O fracasso da instauração do circuito pulsional no autismo

Ao pensarmos no conceito freudiano de pulsão, podemos ser levados a imaginar uma seta que sai do sujeito e vai na direção do objeto.

Tomemos, como exemplo, a pulsão oral:

Imaginamos um bebezinho recém-nascido ávido por saciar o comichão que sente nos lábios e que, para isso, busca o seio materno a fim de sugá-lo.

Esquematicamente, poderíamos representar essa cena assim:

Bebê -> seio

O problema é que essa representação tende a nos levar a uma falsa conclusão:

A de que o movimento pulsional se esgotaria no encontro do sujeito com o objeto.

Esse corolário é equivocado, em primeiro lugar, porque Freud diz com todas as letras que a pulsão é uma força constante, portanto, insaciável.

Nesse sentido, a melhor figura para representá-la não seria uma seta que vai do sujeito para o objeto, mas um CIRCUITO:

A pulsão parte do sujeito, passa pelo objeto, mas, por não encontrar satisfação plena, retorna ao próprio sujeito.

Todo o mundo sabe que o bebê frequentemente usa o próprio dedo como objeto — prova cabal de que o seio não é suficiente para acabar com o “comichão” labial.

Além disso, a pulsão não se manifesta só no movimento ativo de busca do sujeito pelo objeto.

Ela também se expressa pelo movimento de FAZER-SE OBJETO dos investimentos pulsionais do outro — o bebê também curte ser beijado pela mãe.

Essa constatação nos obriga a acrescentar ao esquema original (Bebê -> seio) outra seta de direção oposta (<-). Contudo, essa seta não parte do seio, ou seja, do objeto.

Como diz o próprio Freud no texto de 1915 sobre as pulsões, é preciso aparecer um “novo sujeito” nessa história.

Sim, pois eu não posso ser objeto de outro objeto. Só posso ser objeto de um sujeito. E esse sujeito é justamente o OUTRO.

Agora veja: se eu acrescento ao esquema original uma segunda seta que parte do outro e vai na direção do sujeito, eu acabo de criar um… circuito.

Um circuito que começa no sujeito, passa pelo objeto, retorna ao próprio sujeito e, num terceiro momento, encontra um outro sujeito.

Pois bem… É esse terceiro tempo que não está presente no autismo e é por isso que se diz que na estrutura autista há uma falha na instauração do circuito pulsional.

Quer saber mais sobre isso?

Então, confira a aula especial “O AUTISMO COMO QUARTA ESTRUTURA 02 – O fracasso na instauração do circuito pulsional”, publicada hoje na CONFRARIA ANALÍTICA.

A aula está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – LACAN e o linque para fazer parte da nossa escola está no meu perfil.


Participe, por apenas R$49,99 por mês ou 497,00 por ano, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Entenda-se: 50 lições de um psicanalista sobre saúde mental”

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

➤ Adquira o pacote com os 3 e-books.

Deixe um comentário