[Vídeo] Entenda por que os psicanalistas ficam em silêncio

Neste vídeo você vai entender as razões técnicas que explicam por que a maioria dos analistas fica boa parte do tempo em silêncio durante as sessões.


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Por que os psicanalistas ficam em silêncio?

Aqueles que criticam a Psicanálise como método psicoterapêutico sempre elegeram o silêncio do analista como um de seus alvos prediletos.

“Psicanalistas não dão feedback”, dizem eles. “Deixam o paciente falar, falar, enquanto apenas fazem cara de paisagem”.

Esse tipo de afirmação incorre na famosa falácia do espantalho: não é verdade que todo analista seja silencioso.

É conhecida, por exemplo, a tendência de alguns analistas kleinianos de formularem uma imensidão de interpretações a todo momento.

De fato, cada analista tem o seu estilo. Alguns são mais silenciosos, outros não. Não há uma regra que defina quanto silêncio o analista deva fazer durante as sessões.

Por outro lado, é importante salientar que, quando o analista faz silêncio, ele não está meramente deixando de falar.
Trata-se, na verdade, de uma TÉCNICA.

Sim! O silêncio é uma DECISÃO CLÍNICA tomada pelo analista, tão estrategicamente pensada quanto uma interpretação.

O analista faz silêncio, em primeiro lugar, para sinalizar ao paciente que uma análise não é uma conversa qualquer em que duas pessoas dialogam.

Na terapia psicanalítica, o paciente é convidado a SE ESCUTAR e não a bater papo. Ora, como o sujeito vai se escutar se o outro não para de falar?

Em segundo lugar, o silêncio do analista é necessário para que ele colha as informações necessárias para falar algo que MERECE SER FALADO.

Explico: numa conversa normal, nós falamos o que queremos dizer e não aquilo que o outro PRECISA ouvir.

Na análise é diferente. Como se trata de um TRATAMENTO, a fala do analista não pode ser sobre si e nem pode ser vazia, banal, irrelevante.

Quando o analista fala, é necessário que seu dizer verdadeiramente AFETE o paciente.

E isso só é possível se o analista falar algo que evoque ou reflita o que se passa com o analisando.

Não dá para falar alguma coisa dessa natureza sem ESCUTAR o paciente suficientemente bem.

Muitas vezes, o desejo compreensível que alguns pacientes nutrem de que seus analistas sejam mais falantes é da ordem da resistência.

Com efeito, ESCUTAR-SE não é uma tarefa nada fácil.

Há determinados sons interiores que gostaríamos que fossem abafados pela voz apaziguadora de nossos analistas…


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