Lucas Nápoli é psicólogo, psicanalista e professor. Possui os títulos de Doutor em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É autor do livro "A Doença como Manifestação da Vida".
Esta é uma pequena fatia da aula especial “COMPULSÃO ALIMENTAR: COMO A PSICANÁLISE ABORDA E TRATA ESSE PROBLEMA”, que já está disponível no módulo “AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS” da CONFRARIA ANALÍTICA.
Participe, por apenas R$49,99 por mês ou 497,00 por ano, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
— E esse foi o quinto vestido só neste mês… — disse Luana com os olhos marejados.
— Qual foi o gatilho desta vez? — perguntou Priscila, a psicanalista com quem Luana passou a se tratar há três semanas.
— De novo foi uma discussão com meu marido. Toda vez é a mesma coisa: ele diz que eu tô fazendo drama e que só vai conversar comigo quando eu falar como uma pessoa normal.
— Como é que você fica quando ele diz esse tipo de coisa?
Luana permaneceu alguns segundos em silêncio, pensando. Por fim, em prantos, respondeu:
— Eu nem sei te dizer, Priscila. Vem uma angústia tão grande… Uma mistura de raiva com desespero… E aí, na hora me vem a vontade de entrar no site e comprar alguma coisa.
— Você se sente melhor depois de fazer a compra?
— É como eu te falei na semana passada… Na hora que eu termino de fazer o pedido, eu sinto uma alegriazinha, como se fosse uma compensação por esse sofrimento todo que eu vivo com o Carlos.
— Mas depois… — interveio a terapeuta já imaginando o que a paciente diria.
— Isso… Depois vem o arrependimento, a culpa… Igualzinho na época da comida.
Com a expressão “época da comida”, Luana está se referindo ao período em que sofreu de compulsão alimentar.
A jovem dentista chegou a engordar 15 quilos em dois meses devido aos episódios de comer compulsivo que ocorriam, em média, 2 vezes por semana.
Desesperada, Luana decidiu se tratar em uma famosa clínica de emagrecimento, que oferecia acompanhamento nutricional, psiquiátrico e terapia cognitivo-comportamental.
O tratamento foi um “sucesso”: após cerca de 2 meses, a dentista não tinha mais episódios de compulsão alimentar e conseguiu emagrecer bastante.
O problema é que, ao invés de comer compulsivamente, Luana passou a ter compulsão por compras.
Não era só o seu corpo que estava emagrecendo, mas sua conta bancária também…
Por que será que isso aconteceu?
A resposta está na AULA ESPECIAL “Compulsão alimentar: como a Psicanálise aborda e trata esse problema”, que estará disponível hoje para quem está na CONFRARIA ANALÍTICA.
Participe, por apenas R$49,99 por mês ou 497,00 por ano, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
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Cada pessoa tem uma forma típica, mais ou menos estereotipada, de se relacionar com o outro.
Tem gente que está sempre querendo agradar.
Tem gente que está sempre querendo se esconder.
Tem gente que está sempre querendo seduzir.
Tem gente que está sempre querendo se mostrar forte.
Enfim, os padrões de relacionamento são os mais diversos. Eles expressam uma determinada FANTASIA e se constituem em resposta a um certo tipo de MEDO BÁSICO.
Por exemplo: o sujeito que está o tempo todo querendo agradar pode ter inconscientemente o medo de ser destruído por um objeto interno cruel e implacável.
Tal objeto mau se formou na mente dessa pessoa em função das suas experiências infantis. Ela pode ter tido, por exemplo, um pai muito agressivo e intolerante.
O medo de ser morto, a princípio pelo próprio pai real, e depois pela versão internalizada dele (muito mais cruel), leva o sujeito a desenvolver, na infância mesmo, uma FANTASIA.
Trata-se de uma situação imaginária muito simples que a pessoa acredita que a protegeria do perigo que ela tanto teme.
Nesse exemplo que estamos analisando, a fantasia poderia ser expressa da seguinte forma:
“Se eu agradar o papai, ele vai ficar feliz e não vai me matar.”
Como o pai real é introjetado, a fantasia passa a estar relacionada ao objeto interno mau. Esse, por sua vez, pode ser projetado em outras pessoas.
É daí que vem o padrão de estar sempre tentando agradar.
Com efeito, por estar sempre projetando o objeto cruel e impiedoso, o sujeito se sente o tempo todo ameaçado e precisa estar constantemente fazendo uso da fantasia para se defender.
Em outras palavras, buscando agradar os outros, a pessoa inconscientemente acredita que está “acalmando” o objeto interno mau e se protegendo dos ataques dele.
É claro que essa tendência de estar sempre querendo agradar pode estar ligada a outros medos e fantasias. Há vários cenários possíveis.
O exemplo citado serve apenas para enfatizar o quanto é importante que o terapeuta identifique o padrão de relacionamento interpessoal do paciente.
Afinal, como vimos, é na análise desse padrão que encontraremos os medos e fantasias básicas que governam inconscientemente a vida do sujeito.
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A falta estrutural de um objeto plenamente satisfatório é INEVITÁVEL e um dos nossos desafios na vida é aprender a conviver com ela.
Já a falta traumática só vai acontecer se o sujeito não receber aquilo que LHE É DE DIREITO na infância, a saber: um ambiente amoroso, acolhedor e pacífico.
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O médico e psicanalista alemão Karl Abraham, um dos primeiros alunos de Freud, escreveu essas palavras num artigo de 1911 chamado “Notas sobre a investigação e o tratamento psicanalíticos da psicose maníaco-depressiva e estados afins”.
Quatro anos depois, no texto “Luto e Melancolia”, Freud também chegaria à conclusão de que há, de fato, um gozo masoquista na melancolia (depressão grave).
No artigo, o pai da Psicanálise explica o que leva uma pessoa a se refugiar nessa forma tão autodestrutiva de satisfação.
Na semana passada, na CONFRARIA ANALÍTICA, começamos a estudar “Luto e Melancolia” linha a linha, parágrafo por parágrafo, e hoje teremos nossa segunda aula ao vivo sobre esse texto, a partir das 20h.
Esta nova série de aulas ao vivo será, para os alunos, uma verdadeira IMERSÃO no estudo das depressões graves e do comportamento suycid4.
Até mais tarde!
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Estruturalmente presos à ideia do “homem de verdade”, os homens sonham com uma “mulher de verdade”, universal, previsível, controlável…
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Esta é uma pequena fatia da aula especial “LENDO KLEIN 03 – MEDO DE MORRER, ANSIEDADE E PULSÃO DE MORTE”, que já está disponível no módulo “AULAS ESPECIAIS – KLEIN” da CONFRARIA ANALÍTICA.
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Naquela sessão, Sandro parecia mais apreensivo do que de costume.
— Calma… — disse Lavínia, a psicóloga que o atendia, num tom de voz apaziguador — Vamos conversar a respeito disso. Primeiro me fale o que está te deixando tão preocupado.
— OK. Eu estava no plantão e acabei tendo uma discussão com o Rubens, que é um colega mais velho, que está há uns 20 anos lá no hospital.
— E a discussão foi sobre o quê?
— Foi sobre uma paciente que está sob os meus cuidados. Ele quis se intrometer dizendo que a minha conduta estava errada, que a mulher não precisava de cirurgia…
— Hum…
— Aí a gente ficou batendo boca. Até que chegou um momento em que eu perdi a paciência e disse que a paciente era minha e que ele não tinha que se meter.
— E o que aconteceu depois disso?
— Ele saiu resmungando pra lá. O problema é que o cara é simplesmente o médico com mais anos de casa lá do hospital. Com certeza vai fazer minha caveira para a direção.
— Então você está com medo de ser demitido?
— Medo? Eu tenho é CERTEZA de que isso vai acontecer. É só questão de tempo. Por isso é que eu tô desesperado. Já até imagino o diretor ligando para me dispensar.
Lavínia percebeu que o paciente estava “catastrofizando” aquela situação.
De fato, a demissão poderia acontecer, mas era pouco provável que uma simples discussão com o colega decano fosse suficiente para causar tal desfecho.
A hipótese da terapeuta era a de que o rapaz estava projetando em Rubens um objeto interno altamente cruel e ameaçador que ela já havia percebido fazer parte da vida psíquica de Sandro.
Nesse sentido, por trás do medo da pouco provável demissão, Lavínia conseguia vislumbrar uma ansiedade muito mais profunda nesse paciente:
O medo de ser ANIQUILADO por esse objeto mau que habita seu mundo interno provavelmente desde que ele era bebê.
A psicóloga só conseguiu fazer essa interpretação porque conhece as descobertas feitas pela psicanalista Melanie Klein sobre o funcionamento da mente infantil.
Hoje (sexta), quem está na CONFRARIA ANALÍTICA, receberá a aula especial “LENDO KLEIN 03 – MEDO DE MORRER, ANSIEDADE E PULSÃO DE MORTE” em que falo sobre algumas dessas descobertas.
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Há pessoas que, devido a uma profunda fragilidade narcísica, não conseguem tolerar a experiência de se perceberem como vulneráveis.
Para se protegerem dessa percepção, tais indivíduos tendem a atacar, muitas vezes de maneira impiedosa, pessoas com quem convivem, especialmente as mais íntimas.
O objetivo inconsciente desses ataques é fazer com que a outra pessoa se sinta culpada e isso a faça proporcionar ao sujeito o que ele não dá conta de pedir diretamente.
Felipe é assim. Por conta de diversas falhas cometidas por seus pais, o rapaz não conseguiu desenvolver um nível suficientemente bom de autoconfiança.
Contudo, muito precocemente esse sujeito aprendeu a driblar sua insegurança básica por meio de uma postura artificial de força, independência e superioridade.
No relacionamento com Daniela, sua namorada, o jovem se vê constantemente exposto a gatilhos que evocam a insegurança infantil que ele nunca tratou.
Com efeito, a moça é muito bonita e vive recebendo olhares de outros homens e cantadas nas redes sociais. Ela nunca dá bola e até bloqueia os galanteadores mais “saidinhos”.
Apesar disso, a criança insegura que Felipe ainda é no Inconsciente imediatamente vem à tona quando o rapaz percebe algum olhar dirigido a sua amada.
Todavia, ao invés de demonstrar explicitamente sua vulnerabilidade e comunicar diretamente a Daniela o medo de perdê-la para algum “concorrente”, o rapaz se comporta de outra forma.
Sem sequer tomar consciência de sua insegurança, Felipe imediatamente começa a culpar a namorada, dizendo que ela provoca os olhares e cantadas com sua suposta simpatia excessiva.
Tais ataques geralmente “funcionam”.
Sempre que o jovem faz isso, Daniela se sente muito culpada e passa a se esforçar em dobro para demonstrar ao namorado que ele pode confiar nela e que NUNCA o deixará.
Assim, a insegurança de Felipe é temporariamente aplacada às custas de um intenso sentimento de culpa nutrido no coração de Daniela.
É claro que essa moça, por conta de sua história, tem uma facilidade enorme para se sentir culpada. Do contrário, já teria terminado com o rapaz.
Mas isso é assunto para outro dia…
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A alegria que a criança experimenta quando se dá conta de que é a pessoa que vê diante de si no espelho equivaleria à satisfação que nós temos, durante toda a vida, ao nos imaginarmos COMPLETOS.
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Esta sacada genial de Freud encontra-se em seu artigo “Luto e Melancolia”, publicado em 1917.
Esse trabalho continua sendo uma referência ABSOLUTAMENTE FUNDAMENTAL para qualquer profissional de saúde mental que deseja compreender e tratar adequadamente o que se chama atualmente de “Transtorno Depressivo Maior”.
Hoje, a partir das 20h, começaremos a estudar esse texto LINHA A LINHA, PARÁGRAFO POR PARÁGRAFO, lá na CONFRARIA ANALÍTICA.
Esta nova série de aulas ao vivo será, para os alunos, uma verdadeira IMERSÃO no estudo das depressões graves e do comportamento suycid4.
Até mais tarde!
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Um dos indícios mais confiáveis de que estamos diante de um paciente neurótico é uma verbalização que denota a presença de um conflito psíquico.
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Esta é uma pequena fatia da aula especial “LENDO FERENCZI 05 – IMPOTÊNCIA SEXUAL E PROBLEMAS DE EREÇÃO”, que já está disponível no módulo “AULAS ESPECIAIS – FERENCZI” da CONFRARIA ANALÍTICA.
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