Participe da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Você está sonhando, e, de repente, ao se deparar com alguma situação, você acorda.
Por que isso acontece?
Por que será que você acordou justamente naquele momento?
A resposta é simples: se continuasse sonhando, você faria contato com uma realidade interna insuportável.
Então, acordar é uma forma de se proteger emocionalmente.
Aí você pode retrucar:
— Mas, Lucas, isso não faz muito sentido. Como o despertar vai me proteger do contato com essa realidade interna tão dolorosa? É mais fácil encontrá-la dormindo do que acordado?
Exatamente.
Quando a gente dorme, as defesas que utilizamos durante o dia para não pensar em certas coisas se enfraquecem.
É por isso que a gente sonha.
A matéria-prima dos sonhos é formada por pensamentos que ficam rodando na nossa cabeça diuturnamente, em segundo plano ou de forma totalmente inconsciente.
E não são quaisquer pensamentos.
Em geral, são ideias e desejos conflituosos, que nos causam muita dor ou angústia. Por isso, tendemos a evitá-los.
— Mas, Lucas, eu não me lembro de sonhar com pensamentos. Nos meus sonhos aparecem imagens, cenas… Muito estranhas, inclusive.
Sim, isso acontece porque, embora suas defesas estejam enfraquecidas durante o sono, elas ainda têm força suficiente para transformar as ideias angustiantes em imagens que você consegue suportar.
É por isso que nossos sonhos costumam ser esquisitos ou aparentemente aleatórios. É que, na tentativa de te proteger dos pensamentos dolorosos, a defesa precisa disfarçá-los.
Vamos supor, por exemplo, que esteja rodando na sua cabeça, em segundo plano, a seguinte ideia:
“Eu queria xingar meu namorado, mas, como tenho medo da minha própria agressividade, fico calada e tolero os xingamentos dele.”
Para te poupar de fazer contato com esse pensamento, suas defesas podem transformá-lo numa cena em que você observa, da janela de casa, animais selvagens entrando em seu quintal.
O problema é que suas defesas, que já são limitadas por natureza, durante o sono estão enfraquecidas, lembra?
Então, pode acontecer o seguinte:
A ideia da qual você está se protegendo pode ter tamanha força que suas defesas não conseguem disfarçá-la muito bem.
Vamos retomar o exemplo:
Pode ser que durante o dia alguém tenha ouvido seu namorado te xingando e chamou sua atenção: “Como você tolera?”.
Por conta disso, o pensamento “Eu queria xingar meu namorado etc.” ficou mais intenso em seu psiquismo.
Mas lembre que você não suporta fazer contato com ele.
Então, pode ser que o sonho que você tem nesse dia comece daquele jeito que eu falei: você, da janela de casa, observando os animais selvagens andando pelo seu quintal.
Porém, como o pensamento foi intensificado, as defesas não conseguem representá-lo de forma disfarçada apenas com essa imagem.
Ele está tão forte que a cena precisa continuar: os animais começam a invadir sua casa. Quando você olha para trás, vê um monte deles vindo em sua direção.
E justamente, nesse momento, você acorda.
Por quê?
Porque a defesa chegou ao limite: a alternativa seria você sonhar que está sendo atacada pelos animais, o que seria tão angustiante quanto tomar consciência da ideia que está sendo representada.
É por isso que o psicanalista francês Jacques Lacan brincava dizendo que a gente acorda dos sonhos… para continuar sonhando.
Participe da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Por que não passamos a noite inteira com a mente “desligada”, apenas descansando, em vez de alucinarmos situações às vezes tão heteróclitas?
(Sim, o sonho é uma espécie de alucinação. Por isso, às vezes acordamos e pensamos: “Nossa, parecia tão real…”.)
O sonho é a prova de que nosso aparelho psíquico não suspende sua atividade durante o sono.
Mas por que não? Por que ele não para?
A verdade é que não há consenso na literatura científica a respeito disso.
Há várias hipóteses biológicas para explicar a função dos sonhos: processamento de informações, regulação emocional, manutenção da saúde neural etc.
É provável todas elas estejam corretas em alguma medida, pois não são mutuamente excludentes.
Do ponto de vista psicanalítico, todo o mundo conhece a hipótese de Freud: os sonhos representam simbolicamente a realização de desejos.
Mas será mesmo que a concepção freudiana é suficientemente abrangente para ser aplicada a todos os sonhos?
Do meu ponto de vista, não.
Minha hipótese é a de que a realização disfarçada de desejos é APENAS UMA das formas que o aparelho psíquico encontra para cumprir a verdadeira função que realiza ao produzir os sonhos, a saber:
Neutralizar nossas ansiedades para permitir que a gente continue dormindo.
Quer saber mais sobre essa hipótese?
Então assista à AULA ESPECIAL “Sonho, sono, insônia e ansiedade” que acaba de ser publicada na CONFRARIA ANALÍTICA.
A aula está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS.
Participe, por apenas R$49,99 por mês ou 497,00 por ano, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Participe, por apenas R$49,99 por mês ou 497,00 por ano, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Outro dia alguém me perguntou na caixinha do Instagram se os psicanalistas ainda trabalham com a ideia de que todo sonho sempre expressa um desejo.
Essa pessoa estava fazendo referência à conhecida tese que Freud propõe no livro “A Interpretação dos Sonhos”:
“Quando o trabalho de interpretação se conclui, percebemos que o sonho é a realização de um desejo.” (última frase do capítulo II do livro)
Pois bem… Minha opinião é a de que o pai da Psicanálise incorreu em uma generalização excessiva.
De fato, é inegável que muitos sonhos expressem de modo disfarçado a realização de desejos, especialmente aqueles que se encontram reprimidos no Inconsciente.
Admito, inclusive, que seja possível vincular todo e qualquer sonho (como qualquer outro conteúdo psíquico) a desejos dessa ordem.
Afinal, a mente humana é uma imensa rede de ideias articuladas.
Contudo, não me parece útil, especialmente na clínica, olhar para o sonho de um paciente buscando encontrar o desejo que supostamente estaria em jogo.
Na minha experiência (que vai ao encontro do que observo na literatura psicanalítica), o sonho funciona mais como um RETRATO SIMBÓLICO.
Sim, um retrato simbólico do que está se passando no psiquismo do sujeito.
Um paciente obsessivo, por exemplo, ao iniciar um novo relacionamento, sonha que sua casa está sendo invadida e, na sequência, que ela está sendo demolida.
Ora, nesse sonho não assistimos à realização de um desejo (a não ser que se queira forçar muito a barra no processo interpretativo).
Pelo contrário: o que está sendo simbolizado é justamente o MEDO que o sujeito tem do próprio desejo, visto como algo invasivo, ameaçador e potencialmente destrutivo.
Por isso, do meu ponto de vista, deveríamos valorizar mais os seguintes aspectos das descobertas de Freud sobre as produções oníricas:
(1) A descrição dos mecanismos simbólicos de formação dos sonhos;
(2) A demonstração de que os sonhos sempre fazem referência ao que está acontecendo inconscientemente com o sujeito;
(3) A ênfase na ideia de que todo sonho pode ser interpretado.
Participe, por apenas R$49,99 por mês ou 497,00 por ano, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
No final do século XIX, Freud formulou uma teoria bastante consistente sobre os mecanismos de formação dos sonhos.
De acordo com essa teoria, os sonhos seriam conjuntos mais ou menos articulados de IMAGENS que expressam simbolicamente PENSAMENTOS que estão LATENTES na mente do sujeito.
Por exemplo:
Vamos supor que, na infância, você teve uma mãe muito dominadora e impositiva que a levou a sufocar seus impulsos agressivos.
Por conta dessa história infantil, você sempre tenta evitar conflitos, pois inconscientemente continua sendo aquela criança intimidada que tinha medo de enfrentar a mãe.
Agora vamos supor que, num determinado dia, você não conseguiu evitar uma briga com uma colega de trabalho e acabou tendo uma discussão bastante acalorada com ela.
Você sai dessa discussão tensa, nervosa, com raiva da colega, mas chega em casa sentindo uma angústia estranha e uma inexplicável vontade de chorar.
Sem que você tivesse se dado conta, na hora do conflito formou-se na sua mente (de modo inconsciente) o seguinte pensamento:
“E se a minha colega for como a minha mãe e quiser se vingar de mim por causa dessa briga?”.
É desse pensamento latente que vem a angústia e a vontade de chorar.
Aí vamos supor que nesse dia da discussão com a colega você vai dormir e sonha que está dirigindo um carro e fugindo de um tornado violentíssimo que está prestes a alcançá-la.
Ora, aplicando a teoria freudiana, podemos interpretar que essa cena expressa de forma simbólica justamente aquele medo da vingança da colega — e, por extensão, da mãe.
A imagem do tornado pode ter sido escolhida pelo Inconsciente em função de alguma associação com o nome da colega e também por ser tratar de um fenômeno da “MÃE” natureza, por exemplo.
É por isso que eu costumo dizer que os sonhos são como cartas que a gente envia para si.
Por meio dele, comunicamos para nós mesmos, de modo cifrado, certas mensagens internas que ainda não conseguimos formular de maneira explícita na consciência.
Na AULA ESPECIAL de hoje da CONFRARIA ANALÍTICA, os alunos vão aprender como o psicanalista ajuda seus pacientes a discernirem essas mensagens ocultas a partir dos relatos de seus sonhos.
A aula estará disponível AINDA HOJE no módulo “AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS”.
Participe, por apenas R$49,99 por mês ou 497,00 por ano, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Quem deseja se tornar analista precisa acostumar-se a olhar para aquilo que normalmente ignoramos.
É por isso que a experiência de ser paciente de outro analista é fundamental.
É principalmente ali, no divã, que percebemos o quão significativos são os atos falhos, os sonhos e os termos que saem de nossas bocas.
Para quem não está habituado a conversar com o Inconsciente, uma troca involuntária de palavras é apenas um errinho a ser desconsiderado.
O analista, contudo, dá valor a essa “pedra que os construtores rejeitaram”. Ele a considera como “pedra angular”.
Com efeito, o Inconsciente se revela justamente nas brechas inevitáveis do nosso discurso consciente e dos nossos comportamentos voluntários.
Assim, um simples lapso de fala ou de escrita é capaz de expressar, de forma truncada e condensada, intenções que não ousamos confessar nem para nós mesmos.
Mas para ser capaz de vislumbrar a verdade reprimida que se manifesta sorrateiramente em um mero errinho de digitação é preciso ter olhos para ver e ouvidos para ouvidos.
Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Ontem à noite na aula ao vivo da Confraria Analítica fiz um comentário sobre a importância que nós, psicanalistas, conferimos ao círculo familiar quando estamos avaliando clinicamente um paciente. Expliquei aos alunos que, embora não desprezemos a influência de fatores sociais e culturais na formação do indivíduo, entendemos que tais elementos podem ser tomados apenas como causas remotas e que os principais determinantes dos modos de ser e adoecer do sujeito devem ser buscados no âmbito das relações familiares.
Em razão desse comentário, uma aluna fez uma pergunta interessante e que eu quero utilizar como ponto de partida para a reflexão de hoje. A questão dela era mais ou menos a seguinte: “Professor, então devemos desconsiderar as falas do paciente que não se referem a questões familiares?”.
Minha resposta foi: absolutamente não. Um dos princípios fundamentais da técnica psicanalítica é não desconsiderar nenhum fragmento do discurso do paciente. O exercício do que Freud chamou de “atenção flutuante” implica precisamente em não direcionar o foco para certos elementos em detrimento de outros.
E por que agir dessa forma? Ora, porque o Inconsciente pode escolher qualquer elemento banal da vida do sujeito para REPRESENTAR suas intenções. Nesse sentido, o simples relato do paciente de ter lavado o carro no fim de semana precisa ser escutado pelo psicanalista com o mesmo grau de atenção que ele dedicaria à narrativa de uma violenta briga que o paciente eventualmente tivesse vivenciado com sua mãe.
Na Psicanálise, não escutamos o discurso do paciente como apenas um relato de experiências. Sabedor de que o Inconsciente nunca silencia e está sempre se manifestando simbolicamente, o psicanalista escuta as narrativas do sujeito, tanto as triviais quanto as extraordinárias, como se estivesse diante de sonhos, ou seja, de textos simbólicos que precisam ser interpretados.
Assim, se o paciente faz, por exemplo, um comentário sobre a política nacional, a pergunta que estará o tempo todo no horizonte do analista será: “O que o Inconsciente desse paciente está tentando dizer simbolicamente por meio desse comentário aparentemente sem vínculo direto com a vida dele?”.
Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Olá! Tudo bem? Este conteúdo não se encontra mais disponível aqui, pois foi reunido no ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”.
Comprando no dia do lançamento você obterá um desconto IMPERDÍVEL!
Ah, e nos três dias anteriores ao lançamento (12, 13 e 14) eu ministrarei um minicurso gratuito de introdução à Psicanálise. Então, siga-me lá no Instagram e não perca!