A resistência dos homens ao processo terapêutico

Volta e meia mulheres me procuram interessadas em saber se eu poderia atender os seus respectivos companheiros.

Geralmente, minha resposta é “Sim, mas peça a ele que entre em contato diretamente comigo.”.

E esse contato quase nunca acontece.

A imensa maioria das pessoas que procuram terapia é constituída por mulheres.

Para-além da resistência natural ao processo terapêutico que está presente em todo o mundo, há uma resistência A MAIS nos homens.

É muito difícil para eles se colocarem na posição de pacientes, sobretudo diante de outro homem.

É por isso que muitos buscam inconscientemente transformar a relação analítica num vínculo de amizade, para que não se sintam compelidos a falar sobre o que verdadeiramente importa.

E o que verdadeiramente importa?

Ora, a gente não vai para a análise para contar piadas, falar do futebol ou narrar com nossas conquistas amorosas ou profissionais.

Se a gente deita no divã é justamente para falar de tropeços, inibições, incapacidades, fragilidades…

E como é difícil para um homem admitir que não dá conta de alguma coisa!

Para não terem que dar o braço a torcer, alguns apelam para o corpo: “Meu problema é fisiológico, não tem nada a ver comigo. Por isso, vou procurar um médico. Um bom remédio deve resolver.”.

Outros simplesmente minimizam o peso do adoecimento para não terem que se reconhecerem como dependentes de ajuda:

“Ah, já faz uns dois anos que eu tenho insônia quase todo dia, mas tá tudo bem. Não tem nada de errado comigo. Só vim porque minha esposa pediu.”.

Não por acaso, entre as pessoas que tiram a própria vida há um número muito maior de homens do que de mulheres.

Em outras palavras, muitos homens “preferem” morrer a ter que dizer: “Preciso de ajuda”.

A experiência clínica mostra que aqueles que estão mais identificados com suas mães do que com seus pais conseguem se colocar na posição de pacientes com mais facilidade.

Ao que parece, o modelo feminino introjetado permite ao ego ocupar a posição de dependência e vulnerabilidade exigida pela análise sem se sentir tão narcisicamente ameaçado.


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Energia masculina? Energia feminina? Isso não existe!

Num texto de 1964 intitulado “Posição do inconsciente”, o psicanalista francês Jacques Lacan diz o seguinte:

“A pulsão, como representante da sexualidade no inconsciente, nunca, é senão pulsão parcial. É nisto que está a carência essencial, isto é, a daquilo que pudesse representar no sujeito o modo, em seu ser, do que ele é macho ou fêmea”.

E, mais adiante:

“Do lado do Outro, do lugar onde a fala se confirma por encontrar a troca dos significantes, os ideais que eles sustentam, as estruturas elementares de parentesco, a metáfora do pai como princípio da separação, a divisão sempre reaberta no sujeito em sua alienação primária, apenas desse lado, e por estas vias que acabamos de citar, devem instaurar-se a ordem e a norma que dizem ao sujeito o que ele deve fazer como homem ou mulher.”

Esses são trechos excepcionalmente claros da obra lacaniana. Neles Lacan elabora, com seus próprios termos, a descoberta freudiana de que os nossos impulsos sexuais não têm sexo e de que, portanto, masculinidade e feminilidade não são padrões comportamentais inatos, mas aprendidos mediante nossas experiências de vida enquadradas pelo contexto familiar e sociocultural (o que Lacan chama de “Outro”).

Por que resolvi falar desse assunto hoje? Porque tem muito picareta no Instagram falando de supostas “energia masculina” e “energia feminina”. Segundo esse pessoal, um homem, por exemplo, só seria feliz em seus relacionamentos se reconhecesse sua tal energia masculina intrínseca e encontrasse uma “mulher feminina” (risos).

O que essa galera está fazendo, na prática, é pegando modelos de masculinidade e feminilidade forjados numa determinada época e numa determinada cultura, ou seja, o que Lacan designa como “a ordem e a norma que dizem ao sujeito o que ele deve fazer como homem ou mulher” e NATURALIZANDO tais modelos como se eles estivessem enraizados no organismo ou… na alma (sei lá qual é a metafísica maluca dessa gente…).

Masculinidade e feminilidade existem? Sim, existem, mas são padrões que emergem do campo do Outro, não da biologia. Nossos impulsos sexuais são assexuados. O que eles visam, no fim das contas, é a satisfação pura e simples.


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O que é falo? (final)

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