[Vídeo] Você já é feliz, mas não sabe.


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[Vídeo] A procrastinação como inibição do desejo


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Talvez você procrastine tanto porque não se sente autorizado a desejar.

Deixa eu te explicar essa hipótese:

Há pessoas que, na infância, por n razões, não sentiam que seu desejo era suficientemente validado e autorizado.

Uso aqui a palavra “desejo” num sentido amplo: aquelas inclinações, vontades e movimentos espontâneos que brotam da própria pessoa.

Uma menina, por exemplo, pode se inclinar naturalmente, desde muito pequena, para brincadeiras que, tradicionalmente, na nossa cultura, são categorizadas como “brincadeiras de menino”.

Por n razões, os pais dessa menina podem considerar que esse desejo deve ser coibido, passando a estimular ou mesmo forçar a filha a se envolver com “brincadeiras de menina”.

Ao fazerem isso, esses pais podem não só levar a garota a reprimir sua inclinação por brincadeiras de menino.

Eles podem estar contribuindo para algo mais profundo e adoecedor: essa menina pode desenvolver a ideia de que suas inclinações espontâneas de forma geral (e não só a vontade específica de brincar com “coisas de menino”) são inválidas ou ruins.

Isso porque o desejo por brincadeiras de menino não é um elemento isolado da personalidade da garota. Ele está associado a vários outros aspectos e inclinações que podem ser igualmente desaprovados pelos pais.

Resultado: essa menina pode crescer acreditando inconscientemente que não tem autorização para realizar seus desejos espontâneos.

— Tá, mas onde entra a procrastinação nessa história, Lucas?

Veja: o que é procrastinar?

Procrastinar é adiar uma tarefa importante sem que esse adiamento seja realmente estratégico.

Ou seja, você deixa para depois não porque será melhor fazer a tarefa em outro momento, mas simplesmente porque sente uma espécie de bloqueio interno que te impede de botar a mão na massa naquela hora.

Ora, esse bloqueio interno pode ser justamente o medo inconsciente de se engajar em seu próprio desejo.

É como se, na hora em que você está lá, diante do computador, pronta para trabalhar em um projeto, viesse uma voz interna que te dissesse:

“Lembra que você aprendeu que tudo aquilo que vem de você é ruim, errado, inválido? Então… Nem vale a pena investir tempo e energia nesse projeto. Não vai dar certo.”

O problema é que essa “voz” age de modo inconsciente. Conscientemente, o que você experimenta é simplesmente uma vontade estranha de deixar para depois, mesmo sabendo que tem tempo suficiente para trabalhar no projeto naquele momento.

Que fique bem claro: o que eu acabo de dizer não vale para todos os casos de procrastinação.

É apenas uma hipótese.

Mas ela pode se aplicar ao seu caso.

Que tal pensar a respeito?


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[Vídeo] Por que o psicanalista não “atende a demanda”?

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“O psicanalista não deve atender a demanda.”

Tá, Lucas. Mas por que não?

O que significa “não atender a demanda”?

Se o paciente me pedir um copo d’água durante a sessão eu devo negar?

Não atender a demanda é ficar em silêncio quando o paciente me pede uma orientação?

Há casos ou situações excepcionais em que o analista deve atender a demanda?

Eu respondo todas essas perguntas na aula “O que significa ‘não atender a demanda’?”, publicada nesta sexta na Confraria Analítica, a minha escola de formação teórica em Psicanálise.

A aula já está disponível no módulo “Aulas Temáticas – Temas Variados”.

Para ter acesso à ela e a todo o nosso acervo de mais de 400 aulas (mais de 600 horas de conteúdo), seja meu aluno na Confraria.

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[Vídeo] Medos que escondem desejos


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Será que seu medo é só uma máscara para um desejo?

Normalmente, nossos pensamentos e os sentimentos que os acompanham estão conectados de forma adequada.

Por exemplo: se eu pedir que você pense em sua melhor amiga e lhe perguntar o que sente ao fazer isso, provavelmente sua resposta será algum afeto positivo como ternura, carinho etc.

Da mesma forma, 99% de vocês diriam que sentem asco, nojo, repugnância ao se imaginarem num restaurante comendo um prato enorme de… fezes.

— Ah, Lucas, mas isso é óbvio. Por que você está tomando meu tempo para falar de banalidades?

Calma. Isso foi só uma introdução.

Meu objetivo aqui é falar sobre as situações em que há uma desconexão entre pensamentos e afetos. Conhecê-las pode te ajudar a pensar melhor sobre si.

Quando certos pensamentos entram em conflito com nosso ego (a imagem que queremos — ou suportamos — ter de nós mesmos), um dos mecanismos de defesa que utilizamos para proteger essa imagem é o RECALQUE.

Inicialmente, Freud achou que ele consistia simplesmente em tirar o pensamento perturbador do alcance da consciência.

Porém, a experiência clínica foi mostrando que este é apenas um dos desfechos possíveis do recalque.

Na verdade, a operação fundamental desse mecanismo é o rompimento da ligação original entre pensamento e afeto.

Essa desconexão, em si, é suficiente para proteger o ego.

Ou seja, o pensamento não precisa necessariamente ser deletado da consciência. Basta separá-lo do sentimento que o acompanhava.

Por exemplo: vamos supor que você teve uma briga feia recentemente com seu pai e lhe passou rapidamente pela cabeça a ideia de que seria bom que ele morresse.

Incapaz de suportar esse pensamento, você automaticamente o recalcou, ou seja, desconectou a ideia da morte do pai do sentimento que a acompanhava no momento (ódio).

Separado do pensamento original, o ódio pode se vincular a outra ideia, por exemplo, à de um influenciador digital, levando você a se tornar a mais nova hater do sujeito em questão…

Já o pensamento sobre a morte do pai pode permanecer na consciência, acompanhado, agora, não mais pelo ódio, mas pelo MEDO.

Você passa a se preocupar exageradamente com a saúde de seu pai, liga todos os dias para saber se ele está bem, fica aflita quando ele faz uma viagem de carro…

A ideia de que seu pai poderia morrer não sai da sua cabeça, mas, agora, ao pensar nela, você não se vê como uma pessoa que QUER que isso aconteça (autoimagem insuportável), mas como alguém que busca justamente evitar tal desfecho.

Se essa preocupação excessiva começa a atrapalhar seu sono e seu dia a dia, de repente você pode decidir fazer terapia.

Se o terapeuta for cognitivo-comportamental, ele provavelmente vai tentar te ajudar a se convencer de que esse medo exagerado de que seu pai morra não tem fundamento na realidade, que é só um conjunto de “pensamentos automáticos” nutridos pela ansiedade.

Mas se o terapeuta for psicanalista, ele te ajudará a traçar a HISTÓRIA dessas preocupações, reconstruindo as ligações que foram desfeitas pelo recalque.

E então você perceberá que o verdadeiro objeto do seu medo não é a morte do pai, mas a imagem de si como filha que um dia desejou isso.


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[Vídeo] Ansiedade não é doença


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[Vídeo] Reprimir não é só deixar de realizar


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Nosso nome é Legião, porque somos muitos

Há uma passagem muito conhecida do Evangelho, em que Jesus vai à província de Gadara e é abordado por um sujeito endemoninhado.

Ao ser questionado a respeito de como se chamava, o “espírito imundo” responde dizendo: “Legião é o meu nome, porque somos muitos”.

O tal demônio, portanto, era, na verdade, uma espécie de conglomerado de vários demônios.

Afinal, “legião” era um agrupamento militar romano composto por milhares de soldados.

Pois bem… A resposta que o diabo deu a Jesus poderia estar na boca de cada um de nós.

De fato, nós também “somos muitos”.

Esta é uma das descobertas mais fascinantes da Psicanálise.

Embora você se identifique com UM nome e se perceba conscientemente como UMA pessoa, essa ideia de unidade é apenas uma impressão ilusória.

Quantas vezes, por exemplo, você já não olhou para certas coisas que fez e pensou algo mais ou menos assim: “Como será que eu pude agir daquela forma?”.

Frequentemente, temos essa sensação de não nos reconhecermos em certos comportamentos e dizemos: “Eu não sei onde estava com a cabeça…”.

Sem falar nas vezes em que travamos verdadeiras guerras interiores, brigando com nossa consciência ou com certos desejos.

Mas não existe evidência maior de que o nosso eu é muito mais uma legião do que um in-divíduo do que a linguagem dos sonhos.

Uma das premissas que mais nos ajudam a interpretar sonhos é a de que as pessoas que neles aparecem muitas vezes são representações de partes de nós mesmos.

Então você sonha com um amigo te dando uma bronca, por exemplo, e ele pode muito bem estar simbolizando seu superego.

Ou você pode sonhar de repente que está começando a namorar alguém e isso estar representando seu desejo de integrar duas partes suas que estão em conflito.

A constatação de que nosso nome é Legião — porque somos muitos — nos liberta da tirania da coerência.

Queremos X, mas também podemos querer o oposto de X.

Um lado seu quer partir, outro quer ficar.

Parte da arte de viver consiste em aprender a aceitar essa inelutável ambiguidade.

Por isso, ao contrário do que muita gente imagina, a gente não faz análise para descobrir nosso verdadeiro desejo.

Porque se o Eu é Legião, nossos “verdadeiros” desejos também são muitos.


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A sua verdade está aí, na sua cara. Você só não quer enxergá-la.

Muitas pessoas se habituaram a pensar que possuem uma “verdadeira essência” escondida por trás daquilo que efetivamente fazem.

A própria Psicanálise contribuiu para a formação dessa ideia com a descoberta de que nossos comportamentos são influenciados por pensamentos inconscientes.

Assim, muita gente procura um psicanalista na esperança de finalmente descobrir quem REALMENTE é, como se essa verdade estivesse oculta e precisasse ser desvelada.

Quem pensa dessa forma se esquece de outra descoberta crucial da Psicanálise: a de que o Inconsciente está SEMPRE falando — em alto e bom som.

— Como assim, Lucas?

Veja: os pensamentos que nós reprimimos e/ou mantemos reprimidos estão sempre retornando à nossa consciência de modo disfarçado.

Eles não ficam, como muita gente imagina, presos e guardados lá no Inconsciente.

A mocinha que tem inclinações homossequissuais reprimidas, por exemplo, está o tempo todo expressando-as de modo indireto, simbólico, metafórico.

Só é preciso ter olhos para ver.

A repugnância afetada diante de uma cena de beijo entre duas mulheres num filme pode muito bem ser a expressão pelo avesso do desejo não reconhecido.

Assim como a violência com que aquele rapaz se condena e se cobra pode revelar, nas entrelinhas, a ardente agressividade que ele insiste em tentar reprimir.

A repressão, senhoras e senhores, SEMPRE FRACASSA.

É como tentar se livrar do corpo de um pássaro morto guardando-o numa gaveta.

O cheiro do cadáver em decomposição inevitavelmente denunciará sua presença ali.

Por isso, se você quer descobrir a sua “verdadeira essência”, basta olhar para o que efetivamente diz, faz e pensa.

Ela não está enterrada num baú recôndito ao qual só se tem acesso depois de um longo processo de escavação.

A nossa verdade está aí, na nossa cara, gritando a plenos pulmões.

O problema é que a gente se nega a escutá-la.

E é por isso que a Psicanálise demora.

De fato, a gente precisa de um bom tempo para tomar coragem de olhar para a verdade e mais tempo ainda para se acostumar com o seu modo peculiar de falar.


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Por que nós sonhamos?

Você já se fez esta pergunta?

Por que não passamos a noite inteira com a mente “desligada”, apenas descansando, em vez de alucinarmos situações às vezes tão heteróclitas?

(Sim, o sonho é uma espécie de alucinação. Por isso, às vezes acordamos e pensamos: “Nossa, parecia tão real…”.)

O sonho é a prova de que nosso aparelho psíquico não suspende sua atividade durante o sono.

Mas por que não? Por que ele não para?

A verdade é que não há consenso na literatura científica a respeito disso.

Há várias hipóteses biológicas para explicar a função dos sonhos: processamento de informações, regulação emocional, manutenção da saúde neural etc.

É provável todas elas estejam corretas em alguma medida, pois não são mutuamente excludentes.

Do ponto de vista psicanalítico, todo o mundo conhece a hipótese de Freud: os sonhos representam simbolicamente a realização de desejos.

Mas será mesmo que a concepção freudiana é suficientemente abrangente para ser aplicada a todos os sonhos?

Do meu ponto de vista, não.

Minha hipótese é a de que a realização disfarçada de desejos é APENAS UMA das formas que o aparelho psíquico encontra para cumprir a verdadeira função que realiza ao produzir os sonhos, a saber:

Neutralizar nossas ansiedades para permitir que a gente continue dormindo.

Quer saber mais sobre essa hipótese?

Então assista à AULA ESPECIAL “Sonho, sono, insônia e ansiedade” que acaba de ser publicada na CONFRARIA ANALÍTICA.

A aula está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS.


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[Vídeo] Entenda a diferença entre falta traumática e falta estrutural


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Por que não é saudável manter desejos no inconsciente?

Recentemente, um aluno da CONFRARIA ANALÍTICA, a minha escola de formação teórica em Psicanálise, fez a seguinte pergunta:

“Lucas, por que não é saudável manter certos desejos no inconsciente?”.

Vou desenvolver aqui a resposta que dei a ele.

Em primeiro lugar, é importante esclarecer que essa pergunta só faz sentido no interior do universo teórico freudiano.

Considerando especificamente essa matriz teórica, podemos apontar três motivos básicos pelos quais não é saudável manter um desejo no inconsciente.

(1) Limitação do conhecimento de si

Para Freud, no inconsciente encontram-se desejos que foram REPRIMIDOS, ou seja, anseios que repudiamos e que, portanto, não queremos perceber como nossos.

Nesse sentido, manter desejos no inconsciente significa ficar cego, se alienar, permanecer ignorante de uma importantíssima parte de si mesmo.

(2) Desperdício de energia

Para conservarmos certos desejos em estado de repressão, precisamos gastar muita energia psíquica, já que eles tentam o tempo todo forçar sua entrada na consciência.

Assim, essa grande quantidade de energia empregada no processo de defesa acaba ficando indisponível para ser utilizada em outros propósitos.

Resultado: o sujeito vive limitado, tolhido, muito aquém do que poderia viver, pois  desperdiça parte de suas forças emocionais tentando fugir de si mesmo.

(3) O risco de adoecer emocionalmente

Desejos que estão no inconsciente se manifestam disfarçadamente em nossas vidas de muitas formas: por meio dos sonhos, dos atos falhos, do nosso jeito de ser…

Mas há uma forma privilegiada de expressão deles que é o SINTOMA, ou seja, algo que acontece em nós, que não conseguimos controlar e que nos causa sofrimento.

Nesse sentido, podemos considerar a manutenção de desejos no inconsciente como uma espécie de “fator de risco” para o adoecimento psíquico.

A Psicanálise é um convite para que o sujeito tope o desafio de vivenciar momentaneamente a angústia de expor esses desejos à luz da consciência.

Nossa aposta é a de que vale a pena atravessar essa dor temporária do encontro com a verdade do que manter o sofrimento crônico que resulta do autoengano.


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