a seu modo, ocupar os dois lugares para o outro.
Isso acontece no seu relacionamento? Ou por aí tá faltando espaço para alguma dessas funções?
***
Na aula temática desta sexta na Confraria Analítica, vamos aprofundar a distinção que Winnicott faz entre mãe-ambiente e mãe-objeto e entender como essa diferença continua moldando nossos relacionamentos na vida adulta.
Para ser meu aluno na Confraria, é só clicar aqui.
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Esta é uma pequena fatia da aula “Tipos de ansiedade em Psicanálise” que já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – TEMAS VARIADOS da CONFRARIA ANALÍTICA.
Karen, uma jovem economista de 26 anos, sempre teve muita dificuldade para interagir com as pessoas.
Ela não é exatamente tímida. Faz apresentações em público, se expõe nas redes sociais… O problema dela não está na exposição, mas na relação.
Uma simples conversa com um vendedor numa loja já a deixava tensa e ansiosa. Por isso, preferia comprar tudo online.
Karen tem algumas poucas amigas, mas raramente sai com elas, limitando o contato praticamente à internet.
Insatisfeita com seu jeito de ser, resolveu fazer terapia cognitivo-comportamental.
A psicóloga a diagnosticou com “transtorno de ansiedade social”, a encaminhou para um psiquiatra e iniciou um “treino de habilidades sociais”.
Após quatro meses, Karen decidiu abandonar o tratamento, pois não se sentia melhorando.
Pelo contrário: o tal “treino” a deixava ainda mais ansiosa, pois se sentia cobrada a apresentar resultados.
Algumas semanas depois, encontrou no Instagram o perfil de outra psicóloga que trabalhava com Psicanálise e decidiu marcar uma consulta.
Deu certo.
Apesar do desconforto inicial com a postura mais reservada da profissional, Karen foi, aos poucos, se sentindo à vontade.
As intervenções da analista davam a ela a sensação de que, finalmente, alguém havia compreendido o que realmente acontecia.
— Tenho a impressão de que, ao interagir, você sente inconscientemente que será engolida, dominada, invadida pelo outro, Karen — disse certa vez a terapeuta.
Essa profissional havia conseguido enxergar a ansiedade básica que estava por trás da dificuldade de interação da paciente.
Tratava-se de uma ansiedade de invasão/intrusão, um medo inconsciente de ser sufocada pelo outro e perder a autonomia e a capacidade de desejar.
Encorajando Karen a elaborar essa ansiedade, a psicóloga conseguiu ajudar a moça a ir pouco a pouco perdendo naturalmente a dificuldade de interagir.
Sem treino.
A ansiedade de invasão/intrusão é apenas um dos sete tipos principais de ansiedades básicas que encontramos na clínica.
Eu explico didaticamente cada um deles na aula publicada hoje na Confraria Analítica, minha escola de formação teórica em Psicanálise.
O título da aula é “Tipos de ansiedade em Psicanálise” e ela já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – TEMAS VARIADOS.
Se você é analista ou terapeuta e quer aprender a identificar as ansiedades básicas de seus pacientes para ajudá-los de maneira mais efetiva, essa aula é para você.
Esta é uma pequena fatia da aula “A contratransferência como bússola clínica” que já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – TEMAS VARIADOS da CONFRARIA ANALÍTICA.
Vanessa ainda não tinha conseguido entender porque sentia tanta irritação ao atender Marcelo.
O rapaz tinha 27 anos e havia começado a terapia com uma demanda de timidez excessiva e pensamentos intrusivos.
Ele sempre fora tão gentil e educado no trato com Vanessa que a analista poderia descrevê-lo tranquilamente como “um amor de pessoa”.
Porém, o que ela sentia ao atendê-lo era… raiva. Às vezes tinha vontade de lhe dar uns safanões. “Esse cara precisa acordar para a vida!”, ela pensava.
Ao mesmo tempo, Vanessa se condenava por ter esse tipo de pensamento e por ficar tão irritada nas sessões.
A terapeuta achava que não estava conseguindo manter a neutralidade e cogitou até interromper a análise e encaminhar o paciente para uma colega.
No entanto, fazendo uma pesquisa na internet sobre contratransferência, a analista acabou encontrando o artigo “On Counter-transference”, de Paula Heimann.
Trata-se de um texto clássico, publicado em 1950, no qual a autora defende que os sentimentos contratransferenciais não são necessariamente um problema.
Pelo contrário! Segundo Heimann, eles podem fornecer pistas sobre o que está acontecendo no inconsciente do paciente.
Depois de ler o artigo, Vanessa refletiu longamente sobre o caso e chegou a uma conclusão que provocou uma virada radical no tratamento.
A analista se deu conta de que a raiva que sentia era, na verdade, uma expressão da agressividade que o próprio paciente não conseguia experimentar.
Incapaz de suportar seus impulsos agressivos, o rapaz os projetava na analista e, sem perceber, a induzia a vivenciá-los em seu lugar.
Essa constatação levou Vanessa a perceber que a repressão da agressividade era um fator central por trás da timidez e dos pensamentos intrusivos de Marcelo.
Mas, veja: ela só conseguiu fazer essa descoberta ao ser encorajada pelo artigo de Paula Heimann a olhar para sua contratransferência como uma fonte de informação.
Você, que ainda não conhece esse texto, também pode passar pela mesma experiência transformadora vivida por Vanessa — só que em boa companhia.
Deixa eu te explicar: é que eu acabei de publicar na Confraria Analítica uma aula especial justamente sobre o artigo “On Counter-transference”, de Paula Heimann.
O título dela é “A Contratransferência como Bússola Clínica” e já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – TEMAS VARIADOS da Confraria Analítica.
A Confraria é a maior e mais acessível escola de teoria psicanalítica do Brasil e já conta com mais de 3000 alunos.
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É a melhor oportunidade do ano para aprofundar sua clínica com autores que realmente fazem diferença — como Paula Heimann.
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Esta é uma pequena fatia da aula “LENDO KLEIN 10 – O poder ansiolítico da interpretação” que já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – KLEIN da CONFRARIA ANALÍTICA.
Esta é uma pequena fatia da aula “ESTUDOS DE CASOS 23 – Uma vida bloqueada pela fixação ao trauma infantil” que já está disponível no módulo ESTUDOS DE CASOS da CONFRARIA ANALÍTICA.
Existem algumas razões pelas quais um trauma infantil pode prejudicar significativamente a sequência da vida de uma pessoa.
Às vezes, o sujeito pode, por exemplo, se tornar ansioso e inibido em função do medo de passar novamente pela experiência traumática.
Em outras situações, o trauma pode comprometer o desenvolvimento de certas estruturas psíquicas, dependendo da idade em que ocorreu.
Mas há uma possibilidade sobre a qual pouco se fala (fora da Psicanálise) e que merece ser destacada:
A pessoa pode permanecer emocionalmente fixada à experiência traumática na esperança de que receberá uma compensação por ter passado por ela.
É como se o sujeito paralisasse a continuidade da sua vida para reivindicar inconscientemente uma “indenização” afetiva pelo trauma.
Foi isso o que aconteceu com uma moça atendida por uma aluna da Confraria Analítica, minha escola de formação teórica em Psicanálise.
A paciente foi αb*sαdα sε*uαlmente pelo pai na infância e passou por outras injustiças relacionadas a essa, sem receber qualquer tipo de reparação.
Mas o grande problema é que ela, sem perceber, converteu sua vida numa espécie de protesto silencioso contra tudo o que sofreu.
Quando o desejo, de vez em quando, se apresenta, ela logo dá um jeito de calá-lo a fim de retomar a demanda de indenização ao Outro.
Por isso, precisa permanecer presa à imagem de si como alguém que foi essencialmente estragada na infância.
Sua reivindicação é justa, mas estéril.
Na aula “Estudos de Casos 23 — Uma vida bloqueada pela fixação ao trauma infantil”, eu analiso esse caso em profundidade e mostro como essa armadilha subjetiva pode ser trabalhada clinicamente.
Ela já está disponível no módulo Estudos de Casos da Confraria Analítica, no qual comento casos clínicos reais relatados por alunos da nossa escola.
Primeiramente, deixe-me definir o que é superego, pois talvez você nunca tenha ouvido falar nessa expressão.
Superego foi o nome que Freud deu para a parte da nossa mente responsável por monitorar e controlar nosso comportamento em termos morais.
Ele se forma na infância à medida que vamos internalizando o monitoramento e controle que nossos pais exercem sobre a gente.
Ou seja, inicialmente nós somos disciplinados pelo OUTRO e, pouco a pouco, passamos a NOS disciplinar.
Normalmente, a relação que temos com nosso superego é tão conflituosa quanto a relação que tínhamos com nossos pais na infância.
Você se lembra que volta e meia queria fazer alguma coisa e seus pais não permitiam?
Ou, de repente, você efetivamente fazia alguma coisa que eles não deixavam e ficava de castigo. Lembra disso?
Pois bem, essa mesma dinâmica tende a se repetir em nossa relação com o superego.
A diferença é que agora os conflitos são internos, pois o superego nada mais é que uma parte de nós mesmos.
Então, em vez de ser impedido ou castigado por seus pais, você mesmo SE impede e SE castiga.
Pessoas emocionalmente imaturas sofrem muito com esses inevitáveis conflitos, pois lidam com o superego exatamente como uma criança lida com seus pais.
Há crianças que sentem tanto medo de serem punidas ou decepcionarem os pais que se tornam exageradamente obedientes, quietinhas, sem vida.
Adultos emocionalmente imaturos podem se comportar exatamente da mesma forma, mas porque têm um medo neurótico de desagradar… o superego.
Por outro lado, há crianças que estão sempre “aprontando” não como expressão espontânea de sua vitalidade, mas PARA sofrerem castigo.
Afinal, há certos pais que só dedicam atenção a um filho quando é preciso discipliná-lo.
Assim também, alguns adultos emocionalmente imaturos podem manter essa relação meio sαdmαsoquistα com o superego:
Periodicamente, metem o pé na jaca PARA se sentirem culpados e se depreciarem. A autopunição evoca a escassa atenção que vinha junto com o castigo dos pais.
Fazendo análise, tais sujeitos podem conquistar gradativamente a capacidade de lidarem de uma forma mais adulta com o superego.
E como seria isso?
A pessoa emocionalmente madura é capaz de CONVERSAR com seu superego. Ela não fica obedecendo-o cegamente nem provocando-o.
Essa pessoa reconhece a utilidade do superego (sem ele a vida em sociedade seria impossível), mas sabe que, de vez em quando, ele mais atrapalha do que ajuda.
Seus pais monitoravam e controlavam seu comportamento porque, no fundo, queriam que você fosse a criança ideal que tanto desejavam.
Da mesma forma, seu superego quer que você seja o Paulo ideal, a Alessandra ideal, a Natália ideal, o Fernando ideal, o Lucas ideal…
Por isso, não raramente, é preciso RELATIVIZAR o que o superego diz.
Mas, para fazer isso, é preciso sair da posição de criança e tirá-lo da posição de papai e mamãe.
Quer saber mais sobre como funciona funciona o superego?
Na CONFRARIA ANALÍTICA, minha escola de formação teórica em Psicanálise, temos diversas aulas que abordam esse tema.
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