Você é um mascarado?

Nos anos 1990 a gente costumava chamar certos jogadores de futebol de “mascarados”.

Romário, por exemplo, foi um dos que receberam esse epíteto.

Mascarado era o sujeito que exibia certa postura de arrogância e superioridade, meio que exigindo ser tratado de modo especial em função de seus atributos peculiares.

O termo provavelmente tem origem na ideia de que o indivíduo mascarado se deixa engolir pelo personagem que criou para si mesmo.

Na clínica psicanalítica também nos deparamos frequentemente com mascarados, mas não nesse sentido dos anos 1990.

Os mascarados que procuram ajuda terapêutica nem sempre são arrogantes e convencidos.

Pelo contrário: muitas vezes se autodepreciam e não conseguem se ver com bons olhos.

E isso acontece justamente porque, quando se olham no espelho da alma, não enxergam a si mesmos, mas a máscara, o personagem que criaram ainda na infância.

Os jogadores mascarados dos anos 1990 (que hoje em dia a gente chamaria de “marrentos”) talvez fossem levados a forjar uma máscara de superioridade para se protegerem um pouco do caráter invasivo do assédio do público e da imprensa.

É também como defesa que os “mascarados” que se deitam em nossos divãs criaram os personagens com os quais se confundem.

Vítimas de uma infância marcada por rejeição, negligência ou violência, são pessoas que tiveram que ocultar o próprio ser para se converterem naquilo que PRECISAVAM SER para sobreviverem psicologicamente (e, às vezes, fisicamente) num ambiente caótico e abusivo.

O problema é que, com o passar do tempo, o sujeito perde a noção de que ele não é o personagem que se viu obrigado a criar e se confunde com a máscara.

É por isso que a análise, para tais pessoas, é um processo extremamente doloroso.

Afinal, durante a terapia, elas precisarão fazer uma espécie de cirurgia de remoção da personagem.

Mas como a máscara está fortemente afixada, o sujeito tem a sensação de que está perdendo o rosto.

De fato, ele não sabe como é SER sem FINGIR SER.


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