Você consegue se validar?

Hoje quero conversar com você sobre um dos principais ganhos que a gente obtém ao fazer análise: a autovalidação.

— Como assim, Lucas?

Eu me refiro a uma atitude de legitimação dos próprios pensamentos, sentimentos, contradições e, principalmente, do próprio sofrimento.

Ao longo de uma análise, o paciente vai aprendendo a olhar para si mesmo de modo a poder dizer: “Isso que acontece comigo tem sentido, pode ser escutado, explorado, compreendido; não é algo que não deveria existir.”

Honestamente, eu não sei se esse processo ocorre em todo tipo de terapia. Suspeito que sim, mas só posso falar da Psicanálise, pois é o método que pratico. Nela, eu sei que acontece.

Quem já sofreu muito por se invalidar (e se for o seu caso, diga aí nos comentários), sabe o quão importante é a conquista da autovalidação.

Ao se invalidar, o sujeito olha para si mesmo e pensa: “Eu não deveria estar me sentindo/pensando/me comportando assim”. E, ao fazer isso, ele sem perceber adiciona uma nova camada de sofrimento ao que já vinha vivenciando.

Por exemplo: de repente, a pessoa é insegura, mas sofre duplamente porque vê sua insegurança como uma espécie de falha moral que não deveria existir. Então ela sofre por ser insegura e sofre também por achar que nãodeveria ser insegura.

— Uai, Lucas, mas a pessoa tem razão ao pensar assim, não? A insegurança realmente não deveria existir na vida dela.

De fato, seria muito bom se a insegurança não estivesse presente nesse sujeito, mas a expressão “não deveria” faz parecer que, em vez de estar padecendo de um problema emocional, ele está marcando a opção errada num inexistente gabarito da vida.

Ao adquirir a capacidade de autovalidação, o paciente substitui esse olhar moralista por uma visão, digamos, científica de suas questões. Em vez de achar que sua insegurança não deveria existir, ele passa a se perguntar: por que ela existe? De onde ela vêm? Quais são as razões que a mantêm?

Perceba que não se trata de adotar uma posição de resignação diante do sofrimento. Validar-se não significa simplesmente dizer para si mesmo: “Tá tudo bem ser assim”. Afinal, o próprio sofrimento é a prova de que não está tudo bem.

O que a autovalidação faz é levar o sujeito a reconhecer que seu sofrimento é real, legítimo e, portanto, merece ser investigado.

E é impressionante como, ao eliminar o peso da carga moral, a conquista do olhar autovalidador já alivia parte do sofrimento.


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Repressão na infância, baixa autoestima e autopunição

Uma jovem adulta chega à análise queixando-se de constantes crises de ansiedade.

Há mais de um ano ela terminou um namoro desagradável, insatisfatório, mas até hoje se pergunta se fez certo ao sair do relacionamento.

A moça tem um olhar muito negativo sobre si mesma, acha que é uma farsa…

Quando bate a ansiedade, se toca compulsivamente e depois se sente culpada e suja.

Na adolescência, sofreu diversas humilhações na escola.

Na infância, foi severamente repreendida ao explorar o próprio corpo.

Como tudo isso se articula?

De que forma a repressão vivida na infância pode ter moldado a autoimagem e o tipo de sofrimento psíquico apresentado por essa moça hoje?

Como a analista pode ajudá-la a sair de suas repetições e transformar sua relação consigo mesma?

Essas são algumas das perguntas que eu respondo na aula “ESTUDOS DE CASOS 24 – Repressão na infância, baixa autoestima e autopunição”, publicada hoje (sexta) na CONFRARIA ANALÍTICA, minha escola de formação teórica em Psicanálise.

Trata-se de mais uma aula do módulo ESTUDOS DE CASOS, em que comento casos clínicos reais que estão sendo conduzidos por alunos da Confraria.

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[Vídeo] Quando a análise vira pressão e cobrança


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[Vídeo] Recado Rápido #11 – Formação reativa

Freud deu o nome de formação reativa a um mecanismo de defesa que consiste na expressão de sentimentos, atitudes, pensamentos e comportamentos cujo conteúdo é diametralmente oposto àquele que foi recalcado. O exemplo mais clássico dessa operação subjetiva é do sujeito que faz uso do moralismo excessivo para compensar “do lado de fora” as intensas fantasias eróticas inconscientes que se manifestam “do lado de dentro”. Neste 11º recado rápido, faço um breve comentário sobre esse curioso mecanismo.