Às vezes, o ataque é a única forma que uma pessoa encontra de dizer: “Tá doendo.”

Imagine a seguinte cena: você está andando na rua e, de repente, se depara com um cachorro filhote deitado na calçada e percebe que ele está sentindo dor.

Você se aproxima com a melhor das intenções e toca a parte do corpo do animal que parece ser a fonte da dor. Pois bem, o que acontecerá?

Muito provavelmente, o doguinho dará um gemido, mas você não ficaria surpreso se ele avançasse em sua mão, tentando mordê-la.

De fato, você sabe que cães e outros animais costumam se defender dessa forma: atacando.

Mas talvez, o que você não saiba é que isso também pode acontecer com a nossa espécie. Muitas pessoas só conseguem se defender, tornando-se agressivas.

Se o cãozinho pudesse falar (e fosse suficientemente maduro), talvez dissesse a você: “Opa! Não toque aí, amigo; tá doendo muito.”

Mas, sem acesso à linguagem, tudo o que ele pode fazer para se comunicar é tentar te morder.

Ou seja, o agredir é uma forma de autodefesa, mas também de comunicação.

Na cena que eu descrevi, o cachorro não avançaria em você para saciar um impulso destrutivo, mas para “dizer”: “Não toca aí!”.

Da mesma forma, muitas pessoas utilizam xingamentos, falas ríspidas, gritos etc. porque não conseguem encontrar outra forma de dizer que estão sentindo dor.

— Ah, Lucas, então agora eu tenho que aceitar maus tratos só porque o caboclo não consegue se defender sem atacar?

É claro que não. A vida é sua. Faça o que você quiser.

Como dizem os americanos, eu não estou PRESCREVENDO, só DESCREVENDO.

O que estou te ensinando pode ajudá-lo, principalmente, a lidar com episódios PONTUAIS de agressividade por parte de cônjuges e amigos.

De repente, meu caro, sua namorada, que sempre foi “um doce de pessoa”, pode te tratar de forma impaciente e até grosseira.

Talvez, naquele dia especificamente, seja por TPM ou qualquer outro fator, ela não conseguiu fazer uso de recursos mais maduros para comunicar suas dores.

E aí, a única coisa que deu conta de fazer, para se proteger, foi te atacar.

Acontece. A gente precisa parar de idealizar as relações humanas. O cotidiano não tem filtro nem corte. Tudo acontece sem edição…

Novamente: não estou dizendo que você tem que aceitar ser atacado. Faça o que você quiser. Mas é importante compreender essa função comunicativa do ataque.

Crianças, por exemplo, com muita frequência se defendem por meio da agressividade. Justamente por conta de sua imaturidade psíquica.

Um menino que dá muito trabalho na escola, não respeita professores e está sempre arrumando confusão, provavelmente está sofrendo internamente.

Nesse sentido, se os pais e a escola olham para o comportamento dele como uma simples expressão de impulsos agressivos, o resultado será catastrófico.

O garoto será severamente punido e a dor que motivou seus ataques só aumentará. Seria o mesmo que bater no cachorro após ele avançar.

Talvez, o menino precisasse apenas de adultos suficientemente fortes para traduzir sua “linguagem” agressiva sem responder a ela com mais agressividade.

O mundo seria um lugar lindo se todas as pessoas, em todos os momentos, conseguissem não apelar para o ataque como forma de defesa.

Pena que a realidade é muito mais complexa e desafiadora do que um manualzinho de comunicação não violenta.

***

Às vezes, o ataque é só um jeito torto de dizer “tá doendo”.

Na Confraria Analítica, a gente estuda, com profundidade e clareza, essas formas disfarçadas de expressão da nossa verdade.

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[Vídeo] A guerra já acabou, mas você continua se defendendo?


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[Vídeo] Para que serve o seu problema emocional?


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Por que o sintoma é uma solução de compromisso?

Freud descobriu que os sintomas não são só problemas, mas essencialmente SOLUÇÕES.

Soluções para conflitos psíquicos.

— Como assim, Lucas?

Eu vou te explicar com um exemplo:

Imagine Sabrina, uma jovem que está em conflito em relação a seu namoro: uma parte dela quer permanecer no relacionamento, mas outra quer terminar.

Um clássico!

Ora, como esse conflito pode ser solucionado?

Podemos pensar, a princípio, em duas alternativas:

Num primeiro cenário, Sabrina decide continuar com o namorado, aceita o que a desagrada e renuncia ao desejo de terminar.

No outro, ela escolhe sair da relação, aceita que vai sofrer, mas atravessa o luto e segue em frente.

Existe, porém, uma terceira alternativa de solução, que é justamente… o SINTOMA:

Sabrina pode desenvolver uma frigidez, ou seja, não conseguir mais sentir desejo sεxuαl pelo namorado.

A saúde dela está OK, o casal raramente tem brigas ou discussões, mas a moça simplesmente não sente mais vontade de trαnsαr com o cara.

Quando uma amiga lhe diz que isso é sinal de que eles deviam terminar, Sabrina responde:

— Mas, amiga, eu o amo muito. Não consigo deixá-lo!

Perceba como o surgimento do sintoma (frigidez) permite que a jovem não precise tomar nenhuma decisão e, ao mesmo tempo, satisfaz as duas partes do conflito:

A parte que quer terminar fica “feliz”, digamos assim, com o fato de ela não sentir mais vontade de ir para a cama com o namorado.

Já a parte que quer continuar se acalma, pois a frigidez cria um afastamento erótico, mas não rompe o vínculo amoroso.

Portanto, ao criar o sintoma (não conscientemente, é claro), Sabrina SOLUCIONOU o conflito, estabelecendo um… COMPROMISSO entre suas duas partes.

É como se ela estivesse dizendo para si mesma:

“Vamos fazer um acordo que fique bom para ambas as partes: eu não termino, mas desativo meu tεsão por ele.”

O problema, evidentemente, é que essa solução de compromisso não poupa Sabrina do sofrimento. Pelo contrário!

Ela evita a dor TEMPORÁRIA da separação ou da adaptação ao relacionamento.

Mas, em troca, passa a carregar o sofrimento CRÔNICO da falta de desejo sεxuαl.

A única dor que ela de fato evita… é a dor da decisão.


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[Vídeo] De que guerra você (ainda não) voltou?


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O psicanalista não pode ser um superego gourmet

Existe uma sorrateira erva daninha que precisa ser arrancada do jardim psicanalítico.

Estou me referindo a uma espécie de moralismo velado que frequentemente se faz presente em nossa prática.

Ele se manifesta, por exemplo, no uso banalizado da controversa expressão “bancar o próprio desejo” ou de uma frase erroneamente atribuída a Freud:

“Qual a sua parte na desordem de que se queixa?”

Muitas vezes, tais formulações são utilizadas para fundamentar intervenções psicanalíticas que são piores do que as mais severas condenações superegoicas.

A pessoa vai fazer análise porque não está conseguindo sair sozinha de uma condição de sofrimento e, em vez de cuidado, o que recebe são imperativos:

“Responsabilize-se por sua parte nessa desordem!”

“Banque seu desejo!”

Eu sei que nenhum bom analista falaria isso, mas — na prática — infelizmente, essas incitações estão na base da conduta clínica de muitos profissionais.

Esta é uma das razões pelas quais muitas pessoas dizem que “não aguentam” fazer análise.

Pudera!

Se em vez de encontrar um terapeuta que vai te ajudar, você se depara com um “superego gourmet”, é natural que o processo acabe sendo insuportável mesmo.

Nós, analistas, não podemos nos esquecer que estamos lidando com pessoas fragilizadas, emocionalmente feridas, que precisam acima de tudo de CUIDADO.

Se o paciente não reconhece “sua responsabilidade na desordem da qual se queixa”, não é por má-fé que ele age assim.

É porque não dá conta, porque PRECISA se defender acusando o outro.

Se o paciente não “banca seu desejo”, não é por covardia. É porque ele ainda não tem força egoica, segurança, confiança suficientes para fazer isso.

Nesse sentido, nosso objetivo na análise não deve ser o de simplesmente instigar os pacientes a serem mais honestos, responsáveis e corajosos.

Na verdade, devemos ajudá-los, com sensibilidade, paciência e solidariedade a se tornarem mais FORTES para poderem, naturalmente, renunciar a suas defesas.

Você já foi atendido por um analista que agia como superego gourmet?


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[Vídeo] Psicanalista explica 3 tipos de projeção


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[Vídeo] Supressão e recalque

Esta é uma pequena fatia da AULA ESPECIAL “Cinco mecanismos de defesa saudáveis” que já está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS da CONFRARIA ANALÍTICA.


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Sim, existem mecanismos de defesa saudáveis!

Freud descobriu que nossa mente é governada por uma lei fundamental: o princípio do prazer.

Obedientes a essa lei, estamos sempre tentando evitar a experiência do desprazer ou, no mínimo, amenizá-la.

Quando a fonte do sofrimento é uma situação externa, podemos simplesmente nos afastar — caso isso seja possível.

Porém, se a dor é provocada por conteúdos psíquicos, ou seja, por coisas que estão “dentro” de nós, fugir não é uma opção.

Nesses casos, precisamos lançar mão de certas OPERAÇÕES MENTAIS para evitar o desprazer ou, pelo menos, reduzi-lo a uma intensidade suportável.

Na Psicanálise, nós chamamos essas operações de MECANISMOS DE DEFESA, pois, como você já entendeu, elas servem para nos proteger do sofrimento.

Uma pessoa psicologicamente frágil não aguenta muita dor. Por isso, tende a utilizar mecanismos de defesas mais severos, que negam e distorcem a realidade.

Por outro lado, indivíduos emocionalmente maduros conseguem suportar uma boa dose de desprazer sem se desesperarem.

Isso lhes permite empregar defesas mais brandas e até construtivas.

Na AULA ESPECIAL publicada hoje na CONFRARIA ANALÍTICA, eu explico e dou exemplos de cinco desses mecanismos de defesa saudáveis.

A aula já está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS e este é o link para fazer parte da Confraria: https://confrariaanalitica.com/ .


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[Vídeo] A função defensiva do pessimismo


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[Vídeo] Você se defende de si mesmo?


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Não lute contra si mesmo. Nessa guerra, você sempre vai sair perdendo.

Existem alguns conceitos psicanalíticos que, por refletirem a experiência humana com muita precisão, acabam sendo incorporados ao senso comum.

Um deles é a noção de DEFESA.

Freud formulou esse conceito lá no final do século XIX para explicar o que lhe parecia estar na gênese de certas formas de adoecimento psíquico.

Seguindo a trilha indicada pelo discurso de seus pacientes, o pai da Psicanálise percebeu que havia na mente de todos eles um profundo CONFLITO.

Conflito entre o que almejavam ser e o que verdadeiramente eram ou, dito de outra forma, entre seus ideais e seus desejos.

Freud percebeu que a doença da qual padecia o paciente era justamente o DESFECHO desse conflito.

Afinal, o paciente ficava do lado dos ideais e virava as costas para seus desejos.

Resultado: os desejos se rebelavam e se expressavam à revelia da vontade do sujeito por meio da doença.

Essa constatação levou Freud a postular a tese de que as neuroses são causadas essencialmente por um processo de… DEFESA:

O paciente adoece porque SE DEFENDE dos próprios desejos.

Hoje em dia essa ideia já não provoca reações de espanto.

A popularização do discurso psicanalítico nos tornou habituados à noção de defesa como um mecanismo que frequentemente utilizamos em relação a nós mesmos.

Por razões ligadas à nossa história de vida, podemos encarar certas partes de quem somos como coisas perigosas, ameaçadoras, desestabilizadoras.

Assim, adotamos uma postura “autoimune”: desperdiçamos energia construindo barreiras de proteção contra nós mesmos.

Às vezes, elas são resistentes e “funcionam” até bem, pois nos colocam em conformidade com imperativos sociais, culturais, econômicos, morais…

O problema é que a vida fica sem graça, entediante e com aquele mal-estar difuso que sinaliza a presença potente e intensa dos desejos contidos.

Em outros casos, as barreiras de defesa são mais frágeis e não suportam a força impetuosa do desejo.

E aí o sujeito é obrigado a recorrer à doença — último recurso para evitar olhar para essa parte de si mesmo que ele insiste em querer extirpar.


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[Vídeo] Você se sente presa ao seu jeito de ser?


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[Vídeo] Mecanismos de defesa: contra o que nos defendemos?


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Você queria muito agir de outra forma, mas não consegue?

Não é uma tarefa fácil distinguir os aspectos que caracterizam uma pessoa como emocionalmente doente.

Sempre corremos o risco de contaminar nossa visão a esse respeito com determinadas convicções culturais, ideológicas e políticas.

Por outro lado, me parece que há certos traços que são indiscutivelmente psicopatológicos sob qualquer ponto de vista.

Um deles é a RIGIDEZ.

Pessoas que estão emocionalmente doentes possuem uma limitação significativa na capacidade de modificarem sua conduta em determinadas circunstâncias.

Márcio, por exemplo, um neurótico obsessivo, não consegue deixar de se sentir intimidado quando está diante de pessoas às quais atribui autoridade.

Ele não queria se comportar de forma tão submissa e amedrontada nesse contexto, mas o cara simplesmente não consegue agir de outra forma. É mais forte do que ele.

Vanessa, por sua vez, não aguenta mais perder bons relacionamentos devido ao seu excesso de ciúme e à sua atitude extremamente controladora.

A jovem sabe racionalmente que exagera nas cobranças que faz aos namorados, mas simplesmente não consegue agir de outra forma. Ela não dá conta de se conter.

Em ambos os casos, temos pessoas que se sentem PRESAS a certo modo de agir e desejam ardentemente a LIBERDADE de poderem se comportar de outra forma.

Do ponto de vista da Psicanálise, essa falta de flexibilidade funciona para tais sujeitos muito mais como um REFÚGIO do que como uma prisão. Explico:

Ao contrário do que parece à primeira vista, Márcio e Vanessa não estão se comportando de forma autodestrutiva, mas, sim, de modo “AUTOPROTETIVO”.

Sentir-se intimidado com figuras de autoridade protege Márcio de fazer contato com seus impulsos agressivos, os quais são evocados quando está diante dessas figuras.

Já Vanessa se protege do medo imaginário de ser abandonada subitamente por seu objeto de amor, vigiando e controlando neuroticamente cada passo que ele dá.

Perceba, portanto, que a rigidez é estabelecida como uma defesa que permite à pessoa evitar o confronto com elementos não integrados da sua vida psíquica.

O sujeito abre mão da liberdade em troca da segurança.

De uma falsa segurança, diga-se de passagem.


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