Como Melanie Klein atendia? Lições do caso Richard

O ano era 1941.

Segunda Guerra Mundial bombando — literalmente…

De um lado os países “Aliados”; do outro as potências do “Eixo”, capitaneadas por um monstro de bigode.

No interior do País de Gales, Richard, um menino de dez anos, escuta com atenção e aflição as notícias sobre a guerra no rádio.

Recentemente, soube que uma bomba teria caído próximo à casa onde morava, fazendo desabar a estufa que ficava no jardim.

Por conta do conflito, Richard teve que se mudar com a família para outra cidade.

Além de preocupado, o menino se sente indignado com a crueldade do monstro de bigode:

“Como ele foi capaz de fazer mal a seu próprio povo (os austríacos)?”, pergunta-se.

Mas enquanto o trágico confronto militar se desenrola do lado de fora, Richard vive outra guerra — dentro de si.

Ele ainda não entende exatamente o que está acontecendo, mas os danos que esse conflito interno tem causado são claros:

Há dois anos não consegue ir para a escola, pois sente um medo inexplicável dos outros garotos; tem um medo exagerado de adoecer e de algo ruim acontecer com sua mãe; e há mais de quatro anos vem apresentando outros sintomas depressivos e ansiosos.

Tanto a mãe quanto o pai são compreensivos e não tentam forçar Richard a ir para a escola.

Porém, preocupados com o futuro acadêmico e a saúde mental do filho, decidem levá-lo a uma senhora que vinha se notabilizando na Europa por conseguir tratar crianças com problemas emocionais usando o famoso método criado por Freud, a Psicanálise.

O nome dessa senhora você já sabe: é Melanie Klein.

A família diz que só pode se comprometer com quatro meses de terapia.

Embora ciente de que um tratamento com duração pré-definida não é o ideal, Klein aceita atender Richard. Acredita que conseguirá ajudá-lo.

Como Melanie Klein trabalhou com esse menino?

Ela própria nos conta no livro “Narrativa da análise de uma criança”.

Todas as 93 sessões estão lá descritas e comentadas, detalhadamente. É uma das maiores joias da literatura psicanalítica!

Se você quer entender, na prática, como um analista trabalha de verdade, esse caso é um divisor de águas.

Nesta sexta, eu destrincho a primeira sessão, linha por linha, em uma aula exclusiva para os alunos da Confraria Analítica.

Você vai ver como Klein:

  • escuta
  • intervém
  • e transforma a angústia da criança em material analisável

Sem romantização. Sem teoria vazia. Clínica.

Se você ainda acha que Psicanálise é só “escutar e acolher”, essa aula vai te incomodar.

E talvez seja exatamente disso que você precisa.

O título da aula é “LENDO KLEIN 11 – Interpretação precoce e sensibilidade: lições da primeira sessão do caso Richard” e ela já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – KLEIN.

A Confraria é a maior e mais acessível escola de formação teórica em Psicanálise, com um acervo de mais de 400 aulas, o que equivale a mais de 600 horas de conteúdo.

Link: https://confrariaanalitica.com/


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[Vídeo] Reich, caráter e resistência

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Vale a pena estudar Reich na Psicanálise?

Ao longo de mais de cinco anos de existência da Confraria Analítica, minha escola de formação teórica em Psicanálise, várias pessoas me pediram para falar sobre Reich.

E hoje eu finalmente decidi atender essa demanda.

Wilhelm Reich (1897-1957) fez parte do movimento psicanalítico durante aproximadamente 13 anos, de 1920 a 1933.

Há relatos de que Freud o via como um de seus alunos mais promissores.

Mas será que Reich merece, de fato, ocupar um lugar entre os grandes nomes da Psicanálise?

Ou será que ele se tornou notável justamente pelas ideias controversas (para dizer o mínimo) que propagou fora do universo psicanalítico?

Para quem não sabe, Reich faleceu de ataque cardíaco numa prisão norte-americana por desobedecer a proibição de distribuir suas “máquinas de acumulação de orgônio“.

Orgônio foi o nome que o autor deu para a suposta energia vital universal que estaria presente tanto no corpo humano quanto na natureza.

Reich acreditava que o aumento dessa energia no corpo poderia curar doenças. Por isso, criou uma caixa para gerar um acúmulo de orgônio que seria absorvido pelo paciente no interior dela.

Lendo essa descrição, não é difícil entender por que o FDA (Food and Drug Administration) proibiu o médico de distribuir essas “máquinas”.

Mas muitos anos antes dessas ideias e práticas controversas, ainda na Psicanálise, Reich fez alguns apontamentos muito interessantes.

Por exemplo: sobre a função defensiva do caráter (entendido como jeito de ser da pessoa) e a importância de analisá-lo desde o início do tratamento.

Mas será que essas contribuições são verdadeiramente originais ou apenas reformulações e aprofundamentos das ideias que outros autores já vinham propondo naquela época (anos 1910-1920)?

E como lidar com a relação de continuidade que o próprio autor afirma existir entre o que ele escreveu na “fase psicanalítica” e o que propôs na “fase orgônica”?

Eu enfrento esses problemas e faço um passeio pelas principais ideias de Reich na aula publicada hoje na Confraria.

O título dela é “Introdução às ideias de Wilhelm Reich” e já está disponível no módulo “Aulas Temáticas – Temas Variados”.

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Por que a Psicanálise é terapêutica?

O que, de fato, leva um paciente, em análise, a mudar, a melhorar, a sair de sua condição de sofrimento?

Em 1934, o psicanalista britânico James Strachey tentou responder essa pergunta em um artigo que se tornaria um clássico:

“A natureza da ação terapêutica da Psicanálise”

O resultado dessa investigação foram três noções inovadoras:

  • Círculo vicioso neurótico
  • Superego auxiliar
  • Interpretação mutativa

Para Strachey, o neurótico não consegue sair sozinho de seu sofrimento porque retroalimenta suas defesas ao projetar suas fantasias na realidade, ou seja, ele fica preso a um “círculo vicioso”.

A análise conseguiria interromper esse processo porque o analista resiste às projeções do paciente, apresentando-se como um “objeto bom” que vai sendo internalizado pelo sujeito (“superego auxiliar”).

A ferramenta clínica que fomentaria essa internalização seria a “interpretação mutativa”, na qual o analista mostra ao paciente seu movimento projetivo acontecendo ao vivo e a cores na transferência.

Como eu disse, Strachey escreveu essas coisas em 1934.

Como aplicá-las hoje, em 2026, numa clínica contemporânea muito mais variada do que aquela que os analistas encontravam em meados do século XX?

No artigo, Strachey se limita a falar de pacientes que projetam seu superego cruel — vem daí a ideia de que o analista poderia funcionar como um “superego auxiliar”.

Mas como pensar os casos em que o paciente projeta outros elementos, tais como um objeto interno abandonador ou sedutor?

E como fazer, na prática, uma interpretação mutativa?

Eu trabalho todas essas questões na aula “Por que a Psicanálise é terapêutica?”, que acaba de ser publicada na Confraria Analítica.

Para assistir, é só se tornar membro da nossa escola.

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[Vídeo] Pacientes que buscam mexer com o analista

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Psicanálise: quando a interpretação não funciona

A interpretação é a principal ferramenta de trabalho do psicanalista.

Afinal, o objetivo fundamental de uma análise é, como dizia Freud, “tornar o inconsciente consciente”.

E interpretar nada mais é que apresentar ao paciente uma hipótese sobre o que supomos estar se passando em seu inconsciente.

Mas para que uma interpretação possa produzir efeitos transformadores, é preciso que o paciente tenha condições de assimilá-la.

E nem todo analisando tem.

Há pacientes cuja capacidade de processar experiências emocionais ficou severamente comprometida pelos traumas que vivenciaram.

E a assimilação da interpretação depende do bom funcionamento dessa capacidade.

Por isso, nesses casos, interpretar simplesmente não funciona.

O analista precisa fazer outra coisa.

Quer saber o quê?

Então, assista à aula “Bion: quando interpretar não funciona”, que acaba de ser publicada na Confraria Analítica.

Nessa aula você vai entender:

• por que alguns pacientes não conseguem assimilar interpretações;

• como reconhecê-los na clínica;

• qual manejo técnico usar nesses casos.

A Confraria é a maior e mais acessível escola de teoria psicanalítica do país e já conta com um acervo de mais de 400 aulas.

Para participar, é só acessar este link.


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[Vídeo] Terapia de casal: visão da Psicanálise


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[Vídeo] O analista deve fazer o papel do “morto” no bridge

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O que a Psicanálise tem a ver com a guerra?

Para Lacan, em ambas encontramos três dimensões fundamentais:

Política, estratégia e tática.

Para Clausewitz, o teórico militar do qual Lacan toma essa tríade, uma nação não decide guerrear contra outra apenas para vencê-la.

A vitória é apenas um meio para atingir um fim que não é militar, mas político.

“A guerra”, diz Clausewitz, “é uma mera continuação da política por outros meios”.

Nesse sentido, a estratégia adotada em uma guerra não pode ser escolhida livremente.

Ela deve estar subordinada à política que motivou o conflito.

É só no âmbito da tática que os militares gozam de liberdade.

Afinal, uma mesma estratégia pode ser concretizada de diversas formas, com mais ou menos recursos, por meio de diferentes manobras.

Algo muito parecido acontece na análise, diz Lacan.

Em uma sessão, o analista é livre para escolher quando e como vai pontuar, interpretar, cortar, fazer silêncio.

Já no âmbito da estratégia da análise, essa liberdade se reduz bastante.

Afinal, a posição do analista não admite muitas variações, já que deve estar subordinada a uma política muito específica:

Aquilo que Lacan chama de desejo do analista.

Quer entender isso de forma clara, acessível… em Humanês?

Então, assista à aula “LENDO LACAN 12 – A política, a estratégia e a tática do analista”, que acaba de ser publicada na Confraria Analítica.

A Confraria é a minha escola de formação teórica em Psicanálise. Ela já tem mais de 400 aulas, o que equivale a mais de 600 horas de conteúdo.

É um espaço para quem quer estudar Psicanálise de forma simples, leve e sem complicações desnecessárias.

Sim, Lacan é difícil. Muito difícil às vezes.

Mas com o professor certo, você consegue entendê-lo.

Seja meu aluno.


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[Vídeo] Relações abusivas e teoria do apego

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Você nasceu programado para se apegar

O que leva os bebês a se apegarem a suas mães?

Você pode achar que a resposta é óbvia:

“Ah, Lucas, o bebê se apega à mãe porque é ela quem garante a sobrevivência dele.”

Sabe quem também pensava mais ou menos assim?

O nosso querido Sigmund Freud.

Do ponto de vista do pai da Psicanálise, o bebê aprende a amar a mãe porque ela o satisfaz.

É, digamos assim, um amor “por interesse”: é a mãe quem alivia os desconfortos dele, sacia sua fome e o mantém vivo.

Como não se apegar a esse ser tão satisfatório?

Alguns dos nossos colegas behavioristas também vão pelo mesmo caminho.

Para eles, o amor do bebê pela mãe é aprendido por condicionamento: mamãe faz com que eu me sinta bem, logo amo mamãe.

Já o psicanalista britânico John Bowlby achava que essa hipótese, embora faça muito sentido e pareça óbvia, está equivocada.

Ele observou, por exemplo, que os bebês podem se apegar até a mães que os colocam em risco.

Ou seja, parece haver em nós uma tendência inata, biológica para nos vincularmos a nossas mães, no início da vida, independentemente de como elas sejam.

Foi a partir dessa ideia que Bowlby desenvolveu sua teoria do apego.

Quem é psicanalista, terapeuta ou apenas alguém que deseja entender melhor o comportamento humano, precisa conhecer essa teoria.

Ela muda completamente nosso olhar sobre questões como: relações tóxicas, dependência emocional, isolamento…

E é por isso que eu acabo de publicar na Confraria Analítica a aula “Introdução à teoria do apego de John Bowlby”.

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É um espaço para quem quer estudar Psicanálise de forma simples, leve e sem complicações desnecessárias.

Se você quer compreender o apego para além das simplificações da internet, clique aqui.


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[Vídeo] Como a Psicanálise trabalha com autistas?

Esta é uma pequena fatia da aula “Como a Psicanálise trabalha com autistas” que já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – TEMAS VARIADOS da CONFRARIA ANALÍTICA.

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Nem divã nem associação livre: é isso que a Psicanálise faz no autismo

Recentemente, a Autoridade Nacional de Saúde da França afirmou que a Psicanálise não é recomendada para o autismo por falta de evidências suficientes de eficácia.

Muita gente interpretou isso como prova de que psicanalistas simplesmente não sabem o que fazer nesses casos.

E aí surgem ideias curiosas: que o analista colocaria a criança no divã, que pediria associação livre ou que ainda culparia os pais.

Nada disso acontece.

A clínica psicanalítica do autismo não trabalha interpretando conflitos. Ela cria condições para que o sujeito possa emergir na relação.

Na aula publicada hoje da CONFRARIA ANALÍTICA eu mostro isso NA PRÁTICA, comentando um caso real publicado em artigo científico recente.

Você verá intervenções extremamente simples — e justamente por isso profundamente difíceis:

Sustentar presença, atribuir sentido aos atos mínimos, e tratar a criança como interlocutora antes mesmo que ela responda como tal.

É aí que começa o trabalho.

A aula já está disponível no módulo Aulas Temáticas – Temas Variados.

Se você quer entender o que realmente está em jogo na clínica — e não apenas repetir opiniões — este é o momento.

Somente até HOJE (sexta, 20/02), você pode se tornar assinante no plano anual por apenas 497,00 (o valor normal é 597,00).

Link: https://lucasnapolipsicanalista.kpages.online/confraria2026


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[Vídeo] Seu relacionamento talvez precise de um novo mapa.

Esta é uma pequena fatia da aula “Terapia psicanalítica de casais: uma introdução” que já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – TEMAS VARIADOS da CONFRARIA ANALÍTICA.

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Quando os parceiros não entendem como cada um funciona, o casal não funciona.

— Ele só pensa nele e no trabalho, Jordana. Eu não aguento mais ser viúva de marido vivo.

Milena cruzou os braços e olhou para o chão.

Jonas balançava a cabeça, inconformado.

— Quer responder, Jonas? — perguntou Jordana, a psicanalista que atendia o casal.

O comerciante olhou para a esposa e disse:

— É inacreditável, Milena… Então, todo o esforço que eu faço lá na loja para proporcionar uma vida confortável para você e os meninos é egoísmo?

— Até parece que você faz isso por nós! Pare de se enganar! Seu negócio é querer ganhar cada vez mais dinheiro, igualzinho ao papai…

Nesse momento, Jordana questionou:

— Igualzinho ao papai? Como assim, Milena?

— Papai também só vivia para o trabalho. Eu quase não via ele em casa.

Sentindo-se injustiçado, Jonas disse:

— Não tem nada a ver, Jordana. O pai dela gastava todo o dinheiro que ganhava em jogo. Chegou a deixar a família passar necessidade. Eu nunca faria isso!

A analista interveio:

— Não é exatamente esse o ponto da comparação, Jonas. Mas é interessante que você tenha entendido dessa forma. Podemos explorar isso em outro momento. Agora, acho importante entendermos o pano de fundo da queixa da Milena.

Voltando-se para a esposa, Jordana disse:

— Parece que a dedicação tão intensa do Jonas ao trabalho ativa em você as frustrações que tinha quando criança em relação ao seu pai. E talvez essa dor pela ausência paterna na infância acabe amplificando a dor que você sente na relação com o Jonas.

Na sequência, virou-se na direção do marido e disse:

— Então, Jonas, perceba que a dedicação ao trabalho, que você vê como sacrifício e empenho pela família, a Milena enxerga como abandono afetivo, por conta da história de vida dela. São duas perspectivas totalmente divergentes, mas ambas são válidas e legítimas. Nenhum dos dois está errado.

Isso é terapia psicanalítica com casais.

O objetivo não é decidir quem tem razão nem dizer como o casal deve agir.

É ajudar os parceiros a compreenderem o funcionamento psíquico um do outro.

Eu explico isso de forma mais aprofundada e detalhada na aula “Terapia psicanalítica de casais: uma introdução”, publicada hoje na CONFRARIA ANALÍTICA.

Lá você encontra mais de 400 aulas para estudar psicanálise de forma profunda e aplicável à vida real.

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