A faceta narcísica do ciúme

Tradicionalmente nos acostumamos a pensar o ciúme como sendo resultante do medo de perder o objeto amado.

Isso leva algumas pessoas a pensarem que o ciumento é tão-somente um ser que “ama demais” a ponto de não suportar a perspectiva de perder o parceiro ou a parceira.

Essa visão obscurece o aspecto eminentemente narcísico presente em toda manifestação de ciúme.

Com efeito, o que o ciumento verdadeiramente não suporta não é exatamente a ausência do objeto amado, mas sim o buraco aberto em sua autoimagem ao imaginar que seu parceiro ou parceira possam preferir outra pessoa, o que Freud chamava de “ferida narcísica”.

Em outras palavras, o ciúme é um sentimento que brota muito mais da relação entre o sujeito e seu ego do que da interação entre o sujeito e o outro.

Isso não significa que apenas seres com uma autoestima frágil estão propensos a sentirem ciúme; trata-se de um sentimento universal. De fato, todos nós temos a tendência de idealizar nosso papel nas relações amorosas, acreditando  que somos o objeto mágico que fará do outro um ser “completo” e eternamente satisfeito.

A realidade, contudo, nos informa que isso é apenas uma fantasia, ou seja, que, a despeito da nossa existência, o outro continua e continuará sendo “incompleto”!

Não raro, o ciúme é justamente a expressão de indignação do ego diante da constatação de que não é “tudo” para o outro.

Portanto, a pergunta que atormenta o ciumento é a seguinte: “Como assim não sou suficiente para fazer o outro feliz?”.

Além dessa faceta narcísica, há outros elementos mais especificamente neuróticos que podem ser encontrados nas manifestações de ciúme. Aqueles que estão na Confraria Analítica receberão ainda hoje (sexta) um vídeo em que comento esses outros elementos.

Você se considera uma pessoa ciumenta?


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