O mais importante não é O QUE você vai escolher, mas COMO será feita a escolha.

Eu já falei aqui sobre a ILUSÃO DO GABARITO DA VIDA.

Trata-se da suposição que algumas pessoas fazem de que existem sempre escolhas CERTAS e escolhas ERRADAS, como se a existência fosse semelhante a uma prova de concurso ou de vestibular.

Essa ilusão tende a se manifestar principalmente em pessoas inseguras e sem autoconfiança.

Elas se protegem do próprio desejo e do risco inerente a qualquer decisão supondo que, em algum lugar transcendental, existe um gabarito de todas as escolhas da vida.

Ah, Lucas, mas e se a pessoa for cristã? Não existem algumas escolhas que são absolutamente certas e outras absolutamente erradas do ponto de vista religioso?

Sim, mas esse “gabarito religioso” já foi revelado num livro que tem mais de 2000 anos.

Se for o caso, é só ler e descobrir. Tá tudo lá.

Nesse sentido, se uma pessoa religiosa ainda fica cheia de dúvidas sobre tudo o que deve fazer da vida, é porque ela supõe que, para-além do “gabarito divino”, existe um outro gabarito, mais… “específico”, digamos.

O problema é que essa coisa NÃO EXISTE.

Mas o fato de acreditar nela faz com que o sujeito esteja sempre em dúvida em relação a suas decisões, como um candidato no Enem que não sabe se marca a alternativa a ou a alternativa c numa questão difícil da prova.

A ilusão do gabarito da vida faz com que a pessoa esteja sempre se arrependendo automaticamente das escolhas que faz por imaginar que elas podem não ser as alternativas certas.

É por isso que, se um paciente me pergunta: “Lucas, o que eu DEVO fazer?”, a minha resposta tende a ser: “Não faço a menor ideia!”.

Sim, porque essa pergunta está mal colocada.

Ela supõe o gabarito.

Afinal, se você quer saber o que DEVE fazer, é porque acredita que existe uma escolha certa.

Em vez de dizer o que o paciente DEVE escolher, eu o exorto a refletir sobre COMO será feita essa escolha.

Independentemente de qual seja a decisão, o mais importante é que ela seja feita sem a ilusão do gabarito da vida.

O que significa isso?

Significa escolher aceitando “de corpo e alma” os riscos implicados na decisão e as possíveis consequências dela.

Significa entrar por uma das veredas disponíveis e não ficar olhando para trás, pensando nos caminhos não escolhidos.


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Por qual livro devo começar a estudar Psicanálise?

Essa é uma das questões que mais me faziam na época em que eu abria diariamente a caixinha de perguntas nos stories do Instagram.

Quem me acompanhava naquela época sabe que eu jamais recomendei qualquer um desses manuais introdutórios, tipo aqueles do Zimerman.

Nunca sugeri também os textos de introdução à Psicanálise escritos pelo próprio Freud.

Eu indicava sempre a leitura de uma obra que possibilitasse ao neófito a conquista do MODO DE PENSAR necessário para estar no campo psicanalítico.

Que modo de pensar é esse?

Trata-se de um olhar sobre o comportamento humano que ultrapassa o senso comum.

Ontem mesmo eu estava conversando com um colega também psicanalista sobre o fato de que certas abordagens teóricas em Psicologia são basicamente senso comum disfarçado de linguagem científica.
A Psicanálise não.

A Psicanálise DESAFIA o senso comum.

E quem deseja se introduzir no campo analítico precisa aprender a pensar dessa maneira não convencional.

Esse olhar diferenciado é aquele que trabalha com a suposição do Inconsciente.

É essa suposição que leva o analista a não se contentar com as explicações mais ou menos óbvias do senso comum.

Portanto, quem deseja adentrar o universo psicanalítico precisa se habituar a olhar para o comportamento humano tendo sempre em mente a suposição do Inconsciente.

E o livro que, do meu ponto de vista, é o que melhor ajuda o neófito a desenvolver esse “hábito”  é “Sobre a Psicopatologia da Vida Cotidiana”, publicado por Freud em 1901.

Nesse volumoso trabalho, Freud vai simplesmente demonstrar, por meio de DEZENAS de exemplos, como o Inconsciente se manifesta no nosso cotidiano.

A argumentação do velho é desenvolvida de forma tão cristalina que somente uma pessoa com muita má vontade é capaz de sair da leitura desse texto sem estar convencida da existência do Inconsciente.

É como se o Inconsciente fosse um animal exótico e Freud estivesse convidando você a ir observar esse animal em seu hábitat natural, a saber: nos esquecimentos, nos lapsos, nos enganos, nos erros…

Esse foi o primeiro livro de Psicanálise que li na vida e, depois dele, nunca mais consegui olhar para a existência sem levar em conta o Inconsciente.


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[Vídeo] Quais são os óculos que você utiliza para se enxergar?

Nossa autoimagem é construída com base nos espelhos fornecidos por outras pessoas, sobretudo na infância.

Essa composição fundamentada no discurso do Outro funciona como os óculos através dos quais nos enxergamos.

Como são os seus?


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[Vídeo] Psicanalista explica o sentimento de culpa

Neste vídeo: entenda quais são as condições que ocasionam o surgimento do sentimento de culpa e por que algumas pessoas se sentem culpadas com tanta facilidade.


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A Psicanálise é um processo de clarificação

“Durante o processo de uma psicanálise, não é apenas o paciente que ganha coragem, mas também sua doença; esta se atreve o suficiente para falar com maior clareza do que antes. Deixando de lado essa metáfora, o que acontece é o paciente, que até então abstinha-se, horrorizado, de encarar suas próprias produções patológicas, começar a dar-lhes atenção e conseguir uma opinião mais nítida e detalhada a respeito delas.”

Freud, Caso Homem dos Ratos, 1909.


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Negação: quando a gente sabe a verdade, mas não quer aceitá-la

Em 1925, Freud escreveu um artigo curtinho, despretensioso, mas que se tornaria um clássico na história da Psicanálise.

Refiro-me ao texto “A Negativa” (“Die Verneinung”).

Nele Freud faz uma reflexão teórica sobre um fenômeno que acontece com alguma frequência na experiência clínica de qualquer psicanalista.

Trata-se das ocasiões em que o paciente menciona uma determinada questão, mas apenas para NEGAR sua existência ou pertinência.

Ficou confuso, né? Deixa eu te explicar melhor com um exemplo:

Um paciente está lá deitando no divã, contando sobre uma briga recente que teve com sua mãe porque a genitora não aprova o namoro dele.

Aí, depois de falar sobre essa situação, o cara começa a contar outro episódio, que acontecera no dia anterior. Ele diz:

“… e aí, eu tava lá com a Paula [a namorada] no motel e simplesmente não consegui fazer nada. Acho que foi a primeira vez que broxei com ela. Mas antes que você comece a fazer suas interpretações, isso NÃO tem nada a ver com a briga com a briga com a minha mãe não, tá? O negócio é que eu tinha bebido muito e, às vezes, quando exagero na cachaça, acontece isso.”

Acho que agora deu para entender,  né?

Quem fez a ligação entre a broxada e a briga com a mãe foi o próprio paciente, antes que o analista dissesse qualquer coisa.

No entanto, o rapaz apresenta essa ligação apenas para enfatizar que ela NÃO existe na realidade.

A interpretação de Freud é muito simples:

O paciente inconscientemente sabe que a broxada está diretamente relacionada à briga com a mãe.

Todavia, precisa NEGAR essa verdade para se proteger das consequências insuportáveis dela (como, por exemplo, o reconhecimento de um complexo de Édipo mal resolvido).

Sacou? O cara NEGA a existência de uma determinada realidade porque ela é desagradável e fonte de sofrimento.

A partir de experiências como essa, Freud extraiu uma série de conclusões sobre a forma como lidamos com a realidade de forma geral.

Vamos continuar essa conversa lá na CONFRARIA ANALÍTICA?

Quem está na comunidade receberá ainda hoje uma aula especial sobre o conceito de negação.

Te espero lá!


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A abertura do paciente para a verdade requer tempo e preparação

“Coletamos o material para o nosso trabalho de uma variedade de fontes – do que nos é transmitido pelas informações que nos são dadas pelo paciente e por suas associações livres, do que ele nos mostra nas transferências, daquilo a que chegamos pela interpretação de seus sonhos e do que ele revela através de lapsos ou parapraxias. Todo esse material ajuda-nos a fazer construções acerca do que lhe aconteceu e foi esquecido, bem como sobre o que lhe está acontecendo no momento, sem que o compreenda. Nisso tudo, porém, nunca deixamos de fazer uma distinção rigorosa entre o nosso conhecimento e o conhecimento dele. Evitamos dizer-lhe imediatamente coisas que muitas vezes descobrimos num primeiro estágio, e evitamos dizer-lhe a totalidade do que achamos que descobrimos. Refletimos cuidadosamente a respeito de quando lhe comunicaremos o conhecimento de uma de nossas construções e esperamos pelo que nos pareça ser o momento apropriado – o que nem sempre é fácil de decidir. Via de regra, adiamos falar-lhe de uma construção ou explicação até que ele próprio tenha chegado tão perto dela que só reste um único passo a ser dado, embora esse passo seja, de fato, a síntese decisiva. Se procedemos doutra maneira e o esmagamos com nossas interpretações antes que esteja preparado para elas, nossa informação ou não produziria efeito algum ou, então, provocaria uma violenta irrupção da resistência que tornaria o avanço de nosso trabalho mais difícil ou poderia mesmo ameaçar interrompê-lo por completo.”
(Freud – Esboço de Psicanálise – 1938)


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A gente faz Psicanálise para parar de dar desculpas esfarrapadas.

Recentemente eu publiquei um vídeo falando sobre como a Psicanálise explica o fenômeno da autossabotagem.

A ideia é muito simples: o sujeito que se sabota só APARENTEMENTE está agindo contra os próprios interesses.

Na verdade, ao se prejudicar, ele realiza simbolicamente desejos inconscientes. Só que, obviamente, não sabe disso.

Hoje gostaria de me aprofundar um pouco mais nesse tema dos desejos inconscientes.

Frequentemente na clínica psicanalítica ouvimos pessoas dizerem que estão em determinadas situações  que lhes causam sofrimento e das quais, se pudessem, gostariam de sair.

Os motivos que o paciente alega para não mudar parecem ser muito plausíveis, mas, na verdade, não passam de racionalizações autoenganosas:

“Ah, eu não suporto mais meu marido. Já tem mais de 10 anos que eu gostaria de me separar, mas não faço isso por causa dos meus filhos. Preciso esperar eles saírem de casa”.

“Eu não aguento mais esse trabalho. Todos os dias vou arrastado para lá. Se eu não precisasse tanto do dinheiro, já tinha pedido demissão há muito tempo”.

Aí você pergunta para essa segunda pessoa se ela está mandando currículos para outras empresas e buscando ativamente novas oportunidades de trabalho e o que ela te responde?

Óbvio: ela diz que não, que acaba não tendo tempo para isso porque… trabalha demais.

A outra, que não se separa supostamente por causa dos filhos, sabe muito bem que essa justificativa é uma baita desculpa esfarrapada.

Mas ela precisa dizer isso para si mesma, pois, de fato, NÃO SABE os motivos que a levam a permanecer numa relação tão insatisfatória.

Ela não sabe mesmo. Afinal, esses motivos são inconscientes.

Mas ela PODE saber.

Assim como o cara que odeia o trabalho, mas não faz nada para sair dele também pode descobrir que as verdadeiras razões pelas quais não sai desse emprego não têm nada a ver com o fato de “precisar do dinheiro”.

O tratamento psicanalítico visa justamente ajudar as pessoas a discernirem os desejos que estão realizando, sem saber, por meio do sofrimento.

Na Psicanálise, o paciente aprende que o que ele verdadeiramente deseja é aquilo que EFETIVAMENTE FAZ e não aquilo que DIZ QUE QUER.


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A resistência dos homens ao processo terapêutico

Volta e meia mulheres me procuram interessadas em saber se eu poderia atender os seus respectivos companheiros.

Geralmente, minha resposta é “Sim, mas peça a ele que entre em contato diretamente comigo.”.

E esse contato quase nunca acontece.

A imensa maioria das pessoas que procuram terapia é constituída por mulheres.

Para-além da resistência natural ao processo terapêutico que está presente em todo o mundo, há uma resistência A MAIS nos homens.

É muito difícil para eles se colocarem na posição de pacientes, sobretudo diante de outro homem.

É por isso que muitos buscam inconscientemente transformar a relação analítica num vínculo de amizade, para que não se sintam compelidos a falar sobre o que verdadeiramente importa.

E o que verdadeiramente importa?

Ora, a gente não vai para a análise para contar piadas, falar do futebol ou narrar com nossas conquistas amorosas ou profissionais.

Se a gente deita no divã é justamente para falar de tropeços, inibições, incapacidades, fragilidades…

E como é difícil para um homem admitir que não dá conta de alguma coisa!

Para não terem que dar o braço a torcer, alguns apelam para o corpo: “Meu problema é fisiológico, não tem nada a ver comigo. Por isso, vou procurar um médico. Um bom remédio deve resolver.”.

Outros simplesmente minimizam o peso do adoecimento para não terem que se reconhecerem como dependentes de ajuda:

“Ah, já faz uns dois anos que eu tenho insônia quase todo dia, mas tá tudo bem. Não tem nada de errado comigo. Só vim porque minha esposa pediu.”.

Não por acaso, entre as pessoas que tiram a própria vida há um número muito maior de homens do que de mulheres.

Em outras palavras, muitos homens “preferem” morrer a ter que dizer: “Preciso de ajuda”.

A experiência clínica mostra que aqueles que estão mais identificados com suas mães do que com seus pais conseguem se colocar na posição de pacientes com mais facilidade.

Ao que parece, o modelo feminino introjetado permite ao ego ocupar a posição de dependência e vulnerabilidade exigida pela análise sem se sentir tão narcisicamente ameaçado.


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[Vídeo] É preciso captar as pistas do Inconsciente

Aparentes coincidências, tropeços, esquecimentos, excessos… Todas essas manifestações podem ser formas que o Inconsciente encontra para se revelar em nossas vidas.

É preciso saber enxergar esses indícios sutis…


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[Vídeo] Autossabotagem: visão da Psicanálise

Neste vídeo: entenda por que, do ponto de vista psicanalítico, a autossabotagem tem muito mais a ver com o desejo do que com supostas “crenças limitantes”.


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Por que não adianta tentar convencer uma pessoa ansiosa a parar de se preocupar

Vocês já tentaram convencer uma pessoa que está ansiosa a parar de se preocupar alegando que há pouca probabilidade de acontecer o que ela tanto teme?

Deixa eu dar um exemplo para ficar mais claro:

Imagine que sua amiga está extremamente tensa porque no dia seguinte haverá uma prova e ela tem muito medo de tirar nota baixa.

Aí você chega para ela e diz assim: “Fulana, pare de se preocupar tanto. Você estudou bastante para essa avaliação e a professora não costuma fazer provas muito difíceis. Não tem motivo para tanta ansiedade.”.

Você acha que após ouvir isso, sua amiga ficará tranquila, em paz e deixará de se preocupar com a prova?

A experiência mostra que muito provavelmente NÃO.

A explicação é simples: a amiga já sabia de tudo o que você falou para ela. É óbvio que ela tem consciência de que estudou e conhece o perfil pouco exigente da professora.

Então, por que será que, mesmo sabendo disso, ela se mantinha tensa e preocupada?

Ora, por que a ansiedade dessa amiga tem muito pouco a ver com a realidade externa.

É isso o que os meus colegas da Terapia Cognitivo-comportamental (TCC) não reconhecem.

Eles acham que a ansiedade excessiva pode ser tratada meramente desfazendo as distorções na percepção do sujeito sobre a realidade externa e as crenças igualmente distorcidas que as sustentam.

Eu concordo que essas distorções existem e os colegas da TCC fazem um trabalho bastante louvável de catalogação de todas elas.

O problema é que eles não reconhecem que essas interpretações equivocadas da realidade que estão presentes na ansiedade excessiva têm sua origem em QUESTÕES INCONSCIENTES.

É por isso que não adianta tentar convencer a pessoa de que ela está percebendo a realidade de forma distorcida.

No fundo, ela já sabe disso.

Então, por que a ansiedade se mantém?

Porque o verdadeiro perigo que a nossa amiga referida acima de fato teme não é a prova no dia seguinte. É ALGUMA OUTRA COISA que está no seu Inconsciente.

Pode ser, por exemplo, que a professora tenha o mesmo nome de sua mãe e ela tem uma série de questões infantis mal resolvidas com a genitora, as quais recentemente foram despertadas.

Vai saber…


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Quando você sofre de culpa sem saber

É claro que você já experimentou o sentimento de culpa em várias ocasiões.

Talvez esteja vivenciando esse afeto amargo neste exato momento.

Ou talvez você seja daquelas pessoas que estão o tempo todo se sentindo culpadas.

Mas e se eu te disser que a gente pode sentir culpa sem saber que está sentindo.

Sim! Freud descobriu que nós podemos ter um sentimento de culpa INCONSCIENTE.

Uai, Lucas, mas como é que ele chegou a essa constatação?

Como é possível saber que um sentimento existe em uma pessoa se ele não é consciente para o próprio sujeito?

Elementar, meu caro leitor.

A gente deduz o que está no Inconsciente por meio de pistas e indícios, como um detetive que é capaz de dizer como um crime aconteceu mediante uma coleta minuciosa de vestígios e testemunhos.

No caso do sentimento inconsciente de culpa, a pista fundamental que possibilitou sua descoberta foi um fenômeno curioso com o qual Freud se deparou na clínica:

A “reação terapêutica negativa”.

Trata-se do fato de alguns pacientes PIORAREM depois de receberem do terapeuta indicações de que estão MELHORANDO e de que o tratamento está sendo bem-sucedido.

Freud olhou para isso e ficou se perguntando: “Uai, como assim? Esses pacientes não querem melhorar?”.

Na busca por respostas para essa questão, o médico vienense acabou se deparando com o sentimento inconsciente de culpa.

Vamos continuar essa conversa lá na Confraria Analítica?

Quem está na comunidade receberá ainda hoje uma aula especial sobre esse assunto.

Te vejo lá!


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Por que temos tanta dificuldade de assumir os nossos B.O.s?

Imagine a seguinte situação:

Uma pessoa lhe pede um favor. Você a ajuda, mas, ao mesmo tempo, diz para si mesmo que não deveria estar fazendo isso, seja porque a pessoa não merece, porque você está sacrificando seu tempo livre ou por qualquer outro motivo.

Já passou por isso?

Essa é uma circunstância que revela o fato de sermos seres divididos: podemos escolher fazer uma coisa e simultaneamente não desejar fazê-la.

Por outro lado, há um efeito colateral bastante pernicioso no ato de realizarmos uma ação que nós mesmos achamos que não deveria ser levada a cabo.

Quando isso acontece, a gente experimenta a FALSA sensação de não estarmos escolhendo, de não sermos livres para decidir.

Por que se trata de uma sensação falsa?

Porque estamos sempre escolhendo, ainda que nós mesmos não concordemos com determinadas decisões.

Quando uma jovem se queixa de que “precisa” ajudar sua mãe, apesar de toda a mágoa que sente por ela, está escondendo de si mesma a consciência de que socorrer a genitora é uma escolha e que, se quisesse, poderia decidir não ajudar.

Mas por que essa jovem simplesmente não reconhece que amparar a genitora é uma decisão sua e não algo que supostamente ela “precisa” fazer?

Porque TODOS NÓS temos uma dificuldade enorme de assumir a responsabilidade por nossas escolhas.

É muito mais fácil, por exemplo, para um homem imaginar que ele TEVE que fazer um curso superior não porque de fato ESCOLHEU se graduar, mas porque isso seria uma exigência social.

Pode ser que ele realmente tenha decidido entrar na universidade por achar que a sociedade lhe demanda tal atitude, mas, de todo modo, estava fazendo uma escolha: a escolha de querer se adequar aos supostos imperativos sociais.

Todavia, admitir isso seria difícil para esse homem. Afinal, implicaria em reconhecer que, para ele, a aprovação social é um valor prioritário.

E isso não “pegaria bem” aos seus próprios olhos…

Assim, vale mais a pena, do ponto de vista narcísico, se autoenganar e pensar que só está fazendo faculdade porque a sociedade exige.

Assumir a autoria de nossas decisões nem sempre é confortável, mas pode ser muito LIBERTADOR.

Outro dia falo mais sobre isso…


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A gente faz Psicanálise para descobrir o que estamos ganhando quando perdemos.

Outro dia eu estava assistindo a um vídeo do Rica Perrone em que ele explicava a abordagem que utiliza para lidar com fatos públicos que aparentemente são ilógicos e contraditórios.

Trata-se de uma forma de pensar que me parece muito semelhante à psicanalítica.

Ele dizia que quando se depara com uma situação que não parece fazer sentido, sempre tenta identificar quem estaria obtendo vantagens com ela.

Por exemplo: no Brasil, há um consenso de que os árbitros de futebol cometem muitos erros e, com isso, acabam prejudicando várias equipes.

Por que, então, os dirigentes dos clubes não se esforçam para exigir que haja a profissionalização da atividade de árbitro de futebol, já que o amadorismo causa tantos danos?

Por que eles “lucram” com isso, argumenta acertadamente o Rica Perrone.

Sim, as falhas dos juízes sempre poderão ser utilizadas pelos presidentes e diretores dos clubes como justificativas para o mau desempenho dos seus times.

É isso o que explicaria o fato de continuarem permitindo que o trabalho como árbitro de futebol seja apenas um “bico” e não uma profissão regulamentada.

Essa abordagem que tenta enxergar quais são as vantagens ocultas que podem estar por trás de situações de aparente prejuízo é a mesma que nós, psicanalistas, utilizamos na clínica com nossos pacientes.

Com efeito, ajudamos o analisante a identificar os ganhos primários e secundários que ele obtém com seus sintomas, inibições e ansiedades.

Assim como quem olha de fora não consegue perceber por que os clubes não lutam pela profissionalização dos árbitros, o paciente também não entende, de início, por que permanece preso a seus padrões doentios.

Um dos grandes diferenciais da Psicanálise é a sua capacidade de mostrar ao analisante que, se ele não consegue evitar seus problemas emocionais, é justamente porque PRECISA deles, assim como os dirigentes dos clubes PRECISAM de árbitros ruins para justificarem suas derrotas.

Por trás do aparente sofrimento, há sempre algum tipo de satisfação que precisa ser trazida à luz.

É preciso reconhecer de que forma ganhamos quando estamos perdendo.


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