Esta é uma pequena fatia da aula especial “LENDO LACAN 10 – O papel da separação na constituição do sujeito”, que já está disponível no módulo “AULAS ESPECIAIS – LACAN” da CONFRARIA ANALÍTICA.
Participe, por apenas R$49,99 por mês ou 497,00 por ano, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Você já reparou que a gente faz com nossos animais de estimação determinadas ações muito semelhantes às que fazemos com nossos bebês?
Por exemplo:
A gente dá nomes para os pets, escolhe que tipo de alimento vão comer, damos banho, ensinamos a eles onde devem fazer cocô e xixi…
Enfim… nós exercemos sob os nossos animais de estimação o mesmo processo de ALIENAÇÃO que impomos sobre nossas crianças.
— Puxa, Lucas, “alienação”?
Sim, caro leitor! Não precisa ficar assustado. Esse processo é absolutamente normal e NECESSÁRIO.
A gente precisa mesmo ALIENAR ao nosso desejo esses pequenos seres que dependem de nós — pelo bem deles.
Um doguinho ou gatinho vivendo na rua ou no mato (ou seja, livres de nossas imposições), podem até sobreviver, mas um bebê, não.
Um filhotinho humano precisa de, pelo menos, um Homo sapiens adulto que imponha sobre elecertas coisas a fim de torná-lo, de fato, mais um SÓCIO da sociedade humana.
E o nome que o psicanalista francês Jacques Lacan escolheu para designar esse processo de submissão da criança ao desejo do adulto foi justamente… ALIENAÇÃO.
Mas por que eu comecei este texto falando que isso também ocorre com os animais de estimação?
Foi para lhe mostrar que, apesar dessa semelhança, existe entre nós e eles uma diferença crucial.
Diferentemente dos doguinhos e gatos, as crianças são capazes de QUESTIONAREM a alienação que os pais fazem sobre elas.
Sim! A partir de certa idade, nossos filhos começam a fazer determinadas perguntas que os outros animais não possuem estrutura biológica para formular.
Por exemplo:
“Por que será que me deram o nome de Lucas e não outro?”
“Por que mamãe tem que ir trabalhar ao invés de ficar o tempo todo comigo?”
“Por que eu tenho que ir para a escola?”
Ao fazer indagações dessa natureza, a criança vai pouco a pouco percebendo que todas essas situações foram impostas a ela simplesmente porque… os pais QUISERAM.
Essa constatação de que o grande Outro encarnado pelos pais possui um DESEJO e, portanto, é FALTOSO, é o que permite à criança sair da posição passiva de alienação.
Isso os nossos pets não podem fazer, tadinhos. Eles são obrigados a permanecerem assujeitados ao nosso desejo. Seu gatinho nunca terá a chance de odiar o nome que você colocou nele.
SEPARAÇÃO: este foi o termo que Lacan escolheu para nomear essa operação que nos permite sair da posição de alienados e nos tornarmos sujeitos desejantes.
Na AULA ESPECIAL de hoje da CONFRARIA ANALÍTICA eu explico detalhadamente esse processo com base num comentário EM HUMANÊS do texto em que Lacan fala sobre ele.
O título da aula é “LENDO LACAN #10 – O papel da separação na constituição do sujeito” e já está disponível no módulo “AULAS ESPECIAIS – LACAN”.
Participe, por apenas R$49,99 por mês ou 497,00 por ano, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Outro dia eu abri uma caixinha de perguntas lá no Instagram e uma moça me enviou o seguinte questionamento:
“Tenho depressão, faço análise há 17 anos e não melhoro. O que pode ser?”.
Eu respondi com o trecho do Evangelho de São João que narra o encontro de Jesus com um doente em “Betesda”, uma piscina pública de Jerusalém.
A passagem termina com o homem curado de sua paralisia após ter ouvido do rabino a seguinte exortação:
“Levante-se, pegue o seu leito e ande.”.
Alguns seguidores interpretaram erroneamente que eu estaria sugerindo à pessoa que a depressão dela só seria curada pela fé. 🤦♂️
Nada a ver!
Do meu ponto de vista, a referida passagem pode ser interpretada sem qualquer referência a aspectos religiosos.
Não precisamos encarar a cura obtida pelo paralítico necessariamente como um milagre.
Podemos pensá-la tão-somente como o efeito da astuta intervenção psicanalítica feita por Jesus. Senão, vejamos:
Quando o rabino pergunta ao doente se ele não queria ficar curado, a resposta do sujeito revela, nas entrelinhas, o GOZO que, de fato, sustenta sua enfermidade.
O cara sequer diz que quer, sim, ser curado. Em vez disso, ele JUSTIFICA por que está há anos ali, à beira da piscina:
“Não tenho ninguém para me colocar no tanque na hora em que o anjo passa. Aí, enquanto eu me arrasto para entrar na água, outra pessoa desce antes de mim.”.
Perceba: esse sujeito está preso à ideia fixa de que ele só será curado MIRACULOSAMENTE pela SUPOSTA passagem do anjo.
E o pior é que, mesmo sabendo que dificilmente conseguirá ser o primeiro a entrar na piscina, o infeliz continua ali, nutrindo a expectativa completamente ilusória de um dia conseguir.
É por isso que Jesus pergunta para ele:
“Uai, cê não quer ficar curado, não?”.
Esse questionamento pode ser lido como uma espécie de interpretação à moda lacaniana na medida em que faz alusão à SATISFAÇÃO com a doença que o paralítico não é capaz de reconhecer.
Ora, se ele SABE que é quase impossível ser o primeiro a entrar na água, por que continua inerte ali, à beira da piscina?
Por que não vai em busca de uma alternativa?
Por que não EXPERIMENTA simplesmente… levantar, pegar o seu leito e andar? 😉
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Estruturalmente presos à ideia do “homem de verdade”, os homens sonham com uma “mulher de verdade”, universal, previsível, controlável…
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A alegria que a criança experimenta quando se dá conta de que é a pessoa que vê diante de si no espelho equivaleria à satisfação que nós temos, durante toda a vida, ao nos imaginarmos COMPLETOS.
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Esta é uma pequena fatia da aula especial “Por que ‘não há relação sexual’?”, que já está disponível no módulo “AULAS ESPECIAIS – LACAN” da CONFRARIA ANALÍTICA.
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Na aula ao vivo da última segunda-feira eu falei com os alunos da CONFRARIA ANALÍTICA sobre os dois tipos de falta que, do meu ponto de vista, podem estar em jogo na experiência humana.
Trata-se da FALTA TRAUMÁTICA e da FALTA ESTRUTURAL.
Essa é uma ideia que tenho desenvolvido ultimamente e que vai de encontro ao que me parece ser um grave equívoco cometido por muitos psicanalistas.
Com efeito, tradicionalmente, nós somos ensinados em Psicanálise que só existe um único tipo de falta: a falta ESTRUTURAL.
Vocês conhecem a ladainha: todos nós somos seres estruturalmente faltosos porque não existe um objeto capaz de saciar plenamente nosso desejo e blábláblá…
Tudo isso é verdade.
O problema é achar que, quando um paciente se queixa dos efeitos nefastos da negligência REAL que ele sofreu por parte da mãe, o que está em jogo é essa falta estrutural.
Não é.
Trata-se de um outro tipo de falta: uma falta que NÃO DEVERIA EXISTIR e que, de fato, não existe para a maioria das pessoas — uma falta… TRAUMÁTICA.
A falta estrutural de um objeto plenamente satisfatório é INEVITÁVEL e um dos nossos desafios na vida é aprender a conviver com ela.
Já a falta traumática só vai acontecer se o sujeito não receber aquilo que LHE É DE DIREITO na infância, a saber: um ambiente amoroso, acolhedor e pacífico.
Quando não fazemos essa diferenciação, podemos acabar retraumatizando nossos pacientes.
Imagine, por exemplo, uma mocinha que passe uma sessão inteira se queixando das surras violentíssimas que recebia por parte do pai na infância.
Se o analista admite as diferenças entre as duas faltas, entenderá que essa paciente sente FALTA do pai amoroso e não violento que ela REALMENTE DEVERIA TER TIDO.
Ou seja, essa paciente não está ansiando por um objeto idealizado, como um neurótico típico que se queixa da namorada que não o satisfaz plenamente.
Se o analista só trabalha com a ideia de falta estrutural, pode confundir as bolas e acabar achando que essa paciente precisa parar de idealizar a figura paterna.
Assim, sem perceber, ele estará “passando pano” para o ambiente hostil que a moça vivenciou na infância e a levará a pensar que a raiz do problema está exclusivamente… nela mesma.
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Freud faz parecer que o complexo de Édipo só acontece com crianças que crescem em famílias tradicionais.
Sendo assim, como pensar o complexo de Édipo em crianças que não convivem com um ou ambos os genitores?
Com Freud, não dá para pensar mesmo. Mas com Lacan, sim.
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Lá no texto “O estádio do espelho como formador da função do eu”, Lacan utiliza a imagem do bebê diante do espelho para caracterizar a relação que nós tendemos a ter com o nosso Eu.
A alegria que a criança experimenta quando se dá conta de que é a pessoa que vê diante de si no espelho equivaleria à satisfação que temos ao nos imaginarmos COMPLETOS.
Para Lacan, o bebê se reconhece no espelho num momento muito precoce, em que ele ainda não consegue se perceber como um ser inteiro e coordenado.
No entanto, a imagem que ele vê no espelho é justamente… a de um ser inteiro e coordenado!
É daí que vem o júbilo da criança: afinal, o que ela enxerga no espelho é a pessoa que, na real, AINDA NÃO É, mas deseja ser.
O problema, nos ensina Lacan, é que a criança se encanta tanto com a imagem de inteireza que está diante de si que acaba se IDENTIFICANDO com ela.
Ou seja, o bebê passa a ACHAR QUE É a pessoa inteira e coordenada que ele DE FATO ainda não é.
Ora, esse descompasso entre o que ACHAMOS QUE SOMOS e o que DE FATO somos, se manterá presente em nós pelo resto da vida.
Podemos dizer que um dos efeitos da passagem por uma terapia psicanalítica é justamente a diminuição dessa distância entre o que imaginamos ser e o que realmente somos.
Ao longo da existência, vamos compondo uma imagem “redondinha” de nós mesmos, cheia de certezas e vazia de contradições.
E essa imagem é tão fascinante, tão perfeitinha, tão sedutora, que a gente acaba caindo na ilusão de acreditar que ela responde satisfatoriamente a pergunta: “Quem sou eu?”.
A verdade é que não responde.
Mas a gente não quer reconhecer essa verdade.
Sabe por quê?
Porque não é muito confortável viver com a consciência de que somos inevitavelmente contraditórios, ambivalentes, divididos.
Somos tão apaixonados pela imagem “redondinha” de nós mesmos que distorcemos nossa experiência subjetiva para não termos que abandoná-la.
E o que a Psicanálise chama de “mecanismos de defesa” são justamente as estratégias que utilizamos inconscientemente para tentar manter essa imagem intacta.
Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA, receberá ainda hoje a gravação na íntegra da MASTERCLASS “TUDO SOBRE MECANISMOS DE DEFESA” que ministrei ontem à noite.
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Neste vídeo eu respondo à pergunta “O que você tem a dizer das sessões que duram 20 minutos?”, que me foi feita numa caixinha de perguntas lá no Instagram.
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