[Vídeo] O que você fez com seu resto de infância?

Por mais amadurecidos que sejamos, há sempre um resto infantil que nos incita, nos provoca, nos incomoda.


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O que é fixação em Psicanálise?

Imagine que você esteja fazendo uma viagem de trem com um grupo de amigos.

Antes de chegarem ao destino, vocês precisarão passar por diversas estações. Apesar do desejo de chegar logo ao local em que irão passar as férias, você suporta pacientemente o longo trajeto.

Agora imagine que um dos seus amigos resolve ficar em uma das estações pelas quais o trem está passando. Questionado, ele diz: “Ah, eu não sei se o lugar para o qual estamos indo vai ser bom de verdade. Nesta estação eu tenho certeza de que vou me sentir bem, pois já estive aqui outras vezes e gostei muito. Então, para não correr o risco de me decepcionar lá na frente, prefiro ficar por aqui mesmo.”

A atitude desse amigo é exatamente análoga ao que acontece com uma parte de nós no curso de nosso desenvolvimento emocional.

De fato, a conquista da maturidade psíquica depende do abandono das formas de satisfação que utilizávamos na infância e dos vínculos infantis com nossos pais. Contudo, existe sempre uma parte de nós (sim, somos constituídos de diversas partes) que não quer renunciar, por exemplo, a certa fantasia sexual infantil ou à ligação incestuosa com um dos pais.

É essa resistência de uma parte de nós a sair da infância que nós chamamos, em Psicanálise, de fixação.

O adoecimento emocional ocorre justamente quando essa parte que permaneceu fixada na infância ganha força na vida do sujeito em função de alguma frustração ou decepção enfrentadas pelas partes amadurecidas.


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O desejo de vingança eterniza o trauma

Muitas pessoas procuram atendimento psicológico em função das sequelas emocionais produzidas por experiências de humilhação e abuso vivenciadas sobretudo na infância.

Diferentemente do que se imagina, tais sequelas não são derivadas exclusivamente dessas vivências de sofrimento, mas principalmente do DESTINO que a pessoa deu para elas em seu mundo interno. Em outras palavras, os efeitos traumáticos dessas experiências têm muito mais a ver com a forma com que o sujeito lida com as memórias dos momentos de dor.

Algumas pessoas, por exemplo, insistem em nutrir um desejo de vingança contra aqueles que lhe fizeram mal. Embora essa atitude seja plenamente justificável e compreensível, ela acaba fazendo com que aquilo que fora um episódio de violência se transforme num filme continuamente repetido na alma da pessoa.

O velho ditado “Quem bate esquece, mas quem apanha não é esquece” só se torna verdade para quem não abre mão do desejo de voltar no tempo e acertar as contas com quem o machucou.

Um dos objetivos que buscamos no tratamento psicanalítico de pessoas que foram vítimas de situações de abuso, violência ou humilhação é o de ajudá-las a parar de desperdiçar suas preciosas energias em fantasias de vingança. Nossa expectativa é de que o sujeito vá pouco a pouco parando de reescrever dia após dia suas memórias de dor e passe a tratá-las como páginas viradas.


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Para que sua alma está predisposta?

Se você não costuma praticar atividades físicas, é muito provável que tenha dificuldades para manter o fôlego ao subir alguns lances de escada. Por outro lado, quem faz atividades aeróbicas frequentes não se sentirá tão extenuado.

Estou chamando sua atenção para essas obviedades a fim de destacar o fato de que os processos pelos quais nosso corpo passa ao longo do tempo o tornam mais ou menos predisposto a certas atividades. Quem pratica corrida três vezes por semana, por exemplo, está muito mais preparado para fugir de um assaltante do que uma pessoa sedentária.

Da mesma forma, nossa alma também apresenta predisposições advindas de nossa história. Por exemplo, há pessoas que se sentem extremamente desconfortáveis em situações novas porque, no passado, foram forçadas a se adaptar de modo abrupto a um contexto diferente. A alma delas tornou-se, por conta dessa experiência, predisposta a encarar a novidade como uma ameaça. Assim, sempre que podem, fogem do desconhecido e procuram estar sempre preparadas a fim de evitar absolutamente qualquer imprevisto.

Há também aqueles indivíduos que não suportam situações de conflito. Alguns deles, além da ansiedade intensa, experimentam até sensações físicas apavorantes quando expostos a contendas e embates. A experiência clínica me autoriza a dizer que em praticamente todos os casos desse tipo verifica-se uma história marcada pela exposição precoce a conflitos familiares, geralmente entre os pais. Dito de outro modo, pessoas que evitam conflito possuem uma alma que se tornou predisposta a temer todo e qualquer confronto porque lá atrás, quando eram crianças, se sentiram extremamente ameaçadas pelo impacto dos conflitos familiares.

A terapia psicanalítica nos ajuda a identificar essas predisposições e a gênese de cada uma delas. Afinal, esse é um requisito necessário para que se possa ajudar a alma a perdê-las e a adquirir tendências e inclinações mais favoráveis à vida.