Yasmim e a mãe que “nunca sabe de nada”

— Eu trouxe ela aqui, doutora, porque essa menina tá muito diferente. Se eu não a chamar para comer, ela é capaz de passar o dia inteirinho dentro do quarto mexendo no celular.

Foi assim que Márcia, mãe de Yasmim, iniciou a consulta com Catarina, uma jovem psicóloga recém-formada.

— … e aí eu queria que você me ajudasse a entender o que está acontecendo. Porque ela quase não fala comigo. E olha que nós sempre fomos amigas.

Com essas palavras, expressas em um notável tom de aflição, Márcia finalizou seu discurso.

Catarina disse à mãe que conseguia perceber claramente sua angústia e que gostaria de conversar um pouco a sós com Yasmim — que até então estava na sala de espera do consultório.

Durante toda a entrevista, a retraída adolescente de 14 anos, limitou-se a responder sucintamente às questões que a psicóloga lhe apresentava.

No fim da sessão, a terapeuta decidiu encerrar o atendimento e perguntou à adolescente se ela gostaria de retornar na semana seguinte para continuarem aquela conversa.

A paciente disse que sim — para a alegria da mãe que, efusivamente, agradeceu Catarina.

Após o atendimento, a psicóloga ficou meditando sobre uma frase que Yasmim lhe disse logo no início da entrevista.

Quando Catarina comentou com a adolescente que sua mãe parecia estar aflita por não saber porque ela tem ficado tanto tempo sozinha no quarto, a paciente lhe respondeu com um leve tom de mágoa:

— Esse é o problema: minha mãe nunca sabe de nada.

Estimulada pela psicóloga a falar um pouco mais sobre isso, Yasmim citou como exemplo o fato de sua mãe ter se referido a um de seus amigos como “gay”.

— O Toni não é gay. Ele é bi. Ela não entende a diferença. Acha que é tudo a mesma coisa.

Ao refletir sobre essas falas da paciente, Catarina se lembrou que, de acordo com Arminda Aberastury, todo adolescente sofre com a perda da imagem idealizada que tinha dos pais na infância.

Para a psicanalista argentina, esse é um dos lutos inerentes à passagem pela adolescência.

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