O que é transferência? (parte 2)

fresco1Terminamos o último post no momento em que falávamos desse estranho e comum fenômeno que acontece em todas as análises: a repetição com o analista do mesmo modo doentio de lidar com o mundo que, por sinal, levou o sujeito a buscar ajuda. Vocês já devem ter percebido que é exatamente isso o que se chama de transferência. Tentarei a seguir fazer com que vocês compreendam de que forma a transferência ocorre e por que ela ocorre. Mas antes disso, é preciso desfazer alguns mal-entendidos.

Vocês já devem ter ouvido muitos alunos e até professores de Psicologia dizerem coisas do tipo: “Fulano está completamente transferido com seu analista”, querendo dizer que o paciente não falta às sessões e escuta com atenção e confiança as intervenções do analista. Ou “Fui no analista X, mas não rolou transferência”, querendo dizer que a pessoa em questão não se sentiu à vontade com o analista ou não gostou do seu método de trabalho.

Caríssimos, nos dois casos, os usos das palavras “transferido” e “transferência” não têm absolutamente nada a ver com o que Freud chama de transferência! Transferência não é a confiança ou a simpatia que você pode sentir por seu analista. O que significa também que se você não foi com a cara do seu analista ou vem sentindo raiva das intervenções dele, isso não significa que a transferência não está aí. Muito pelo contrário: isso pode ser a própria transferência gritando!

Feitas essas ressalvas, voltemos para a análise do fenômeno transferencial.

Por que é que Freud resolveu criar o conceito de transferência?

Em primeiro lugar porque ele já utilizava esse termo nas suas tentativas de decifrar o conteúdo dos sonhos. Freud percebeu que os elementos que aparecem nos sonhos retiram seus significados de outros elementos que foram recalcados. Por exemplo, o paciente sonha que está comendo macarronada. No entanto, ao se fazer a análise do sonho descobre-se que a macarronada representa na verdade a mãe do paciente. Ou seja, o significado da representação mental “mãe” é transferido para a representação mental “macarronada”.

A novidade é que Freud observa que esse fenômeno de “transferência” de significados não acontece só nos sonhos, mas na vida cotidiana e, principalmente, na relação entre paciente e analista.

CONTINUA…

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