A partir do dia 10/05/2021 (segunda-feira) começaremos a estudar na CONFRARIA ANALÍTICA o caso clínico de Dora, uma jovem histérica de 18 anos, atendida por Freud e que abandonou o tratamento após apenas de 3 meses de terapia.
Quem era essa moça que ousou dizer não para Freud? Quais eram os seus sintomas? Como se estruturou sua neurose? Por que Freud fracassou na condução desse caso?
Essas são algumas das perguntas que buscaremos responder nos próximos meses ao longo de nossas aulas ao vivo, sempre às segundas-feiras às 20h.
Para participar dessa jornada de estudos, você precisa fazer parte da CONFRARIA ANALÍTICA. A Confraria é uma comunidade online para quem deseja estudar Psicanálise junto comigo de forma séria, rigorosa e profunda. Saiba mais clicando aqui.
Costumo dizer que existem basicamente dois tipos de situações que costumam levar as pessoas a procurarem terapia:
1 – Quando estão fazendo certas coisas que não gostariam, mas não conseguem deixar de fazer. Por exemplo: uma jovem que não dá conta de sair de um relacionamento abusivo.
2 – Quando não conseguem fazer determinadas coisas que gostariam. Por exemplo: um homem que não consegue se aproximar das mulheres por quem se interessa.
Em ambos os casos, trata-se da busca por uma MUDANÇA. A pessoa procura ajuda para sair de um ponto A de sofrimento para um ponto B de alívio e satisfação.
Por que será que muitas vezes não conseguimos fazer essas mudanças sozinhos e por que, mesmo em terapia, o processo de transformação não é fácil e não acontece da noite para o dia?
Em outras palavras, por que é tão difícil mudar?
A experiência clínica nos mostra que existem basicamente dois grandes motivos que explicam essa resistência que involuntariamente apresentamos às mudanças.
O primeiro deles é o que chamamos em Psicanálise de “ganho primário do sintoma”. O adoecimento emocional não se manifesta por acaso. Ele é inconscientemente produzido por nós mesmos como uma espécie de “solução” para determinados conflitos inconscientes. Por exemplo: o homem que se sente inibido diante das mulheres que deseja e não consegue interagir com elas pode estar, dessa forma, “solucionando” o conflito que vivencia em seu íntimo com o desejo de permanecer ligado eroticamente a sua mãe. Dessa forma, sua inibição o protege contra a “tentação” de trair o vínculo incestuoso com a figura materna.
O segundo motivo é o chamado “ganho secundário”. Trata-se de vantagens que a gente obtém no dia a dia e na relação com o outro graças ao fato de nos mantermos doentes. A moça que não consegue sair de um relacionamento abusivo, por exemplo, pode usufruir do fato de seu companheiro lhe proporcionar uma vida financeiramente confortável. Se ela terminasse com ele, deixaria de sofrer com suas humilhações e agressões, mas também perderia as vantagens materiais que a relação lhe oferece.
Ganhos primários e secundários fazem parte da vida de todos nós. Você consegue enxergá-los?
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Holding é a palavrinha em inglês que o psicanalista inglês Donald Woods Winnicott utilizava para se referir à função principal que os pais precisam exercer na vida de seus filhos durante a infância.
Essa palavra pode receber diversas traduções em português como sustentação, suporte, contenção ou o ato de segurar. Por essa razão, na Psicanálise costumamos utilizá-la em inglês mesmo.
Do que se trata?
Holding se refere ao conjunto de cuidados básicos que os pais oferecem à criança. Esses cuidados fornecem a ela uma base física e emocional para que possa se desenvolver e, ao mesmo tempo, protegem a criança de fatores externos que podem desvirtuar seu crescimento espontâneo.
O holding está presente, por exemplo, quando uma mãe percebe que seu bebê está com fome e o coloca em seus braços para amamentá-lo. Nessa singela experiência, a genitora está sustentando o bebê fisicamente (ao segurá-lo e dar a ele o leite) e também emocionalmente ao proporcionar à criança aconchego e satisfação. Ao mesmo tempo, a mãe está evitando que o bebê passe precocemente pela experiência da frustração, que ele ainda não pode tolerar.
Também podemos enxergar o holding na sábia atitude dos pais quando decidem poupar seus filhos pequenos de informações sobre seus problemas pessoais e conjugais. Dessa forma, ao “blindarem” as crianças, esses pais estão permitindo que elas possam continuar se desenvolvendo tranquilamente, sem a necessidade de trocarem o fluxo espontâneo da infância pela preocupação com “problemas de adultos”.
Quando a criança frequentemente não vivencia um ambiente marcado pelo holding, ela acaba tendo que “amadurecer” precocemente já que não pode contar com o suporte e a sustentação de seus cuidadores e acaba sendo confrontada indevidamente com situações que ainda não está pronta para enfrentar.
Coloquei a palavra amadurecer entre aspas porque não se trata de um amadurecimento genuíno. O sujeito amadurece por fora, ou seja, torna-se uma espécie de “mini-adulto”, mas, por dentro, permanece sendo a criança insegura e apavorada que foi precocemente chamada a voar quando ainda mal sabia caminhar…
Você acha que isso pode ter acontecido com você ou com alguém que você conhece?
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Neste vídeo: conheça as diferenças entre as três dimensões do pai em Psicanálise (real, imaginário e simbólico) e entenda a importância da função paterna para a entrada do sujeito no mundo propriamente humano caracterizado pelo desejo.
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Freud descobriu que a mente trabalha de forma semelhante. Ela recebe as experiências que a gente tem na vida, processa essas experiências, assimila aqueles pensamentos que considera úteis e tenta descartar o excedente. Os mecanismos de defesa se fazem presentes justamente na etapa de processamento. Na hora de definir quais ideias serão absorvidas e quais serão rejeitadas, a mente adota os parâmetros que foram nela instalados pelas pessoas significativas com as quais o sujeito conviveu e que exerceram a função de autoridade na vida dele (por exemplo: pai, mãe, professores, avós etc.).
Com base nos critérios que essas pessoas “injetaram” na nossa mente, a gente seleciona com que pensamentos vamos ficar e que pensamentos vamos “excretar”. O problema é que, diferentemente do que acontece com o funcionamento do aparelho digestivo, nós não podemos “defecar” experiências, ideias, pensamentos. Por mais que queiramos expurgá-los da nossa alma, eles continuarão presentes lá, como visitantes indesejados. É aí que entram os mecanismos de defesa: eles existem justamente para que possamos continuar vivendo sem nos incomodarmos com essas “fezes psíquicas”.
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Importante dizer que essas três palavras são os termos em latim para as expressões alemãs Es (isso), Ich (eu) e Über-Ich (acima-do-eu) que foram originalmente utilizadas por Freud.
Id (isso/Es) foi o nome que Freud deu para a nossa mente em sua versão ORIGINAL. Como assim, Lucas? Explico: no começo da vida, a nossa mente é basicamente composta por IMPULSOS que buscam descarga. Pense num bebezinho, por exemplo, ávido por saciar nos seios da mãe a sua fome e o seu tesão de chupar.
À medida que a gente vai crescendo e interagindo com as pessoas e a realidade, vai se construindo nessa mente original (que é o Id) uma espécie de “camada” dotada de autoconsciência, capacidade de suportar frustração, que pensa racionalmente, ou seja, que não busca descarregar cegamente os impulsos. Essa parte da mente mais ou menos adaptada à realidade é o que Freud chamou de ego (eu/Ich).
Lucas, mas depois que o ego se forma, o id deixa de existir? Não. O id permanece sendo a dimensão primitiva, impulsiva, selvagem da nossa mente, mas que agora sofre a oposição do seu filho ego, já que esse trabalha com os critérios da realidade e da sociedade, os quais, frequentemente se opõem à satisfação imediata dos impulsos do id.
E o superego (acima-do-eu/Über-Ich)? Se o ego é uma parte do id original, o superego é uma parte do ego. Esse, por sua vez, é construído com base na identificação do sujeito com pessoas com quem convive (“Tal pai, tal filho”). Só que dentre essas pessoas, existem algumas que exercem AUTORIDADE sobre a criança, ou seja, pessoas que estão ACIMA dela. Tais autoridades ganharão um lugar especial na formação do seu ego. Esse lugar especial é o superego. Dito de forma simples: o superego é o produto da internalização das figuras de autoridade no ego. Mas tem um detalhe: a gente só internaliza o aspecto vigilante, ameaçador e punitivo dessas figuras de autoridade. Por isso, o superego funciona não exatamente como um pai, mas como um CARRASCO do ego.
E aí, essa explicação te ajudou a entender melhor esses conceitos?
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É o pai o responsável por ajudar a mãe a reconhecer que aquela sensação de completude que ela vivencia é ilusória e que ela possui outros interesses para-além do bebê. Só que o pai que faz isso não é o pai real, o genitor de carne e osso, mas, sim, o pai simbólico. O pai real pode até encarnar essa função simbólica (e frequentemente o faz), mas o agente da separação não é ele enquanto “pessoa física”.
Uai, Lucas, por que não é ele? Não é o pai real que literalmente separa a criança da mãe quando a procura para fazer sexo, por exemplo? Sim, mas a separação entre a criança e mãe necessária para o desenvolvimento psíquico saudável do sujeito não é essa separação física; trata-se de uma separação… simbólica. O que isso significa? Significa que essa separação precisa acontecer na dimensão do significado que a criança tem para a mãe e no significado que a mãe tem para ela. A mãe precisa passar a considerar a criança não mais como um símbolo daquilo que lhe tornaria completa e a criança precisa olhar para a mãe não mais como o símbolo do paraíso, da satisfação plena.
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Assinalo que esses são apenas alguns dos principais traços que caracterizam a estrutura histérica. Existem vários outros sobre os quais podemos refletir em outro momento.
1 – RESSENTIMENTO: O sujeito histérico não conseguiu admitir o fato de que ninguém possui o falo, ou seja, o fato de que todo o mundo é faltoso, carente, incompleto, vulnerável. O histérico trabalha com a crença inconsciente de que existem pessoas inteiramente satisfeitas, poderosas, inabaláveis e de que ele faz parte do grupo daqueles que foram injustamente privados dessa plenitude. Na mulher, esse traço se manifesta amiúde no sentimento constante de estar sendo injustiçada e no homem apresenta-se na preocupação excessiva com sua virilidade (“Será que sou um homem de verdade?”).
2 – SUBMISSÃO AO DESEJO DO OUTRO: Como o sujeito histérico se sente injustamente prejudicado e privado de fazer parte do grupo dos poderosos, completos e inabaláveis, ele tende se colocar de maneira infantil diante do outro a quem atribui esse lugar de superioridade. De fato, o histérico encara esse outro como o detentor de todos os segredos e como aquele que sabe o que é melhor para ele (histérico). Por isso a hipnose funcionava tão bem com as histéricas do século XIX e é também por essa razão que os homens histéricos estão constantemente se lamentando por não serem como o fulaninho, a quem atribuem o status de “homem de verdade”.
3 – IDENTIFICAÇÃO FÁLICA: Outra crença inconsciente sempre presente no sujeito histérico é a de não ter sido suficientemente amado quando criança, de não ter ocupado juntos aos pais (especialmente a mãe) o lugar de falo, ou seja, de objeto ideal do desejo deles. Assim, o histérico passa a vida tentando exercer essa função fálica, só que agora para outras pessoas. É por isso que os histéricos tendem a ser sedutores: querem ser o tempo todo desejados, colocados no lugar de objeto privilegiado do outro. Excesso de ciúme e submissão a humilhações na tentativa de recuperar o amor do outro podem ser algumas das formas de manifestação desse traço em ambos os sexos.
Ao observar esses três traços, vem à sua mente a imagem de alguma pessoa específica? De você mesmo? 😅
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Primeira coisa que você precisa saber: “objeto a” foi um conceito criado pelo psicanalista francês Jacques Lacan (1901-1981).
Segunda coisa que você precisa saber: o conceito de objeto a não possui um referente concreto, como o conceito de “garrafa”, por exemplo. Você pode olhar para uma Coca-Cola de 600ml e dizer: “Veja, eis uma garrafa”, mas não poderá fazer o mesmo com o objeto a. Não tem como ver, tocar ou experimentar o objeto a. Trata-se de um conceito ABSTRATO, como os números. Apesar de utilizar expressões como “Comprei cinco laranjas”, você nunca viu O NÚMERO 5 EM SI. Então, o conceito de objeto a precisa ser pensado com base nessa mesma lógica, combinado?
Beleza. Então, vamos lá:
Por que Lacan precisou criar o conceito de objeto a?
Há várias maneiras de responder a essa pergunta. Eu optarei pela que considero a mais simples: Lacan inventou o conceito de objeto a para nomear algo já presente na teorização freudiana.
Com efeito, Freud demonstrou que nossos impulsos (sexuais e agressivos) procuram ser satisfeitos, ou seja, descarregados. Para alcançar essa meta, eles UTILIZAM objetos, mas a natureza desses objetos é pouco relevante do ponto de vista deles. Tanto faz se for homem, mulher, comida, sapato. O mais importante para os impulsos é a obtenção de descarga.
Freud mostrou, portanto, que, embora precise haver objetos para que os impulsos possam ser satisfeitos, esses objetos são variáveis. Portanto, os impulsos não estão vinculados a objetos específicos, mas precisam de algo que exerça para eles a FUNÇÃO DE OBJETO. Pois bem! Olha aí: “objeto a” foi justamente o nome que Lacan deu para essa função, esse lugar, que pode ser ocupado pelos mais diversos objetos concretos.
É como se nossos impulsos fossem mendigos com uma latinha vazia na mão dizendo para o mundo: “Por favor, me deem qualquer coisa para encher minha latinha. Qualquer coisa serve desde que a preencha!”. A latinha, nessa analogia, seria o objeto a. É justamente por ele ser, tal como a latinha, um lugar virtualmente vazio que faz nossos impulsos serem atiçados. Por isso, Lacan dizia que o objeto a é a causa do desejo.
Esta singela postagem ajudou você a compreender esse conceito?
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O Inconsciente é constituído basicamente por ideias, pensamentos, raciocínios.
Mas são pensamentos relacionados a quê? Quais são os assuntos que servem de tema para as “cogitações” do Inconsciente?
Esses assuntos são as nossas FANTASIAS INFANTIS INCONSCIENTES. Trata-se de determinadas “crenças” que construímos na infância sobre algo que aconteceu e/ou que necessariamente acontecerá.
Por exemplo: uma mulher pode ter construído na infância a fantasia de que jamais seria capaz de se destacar porque sua irmã ocupou todo o espaço disponível diante do olhar dos pais. Essa mulher sente que não há lugar para ela no palco, apenas na plateia. Por isso, reprime o prazer de se exibir, de se destacar, de aparecer e passa a gozar com o tesão voyeur de ficar contemplando invejosamente a vida da irmã. Ela não se maquia, não se arruma, está sempre se escondendo, querendo passar desapercebida pela existência. Por quê? Porque, inconscientemente, ela nutre a fantasia de que somente a irmã pode ser protagonista.
Outro exemplo: um homem pode ter desenvolvido a fantasia de que não pode retirar a mãe do lugar de “mulher principal” da vida dele, pois, do contrário, o que seria dela, pobrezinha? Em função dessa fantasia, o indivíduo não consegue se relacionar com apenas uma mulher; ele nunca consegue ser fiel a nenhuma das suas parceiras. Não se trata apenas de uma falha moral. A questão é que, ao trair suas namoradas e esposas, ele deixa claro PARA SI MESMO que nenhuma delas é suficientemente especial para destronar a mãe, a única mulher a quem é, de fato, fiel.
As fantasias inconscientes, portanto, condicionam nossa realidade, funcionando como uma espécie de enredo escrito por nós mesmos e que somos obrigados a ENCENAR.
Refletindo sobre os exemplos acima, você consegue especular sobre alguma fantasia que possa estar direcionando sua vida? Se sim, coloque uma piscadinha 😉 nos comentários.
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1 – Além de psicanalista, Donald Woods Winnicott era também pediatra. A experiência no cuidado de bebês e crianças de colo deu a ele a oportunidade de entrar em contato com fenômenos que ocorrem em etapas muito precoces do desenvolvimento, os quais não puderam ser descritos e analisados por Freud, já que o pai da Psicanálise só trabalhava com adultos.
2 – Embora não rejeite a teoria do desenvolvimento psicossexual freudiana, Winnicott não enfatiza o papel dos impulsos sexuais e do complexo de Édipo na formação da personalidade. O foco do psicanalista inglês está voltado para uma dimensão muito mais básica da subjetividade que tem a ver com as experiências de sermos nós mesmos, de termos um corpo próprio e de estarmos inseridos na realidade.
3 – Winnicott tem dificuldade de admitir a existência de uma pulsão de morte, tal como Freud supunha. Para ele, os fenômenos que indicariam a existência desse instinto autodestrutivo seriam, na verdade, formas reativas que o sujeito encontrou para se defender de perigos imaginários derivados do mau acolhimento proporcionado pelo ambiente.
4 – Ambiente, aliás, é um dos termos mais importantes para se compreender o pensamento de Winnicott. Diferentemente de Freud, que dava mais ênfase aos fenômenos que acontecem dentro do sujeito, o psicanalista inglês volta seu olhar para o papel que o ambiente, especialmente na infância, exerce sobre o desenvolvimento da pessoa. Para ele, o adoecimento emocional está sempre associado à relação com um ambiente pouco acolhedor, invasivo ou negligente.
5 – A dificuldade que Winnicott tem para aceitar o conceito freudiano de pulsão de morte tem a ver também com o fato de ele acreditar, à luz de sua experiência como médico de crianças, que todos nós somos animados por uma tendência inata para a saúde, ou seja, para ele a gente nasceria querendo crescer, se expandir, amadurecer. Só deixaríamos de buscar a saúde em função de um eventual mau acolhimento do ambiente.
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Uma pessoa me fez essa pergunta na caixinha dos stories do Instagram.
Como muitos seguidores consideraram a resposta relevante, decidi compartilhá-la aqui no feed também a fim de alcançar outras pessoas.
Para explicar o funcionamento da Psicanálise para um paciente que nunca fez terapia, creio ser apropriada a seguinte analogia:
“Imagine [você, analista, está falando com o paciente] que a terapia é uma longa viagem que nós dois faremos juntos de carro.
É uma viagem diferente, pois a gente não sabe exatamente onde vai chegar; o mais importante é a jornada que faremos juntos.
Quem irá dirigir o carro? Você. Sim, pode parecer estranho que seja você, o paciente, a guiar esse processo, mas, confie em mim: é melhor assim.
Bem, isso significa que eu, como terapeuta, estarei no banco do carona, certo? Mas, não se preocupe: eu não vou ficar dormindo (aqui pode entrar uma leve risada). Eu vou funcionar para você como uma espécie de copiloto.
Durante a viagem, a sua tarefa é bem simples: você só tem que guiar o carro para onde quiser e ir descrevendo para mim o que está vendo à frente e ao redor.
Não, não temos um mapa. Esta é a graça desta viagem. Não existe um trajeto planejado. É você quem decide para onde a gente vai.
E eu, o que farei? Como disse, eu serei meio que um copiloto. De vez em quando, eu vou pedir para você fazer a volta para a gente passar de novo por certos lugares e vou chamar sua atenção para certas coisas que passaram batido pelo seu olhar.
Confie em mim: enquanto a gente faz essa viagem, pouco a pouco esse sofrimento todo que te fez vir aqui vai passar.
Talvez, depois de um tempo, você queira estacionar o carro, mas é possível também que goste tanto da viagem que não queira mais parar de dirigir.”.
E aí, o que você achou da analogia? Você, analista, costuma utilizar outras comparações como essa com seus pacientes?
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Formação reativa é um mecanismo de defesa, ou seja, uma operação mental que nós empregamos para nos protegermos de certas coisas que estão dentro de nós.
Que coisas são essas? São desejos, impulsos, fantasias, memórias, pensamentos que entram em choque com a imagem que queremos ter de nós mesmos.
Por exemplo:
Uma moça desenvolveu na infância um prazer enorme em ser vista pelas outras pessoas. Naquela época, ela adorava ser o “centro das atenções” e se perceber como fonte de prazer para o olhar do outro.
Contudo, conforme ia crescendo, essa moça ouvia da parte dos pais e de outras pessoas importantes para ela que é errado gostar de se exibir, que isso é coisa de gente “sem vergonha” e que uma mulher deveria ser sempre contida e recatada.
O que aconteceu, então?
Ora, essa moça passou a olhar para sua tendência exibicionista com maus olhos, como um defeito. Afinal, quer fazer jus à imagem ideal de mulher que o Outro espera dela.
Mas como ela vai conseguir isso já que gosta tanto de se mostrar?
É aí que entram os mecanismos de defesa. Por meio deles, a gente consegue se autoenganar, fingindo para nós mesmos que nunca gostamos daquelas coisas que são incompatíveis com nosso eu ideal.
A formação reativa é um mecanismo de defesa que consiste em evitar o contato com as coisas incompatíveis por meio da apresentação exagerada de uma tendência oposta a elas.
Não entendeu? Deixa eu voltar para o nosso exemplo que vai ficar mais claro. Veja:
Se a moça exibicionista fizesse o uso da formação reativa ela poderia se tornar uma pessoa extremamente pudica, tímida e acanhada, ou seja, adotar uma postura completamente oposta ao seu desejo de se exibir. Dessa forma, tanto os outros quanto ela mesma jamais iriam desconfiar que, na verdade, ela tem um tesão enorme em se mostrar.
Você consegue perceber a presença da formação reativa na sua vida ou no comportamento de outras pessoas?
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Neste vídeo: entenda o que é a associação livre, no que ela se diferencia da fala cotidiana e por que Freud escolheu essa técnica.
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