Por que os obsessivos se sentem superpoderosos?

— Racionalmente eu sei que uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas não consigo ficar tranquilo enquanto não converso com ela.

Essa foi uma das falas mais marcantes de Marcelo em sua primeira sessão de análise.

Pouco antes, o rapaz de 25 anos havia dito que, após se tocar no banheiro, fica sempre com a sensação de que alguma coisa ruim acontecerá com sua mãe.

Esse mau presságio só sai de sua cabeça depois que fala com ela e se certifica de que estava bem.

O problema é que, às vezes, Marcelo se toca quando a mãe não está em casa e pode não atender o telefone.

Resultado: até conseguir fazer contato, o rapaz fica imaginando que ela pode ter sofrido os mais diversos infortúnios.

Certa vez, Marcelo chegou a pensar que a mãe poderia ter morrido, o que lhe gerou uma crise de pânico que demorou a passar — mesmo tomando ansiolítico.

Foi depois desse dia que ele tomou a decisão de fazer terapia.

O rapaz não aguenta mais sofrer por conta de um pensamento que ele mesmo sabe que não faz sentido.

O aspecto autopunitivo do sintoma obsessivo de Marcelo salta aos olhos até de quem é leigo.

É evidente que a ideia de que algo de ruim pode acontecer com a mãe é fruto da autocondenação por se tocar.

No entanto, para além desse conteúdo, a FORMA do sintoma também é um aspecto que merece ser explorado.

Marcelo sente que uma ação sua, íntima, feita de modo completamente privado, tem o poder mágico de mexer, à distância, com a vida da mãe.

Sándor Ferenczi, psicanalista húngaro, contemporâneo de Freud, chamou essa crença absurda, tipicamente obsessiva, de “sentimento de onipotência”.

E no texto “O desenvolvimento do sentido de realidade e seus estágios”, o autor mostra a origem dessa tendência dos obsessivos de se acharem superpoderosos.

Eu comentei os trechos desse artigo em que Ferenczi nos brinda com tal explicação numa aula que acaba de ser publicada na CONFRARIA ANALÍTICA.

O título dela é: “LENDO FERENCZI 12 – O sentimento de onipotência do obsessivo” e está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – FERENCZI.

A Confraria é a maior e mais acessível escola de teoria psicanalítica do Brasil, com mais de 400 aulas, o que equivale a mais de 600 horas de conteúdo.

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O que você está buscando por meio do sofrimento?

De vez em quando a gente vê pessoas tendo comportamentos que parecem indicar que elas gostam de sofrer.

Aline está sempre se queixando do trabalho, mas não pede demissão mesmo tendo recebido várias propostas melhores de emprego.

Pedro sabe que passa mal sempre que bebe em excesso, mas enche a cara todo fim de semana.

Ana Paula é uma moça linda, que está num relacionamento péssimo, com um cara frio, tóxico, mas não consegue terminar.

De fato, à primeira vista, essas pessoas parecem ter um caso de amor com o sofrimento.

Afinal, nos perguntamos, por que elas continuam fazendo o que lhes causa dor, mesmo sendo capazes de não fazer?

Aline é livre para mudar de emprego. Pedro pode beber com moderação. Não há nenhum fator objetivo que impeça Ana Paula de terminar com o namorado.

Por que, então, essas pessoas simplesmente não mudam?

É a tal da “pulsão de morte”?

Não. Essa seria uma explicação simplista.

Dizer que um indivíduo parece desejar o sofrimento porque teria, em si, um impulso de autodestruição é, convenhamos, uma hipótese meio preguiçosa, né?

Aline, Pedro e Ana Paula também não são masoquistas. Pelo menos, não no sentido popular em que esse termo é usado. Nenhum deles obtém prazer com a dor.

Na verdade, a aparente busca dessas três pessoas pelo sofrimento é perfeitamente compreensível.

Mas você só conseguiria perceber isso depois de conversar um bom tempo com cada uma delas — conversar psicanaliticamente, diga-se de passagem…

Fazendo isso, você perceberia que Aline “precisa” permanecer no emprego que lhe faz sofrer porque encontrou nele um cenário perfeito para encenar inconscientemente dramas internos que ela tenta resolver desde criança.

Conversando psicanaliticamente com Pedro, saltaria aos seus olhos a constatação de que ele enche a cara todo fim de semana porque inconscientemente acha que precisa se punir (passando mal) como penitência por uma série de culpas.

E escutando, com ouvidos de analista, a história de Ana Paula, você veria que, inconscientemente, ela se enxerga como uma criança que não pode ficar sozinha. Por isso, permanece com o namorado, ainda que ele não seja uma boa companhia.

A exploração do que se passa no inconsciente dessas pessoas conferiria racionalidade à conduta aparentemente irracional de cada uma delas.

Para as três, o sofrimento não é o que desejam. Ele é apenas um MEIO para alcançarem o objetivo inconsciente que estão verdadeiramente buscando.

Aline quer solucionar suas questões infantis. Pedro quer expiar suas culpas. Ana Paula não quer se sentir desamparada.

E você, consegue vislumbrar os objetivos inconscientes que pode estar buscando por meio desse sofrimento no qual se mantém?


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Repressão na infância, baixa autoestima e autopunição

Uma jovem adulta chega à análise queixando-se de constantes crises de ansiedade.

Há mais de um ano ela terminou um namoro desagradável, insatisfatório, mas até hoje se pergunta se fez certo ao sair do relacionamento.

A moça tem um olhar muito negativo sobre si mesma, acha que é uma farsa…

Quando bate a ansiedade, se toca compulsivamente e depois se sente culpada e suja.

Na adolescência, sofreu diversas humilhações na escola.

Na infância, foi severamente repreendida ao explorar o próprio corpo.

Como tudo isso se articula?

De que forma a repressão vivida na infância pode ter moldado a autoimagem e o tipo de sofrimento psíquico apresentado por essa moça hoje?

Como a analista pode ajudá-la a sair de suas repetições e transformar sua relação consigo mesma?

Essas são algumas das perguntas que eu respondo na aula “ESTUDOS DE CASOS 24 – Repressão na infância, baixa autoestima e autopunição”, publicada hoje (sexta) na CONFRARIA ANALÍTICA, minha escola de formação teórica em Psicanálise.

Trata-se de mais uma aula do módulo ESTUDOS DE CASOS, em que comento casos clínicos reais que estão sendo conduzidos por alunos da Confraria.

Seja membro da nossa escola e libere o acesso imediato a essa aula e a todo o nosso acervo de mais de 600 horas de aulas sobre Psicanálise.


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Você ainda tem dentro de si uma criança traumatizada?

No início do livro “Natureza Humana”, o psicanalista inglês Donald Winnicott afirma o seguinte:

“[…] a saúde da psique deve ser avaliada em termos de crescimento emocional, consistindo numa questão de maturidade.”

E acrescenta:

“O ser humano saudável é emocionalmente maduro tendo em vista sua idade no momento”.

Esses trechos estão na página 30 da edição da obra publicada pela Imago em 1990.

Obviamente as afirmações de Winnicott podem ser problematizadas por aqueles que não compartilham da visão desenvolvimentista do autor.

Penso, porém, que tais ideias podem iluminar o nosso olhar para a compreensão de muitos casos de adoecimento emocional que encontramos na clínica.

De fato, não raramente temos a impressão de que a fonte primordial dos sintomas de muitos dos nossos pacientes é uma dimensão de sua personalidade que não amadureceu.

De repente, você está ali diante de um empresário de 50 anos, que chefia uma empresa com vários funcionários, mas sofre com pensamentos intrusivos que são claramente de ordem infantil.

Por exemplo, o pensamento de que não vai conseguir sobreviver se for deixado pela esposa com quem vem tendo diversos conflitos.

Ora, se uma criança de três anos chega para você e diz que ela tem muito medo de perder os pais porque não sabe quem irá cuidar dela se isso acontecer, você encara essa afirmação com certa naturalidade.

Afinal, uma criança de três anos depende muito do cuidado dos pais para sobreviver e mesmo que se lhe diga que, na ausência deles, a família extensa a acolherá, o medo de perder os genitores permanece sendo perfeitamente compreensível.

O mesmo não pode ser dito do medo de um homem de 50 anos de não conseguir suportar a falta de sua esposa.

Obviamente, é compreensível que ele tenha medo de perdê-la, mas achar que não vai dar conta de sobreviver sem ela não é um pensamento… adulto.

Tenho por certo que todos nós concordamos com a afirmação de que um adulto saudável não deveria NECESSITAR de outra pessoa específica.

Portanto, em casos desse tipo, a tese winnicottiana de que saúde é sinônimo de maturidade pode ser aplicada.

Com efeito, o paciente que tomamos como exemplo, sofre fundamentalmente porque uma parte da sua personalidade ainda não amadureceu.

O cara cresceu, namorou, casou, teve filhos, se formou, abriu uma empresa, tem uma vida aparentemente “normal”, mas uma parte dele ainda é aquele bebê traumatizado que ele um dia foi.

— Bebê traumatizado, Lucas?

Sim. São justamente os traumas que, por serem experiências insuportáveis, fazem a criança se dividir psiquicamente em duas: uma parte machucada, que se fixa ao trauma, esperando reparação, e outra que engole o choro e segue a vida.

O desafio do processo terapêutico nos casos em que essa dinâmica está presente é o de acolher a parte infantil machucada e escutá-la.

Esse procedimento funciona como um substituto simbólico para a reparação que, evidentemente, nunca virá.

É o suficiente para que a dimensão infantil abandone sua fixação ao trauma e se reintegre ao processo de amadurecimento.

Quando a criança traumatizada é ouvida, ela pode finalmente crescer.


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Os psicanalistas tratam as ideias de Freud como dogmas?

A popularização das redes sociais fez surgir um tipo muito curioso: o sujeito que se orgulha de exibir a própria ignorância.

Esse é o perfil daqueles profissionais de saúde mental que, volta e meia, fazem vídeos dizendo besteiras como:

“A Psicanálise não evolui.”

“Os psicanalistas continuam trabalhando do mesmo jeito que seus precursores de cem anos atrás.”

“Na Psicanálise, as proposições de Freud são tratadas como dogmas.”

Quem fala esse tipo de coisa está passando vergonha, pois revela uma lacuna intelectual que deveria ser mantida ao abrigo do olhar público.

Trata-se, todavia, de uma falta de conhecimento que poderia ser facilmente superada se tais fanfarrões calçassem as sandálias da humildade e fizessem parte da Confraria Analítica, minha escola de formação teórica em Psicanálise.

Sim, porque tendo acesso às nossas mais de 600 horas de aulas sobre teoria psicanalítica, esse pessoal jamais continuaria repetindo tanta bobagem.

Na Confraria, faço questão de mostrar aos alunos que, embora Freud seja um autor fundamental por ter estabelecido as bases do campo psicanalítico, muitas de suas formulações foram não só criticadas, mas até refutadas por outros autores.

É o caso, por exemplo, da conhecida teoria do desenvolvimento libidinal (fase oral, fase an4I, fase fálica etc.).

O psicanalista húngaro Michael Balint, já em 1935 (Freud ainda era vivo), ousou dizer que essa teoria era fundamentalmente falsa e que as tais fases seriam, na verdade, posições defensivas adotadas por algumas crianças como respostas a experiências traumáticas.

Balint teve a audácia de re-examinar o caso do Homem dos Lobos e dizer que Freud estava errado na leitura que fizera de certos eventos da infância do paciente.

Isso, repito, já em 1935!

Como, então, podem parar de pé afirmações do tipo “a Psicanálise não evolui” e “os psicanalistas tratam as ideias de Freud como dogmas”?

Se você quiser saber mais sobre as críticas de Balint à clássica teoria do desenvolvimento libidinal, assista à aula inédita publicada nesta sexta na Confraria.

O título dela é: “A crítica de Balint à teoria do desenvolvimento libidinal” e já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – TEMAS VARIADOS da Confraria.

Assine aqui.


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Será que seu medo é só uma máscara para um desejo?

Normalmente, nossos pensamentos e os sentimentos que os acompanham estão conectados de forma adequada.

Por exemplo: se eu pedir que você pense em sua melhor amiga e lhe perguntar o que sente ao fazer isso, provavelmente sua resposta será algum afeto positivo como ternura, carinho etc.

Da mesma forma, 99% de vocês diriam que sentem asco, nojo, repugnância ao se imaginarem num restaurante comendo um prato enorme de… fezes.

— Ah, Lucas, mas isso é óbvio. Por que você está tomando meu tempo para falar de banalidades?

Calma. Isso foi só uma introdução.

Meu objetivo aqui é falar sobre as situações em que há uma desconexão entre pensamentos e afetos. Conhecê-las pode te ajudar a pensar melhor sobre si.

Quando certos pensamentos entram em conflito com nosso ego (a imagem que queremos — ou suportamos — ter de nós mesmos), um dos mecanismos de defesa que utilizamos para proteger essa imagem é o RECALQUE.

Inicialmente, Freud achou que ele consistia simplesmente em tirar o pensamento perturbador do alcance da consciência.

Porém, a experiência clínica foi mostrando que este é apenas um dos desfechos possíveis do recalque.

Na verdade, a operação fundamental desse mecanismo é o rompimento da ligação original entre pensamento e afeto.

Essa desconexão, em si, é suficiente para proteger o ego.

Ou seja, o pensamento não precisa necessariamente ser deletado da consciência. Basta separá-lo do sentimento que o acompanhava.

Por exemplo: vamos supor que você teve uma briga feia recentemente com seu pai e lhe passou rapidamente pela cabeça a ideia de que seria bom que ele morresse.

Incapaz de suportar esse pensamento, você automaticamente o recalcou, ou seja, desconectou a ideia da morte do pai do sentimento que a acompanhava no momento (ódio).

Separado do pensamento original, o ódio pode se vincular a outra ideia, por exemplo, à de um influenciador digital, levando você a se tornar a mais nova hater do sujeito em questão…

Já o pensamento sobre a morte do pai pode permanecer na consciência, acompanhado, agora, não mais pelo ódio, mas pelo MEDO.

Você passa a se preocupar exageradamente com a saúde de seu pai, liga todos os dias para saber se ele está bem, fica aflita quando ele faz uma viagem de carro…

A ideia de que seu pai poderia morrer não sai da sua cabeça, mas, agora, ao pensar nela, você não se vê como uma pessoa que QUER que isso aconteça (autoimagem insuportável), mas como alguém que busca justamente evitar tal desfecho.

Se essa preocupação excessiva começa a atrapalhar seu sono e seu dia a dia, de repente você pode decidir fazer terapia.

Se o terapeuta for cognitivo-comportamental, ele provavelmente vai tentar te ajudar a se convencer de que esse medo exagerado de que seu pai morra não tem fundamento na realidade, que é só um conjunto de “pensamentos automáticos” nutridos pela ansiedade.

Mas se o terapeuta for psicanalista, ele te ajudará a traçar a HISTÓRIA dessas preocupações, reconstruindo as ligações que foram desfeitas pelo recalque.

E então você perceberá que o verdadeiro objeto do seu medo não é a morte do pai, mas a imagem de si como filha que um dia desejou isso.


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O que te mantém em seu relacionamento?

O que leva uma pessoa a se interessar por outra, do ponto de vista amoroso, costumam ser algo muito superficial:

Aparência física, modo de conversar, estilo, traços de personalidade, status social etc.

Por outro lado, o que faz com que duas pessoas estabeleçam e mantenham um laço amoroso consistente são motivos mais profundos.

E justamente por serem dessa ordem, tais elementos não são facilmente visíveis. Só conseguimos vislumbrá-los mediante uma análise franca e cuidadosa.

Você pode até ter se interessado por seu marido por achá-lo atraente, mas o que te mantém na relação tem muito mais a ver com você do que com ele.

Uma das principais razões pelas quais vocês estão juntos pode ser o fato de que ele possui aspectos que você gostaria de ter, mas não consegue.

Você pode ser, por exemplo, uma pessoa extremamente passiva, boazinha, que aceita tudo e ele, em contrapartida, ser temperamental, caprichoso, rígido.

A assertividade e firmeza que faltam em você estão presentes nele em excesso.

Sim, a sabedoria popular está certa: os opostos se atraem.

Não raramente, nos vinculamos a pessoas que supostamente nos “completam” por encarnarem elementos que nos faltam.

Mas podemos também consolidar relacionamentos com parceiros que representam aquilo que FALTOU em nossa história de vida.

De repente, você teve uma mãe que não lhe dava muita atenção. Talvez ela trabalhasse muito, talvez ela simplesmente não quisesse ter sido mãe. Acontece.

E aí, carente da atenção materna, o que você faz? Inconscientemente, procura alguém que não tirará os olhos de cima de você.

Você gostou da sua namorada logo de cara porque ela era bonita, interessante, gostava das mesmas coisas que você, mas…

O que te fez CONTINUAR na relação foi o fato de que essa moça te deu o que sua parte infantil ainda pedia para mamãe: olhar, atenção…

O problema é que ela te olha até demais, né? E você, que na infância se sentia invisível, não reconhecido, agora se sente… controlado.

“Cuidado com o que desejas…”, diz o provérbio judaico.

— Tem como evitar que isso aconteça, Lucas?

Complicado… Até porque, sem terapia, dificilmente a gente reconhece nossas carências. Então, naturalmente somos guiados por elas.

Mas nem tudo está perdido.

Fazendo análise, podemos repensar as eventuais escolhas compensatórias que fizemos e decidir, com mais consciência, se queremos mantê-las ou abandoná-las.


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Nem todo mundo vive as festas de fim de ano com alegria

Estamos nos aproximando daquela época do ano que teoricamente deveria ser fonte de alegria, mas que muita gente vivencia com certo mal-estar.

É o período das chamadas “festas de fim de ano”, Natal e Réveillon.

Na caixa de um famoso panettone com gotas de chocolate se lê: “O Natal é tempo de estar em família…”.

Na televisão circulam anúncios de programas especiais e se repete aquela velha musiquinha que ninguém suporta mais: “Hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa…”.

Alegria, celebração, confraternizações, euforia. Por toda parte.

Quem não compartilha desse clima festivo pode se sentir um peixe fora d’água:

“O que há de errado comigo? Por que não consigo ficar tão feliz como todo mundo?”.

Não, não é só você, meu caro, minha cara.

Existe toda uma multidão de pessoas que não recorre a essa defesa maníaca que a cultura nos convida a utilizar nestes últimos dias do ano.

— Defesa maníaca, Lucas? Como assim?

Defesa maníaca é como chamamos, em Psicanálise, o uso da alegria, da animação, da excitação para mascarar e compensar afetos dolorosos.

De fato, Natal e Réveillon são duas datas que tendem a evocar em nós memórias e constatações que não são nada agradáveis:

Os rituais natalinos de trocar presentes e se reunir em família evocam a infância que perdemos (ou que nunca tivemos).

Evocam também nossos inevitáveis (e às vezes traumáticos) problemas familiares.

O Réveillon, por sua vez, traz consigo a dolorosa constatação de que “o tempo está passando” e de que não sabemos o que o futuro nos reserva.

Pense, por exemplo, na passagem de 2019 para 2020. Desejamos “Feliz ano novo!” uns para outros sem ter a menor ideia de que uma pandemia estava para nascer.

Tudo isso faz com que seja bastante compreensível que muitas pessoas vivam esses últimos dias do ano com certa tristeza e uma boa dose de angústia.

É que talvez elas enxerguem o “lado b” desse período festivo — o que não as torna moralmente superiores, que fique bem claro.

Elas só não conseguem usufruir da defesa maníaca fornecida pela cultura.

Se você consegue, aproveite! Boas festas!

Se esse texto fez sentido para você, quero te dizer que eu aprofundo essa reflexão em uma aula recém-publicada na Confraria Analítica, intitulada “Natal e ano novo: gatilhos emocionais”.

Nela, eu falo com mais profundidade sobre como as festas de fim de ano podem funcionar como gatilhos para afetos dolorosos que muitas vezes ficam encobertos por esse clima de euforia socialmente esperado.

Também abordo o que costuma acontecer na relação entre pacientes e terapeutas nesse período em que muitos profissionais entram em recesso, e como esse intervalo pode reativar fantasias de abandono, dependência ou rejeição.

Por fim, discuto a função defensiva das chamadas “resoluções de ano novo” e por que, na maioria das vezes, elas não funcionam.

Ao assinar a Confraria Analítica, você tem acesso imediato a essa aula e a um acervo com mais de 600 horas de conteúdo em teoria psicanalítica, pensado para quem quer compreender melhor a si mesmo e aos outros, sem respostas fáceis e sem promessas vazias.


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Seu relacionamento tem ambiente e objeto ou só um dos dois?

Responda rápido: quem foi a primeira pessoa que você amou na vida?

Se você não respondeu “minha mãe”, sua resposta está errada.

Sim, a primeira pessoa que todos nós amamos na vida é a mãe (ou aquela que faz a função materna).

Não tem como ser diferente, gente. É natural que estabeleçamos um vínculo de amor com a pessoa que inicialmente assegura nossa sobrevivência.

É a mãe (ou figura materna) que nos alimenta, nos protege do frio, nos dá colo etc. É praticamente inevitável que amemos essa pessoa.

Para os chatos de plantão: é claro que o pai também pode fazer tudo isso, mas, via de regra, é a mãe quem se encarrega de tais funções — sobretudo nos primeiros meses.

— OK, Lucas, mas por que você está nos lembrando dessas obviedades?

Porque eu quero chamar sua atenção para um fato que não é tão óbvio assim… Veja:

Se a figura materna é a primeira pessoa que a gente ama, isso significa que o vínculo com ela servirá de base, de modelo, para nossas relações amorosas posteriores.

Não, não estou me referindo ao velho clichê de que você vai se apaixonar por pessoas parecidas com sua mãe. Pode acontecer, mas não é disso que estou falando.

O ponto é que certos aspectos estruturais presentes no vínculo inicial com a mãe tendem a reaparecer nas relações com nossos parceiros ou parceiras.

Vou citar um desses aspectos: a dupla função que a mãe exerce junto ao bebê.

O psicanalista inglês Donald Winnicott descobriu que a mãe é, ao mesmo tempo, objeto e ambiente para seu filho.

Enquanto objeto, ela se oferece ao bebê para ser sugada, mordida, imaginariamente atacada, ou seja, como um alvo dos impulsos dele.

Já como ambiente, a mãe se apresenta como um contexto que fornece (ou não) segurança, previsibilidade, rotina etc.

Ora, nossos parceiros e parceiras tendem a exercer exatamente esses dois papéis conosco:

Por um lado são objetos com os quais saciamos nossos desejos. Por outro, constituem um ambiente no qual nos sentimos acolhidos e seguros.

Vários problemas comuns nos relacionamentos acontecem justamente quando o parceiro não exerce uma dessas funções.

Aí surgem os clássicos:

A pessoa que é um objeto extremamente excitante, mas zero ambiente confiável. Ou aquela que é um ambiente super acolhedor, mas não se coloca como objeto de desejo.

As relações que costumam funcionar melhor — em que ambos se sentem suficientemente satisfeitos (suficientemente!) — são aquelas nas quais cada um consegue, a seu modo, ocupar os dois lugares para o outro.

Isso acontece no seu relacionamento? Ou por aí tá faltando espaço para alguma dessas funções?

***

Na aula temática desta sexta na Confraria Analítica, vamos aprofundar a distinção que Winnicott faz entre mãe-ambiente e mãe-objeto e entender como essa diferença continua moldando nossos relacionamentos na vida adulta.

Para ser meu aluno na Confraria, é só clicar aqui.


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Karen não era tímida. Ela tinha medo de ser engolida pelo outro.

Karen, uma jovem economista de 26 anos, sempre teve muita dificuldade para interagir com as pessoas.

Ela não é exatamente tímida. Faz apresentações em público, se expõe nas redes sociais… O problema dela não está na exposição, mas na relação.

Uma simples conversa com um vendedor numa loja já a deixava tensa e ansiosa. Por isso, preferia comprar tudo online.

Karen tem algumas poucas amigas, mas raramente sai com elas, limitando o contato praticamente à internet.

Insatisfeita com seu jeito de ser, resolveu fazer terapia cognitivo-comportamental.

A psicóloga a diagnosticou com “transtorno de ansiedade social”, a encaminhou para um psiquiatra e iniciou um “treino de habilidades sociais”.

Após quatro meses, Karen decidiu abandonar o tratamento, pois não se sentia melhorando.

Pelo contrário: o tal “treino” a deixava ainda mais ansiosa, pois se sentia cobrada a apresentar resultados.

Algumas semanas depois, encontrou no Instagram o perfil de outra psicóloga que trabalhava com Psicanálise e decidiu marcar uma consulta.

Deu certo.

Apesar do desconforto inicial com a postura mais reservada da profissional, Karen foi, aos poucos, se sentindo à vontade.

As intervenções da analista davam a ela a sensação de que, finalmente, alguém havia compreendido o que realmente acontecia.

— Tenho a impressão de que, ao interagir, você sente inconscientemente que será engolida, dominada, invadida pelo outro, Karen — disse certa vez a terapeuta.

Essa profissional havia conseguido enxergar a ansiedade básica que estava por trás da dificuldade de interação da paciente.

Tratava-se de uma ansiedade de invasão/intrusão, um medo inconsciente de ser sufocada pelo outro e perder a autonomia e a capacidade de desejar.

Encorajando Karen a elaborar essa ansiedade, a psicóloga conseguiu ajudar a moça a ir pouco a pouco perdendo naturalmente a dificuldade de interagir.

Sem treino.

A ansiedade de invasão/intrusão é apenas um dos sete tipos principais de ansiedades básicas que encontramos na clínica.

Eu explico didaticamente cada um deles na aula publicada hoje na Confraria Analítica, minha escola de formação teórica em Psicanálise.

O título da aula é “Tipos de ansiedade em Psicanálise” e ela já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – TEMAS VARIADOS.

Se você é analista ou terapeuta e quer aprender a identificar as ansiedades básicas de seus pacientes para ajudá-los de maneira mais efetiva, essa aula é para você.

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Quem nunca teve uma refeição completa se contenta com migalhas

No clássico artigo sobre o narcisismo, de 1914, Freud diz que os pais costumam tratar seus filhos, na infância, como “Sua Majestade o Bebê”.

Embora escrevesse em alemão, o autor grafou essa expressão em inglês (“His Majesty the Baby”) porque estava fazendo referência ao título de uma pintura.

Trata-se de um quadro de 1898, do artista canadense Arthur Drummond, que mostra a interrupção do tráfego de carruagens para a passagem de uma criança e sua mãe, que ocupam o centro da cena.

Freud evocou essa imagem ao falar da tendência que os pais têm de transferirem seu narcisismo para os filhos e, assim, tratá-los como as pessoas mais importantes do mundo.

De fato, grande parte das crianças tem a sorte de ocupar esse lugar de “majestades” no início da vida, usufruindo de uma série de privilégios e sendo amadas simplesmente por existirem.

É uma questão de sorte porque depende dos pais e, infelizmente, não são todos que conseguem colocar os filhos no centro de suas vidas durante algum tempo.

Freud não chegou a explorar essa possibilidade no texto, mas nós sabemos que muitas crianças não foram suficientemente bem instaladas na posição de “sua majestade, o bebê”.

E as consequências disso são desastrosas.

Quem nunca viveu — ou viveu de forma insuficiente — a experiência de se sentir a pessoa mais importante do mundo para os pais pode passar a vida inteira tentando saciar essa carência.

O problema é que essa experiência SÓ PODE ser vivida nos primeiros anos de vida e as únicas pessoas que podem oferecê-la são os pais.

Ou seja, se você teve o azar de não passar por ela, sinto muito, você nunca mais terá outra chance.

Sabe por quê?

Porque agora, já adulto, você não pode mais gozar dos privilégios de uma criança e ninguém (nem seus amigos, nem seus parceiros amorosos, nem seu analista, ninguém…) estará disposto a te amar como seus pais deveriam ter te amado no início da vida.

Então, trata-se de uma carência que precisa ser acolhida, compreendida, mas… estancada.

Quem a possui, mas ainda não percebeu a existência dela, vive num estado de muita vulnerabilidade:

A pessoa tem tanta fome de se sentir amada, de ocupar o centro da vida de alguém, que acaba aceitando qualquer mísera migalha de afeto e desejo.

É a vítima perfeita para os exploradores. Basta fazê-la se sentir um pouquinho especial que ela já se entrega totalmente ao domínio do outro.

O anseio frustrado (e não abandonado) de ser “majestade” para os pais leva a pessoa, paradoxalmente, a se tornar… uma serva do desejo alheio.

Este é o seu caso?


Lá na Confraria Analítica, minha escola de formação teórica em Psicanálise, nós já fizemos um seminário completo estudando o artigo de Freud sobre o narcisismo.

E todas as aulas estão disponíveis em nossa plataforma, que já conta com mais de 600 horas de conteúdo.

Ainda dá tempo de se tornar nosso aluno no plano anual com o super desconto de Black November.

Aproveite porque são os últimos dias da promoção.


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Ela sentia raiva do paciente — até descobrir o que isso dizia sobre ele

Vanessa ainda não tinha conseguido entender porque sentia tanta irritação ao atender Marcelo.

O rapaz tinha 27 anos e havia começado a terapia com uma demanda de timidez excessiva e pensamentos intrusivos.

Ele sempre fora tão gentil e educado no trato com Vanessa que a analista poderia descrevê-lo tranquilamente como “um amor de pessoa”.

Porém, o que ela sentia ao atendê-lo era… raiva. Às vezes tinha vontade de lhe dar uns safanões. “Esse cara precisa acordar para a vida!”, ela pensava.

Ao mesmo tempo, Vanessa se condenava por ter esse tipo de pensamento e por ficar tão irritada nas sessões.

A terapeuta achava que não estava conseguindo manter a neutralidade e cogitou até interromper a análise e encaminhar o paciente para uma colega.

No entanto, fazendo uma pesquisa na internet sobre contratransferência, a analista acabou encontrando o artigo “On Counter-transference”, de Paula Heimann.

Trata-se de um texto clássico, publicado em 1950, no qual a autora defende que os sentimentos contratransferenciais não são necessariamente um problema.

Pelo contrário! Segundo Heimann, eles podem fornecer pistas sobre o que está acontecendo no inconsciente do paciente.

Depois de ler o artigo, Vanessa refletiu longamente sobre o caso e chegou a uma conclusão que provocou uma virada radical no tratamento.

A analista se deu conta de que a raiva que sentia era, na verdade, uma expressão da agressividade que o próprio paciente não conseguia experimentar.

Incapaz de suportar seus impulsos agressivos, o rapaz os projetava na analista e, sem perceber, a induzia a vivenciá-los em seu lugar.

Essa constatação levou Vanessa a perceber que a repressão da agressividade era um fator central por trás da timidez e dos pensamentos intrusivos de Marcelo.

Mas, veja: ela só conseguiu fazer essa descoberta ao ser encorajada pelo artigo de Paula Heimann a olhar para sua contratransferência como uma fonte de informação.

Você, que ainda não conhece esse texto, também pode passar pela mesma experiência transformadora vivida por Vanessa — só que em boa companhia.

Deixa eu te explicar: é que eu acabei de publicar na Confraria Analítica uma aula especial justamente sobre o artigo “On Counter-transference”, de Paula Heimann.

O título dela é “A Contratransferência como Bússola Clínica” e já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – TEMAS VARIADOS da Confraria Analítica.

A Confraria é a maior e mais acessível escola de teoria psicanalítica do Brasil e já conta com mais de 3000 alunos.

Aproveite a Black Friday e garanta seu acesso anual à Confraria com desconto especial e bônus exclusivos.

É a melhor oportunidade do ano para aprofundar sua clínica com autores que realmente fazem diferença — como Paula Heimann.

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Enquanto não se escutar, você continuará repetindo os mesmos erros.

Existem situações dolorosas que costumam se repetir na sua vida periodicamente e que você não consegue evitar?

Eu vou dar alguns exemplos para te ajudar a pensar:

Marina quase sempre namora com homens que se revelam muito ciumentos e possessivos à medida que o relacionamento se aprofunda.

Gustavo, por mais que tente se controlar, volta e meia tem surtos de raiva nos quais grita com seus familiares e quebra objetos da casa.

Tamires, por sua vez, não consegue parar em emprego nenhum. Em todos eles, entra em conflito com seus chefes e acaba sendo demitida.

Essas três pessoas sentem que são vítimas de si mesmas, de algo interno mais forte do que elas e contra o qual não conseguem lutar.

Por mais que se esforce para evitar homens muito ciumentos, Marina sempre acaba dando uma chance para algum deles (“dessa vez vai ser diferente…”).

Gustavo já leu vários livros e assistiu a dezenas de vídeos na internet sobre como controlar a raiva, mas, quando fica nervoso, simplesmente não consegue se conter.

Tamires também já tentou seguir protocolos de “como lidar com conflitos no ambiente de trabalho”. Não adiantou nada.

E aí? Você se identifica com essas pessoas?

Também se percebe repetindo padrões que não consegue controlar?

Então, deixa eu te explicar o que está em jogo nessas repetições.

Elas não acontecem simplesmente por “carência”, “incapacidade de regulação emocional”, “deficiência de habilidades sociais”.

Tudo isso existe, mas é só o que está na superfície do problema.

A raiz mesmo está no inconsciente, ou seja, naquela dimensão do nosso psiquismo que abriga as questões mal resolvidas da nossa história.

Embora residam no inconsciente, essas questões nos revisitam o tempo todo — na esperança de que, algum dia, enfim, olhemos para elas.

As repetições são justamente uma das formas de expressão de nossas questões mal resolvidas.

Por isso, não é possível parar de repetir apenas com força de vontade. É preciso traduzir o que o inconsciente está dizendo com as repetições.

Mas só conseguimos fazer isso quando deixamos de olhar para o padrão repetitivo como o problema em si e passamos a vê-lo como um símbolo do verdadeiro problema — que está lá no inconsciente.

É esse olhar simbólico sobre o próprio comportamento que nós desenvolvemos ao fazer Psicanálise.

Saímos da pergunta “Como parar de repetir os mesmos erros?” e passamos a nos questionar: “O que estou dizendo para mim mesmo ao repetir os mesmos erros?”

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O poder ansiolítico da interpretação na Psicanálise

Na Psicanálise, nós tradicionalmente acreditamos que o analista só deve interpretar quando a transferência positiva já está consolidada.

O racional que fundamenta esse princípio é muito simples:

Uma boa relação com o analista permite que o paciente possa suportar o peso das interpretações — e não sair correndo da análise.

Por isso, costuma-se recomendar aos analistas iniciantes que evitem interpretar nas primeiras sessões.

Mas… E se eu te disser que essa visão clássica é unilateral e deveria ser relativizada?

Quem nos ensina isso é a “mamacita” da Psicanálise, a sra. Melanie Klein.

Ela mostra que a ideia de interpretar somente após a transferência positiva nasce de uma concepção reducionista da interpretação.

Na visão clássica, interpretar é sempre algo que tende a angustiar o paciente na medida em que aponta para o que nele está recalcado.

Porém, diz Melanie Klein, para muitos pacientes, o efeito de uma interpretação pode ser justamente o contrário: uma redução da ansiedade.

Isso porque, ao interpretar, o analista está dando nome e, portanto, contorno àquilo que o paciente vivencia como intensamente caótico dentro de si.

Por isso, muitos analisandos, especialmente os que apresentam uma estrutura egoica mais frágil, podem sentir alívio ao ouvirem uma interpretação.

E quando o paciente se sente assim, a tendência é que a relação com o analista melhore, concorda?

É por isso que Melanie Klein acredita que a interpretação pode fortalecer a transferência positiva ou até abrir caminho para ela.

A autora demonstra essa tese ao narrar o tratamento bem-sucedido de Ruth, uma garotinha de 4 anos, extremamente ansiosa e resistente à análise.

E é justamente a narrativa desse caso clínico que eu comento na aula publicada hoje (sexta) na Confraria Analítica, minha escola de formação teórica em Psicanálise.

O título da aula é “LENDO KLEIN 10 – O poder ansiolítico da interpretação” e ela já está disponível para todos os alunos no módulo AULAS TEMÁTICAS – KLEIN.

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Pare de fingir na terapia

A dificuldade de ser franco é um dos maiores obstáculos que as pessoas enfrentam ao fazer terapia.

No dia a dia, a falta de sinceridade pode não ser muito prejudicial. Aliás, em muitos casos, é até vantajosa.

Se aquela influencer famosa fosse sincera e confessasse que 60% dos seguidores que ela tem foram comprados, certamente perderia vários contratos de publi.

Nas redes sociais, onde o mais importante é como você aparece e não como você realmente é, a sinceridade é uma competência praticamente dispensável.

Mas vale dizer que nem sempre somos falsos e hipócritas por decisão consciente.

Às vezes, a gente só não dá conta mesmo de ser franco — porque não suporta a própria verdade…

Há pessoas, por exemplo, que simplesmente não conseguem admitir para elas mesmas (e, consequentemente, para os outros) que sentem ciúmes.

Em vez disso, elas dizem: “Não é que eu estou com ciúme. Eu só exijo respeito da pessoa que está comigo”.

Mentira! É ciúme mesmo. Ci-ú-me.

Elas só não reconhecem isso porque, na base do ciúme, está o medo de perder o outro e, portanto, vulnerabilidade, insegurança, dependência…

Portanto, dizer que “é só uma questão de respeito” não passa de uma racionalização narcísica, ou seja, uma forma de “ficar bem na fita” consigo mesmo.

Como eu disse anteriormente, no cotidiano, esse tipo de autoengano é benigno, não traz grandes consequências.

Porém, no contexto psicoterapêutico, ele atrapalha. E atrapalha muito.

Quanto mais você recorre à hipocrisia, mais distante se coloca da “cura” — com as devidas aspas para os chatos de plantão.

Sabe por quê?

Porque o abandono de nossos sintomas passa fundamentalmente pelo reconhecimento e integração das verdades que nos habitam.

Ok, eu sei que muitas delas escapam completamente à nossa consciência e, nesse sentido, não têm como ser admitidas simplesmente por “força de vontade”.

Porém, existe uma ATITUDE, ou seja, um tipo de disposição psíquica, que facilita a emergência dessas verdades inconscientes.

E é essa atitude que eu gostaria de recomendar a você que começasse a adotar, caso esteja em terapia. Eu a chamaria de atitude CONFESSIONAL.

Ela consiste num esforço deliberado de falar sobre si buscando ativamente retirar todas as máscaras, adornos e proteções narcísicas.

Frequentemente, a gente tem aquela sensação de que, no fundo — seja por medo, vergonha ou culpa — não estamos sendo verdadeiramente sinceros em terapia.

É natural… Todos nós temos narcisismo. Todos nós queremos ficar bem na fita.

Mas é preciso resistir conscientemente a essa tendência natural em nome de um bem maior: o amadurecimento emocional.

A hipocrisia pode até dar dinheiro, seguidores, likes. Mas não gera crescimento real.

***

A terapia só funciona quando você decide parar de se esconder de si mesmo.

Na Confraria Analítica, a gente aprofunda essas questões com aulas semanais, linguagem clara e teoria aplicada à vida e à clínica.

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