Lucas Nápoli é psicólogo, psicanalista e professor. Possui os títulos de Doutor em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É autor do livro "A Doença como Manifestação da Vida".
Esta é uma pequena fatia da aula especial “FIBROMIALGIA: CONSIDERAÇÕES PSICANALÍTICAS”, que já está disponível no módulo “AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS” da CONFRARIA ANALÍTICA.
Participe, por apenas R$49,99 por mês ou 497,00 por ano, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
— Você se lembra quando começou? — pergunta Flávia, a psicóloga que Bruna procurou por indicação de sua médica.
— Eu não tenho certeza, mas acho que foi depois da morte do Léo.
— Vocês estavam casados há quanto tempo?
Bruna abaixou a cabeça e a terapeuta pôde notar algumas lágrimas despencando no jeans que a paciente trajava.
— Quatro meses — respondeu a advogada depois de alguns segundos em silêncio.
Com um semblante empático, a psicóloga mirou os olhos de Bruna, levando a paciente a sentir suficientemente acolhida para continuar a falar.
— Eu lembro que na hora em que me ligaram para contar da batida, senti uma dor tão grande, Flávia, que parecia que estavam me dando uma facada bem aqui no peito.
— Uma dor que ainda não passou, né Bruna? — pontuou a terapeuta.
— Nossa, mas era diferente… Eu acho que essas dores da fibromialgia nem se comparam com o que eu senti nesse dia. O Léo era o amor da minha vida, Flávia!
Após dizer isso, a paciente começou a chorar convulsivamente. A psicóloga se levantou e pegou um copo com água.
Depois de alguns minutos, Bruna se recompôs e voltou a falar:
— Às vezes eu acho que tem uma maldição em cima de mim, sabe? Os quatro meses que passei casada com o Léo foram o único momento realmente feliz que eu tive na vida.
— Por que você diz isso?
— Por que lá em casa sempre foi um inferno, Flávia. Lembra daquela surra que eu te contei que a minha mãe levou do meu pai? Eu via aquilo direto… Não gosto nem de lembrar…
— A fibromialgia não te deixa esquecer…
— Como assim?
Flávia cogitou encerrar a sessão naquele momento, mas, considerando o estado vulnerável que a paciente apresentava, decidiu que era importante oferecer alguma explicação:
— Essas dores que passeiam pelo seu CORPO, Bruna, talvez simbolizem todas as OUTRAS dores, muito mais intensas, que você tem carregado na ALMA…
A hipótese com a qual Flávia está trabalhando é a de que a fibromialgia da qual padece a paciente é produto da conversão de suas dores psíquicas para o corpo.
Falo detalhadamente sobre essa forma de abordar o sofrimento fibromiálgico na AULA ESPECIAL “Fibromialgia: considerações psicanalíticas”, já disponível na CONFRARIA ANALÍTICA.
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Elas querem esconder manchas, marcas, rugas; realçar os lábios, os cílios, as maçãs do rosto.
Enfim… Querem PRODUZIR uma imagem de si que lhes pareça mais bela.
Não por acaso as mulheres dizem que vão “SE PRODUZIR” ao se referirem ao ato de fazer maquiagem.
Nossos propósitos, projetos, sentidos constituem a maquiagem da vida.
O rosto que uma mulher tem diante de si no espelho depois de ter se maquiado não é o seu rosto REAL.
Trata-se de uma imagem PRODUZIDA que será desfeita ao fim da noite com creme demaquilante.
Todavia, nenhuma mulher se sente falsa ao sair de casa maquiada. Ela sabe que aquele não é o seu rosto real, mas é a face que ela DESEJA ter e mostrar ao mundo.
A ilusão CONSCIENTE de ter aquele rosto por algumas horas é suficiente para que ela se sinta bem consigo mesma.
Podemos encarar nossos propósitos também como ilusões conscientes cuja finalidade, tal como a maquiagem feminina, é simplesmente tornar a existência mais bela e interessante.
Quando algum paciente deprimido me diz que não consegue ver sentido na vida, eu lhe respondo:
“Você está vendo a existência tal como ela é. Na depressão, a gente enxerga a vida nua e crua. Ela não tem sentido mesmo.”
O problema do deprimido não é que ele não consegue mais VER sentido na vida. O que ele, de fato, perdeu é a capacidade de INVENTAR sentidos para sua existência.
Frequentemente, a gente se engana achando que um dia ENCONTRAREMOS um sentido existencial já pronto.
Na verdade, “casar-se”, “constituir família”, “ganhar dinheiro”, “ter realização profissional” etc. não são projetos inerentes à vida.
Não há nenhuma razão NATURAL que justifique a existência deles. Podemos tê-los ou não tê-los. No Real, tanto faz…
Na verdade, trata-se de propósitos que a gente INVENTA para MAQUIAR a falta real de sentido da vida.
E tá tudo bem!
Ninguém em sã consciência condenará uma mulher que se maquia por supostamente apresentar uma imagem de si que não corresponde à realidade.
Da mesma forma, podemos reconhecer que, NO REAL, a vida não tem sentido mesmo, mas saber que é muito mais belo e interessante viver COMO SE ela tivesse.
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ACEITAR a realidade significa se submeter a ela, considerá-la como algo estanque, rígido, impossível de ser transformado. Logo, ruim. Em vez de ACEITARMOS a realidade, que tal se a AFIRMÁSSEMOS?
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Neste vídeo, o Dr. Nápoli apresenta três razões pelas quais, em sua opinião, uma pessoa que está passando por problemas emocionais deveria buscar tratamento pela via da Psicanálise.
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Esta é uma pequena fatia da aula especial “COMPLEXO DE ÉDIPO MAL RESOLVIDO”, que já está disponível no módulo “AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS” da CONFRARIA ANALÍTICA.
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— … e agora, não sei por que, passei a me sentir meio intimidado para conversar com ele, sabe?
Quem está falando é Geovane, um administrador de 26 anos que está há 4 meses em análise com a psicóloga Lavínia.
Recentemente, um de seus colegas de serviço aceitou o convite para se tornar gerente do setor em que Geovane trabalha.
É sobre a relação com esse colega que o rapaz está falando com Lavínia.
— Antes de ele virar gerente, você tinha que ver: a gente se zoava, brincava, eu conversava com ele de boa. Agora mudou tudo!
— Foi só você quem mudou ou ele também? — pergunta a psicóloga.
— Bem… Eu acho que fui mais eu mesmo. Ele até continua tentando brincar comigo, me chama para ir nos churrascos na casa dele, mas eu acabo ficando meio acanhado, sei lá…
— “Acanhado”?
Geovane continua, num tom bem-humorado:
— É…Agora, quando a gente vai conversar, parece que eu tô falando com o meu pai…
— Hum… Continue… — diz a terapeuta — essa história tá ficando interessante…
— Eu sempre me senti intimidado para conversar com meu pai. Ele é daqueles caras muito sérios, sabe? Bravo, de poucas palavras…
— E como era a relação entre ele e a sua mãe?
— Eles não eram muito de brigar, mas era cada um no seu canto. Meu pai com os jornais que ele adorava ler e minha mãe se divertindo comigo.
— “Se divertindo com VOCÊ?” — indagou a terapeuta enfatizando a última palavra.
— Isso. Até hoje tenho a impressão de que eu era a alegria da vida da minha mãe. Se eu não tivesse nascido, acho que ela não teria suportado ficar casada com um cara tão chato como o meu pai.
— Mas hoje você não mora mais com ela e eles continuam juntos…
— Pois é… Não consigo entender isso. Minha mãe merecia um cara muito melhor do lado dela.
— Tipo você, assim? — brincou Lavínia, encerrando a sessão.
Como você pôde perceber, Geovane transferiu a rivalidade inconsciente com o pai para a relação com seu colega de trabalho, pois esse passou a exercer um papel de autoridade junto ao rapaz.
Dificuldade de se relacionar com autoridades é um dos sinais que podem indicar a existência de um complexo de Édipo mal resolvido — tema da AULA ESPECIAL de hoje na CONFRARIA ANALÍTICA.
A aula estará disponível ainda hoje no módulo “AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS”. Para assinar a Confraria, é só clicar aqui.
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Outro dia eu abri uma caixinha de perguntas lá no Instagram e uma moça me enviou o seguinte questionamento:
“Tenho depressão, faço análise há 17 anos e não melhoro. O que pode ser?”.
Eu respondi com o trecho do Evangelho de São João que narra o encontro de Jesus com um doente em “Betesda”, uma piscina pública de Jerusalém.
A passagem termina com o homem curado de sua paralisia após ter ouvido do rabino a seguinte exortação:
“Levante-se, pegue o seu leito e ande.”.
Alguns seguidores interpretaram erroneamente que eu estaria sugerindo à pessoa que a depressão dela só seria curada pela fé. 🤦♂️
Nada a ver!
Do meu ponto de vista, a referida passagem pode ser interpretada sem qualquer referência a aspectos religiosos.
Não precisamos encarar a cura obtida pelo paralítico necessariamente como um milagre.
Podemos pensá-la tão-somente como o efeito da astuta intervenção psicanalítica feita por Jesus. Senão, vejamos:
Quando o rabino pergunta ao doente se ele não queria ficar curado, a resposta do sujeito revela, nas entrelinhas, o GOZO que, de fato, sustenta sua enfermidade.
O cara sequer diz que quer, sim, ser curado. Em vez disso, ele JUSTIFICA por que está há anos ali, à beira da piscina:
“Não tenho ninguém para me colocar no tanque na hora em que o anjo passa. Aí, enquanto eu me arrasto para entrar na água, outra pessoa desce antes de mim.”.
Perceba: esse sujeito está preso à ideia fixa de que ele só será curado MIRACULOSAMENTE pela SUPOSTA passagem do anjo.
E o pior é que, mesmo sabendo que dificilmente conseguirá ser o primeiro a entrar na piscina, o infeliz continua ali, nutrindo a expectativa completamente ilusória de um dia conseguir.
É por isso que Jesus pergunta para ele:
“Uai, cê não quer ficar curado, não?”.
Esse questionamento pode ser lido como uma espécie de interpretação à moda lacaniana na medida em que faz alusão à SATISFAÇÃO com a doença que o paralítico não é capaz de reconhecer.
Ora, se ele SABE que é quase impossível ser o primeiro a entrar na água, por que continua inerte ali, à beira da piscina?
Por que não vai em busca de uma alternativa?
Por que não EXPERIMENTA simplesmente… levantar, pegar o seu leito e andar? 😉
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Só nos sentimos ansiosos porque conseguimos imaginar um possível contato futuro com situações que consideramos perigosas – ainda que tais situações sejam inconscientemente desejadas…
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Neste vídeo, o Dr. Nápoli apresenta duas hipóteses psicanalíticas que nos ajudam a entender a tendência que algumas pessoas têm de repetirem escolhas amorosas ruins.
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Esta é uma pequena fatia da aula especial “LENDO FERENCZI 06 – RECONHECER O RECALCADO NÃO É SUFICIENTE”, que já está disponível no módulo “AULAS ESPECIAIS – FERENCZI” da CONFRARIA ANALÍTICA.
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— Mais uma vez eu não consegui me segurar, Marcela.
Foi com essa fala que Arthur iniciou sua 53ª sessão de terapia com aquela analista.
Sim, ele havia contado.
— Hum… — respondeu Marcela incentivando o paciente a continuar.
— Foi igualzinho como daquela outra vez lá no restaurante: o telefone dela tocou, ela olhou e não quis atender dizendo que devia ser a operadora do celular querendo enfiar alguma promoção.
— E aí?
— Aí o de sempre, né? Eu não consigo acreditar, não sei por que… Falei para ela me dar o telefone que eu queria ver o número.
— E ela te deu?
— Dessa vez, não. Ela falou que não aceitaria mais aquilo, que ou eu confiava nela ou a gente não ficaria junto. Aí eu comecei a falar mais alto, pedindo o celular e tentando tirar da mão dela.
— Onde vocês estavam?
— Na fila do cinema… As pessoas começaram a olhar, mas mesmo assim ela não queria me dar o telefone de jeito nenhum. Aí eu fiquei tão nervoso que saí da fila e deixei ela lá sozinha.
— Do mesmo jeito que a sua mãe fazia com o seu pai, né? — lembrou a analista.
— Exatamente… Mas como é que muda isso, Marcela? Eu já entendi que, de certa forma, eu tô reproduzindo o mesmo ciúme doentio da minha mãe, mas e aí?
— É curioso que você só tenha percebido isso aqui em análise, não acha?
— É… Eu sempre fui ciumento e desde criança vejo as loucuras de ciúme da minha mãe, mas foi só conversando com você que liguei uma coisa com a outra.
— Por que será que você passou anos sem conseguir fazer essa conexão?
— Não faço a menor ideia…
— Talvez essa resistência a se perceber parecido com sua mãe ainda não tenha sido vencida. Uma coisa é enxergar a verdade, outra é aceitá-la…
Com essa intervenção, a terapeuta Marcela pretende mostrar ao paciente que a mera tomada de consciência não é suficiente para produzir a melhora clínica desejada.
Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá hoje uma aula especial que trata justamente desse assunto.
O título dela é “LENDO FERENCZI 06 – Reconhecer o recalcado não é suficiente” e está disponível no módulo “AULAS ESPECIAIS – FERENCZI”.
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