Para-além de papai e mamãe: o Édipo em Jacques Lacan

Ontem, na segunda aula do nosso minicurso, uma pessoa colocou a seguinte pergunta:

“Lucas, mas como se dá o complexo de Édipo em uma criança que não foi criada pelo pai?”.

E a minha resposta foi: é difícil pensar nessa possibilidade à luz da forma como Freud e Klein descrevem o Édipo.

Por quê?

Porque, na concepção do Édipo desses dois autores, existe a suposição de uma organização familiar tradicional: pai biológico + mãe biológica + filhos.

Ou seja, quando falam de pai e mãe, Freud e Klein não estão falando de funções, mas de figuras reais mesmo.

Essa dependência de um certo tipo de organização familiar fez com que muitas pessoas começassem a tratar as concepções desses autores como puras ficções.

Lacan não foi uma dessas pessoas.

Ao invés de jogar a criança fora junto com a água suja da banheira, Lacan olhará para os Édipos de Freud e Klein tentando discernir o que neles é verdadeiro/universal/invariável e o que é ficcional/ contingente/datado.

Em outras palavras, Lacan tomará as descrições freudo-kleinianas do Édipo como MITOS.

Uai, Lucas, mas mito não é uma ficção?

É e não é, caro leitor.

Sabe aquela história de que toda brincadeira tem um fundo de verdade?

Essa ideia também vale para os mitos: todo mito tem um fundo de verdade.

Pense, por exemplo, no mito de Narciso, aquele belíssimo mancebo que morreu de inanição por não conseguir parar de olhar para sua própria imagem refletida na água de um rio.

Quem não é capaz de enxergar que, por trás dessa “historinha”, existe a VERDADE UNIVERSAL de que o gozo excessivo com a própria imagem é mortífero?

Pois é! Lacan aplicará esse mesmo tipo de raciocínio ao abordar as descrições que Freud e Klein fizeram do complexo de Édipo.

É Lacan, por exemplo, quem vai propor a interpretação de que, quando Freud fala do pai, ele está se referindo, na verdade, a uma figura que ENCARNA uma FUNÇÃO que é ESTRUTURAL, ou seja, que SEMPRE estará presente, independentemente da existência concreta do genitor.

Quer saber mais sobre essa leitura estruturalista que Lacan fez do complexo de Édipo?

Então não perca hoje, às 20h, a nossa terceira e última aula do minicurso “O Édipo em Freud, Klein e Lacan”.

Não é preciso se inscrever.

Será no meu Instagram.

Até lá!


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