“Eu te amo, mas porque inexplicavelmente amo em ti algo que é mais do que tu — o objeto a” (Jacques Lacan)

Por que Lacan disse isso?

Sempre que vocês estiverem diante de um conceito que é aparentemente difícil de entender, tentem abordá-lo fazendo a seguinte pergunta:

— PARA QUE o autor precisou inventá-lo?

Sim, em tese conceitos não são criados aleatoriamente.

Eles são forjados como ferramentas que ajudam a compreender uma determinada realidade.

Pelo menos, deveria ser assim…Assumindo que essa minha premissa epistemológica está correta, vamos pensar:— Para que Lacan precisou inventar o conceito de objeto a?

Obviamente os exegetas da obra lacaniana poderiam citar inúmeros motivos, mas, do meu ponto de vista, um deles me parece facilmente observável.

Ao dizer que o objeto a funciona como causa do desejo, Lacan me parece estar propondo que, no fundo, por trás de todos os nossos desejos está o anseio por um objeto que a gente tem a impressão de que um dia teve, mas acabou perdendo.

E não é mais ou menos assim que acontece mesmo?

Pensa comigo: o que nos faz desejar, por exemplo, uma pessoa?

Ok, você poderá enumerar vários fatores físicos, psicológicos e até morais, mas concorda comigo que sempre está em jogo a expectativa de que essa pessoa lhe deixará satisfeito, feliz?

Então…Se é assim, a gente pode dizer que a causa do seu desejo pela pessoa não é exatamente a pessoa em si, mas um objeto virtual que supostamente lhe proporcionaria felicidade eterna e que acidentalmente você conseguiu enxergar… na pessoa desejada.

Sacou?

Você deseja a pessoa, sim, mas a causa do desejo, isto é, aquilo que te faz desejar não é a pessoa em si, mas esse objeto supostamente satisfatório que não sai da sua cabeça desde que era bebê.

É como se a gente tivesse perdido um brinquedo quando criança e agora passasse a vida inteira tentando reencontrá-lo.

Só que é um brinquedo que a gente nem sabe que cor tem, se é grande ou pequeno, nada.

Tudo o que a gente sabe é que, quando o possuíamos, éramos felizes.

Aí, tem dia que a gente cai na ilusão de achar que ele está na pessoa X ou Y.

Do meu ponto de vista, o conceito de objeto a nos ajuda a pensar no caráter nostálgico que caracteriza o desejo neurótico.


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