Preguiça, procrastinação e abulia: entenda as diferenças

Dia desses alguém me perguntou na caixinha do Instagram se preguiça em excesso era sintoma. Eu respondi que era preciso diferenciar preguiça de abulia.

Quero, aqui, me aprofundar um pouco nessa distinção.

O que é a preguiça?

Preguiça é um tipo de prazer.

Sim! É o prazer que eu ESCOLHO deliberadamente obter ao adiar ou evitar a realização de uma tarefa que posso e sei que devo fazer.

Todo o mundo se entrega à preguiça de vez em quando. Afinal, quem é que aguenta viver o tempo todo de forma diligente e produtiva?

É importante salientar que a preguiça é uma forma de PRAZER para diferenciá-la de um fenômeno aparentemente muito parecido: a procrastinação.

Quem verdadeiramente procrastina a realização de uma tarefa não o faz porque quer usufruir do prazer de não trabalhar.

Na VERDADEIRA procrastinação, o sujeito enrola para botar a mão na massa movido pelo afeto do MEDO.

Medo da tarefa ou de elementos associados a ela e que pode estar fundamentado em pensamentos conscientes e/ou inconscientes.

Na preguiça não há medo. Há simplesmente o desejo — humano, demasiado humano — de desfrutar do ócio ou da diversão e evitar o desprazer do trabalho.

Uma pessoa deprimida pode parecer preguiçosa aos olhos de um ignorante em matéria de saúde mental.

Afinal, ela pode ausentar-se do trabalho, passar o dia todo deitada na cama vendo TV e não querer fazer tarefas básicas como tomar banho e escovar os dentes.

A diferença é que o deprimido não faz isso pelo prazer do ócio, mas por uma falta patológica de disposição que nós chamamos tecnicamente de ABULIA.

A pessoa deprimida não ESCOLHE ficar à toa e não se sente bem fazendo isso como acontece conosco quando nos entregamos à preguiça.

Na verdade, o deprimido está apenas sofrendo os efeitos involuntários de um desarranjo psíquico que pode ser motivado por inúmeros fatores.

Portanto, concluindo, preguiça é escolha voluntária pelo prazer da folga.

Abulia depressiva, por sua vez, é o padecimento não deliberado de uma falta de vontade não só de trabalhar, mas de viver…


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[Vídeo] Saúde Mental no Brasil não é levada a sério


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Se a saúde mental não é levada a sério, parte dessa culpa é nossa.

Se queremos que o campo da saúde mental seja realmente levado a sério pelo conjunto da sociedade, precisamos rever nossas práticas.

Como levar a sério um campo no qual categorias psicopatológicas são tratadas em vídeos e podcasts como se fossem signos do horóscopo?

“Como descobrir se o seu namorado é narcisista”

“Como saber se tenho TDAH? (Teste rápido)”

“A pessoa com bipolaridade precisa fazer isso para ficar bem”

Como levar a sério um campo em que diagnósticos são feitos em uma única consulta de 15 ou 20 minutos?

Todos nós estamos de acordo que transtornos psicológicos são fenômenos EXTREMAMENTE complexos, certo?

Mas, se isso é verdade, como um profissional de saúde mental é capaz de afirmar categoricamente que uma pessoa tem depressão escutando-a por menos de uma hora?

A minha impressão é a de que muitos psicólogos e psiquiatras entendem que aguardar um bom tempo antes de formularem um diagnóstico é sinal de incompetência.

Assim, na ânsia de “mostrarem serviço” para seus pacientes, saem etiquetando-os de forma completamente irresponsável e tecnicamente equivocada.

Para esses supostos profissionais, diagnosticar um transtorno mental consiste simplesmente em correlacionar a fala do paciente com descrições do DSM-V.

Isso é ridículo!

Sinceramente, um bom astrólogo faz um trabalho mais consistente e sério ao construir o mapa astral de uma pessoa.

Um dos resultados desse trabalho porco e superficial de distribuição massiva de diagnósticos é o apagamento da subjetividade do paciente.

“Sabe por que você é assim? Por causa do TDAH.”, dirá aquele psiquiatra, se deliciando com o lugar de sujeito suposto saber e ignorando completamente a história da paciente.

E aí, ao invés de sair da consulta se questionando, refletindo, com desejo de se compreender, aquela moça chegará em casa silenciada por um rótulo psiquiátrico.

Como levar a sério um campo no qual sujeitos com histórias complexas e multifacetadas são reduzidos a siglas repetidas como se fossem palavras mágicas?

TAG, TOD, TAB, TEA

Desculpem o tom de desabafo, mas é vergonhoso o que se tem feito em “saúde mental” no Brasil.


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[Vídeo] O que significa ter equilíbrio emocional?


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[Vídeo] Como o mundo online está destruindo sua saúde mental

Neste vídeo, apresento 3 elementos do mundo online que têm prejudicado consideravelmente a saúde mental de muitas pessoas e proponho algumas estratégias simples para que você possa se proteger desse impacto negativo.


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Há sintomas que a gente precisa aprender a amar

Quando procuramos terapia, temos a tendência de avaliar todos os comportamentos que nos fazem sofrer como necessariamente patológicos.

No entanto, algumas condutas podem ser fonte de sofrimento não porque sejam de fato doentias, mas por conta da maneira como nos relacionamos com elas.

Uma moça muito religiosa, por exemplo, pode procurar análise por se sentir aflita e culpada em função dos impulsos eróticos que sente por outras mulheres.

Por conta de sua história de vida, é natural que essa paciente deseje se livrar desses desejos.

No entanto, em terapia, ela verá que tais inclinações não são em si mesmas patológicas e que seu sofrimento decorre, na verdade, da autocondenação por experimentá-las.

Perceba: nesses casos, o terapeuta não ajuda a paciente a parar de se comportar da forma como se comporta, mas a mudar seu olhar sobre a própria experiência.

Outro exemplo: João procura terapia porque alguns familiares lhe disseram que ele gosta sempre de estar no controle e que essa é uma atitude que o rapaz deveria mudar.

Todavia, foi graças ao desejo de querer estar sempre no controle que esse paciente conseguiu uma rápida escalada em sua carreira no mundo corporativo.

Desde que era estagiário, João sempre assumiu naturalmente uma posição de liderança entre os seus colegas justamente por não se sentir à vontade estando sob o controle de outras pessoas.

Em terapia, o rapaz constatou que a tendência controladora não era uma característica que ele deveria necessariamente perder, mas tão-somente “domesticar” para não manifestá-la em excesso.

Diferentemente de outros métodos terapêuticos, na Psicanálise nós não queremos encaixar o paciente em um suposto molde universal de saúde mental.

Por isso, quando alguém nos procura, não impomos a ele uma listinha de comportamentos patológicos a serem extirpados e comportamentos saudáveis a serem desenvolvidos.

No decorrer de uma análise, há sintomas que a gente perde (porque não nos servem para nada mesmo), mas há outros com os quais a gente aprende não só a conviver, mas também a amar.


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Em saúde mental, força é sinônimo de flexibilidade.


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Não seja seu próprio carrasco (mas não pegue leve consigo mesmo)

Já ouviu falar em autocompaixão?

Esse termo designa basicamente uma atitude oposta ao excesso de autocobrança — queixa frequentemente encontrada nos consultórios de terapeutas atualmente.

Uma pessoa autocompassiva olha para si mesma de modo compreensivo e amoroso, ciente de que não é capaz de dar conta de tudo e de que pode cometer erros.

Em outras palavras, um indivíduo que desenvolveu a competência da autocompaixão NÃO PEGA PESADO CONSIGO MESMO.

Por outro lado, sujeitos que não são autocompassivos comportam-se como verdadeiros carrascos de si mesmos, fazendo-se cobranças exageradas e não admitindo nenhum tipo de falha.

Ajudar o paciente a desenvolver autocompaixão deveria ser um dos propósitos de qualquer tratamento psicoterapêutico, seja ele psicanalítico ou não.

Todavia, não devemos confundir autocompaixão com AUTOCOMPLACÊNCIA.

Não se cobrar de forma exagerada é diferente de pegar leve consigo mesmo.

Assim como o excesso de autocobranças, a autocomplacência também é um fator que contribui para a deterioração da saúde mental.

Há muitas pessoas, por exemplo, que permanecem presas a condições de adoecimento emocional porque não se dispõem a fazer o mínimo necessário para sair delas.

Volta e meia atendo jovens universitários que se queixam de uma suposta INCAPACIDADE de se concentrarem nos estudos em casa.

Quando eu pergunto se eles LUTAM contra a distração, a resposta é geralmente negativa.

Diante da DIFICULDADE de concentração, a pessoa simplesmente desiste de estudar. Ela não se ESFORÇA para retomar a atenção depois de momentos de distração.

O nome disso é AUTOCOMPLACÊNCIA, ou seja, uma propensão a exigir de si MENOS do que se é capaz de dar conta.

A concentração, por exemplo, assim como diversos outros aspectos do funcionamento psicológico, precisa de EXERCÍCIO para ser desenvolvida — e não exercício leve.

Você não se tornará fisicamente forte levantando pesos que não te causam nenhum desconforto.

Da mesma forma, não é possível conquistar uma saúde mental fortalecida pegando leve consigo mesmo e desistindo diante de qualquer mínimo obstáculo.

Seja autocompassivo, mas não seja autocomplacente.


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[Vídeo] Será que você precisa de terapia?

Neste vídeo: entenda por que tentar resolver transtornos emocionais sozinho é tão insano quanto achar que dá para curar uma tuberculose sem ajuda médica.


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[Vídeo] Como se proteger de pessoas tóxicas (parte 02)

Continuando nossa aula sobre como se proteger de pessoas tóxicas, neste vídeo proponho duas estratégias para evitar que a convivência eventualmente inevitável com indivíduos tóxicos produza danos à sua saúde mental. Assista à aula até o final.

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[Vídeo] Como se proteger de pessoas tóxicas (parte 01)

Muita gente adoece psicologicamente por conviver com indivíduos tóxicos, ou seja, opressivos, controladores, manipuladores, agressivos etc. Neste vídeo você começará a aprender o que fazer para se proteger dos danos emocionais provocados por tais pessoas.

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[Vídeo] Três dicas para proteger sua SAÚDE MENTAL

Você sabia que fazendo algumas escolhas difíceis, mas simples, você pode contribuir significativamente para reduzir as chances de desenvolver alguma forma de adoecimento emocional? Assista a este vídeo e entenda como proteger sua saúde mental.

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