“Eu te amo, mas porque inexplicavelmente amo em ti algo que é mais do que tu — o objeto a” (Jacques Lacan)

Por que Lacan disse isso?

Sempre que vocês estiverem diante de um conceito que é aparentemente difícil de entender, tentem abordá-lo fazendo a seguinte pergunta:

— PARA QUE o autor precisou inventá-lo?

Sim, em tese conceitos não são criados aleatoriamente.

Eles são forjados como ferramentas que ajudam a compreender uma determinada realidade.

Pelo menos, deveria ser assim…Assumindo que essa minha premissa epistemológica está correta, vamos pensar:— Para que Lacan precisou inventar o conceito de objeto a?

Obviamente os exegetas da obra lacaniana poderiam citar inúmeros motivos, mas, do meu ponto de vista, um deles me parece facilmente observável.

Ao dizer que o objeto a funciona como causa do desejo, Lacan me parece estar propondo que, no fundo, por trás de todos os nossos desejos está o anseio por um objeto que a gente tem a impressão de que um dia teve, mas acabou perdendo.

E não é mais ou menos assim que acontece mesmo?

Pensa comigo: o que nos faz desejar, por exemplo, uma pessoa?

Ok, você poderá enumerar vários fatores físicos, psicológicos e até morais, mas concorda comigo que sempre está em jogo a expectativa de que essa pessoa lhe deixará satisfeito, feliz?

Então…Se é assim, a gente pode dizer que a causa do seu desejo pela pessoa não é exatamente a pessoa em si, mas um objeto virtual que supostamente lhe proporcionaria felicidade eterna e que acidentalmente você conseguiu enxergar… na pessoa desejada.

Sacou?

Você deseja a pessoa, sim, mas a causa do desejo, isto é, aquilo que te faz desejar não é a pessoa em si, mas esse objeto supostamente satisfatório que não sai da sua cabeça desde que era bebê.

É como se a gente tivesse perdido um brinquedo quando criança e agora passasse a vida inteira tentando reencontrá-lo.

Só que é um brinquedo que a gente nem sabe que cor tem, se é grande ou pequeno, nada.

Tudo o que a gente sabe é que, quando o possuíamos, éramos felizes.

Aí, tem dia que a gente cai na ilusão de achar que ele está na pessoa X ou Y.

Do meu ponto de vista, o conceito de objeto a nos ajuda a pensar no caráter nostálgico que caracteriza o desejo neurótico.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

[Vídeo] Como pensar a maturidade a partir de Freud

Neste vídeo: veja como podemos pensar a maturidade emocional mediante a compreensão da passagem do império absoluto do princípio do prazer para a vigência do princípio de realidade.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

A gente faz Psicanálise para anistiar os pedaços exilados da alma

Se alguém me perguntasse qual é o principal objetivo a ser alcançado com uma terapia psicanalítica, eu diria:

— Ajudar o paciente a ser uma pessoa menos DESPEDAÇADA.

Explico:

O amor apaixonado que temos pelo nosso Eu, os ditames do Outro e determinadas vicissitudes da existência levam a gente se fragmentar.

Expulsamos de nossa consciência aspectos riquíssimos do nosso ser simplesmente porque julgamos que não são compatíveis com nosso Eu limpinho ou porque a vida nos fez acreditar que eram perigosos.

Veja, por exemplo, aquela mocinha que sofre de ansiedade generalizada.

Ela não faz ideia de que seu constante estado de tensão e o excesso de preocupações que perturbam sua alma só existem porque ela está des-pe-da-ça-da.

De repente, a identificação com um pai excessivamente pacífico a fez acreditar que deveria manter seus impulsos agressivos e sádicos o mais distante possível do próprio Eu.

Resultado: a agressividade que poderia estar sendo vivida de forma natural, sob controle, como parte dela, tornou-se ESTRANGEIRA para essa pobre jovem.

É por isso que ela está o tempo todo ansiosa.

Não tem nada a ver com o que acontece do lado de fora.

O que ela verdadeiramente teme é esse pedaço agressivo de si mesma que, por ter sido exilado, passou a PERSEGUI-LA do lado de dentro.

Se essa moça decide fazer Psicanálise, o que será buscado?

Ora, ela e o analista se esforçarão juntos para tornar o Eu dela mais permeável aos impulsos agressivos e sádicos a fim de que ela passe a encará-los como parte legítima de sua personalidade.

Dessa forma, ela deixará de se sentir ameaçada pela própria agressividade e não precisará se defender com a ansiedade generalizada.

De fato, nossos sintomas, inibições e ansiedades evidenciam os despedaçamentos que estão presentes na alma.

A Psicanálise é, portanto, uma fomentadora de integração.

Você sente que há partes de você que precisam ser reintegradas?


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Este homem descobriu o Inconsciente antes de ler qualquer coisa sobre Psicanálise

Em maio de 1917, mês de seu aniversário, Freud recebeu o que poderíamos chamar de um verdadeiro presente:

Tratava-se de uma longa carta escrita por um tal de Dr. Georg Groddeck.

O remetente iniciava a epístola pedindo desculpas por ter metido o pau na Psicanálise em seu primeiro livro, reconhecendo, alguns parágrafos depois, que fizera isso movido pela inveja.

O tal Dr. Groddeck dizia que, em 1909, época em que ainda sequer conhecia a obra de Freud, tratara uma senhora que o levou “a conhecer as peculiaridades da sexualidade infantil e do simbolismo” bem como os fenômenos que a Psicanálise chama de transferência e resistência.

A inveja, portanto, resultava da constatação de que Freud já vinha falando sobre todas essas descobertas há praticamente uma década.

Mas, nessa carta, Groddeck veste as sandálias da humildade e, reconhecendo o pioneirismo do colega, indaga se poderia ser considerado um verdadeiro psicanalista.

Antes, porém, de fazer essa pergunta, o médico relata uma série de casos de pessoas com sintomas FÍSICOS (como hemorragia nos olhos, erupções na pele e úlceras, por exemplo) que foram curadas por ele mediante o emprego da técnica psicanalítica.

Além disso, menciona que trabalha com a ideia de um “Isso” (em latim: Id), uma espécie de força impessoal que estaria na origem de tudo o que acontece com o ser humano.

Sim, meus amigos: foi de Groddeck que Freud tomou o conceito de Id.

Mas quem era mesmo esse cara, que aparentemente descobriu sozinho o Inconsciente e o próprio método psicanalítico antes mesmo de ouvir falar sobre Freud?

Como é que ele aplicava a Psicanálise no tratamento de doenças físicas?

E por que será que provavelmente você nunca tinha ouvido falar sobre ele antes da leitura deste texto?

Responderei essas e várias outras perguntas sobre Groddeck numa aula especial que somente os membros da Confraria Analítica receberão ainda hoje.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

A passagem da primeira para a segunda tópica em Freud

Gosto muito de falar sobre essa mudança na teoria freudiana porque ela representa um ótimo “Cala a boca!” para aqueles que insistem na ladainha de que a Psicanálise não é científica.

A mudança na forma como concebia o aparelho psíquico mostra que Freud sempre esteve disposto a mudar suas ideias conforme ia fazendo novas descobertas.

Para quem não sabe, “tópica” é o termo que a gente costuma usar na Psicanálise para designar o tipo de concepção de mente com que Freud trabalhava.

Há várias formas de pensar o funcionamento da alma humana. Freud ESCOLHEU utilizar uma analogia ESPACIAL para fazer isso.

Assim, ele concebia a mente como uma espécie de terreno dividido em regiões específicas. Daí o termo “tópica” (do grego “topos”: lugar).

Inicialmente, Freud entendia que a alma teria basicamente 3 “regiões” onde estariam distribuídas as representações mentais:

Na região mais afastada, o Inconsciente, separada das outras por um imenso muro de censura, estariam as ideias que a pessoa foi reprimindo ao longo da vida.

Outra região seria o Pré-consciente, sede das ideias que, temporariamente estão inconscientes, mas podem, a qualquer momento, adentrar a terceira e última parte do terreno, a menorzinha, chamada Consciente.

Por que Freud achou que precisava de outro modelo de mente se esse se mostrou tão útil durante vários anos?

Porque ele percebeu que não são só as ideias reprimidas que perderam a possibilidade de acesso à consciência.

Freud sacou que certos pensamentos que mantinham determinadas ideias em estado de repressão também eram inconscientes.

Isso significa que esses pensamentos estavam localizados na região do Inconsciente?

Ai é que tá! A resposta é: não.

Eles não poderiam estar no Inconsciente porque nessa região só entram ideias reprimidas e esses pensamentos não foram reprimidos.

Então onde eles estariam situados?

A busca por uma resposta para essa pergunta é o que levará Freud a formular a famosa segunda tópica, que dividiu o aparelho psíquico em id, ego e superego.

Mas isso é assunto para outra postagem…


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Solidão essencial: a experiência paradisíaca que inaugura a vida

O psicanalista inglês Donald Winnicott tem uma expressão curiosa para caracterizar a experiência psicológica que vivenciamos tanto no útero materno quanto nos primeiros meses após o nascimento.

Trata-se do termo SOLIDÃO ESSENCIAL.

De cara essa expressão tende a provocar algum grau de estranheza e perplexidade porque evidentemente SABEMOS que o bebê não está sozinho no início da vida.

Então, por que Winnicott fala de solidão?

Para entender a experiência a que o autor está se referindo precisamos pensar na solidão não como a condição em que se encontra aquele que não tem companhia ou que a perdeu.

Essa “solidão negativa”, por assim dizer, só se torna possível para nós DEPOIS que DESCOBRIMOS a existência de outras pessoas no mundo.

Como assim, Lucas?

É isso mesmo: no início da vida a gente não sabe que o outro existe.

Em “condições normais de temperatura e pressão”, a mãe se adapta de forma tão harmônica às nossas necessidades que a gente nem se dá conta de que ela está lá nos sustentando e cuidando de tudo…

É justamente por isso que Winnicott fala de uma solidão essencial.

O outro tá lá, mas estamos sendo tão bem cuidados que temos a sensação de estarmos sozinhos.

Na verdade, a gente não tem sequer a consciência de que nós mesmos existimos enquanto indivíduos.

Por isso, embora Winnicott denomine esse momento inicial de solidão essencial, a experiência real que temos não é a de estarmos isolados, mas de puramente EXISTIRMOS fora do tempo-espaço, num estado de inabalável tranquilidade.

É dessa experiência original de PURO SER que caminhamos na direção do reconhecimento de outras pessoas.

Todavia, diz Winnicott, por mais que, com o passar do tempo, nossa vida passe a ser cada vez mais constituída de relações, há uma dimensão do nosso ser que permanece vinculada à solidão essencial.

Isso significa que, por mais que façamos contato com o outro, haverá sempre uma parte de nós que se manterá alheia às relações, conservando a memória de um tempo em que nada mais existia a não ser um puro sentimento de viver.

É a manutenção de uma trilha aberta para esse núcleo de solidão essencial que nos impede, na saúde, de não experimentarmos a vida como uma mera adaptação ao social.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

[Vídeo] O segredo das pessoas disciplinadas: psicanalista explica

Esqueça todas essas bobagens de “força de vontade” e “mindset”. O segredo das pessoas disciplinadas é o tesão pelo controle. Assista ao vídeo e entenda.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

O amor é o grande educador

Tem um texto do Freud cuja leitura recomendo fortemente a vocês: trata-se do artigo “Alguns tipos de caráter encontrados no trabalho psicanalítico”.

Tá no volume XIV das obras completas (edição standard).

Nesse artigo, Freud descreve três tipos muito curiosos de pessoas que não raro aparecem nos nossos consultórios: (1) aquelas que se acham merecedoras de privilégios da vida, (2) aquelas que se sabotam quando têm sucesso e (3) aquelas que cometem crimes para justificar um sentimento crônico de culpa.

Mas hoje não quero falar especificamente sobre essas categorias de indivíduos. Outro dia eu mexo nesse assunto.

Quero neste momento comentar um trecho desse texto em que Freud nos presenteia com uma síntese do que poderíamos chamar de uma concepção psicanalítica da educação.

Eis as palavras do autor:

“Lado a lado com as exigências da vida, o amor é o grande educador, e é pelo amor daqueles que se encontram mais próximos dele que o ser humano incompleto é induzido a respeitar os ditames da necessidade e poupar-se dos castigos que sobrevém a qualquer infração dos mesmos”.

Nessa passagem, Freud está chamando nossa atenção para o fato de que o processo educacional que os pais desenvolvem junto a seus filhos não é algo da ordem de uma imposição, mas de uma SEDUÇÃO.

Em última instância, a criança não obedece seus pais, submetendo-se aos limites sustentados por eles, por medo ou por convencimento racional.

Ela aceita as diversas “castrações” exigidas pela educação porque AMA seus educadores e quer ser amada por eles.

Fazendo uso da maravilhosa perspicácia infantil, a criança percebe que as demandas de seus pais se apresentam como condições para manter-se na posição de objeto do amor deles.

O próprio medo do castigo, nos diz Freud, é menos um medo da eventual dor ou frustração trazida pela punição e muito mais uma aversão àquilo que o castigo SIGNIFICA, a saber: o desapontamento dos pais.

Portanto, nós não nos submetemos ao Outro porque compreendemos racionalmente o certo e o errado.

A gente obedece por amor.

Porque acreditamos desde a infância que, se formos bons meninos e boas meninas, conservaremos o amor do Outro por nós.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

As fixações são as nossas zonas de conforto no Inconsciente: entenda

Como alguns dos principais conceitos propostos por Freud, a noção de FIXAÇÃO brotou diretamente da experiência clínica de seu autor.

Desde os seus primeiros contatos com neuróticos, Freud observou uma tendência característica desses pacientes de se manterem excessivamente apegados a certos elementos de seu passado.

Basta lembrar a famosa fórmula freudiana de que “os histéricos sofrem de reminiscências”.

A neurose parece testemunhar com a intensidade típica do adoecimento a inércia inerente ao funcionamento da nossa alma.

Embora sejamos convocados pela vida a nos mantermos em movimento, trocando objetos de desejo e nos adaptando de modo flexível às circunstâncias, parece haver em nós uma resistência a “sair da zona de conforto”, como diz o outro.

As fixações representam justamente a permanência no Inconsciente de determinados desejos, modos de satisfação e objetos que, em tese já deveriam ter sido abandonados.

Por exemplo: tem homem que nunca conseguiu renunciar ao desejo de ser o parceiro amoroso da mãe.

Essa fantasia incestuosa é perfeitamente admissível (e até esperada) na cabeça de uma criança de 3 ou 4 anos, mas não na de um marmanjo de 45.

Pois é! Mas pode ser que esse marmanjo nunca tenha conseguido aceitar muito bem a exigência que a vida lhe fez de renunciar ao objeto materno.

Por conta disso, ele pode ter simplesmente reprimido seu desejo pela mãe e, dessa forma, mantido-o intacto e bem alimentado no Inconsciente.

Agora, sempre que a vida, especialmente no campo do amor, lhe “presenteia” com dificuldades, frustrações e impasses, ele recorre à sua fantasia incestuosa reprimida para se consolar.

Mas, Lucas, essa fantasia não está no Inconsciente?

Está.

Então, como é que o cara vai poder se consolar se não tem como tomar consciência dela?

Boa pergunta!

Vamos continuar essa conversa lá na CONFRARIA ANALÍTICA?

Ainda hoje os membros da nossa comunidade vão receber uma aula especial sobre o conceito de FIXAÇÃO.

Te vejo lá! 😉


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

A fantasia é o delírio inconsciente do neurótico

Em 1924, Freud publicou um artigo chamado “A perda da realidade na neurose e na psicose”.

Ele começa o texto esclarecendo o próprio título.

Com efeito, naturalmente somos levados a pensar que apenas na psicose aconteceria uma perda de realidade, já que, nessa patologia, assistimos ao surgimento de uma realidade “alternativa” marcada pelas alucinações e delírios.

Em outras palavras, temos a tendência de pensar que é só na psicose que ocorre um rompimento da relação do indivíduo com a realidade.

Na neurose, por sua vez, haveria supostamente um excesso de apego à realidade, que levaria o sujeito a reprimir seus impulsos.

Freud,  no entanto, mostra que o neurótico também se afasta da realidade na medida em que “apaga” da sua consciência as ideias relacionadas a seus impulsos reprimidos.

Além disso, de modo análogo ao que acontece na psicose, o neurótico busca compensar a impossibilidade de expressar determinados impulsos por meio da criação de fantasias inconscientes que se materializam nos sintomas.

São justamente essas fantasias que perturbam a relação do neurótico com a realidade, fazendo com que, por exemplo, ele tenha medo de coisas absolutamente inofensivas.

Assim como o psicótico, o neurótico também cria sua realidade particular imaginária e vive nela.

A diferença é que, na psicose, essa realidade “alternativa” é vivenciada conscientemente pela pessoa na forma do delírio e das alucinações.

Na neurose, por sua vez, tudo acontece no plano do Inconsciente.

Conscientemente o sujeito sabe que está apenas conversando com seu chefe no trabalho, mas no Inconsciente pode estar rodando uma fantasia homossexual na qual ele é sodomizado por seu pai.

Inconsciente dessa fantasia, o neurótico experimenta apenas os efeitos que ela produz no plano da consciência: angústia, medo, inibição.

É por isso que o sujeito do exemplo acima não conseguiria entender porque se sente tão tenso na presença do chefe, mesmo ele sendo uma pessoa acolhedora, gentil e compreensiva.

É que conscientemente o indivíduo está apenas conversando com o patrão, mas inconscientemente está EM OUTRA REALIDADE, vivendo uma relação sexual com seu pai…


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

No fundo a gente tem tesão pelo superego

Em uma de suas “Novas Conferências Introdutórias sobre Psicanálise” intitulada “A Dissecção da Personalidade Psíquica”, Freud diz o seguinte:

“Abandonando o complexo de Édipo, uma criança deve, conforme podemos ver, renunciar às intensas catexias objetais que depositou em seus pais, e é como compensação por essa perda de objetos que existe uma intensificação tão grande das identificações com seus pais, as quais provavelmente há muito estiveram presentes em seu ego”.

Esse trecho se encontra na parte do texto em que Freud está explicando como se desenvolve o superego.

Quero destacar uma ideia que o autor está apresentando ali e que muitas vezes não recebe a devida atenção quando estamos falando da nossa relação com o superego.

Freud está sustentando nesse trecho que o superego, isto é, a parte do nosso eu que nos observa, nos julga e eventualmente nos pune com o sentimento de culpa, surge, pelo menos em parte, como uma COMPENSAÇÃO pela saída do Édipo.

Em outras palavras, um dos fatores que nos levariam a trazer para dentro de nós (na forma do superego) o monitoramento, as proibições e coerções de nossos pais, seria o fato de não podermos continuar tomando-os como objetos sexuais.

É como se, na formação do superego, a criança dissesse para si: “Já que não posso tê-los como objetos, vou me identificar a eles. Dessa forma, consigo mantê-los para sempre dentro de mim”.

Essa formulação deveria nos fazer enxergar com outros olhos a relação que temos com o superego.

Se ele é, em alguma medida, uma compensação pelo abandono do vínculo incestuoso com os pais, isso significa que, no fundo… a gente tem tesão pelo superego.

Na verdade, isso não deveria nos surpreender tanto visto que, se o superego é “eficaz” em sua tarefa de nos manter “na linha”, é justamente porque gozamos com a obediência a ele.

Para Freud, o fator que leva a criança a submeter-se às coerções de seus pais é o medo de perder o amor deles.

Da mesma forma, quando adultos, não queremos perder o amor do superego, que nada mais é do que papai e mamãe internalizados.

Por isso, podemos nos satisfazer masoquisticamente com a renúncia a certos desejos e até com o sentimento de culpa.

Tudo em nome da nostalgia do amor edipiano…


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

[Vídeo] Interpretação em Psicanálise: o que é e como deve ser feita

Neste vídeo: entenda quais são os objetivos a serem atingidos com a interpretação e como ela deve ser formulada no tratamento psicanalítico.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Enquanto os obsessivos são nostálgicos do ser, os histéricos são militantes do ter

No clássico (e, infelizmente, esgotado) livro “Estruturas e Clínica Psicanalítica”, Joël Dor propõe a seguinte tese:

“Se pude dizer que os obsessivos são uns NOSTÁLGICOS DO SER, pode-se igualmente dizer que os histéricos são uns MILITANTES DO TER.” (p. 67, gritos do autor).

Para o autor, a gênese das estruturas histérica e obsessiva está diretamente relacionada a certas condições relativamente comuns que podem se apresentar ao sujeito quando criança.

No caso da obsessão, teríamos invariavelmente na infância a relação com um Outro que mantém o sujeito numa posição de objeto suplementar de seu desejo.

Em outras palavras, a criança percebe que o Outro deseja coisas que estão para-além dela, mas entende que essas outras coisas não são suficientes para dar conta do desejo do Outro.

Assim, o sujeito é levado a crer que ocupa uma posição privilegiada junto a esse Outro e que é o seu DEVER mantê-lo sempre satisfeito.

Por isso, o obsessivo teria essa eterna NOSTALGIA DE SER o objeto que não deixa o Outro “a desejar”…

Na histeria, por sua vez, teríamos uma configuração diferente, ligada ao momento da infância em que o sujeito precisa reconhecer que tanto ele quanto o Outro não são completos.

Dependendo do modo como é apresentada a essa “descoberta”, a criança pode ser levada a acreditar que a incompletude não vale para todos e que ela é, na verdade, uma INJUSTIÇA.

Para o histérico, existem alguns Outros que indevidamente possuem o privilégio de serem completos e, por isso, precisam ser “castrados”.

Colocar-se a serviço do Outro, por exemplo, costuma ser uma típica estratégia histérica para manter o Outro castrado: “Se ele precisa de mim, é porque é carente e incompleto. 😌”.

Quanto à sua própria incompletude, o histérico a reconhece, mas a considera, como eu disse acima, uma injustiça.

“Sou incompleto, sim”, ele diz, “mas só porque o Outro me fez assim, privando-me daquilo que me faria inteiro e feliz”.

Por isso, o histérico passa a vida MILITANDO, reivindicando, se queixando daquilo que ele acha que somente uns privilegiados têm, mas que, na verdade, NINGUÉM TEM…


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Diferenças entre eu ideal e ideal do eu em Psicanálise

Eu ideal e ideal do eu são conceitos que costumam causar certa desorientação em quem está começando a estudar a teoria psicanalítica.

São nomes diferentes para a mesma coisa ou se trata de fenômenos distintos?

Ao que parece, para Freud, Idealich (eu ideal) e Ichideal (ideal do eu) eram mais ou menos intercambiáveis.

Foram autores pós-freudianos, como Lacan, por exemplo, que perceberam corretamente que são processos psíquicos diferentes.

De modo geral, passou-se a considerar como o eu ideal a IMAGEM idealizada de nós mesmos que forjamos como compensação pela saída do narcisismo primário.

Deixa eu explicar isso direitinho:

Normalmente, na fase inicial do desenvolvimento que Freud denomina de “narcisismo primário” não existe nenhuma diferença entre aquilo que somos e aquilo que o Outro (os pais) deseja que sejamos.

Até porque, no início da vida, o Outro não tem muitas expectativas sobre nós. Ele nos ama de graça; acha bonitinho e engraçadinho tudo o que fazemos.

Essa situação faz com que o bebê se sinta o ser mais poderoso, lindo e desejado do universo!

Na verdade, não é bem assim: em “condições normais de temperatura e pressão”, quando o Outro faz o seu papel de cuidador direitinho, a gente nem percebe, enquanto bebês, que os pais existem.

Temos a ilusão de que somos nós mesmos quem criamos o seio que nos alimenta simplesmente com a força do nosso desejo de mamar!

Pois bem, essa ilusão de onipotência vivida nesse estado maravilhoso de plenitude em que nos sentimos a única bolacha do pacote… acaba.

Acaba porque, depois de alguns meses, o Outro volta a ter outros interesses para-além de nós e acaba também porque esse Outro, que até então achava tudo o que a gente fazia a coisa mais linda do mundo, começa a…exigir coisas.

Ele passa a pedir, por exemplo, que a gente se conforme a certas regras sociais.

Resultado: a gente começa a ter saudade daquela época em que éramos superpoderosos e plenamente amados sem precisar fazer nada para conseguir isso.

É aí que nasce o eu ideal…

Vamos continuar essa conversa na Confraria Analítica? Quem está na comunidade, receberá ainda hoje uma aula especial sobre a distinção entre eu ideal e ideal do eu.

Te vejo lá!


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

A Psicanálise é o melhor antídoto contra o fariseu que habita em nós

Na Psicanálise:

O suposto pessimismo pode se revelar como medo de assumir a responsabilidade pela própria história.

A suposta virtude pode se revelar como tesão disfarçado.

O suposto medo pode se revelar como ódio acovardado.

A suposta crítica imparcial pode se revelar como inveja da liberdade alheia.

A suposta preocupação com o outro pode se revelar como desejo de controle.

A suposta generosidade pode se revelar como desejo de ser amado.

A suposta preocupação com justiça social pode se revelar como ressentimento.

A suposta culpa pode se revelar como vaidade.

A suposta fé pode se revelar como medo de encarar a vida.

O suposto ciúme pode se revelar como desejo recalcado.

A suposta ordem pode se revelar como medo dos próprios impulsos inconfessáveis.

A Psicanálise é o melhor antídoto já inventado para combater o farisaísmo nosso de cada dia.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”