Entenda Bion em Humanês

A principal ferramenta de trabalho do psicanalista é a interpretação.

Ao recebê-la, o paciente fica cara a cara com aquilo que mais teme: seu próprio avesso.

E ajudar o sujeito a fazer contato com esse avesso é um dos objetivos centrais de uma análise.

Mas, afinal, o que é a interpretação?

Em bom humanês, interpretar significa compartilhar com o paciente uma inferência sobre aquilo que provavelmente está se passando no inconsciente dele.

O analista escuta com atenção flutuante, coleta pistas e indícios, observa conexões e, no momento oportuno, interpreta.

Mas perceba: se a interpretação é uma inferência, ela só pode se apoiar no que aparece representado na fala do paciente.

Afinal, toda inferência depende de premissas que apontam para a conclusão.

Logo, se certos conteúdos inconscientes não produzirem suas “premissas”, isto é, se não se representarem no discurso do analisando, eu não tenho como inferi-los.

Esse é justamente o caso dos elementos-beta, termo criado por Wilfred Bion para nomear marcas psíquicas que não possuem representação.

Eles estão em nós, fazem parte do nosso avesso, mas não podem ser deduzidos porque ainda não foram simbolizados na fala do paciente.

Para que possam se tornar interpretáveis, os elementos-beta precisam primeiro ganhar representação, ou seja, se transformarem em elementos-alfa.

E isso só é possível por meio da função-alfa — operação psíquica fundamental que, em alguns pacientes, pode estar profundamente comprometida .

Quer entender melhor o que são os elementos-beta, como lidar com eles na clínica e como ocorre sua transformação em elementos-alfa?

Então, assista à aula “Bion: elementos-alfa, elementos-beta e função-alfa”, já disponível na Confraria Analítica, minha escola de formação teórica em Psicanálise.

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Que angústia você está calando com seus problemas emocionais?

A razão pela qual temos tanta dificuldade para abandonar nossos problemas emocionais é que eles são como aquela marca de palha de aço:

Possuem 1001 utilidades.

Por meio deles, conseguimos equacionar certos conflitos internos, satisfazer desejos de forma simbólica, obter ganhos em nossas relações interpessoais.

Enfim… Por mais dolorosos que sejam, nossos sintomas são tão vantajosos que não podemos abrir mão deles com muita facilidade.

— Ah, Lucas, lá vem vocês da Psicanálise com essas ideias malucas. Até parece que minha depressão e minha baixa autoestima me trazem alguma vantagem! 😠

Hum… Você duvida?

Então, faça análise. Encontre-se toda semana com uma boa psicanalista e, logo logo, começará a perceber os ganhos que obtém com esses problemas emocionais.

Um deles pode ser a evitação de uma angústia, sabia?

Uma angústia infantil, para ser mais preciso.

Como ainda possui poucos recursos psíquicos, a criança pode não conseguir lidar com certas angústias que a vida lhe impõe.

Por exemplo: uma menina pode ter uma mãe que lhe proporciona o básico em termos de nutrição emocional, mas um pai que não lhe dá muita atenção.

Essa falta pode fomentar uma angústia terrível!

“Será que meu pai não gosta de mim?”

“Será que eu não tenho valor?”

“O que preciso fazer para ser amada por ele?”

Estas são algumas das angustiantes perguntas que podem invadir a mente da criança diante da indiferença do pai.

Ora, um problema emocional pode se apresentar justamente como resposta a essas questões e, portanto, como um tamponador da angústia.

A menina pode se convencer de que sim, o pai não gosta dela, ela não tem valor e não há nada que possa fazer para ser amada por ele.

Ela se torna, então, triste, apática, com baixa autoestima, ou seja, entra num quadro depressivo.

Mas, fazendo essa depressão, pelo menos estanca a angústia de se perguntar sobre seu lugar no desejo do pai.

Entendeu?

É como se essa menina tivesse trocado a angústia pela depressão, pois a segunda é mais suportável do que a primeira.

— OK, Lucas, eu entendo que isso possa acontecer com uma criança. Mas eu já sou adulta!

— Ah, é? Quem te falou?

***

Na Confraria Analítica, eu explico como nossos sintomas podem funcionar como defesas contra dores mais antigas.

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Você ainda está pedindo indenização pelo que sofreu na infância?

Existem algumas razões pelas quais um trauma infantil pode prejudicar significativamente a sequência da vida de uma pessoa.

Às vezes, o sujeito pode, por exemplo, se tornar ansioso e inibido em função do medo de passar novamente pela experiência traumática.

Em outras situações, o trauma pode comprometer o desenvolvimento de certas estruturas psíquicas, dependendo da idade em que ocorreu.

Mas há uma possibilidade sobre a qual pouco se fala (fora da Psicanálise) e que merece ser destacada:

A pessoa pode permanecer emocionalmente fixada à experiência traumática na esperança de que receberá uma compensação por ter passado por ela.

É como se o sujeito paralisasse a continuidade da sua vida para reivindicar inconscientemente uma “indenização” afetiva pelo trauma.

Foi isso o que aconteceu com uma moça atendida por uma aluna da Confraria Analítica, minha escola de formação teórica em Psicanálise.

A paciente foi αb*sαdα sε*uαlmente pelo pai na infância e passou por outras injustiças relacionadas a essa, sem receber qualquer tipo de reparação.

Mas o grande problema é que ela, sem perceber, converteu sua vida numa espécie de protesto silencioso contra tudo o que sofreu.

Quando o desejo, de vez em quando, se apresenta, ela logo dá um jeito de calá-lo a fim de retomar a demanda de indenização ao Outro.

Por isso, precisa permanecer presa à imagem de si como alguém que foi essencialmente estragada na infância.

Sua reivindicação é justa, mas estéril.

Na aula “Estudos de Casos 23 — Uma vida bloqueada pela fixação ao trauma infantil”, eu analiso esse caso em profundidade e mostro como essa armadilha subjetiva pode ser trabalhada clinicamente.

Ela já está disponível no módulo Estudos de Casos da Confraria Analítica, no qual comento casos clínicos reais relatados por alunos da nossa escola.

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Como você lida com seu superego?

Primeiramente, deixe-me definir o que é superego, pois talvez você nunca tenha ouvido falar nessa expressão.

Superego foi o nome que Freud deu para a parte da nossa mente responsável por monitorar e controlar nosso comportamento em termos morais.

Ele se forma na infância à medida que vamos internalizando o monitoramento e controle que nossos pais exercem sobre a gente.

Ou seja, inicialmente nós somos disciplinados pelo OUTRO e, pouco a pouco, passamos a NOS disciplinar.

Normalmente, a relação que temos com nosso superego é tão conflituosa quanto a relação que tínhamos com nossos pais na infância.

Você se lembra que volta e meia queria fazer alguma coisa e seus pais não permitiam?

Ou, de repente, você efetivamente fazia alguma coisa que eles não deixavam e ficava de castigo. Lembra disso?

Pois bem, essa mesma dinâmica tende a se repetir em nossa relação com o superego.

A diferença é que agora os conflitos são internos, pois o superego nada mais é que uma parte de nós mesmos.

Então, em vez de ser impedido ou castigado por seus pais, você mesmo SE impede e SE castiga.

Pessoas emocionalmente imaturas sofrem muito com esses inevitáveis conflitos, pois lidam com o superego exatamente como uma criança lida com seus pais.

Há crianças que sentem tanto medo de serem punidas ou decepcionarem os pais que se tornam exageradamente obedientes, quietinhas, sem vida.

Adultos emocionalmente imaturos podem se comportar exatamente da mesma forma, mas porque têm um medo neurótico de desagradar… o superego.

Por outro lado, há crianças que estão sempre “aprontando” não como expressão espontânea de sua vitalidade, mas PARA sofrerem castigo.

Afinal, há certos pais que só dedicam atenção a um filho quando é preciso discipliná-lo.

Assim também, alguns adultos emocionalmente imaturos podem manter essa relação meio sαdmαsoquistα com o superego:

Periodicamente, metem o pé na jaca PARA se sentirem culpados e se depreciarem. A autopunição evoca a escassa atenção que vinha junto com o castigo dos pais.

Fazendo análise, tais sujeitos podem conquistar gradativamente a capacidade de lidarem de uma forma mais adulta com o superego.

E como seria isso?

A pessoa emocionalmente madura é capaz de CONVERSAR com seu superego. Ela não fica obedecendo-o cegamente nem provocando-o.

Essa pessoa reconhece a utilidade do superego (sem ele a vida em sociedade seria impossível), mas sabe que, de vez em quando, ele mais atrapalha do que ajuda.

Seus pais monitoravam e controlavam seu comportamento porque, no fundo, queriam que você fosse a criança ideal que tanto desejavam.

Da mesma forma, seu superego quer que você seja o Paulo ideal, a Alessandra ideal, a Natália ideal, o Fernando ideal, o Lucas ideal…

Por isso, não raramente, é preciso RELATIVIZAR o que o superego diz.

Mas, para fazer isso, é preciso sair da posição de criança e tirá-lo da posição de papai e mamãe.


Quer saber mais sobre como funciona funciona o superego?

Na CONFRARIA ANALÍTICA, minha escola de formação teórica em Psicanálise, temos diversas aulas que abordam esse tema.

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Quais são as desculpas que você inventa para si mesmo?

Outro dia, Carlos reencontrou Túlio, um colega de profissão que não via há mais ou menos uns quatro anos, desde a formatura em Psicologia.

— E aí, rapaz, quanto tempo, né? — disse Carlos estendendo a mão a Túlio.

— Pois é! O que você tá arrumando?

— Cara, acabei me encontrando na Psicologia Organizacional. Logo depois da formatura, comecei a trabalhar no RH da Renz e tô lá até hoje. E você?

— Eu foquei na clínica mesmo. E, graças a Deus, tá dando muito certo, Carlos.

— Eu já imaginava. Lembro que você era fã de Psicanálise…

Nesse momento, Túlio abaixou a cabeça, olhou rapidamente para o chão e disse:

— Pois é… Mas hoje em dia não mexo com Psicanálise, não, cara.

— Como assim? — perguntou Carlos perplexo — Da nossa turma você era o que mais gostava de Psicanálise, Túlio!

— É, mas na prática eu acabei percebendo que esse negócio não tem eficácia nenhuma, meu caro. Por isso, hoje em dia, eu trabalho com a TCC.

— Sério? — Carlos não conseguia acreditar. De fato, Túlio passara boa parte da faculdade criticando ferrenhamente a terapia cognitivo-comportamental.

— Cara, a TCC te dá um norte, uma estrutura. Você sabe o que tem que fazer com o paciente. Na Psicanálise, é tudo muito solto, não se mensura nada.

— Túlio, confesso pra você que eu tô muito surpreso. Porque esse negócio de mensuração era justamente uma das coisas que você mais condenava na TCC.

— Pois é, meu caro. Mas, estudando mais a fundo, eu acabei me convencendo de que terapia precisa de objetividade. E a própria prática foi me mostrando também.

Logo após dizer isso, Túlio se despediu de Carlos, pois o carro de aplicativo que estava esperando havia acabado de chegar.

Durante o trajeto para casa, o psicólogo ficou se sentindo um pouco tenso.

Por mais que quisesse muito acreditar no que havia dito a Carlos, no fundo Túlio sabia que os motivos que o levaram a abandonar a Psicanálise eram outros.

Ele sabia que aquela decisão tinha muito mais a ver com a angústia que vivenciava diante da pressão de certos pacientes por respostas.

Túlio tinha uma forte tendência a querer agradar as pessoas e, por isso, era muito penoso para o rapaz frustrar as expectativas dos pacientes.

Ele sabia que precisava tratar esse sintoma, mas dizia para si mesmo que ainda não tinha dinheiro suficiente para fazer sua análise pessoal — o que não era verdade.

Certo dia, exausto, ele viu um vídeo de um psicólogo cognitivo-comportamental criticando a Psicanálise e resolveu comprar o curso oferecido pelo profissional.

Gradativamente, Túlio passou a implementar a metodologia de trabalho que aprendia no curso, o que lhe proporcionou um grande alívio.

Afinal, agora, quando um paciente lhe perguntava o que devia fazer, ele sempre tinha “boas” respostas na ponta da língua…

E foi assim que o rapaz abandonou a Psicanálise e passou a trabalhar com terapia cognitivo-comportamental.

Não foi porque ele estudou bastante, comparou, e chegou à conclusão de que a segunda era melhor que a primeira.

Foi simplesmente porque se sentia excessivamente angustiado ao tentar praticar a Psicanálise.

Mas admitir isso seria muito difícil para Túlio. Ele não queria se enxergar como alguém que não deu conta da Psicanálise. Seria narcisicamente insuportável.

Por isso, precisou inventar para si mesmo aquela narrativa de que mudou de abordagem simplesmente por ter visto que uma era melhor que a outra.

O nome desse tipo de defesa psíquica é RACIONALIZAÇÃO. E é sobre ela que eu falo na aula publicada hoje (sexta) na CONFRARIA ANALÍTICA.

O título da aula é “Racionalização: as desculpas que inventamos para nós mesmos” e já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – TEMAS VARIADOS.


🎭 Quantas vezes você já fez como Túlio e inventou uma boa desculpa pra si mesmo?

A gente se engana bonito. E ainda acredita na própria mentira. 😶‍🌫️

Na Psicanálise, isso tem nome: racionalização.

💬 É sobre isso que falo na aula publicada hoje na Confraria Analítica: “Racionalização: as desculpas que inventamos pra nós mesmos.”

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Entre pra nossa escola e comece a entender o que realmente te move — e o que te trava.

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Às vezes, o ataque é a única forma que uma pessoa encontra de dizer: “Tá doendo.”

Imagine a seguinte cena: você está andando na rua e, de repente, se depara com um cachorro filhote deitado na calçada e percebe que ele está sentindo dor.

Você se aproxima com a melhor das intenções e toca a parte do corpo do animal que parece ser a fonte da dor. Pois bem, o que acontecerá?

Muito provavelmente, o doguinho dará um gemido, mas você não ficaria surpreso se ele avançasse em sua mão, tentando mordê-la.

De fato, você sabe que cães e outros animais costumam se defender dessa forma: atacando.

Mas talvez, o que você não saiba é que isso também pode acontecer com a nossa espécie. Muitas pessoas só conseguem se defender, tornando-se agressivas.

Se o cãozinho pudesse falar (e fosse suficientemente maduro), talvez dissesse a você: “Opa! Não toque aí, amigo; tá doendo muito.”

Mas, sem acesso à linguagem, tudo o que ele pode fazer para se comunicar é tentar te morder.

Ou seja, o agredir é uma forma de autodefesa, mas também de comunicação.

Na cena que eu descrevi, o cachorro não avançaria em você para saciar um impulso destrutivo, mas para “dizer”: “Não toca aí!”.

Da mesma forma, muitas pessoas utilizam xingamentos, falas ríspidas, gritos etc. porque não conseguem encontrar outra forma de dizer que estão sentindo dor.

— Ah, Lucas, então agora eu tenho que aceitar maus tratos só porque o caboclo não consegue se defender sem atacar?

É claro que não. A vida é sua. Faça o que você quiser.

Como dizem os americanos, eu não estou PRESCREVENDO, só DESCREVENDO.

O que estou te ensinando pode ajudá-lo, principalmente, a lidar com episódios PONTUAIS de agressividade por parte de cônjuges e amigos.

De repente, meu caro, sua namorada, que sempre foi “um doce de pessoa”, pode te tratar de forma impaciente e até grosseira.

Talvez, naquele dia especificamente, seja por TPM ou qualquer outro fator, ela não conseguiu fazer uso de recursos mais maduros para comunicar suas dores.

E aí, a única coisa que deu conta de fazer, para se proteger, foi te atacar.

Acontece. A gente precisa parar de idealizar as relações humanas. O cotidiano não tem filtro nem corte. Tudo acontece sem edição…

Novamente: não estou dizendo que você tem que aceitar ser atacado. Faça o que você quiser. Mas é importante compreender essa função comunicativa do ataque.

Crianças, por exemplo, com muita frequência se defendem por meio da agressividade. Justamente por conta de sua imaturidade psíquica.

Um menino que dá muito trabalho na escola, não respeita professores e está sempre arrumando confusão, provavelmente está sofrendo internamente.

Nesse sentido, se os pais e a escola olham para o comportamento dele como uma simples expressão de impulsos agressivos, o resultado será catastrófico.

O garoto será severamente punido e a dor que motivou seus ataques só aumentará. Seria o mesmo que bater no cachorro após ele avançar.

Talvez, o menino precisasse apenas de adultos suficientemente fortes para traduzir sua “linguagem” agressiva sem responder a ela com mais agressividade.

O mundo seria um lugar lindo se todas as pessoas, em todos os momentos, conseguissem não apelar para o ataque como forma de defesa.

Pena que a realidade é muito mais complexa e desafiadora do que um manualzinho de comunicação não violenta.

***

Às vezes, o ataque é só um jeito torto de dizer “tá doendo”.

Na Confraria Analítica, a gente estuda, com profundidade e clareza, essas formas disfarçadas de expressão da nossa verdade.

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Nenhum paciente quer melhorar.

Calma.

Esse título é apenas uma provocação.

Nenhum paciente quer melhorar, mas, ao mesmo tempo, todos querem.

É contraditório, eu sei. Mas nós somos contraditórios mesmo. Esta é uma das coisas que nos faz verdadeiramente humanos.

Que todos os pacientes queiram melhorar, isso é evidente. O simples fato de uma pessoa procurar ajuda já o comprova. Ninguém gastaria dinheiro com terapia se não quisesse realmente parar de sofrer.

— Então por que você disse que nenhum paciente quer melhorar, Lucas?

Porque o sofrimento pelo qual buscamos ajuda é, na verdade, a tábua de salvação que a gente encontrou para não se afogar em OUTROS sofrimentos — insuportáveis.

A preocupação excessiva que atormenta Maurício só existe porque, sem ela, ele teria de encarar certos dilemas internos que não dá conta de enfrentar.

Nossos sintomas são úteis, gente. Eles nos ajudam a fugir de nós mesmos, ou melhor, daquilo que há de aterrorizante em nós mesmos.

Por isso, é natural que a gente RESISTA a abandoná-los.

A olho nu, você pode até não conseguir enxergar a utilidade dos seus sintomas, mas, fazendo análise, será capaz de vê-la de forma cristalina.

De repente, vai perceber que seus ataques de pânico não acontecem “do nada”, mas aparecem justamente quando alguma coisa evoca em você, inconscientemente, uma memória traumática ou um conflito psíquico que te acompanha desde criança.

Ou seja, paradoxalmente, o pânico te protege. Te protege de fazer contato com certas partes de si mesma que não consegue suportar.

Como você poderia renunciar tão facilmente a esse sintoma se ele é tão conveniente?

Entendeu agora por que nenhum paciente quer melhorar?

É que melhorar implica em abrir mão da única saída que conseguimos encontrar para fugir dos nossos terrores internos.

Na Psicanálise, a gente procura ajudar o paciente a se fortalecer emocionalmente para conseguir encarar esses terrores e inventar formas saudáveis de lidar com eles.

Esse processo requer tempo e, portanto, muita paciência por parte do terapeuta.

É preciso aguardar até que o DESEJO por uma vida mais livre e criativa consiga vencer o MEDO de abandonar o refúgio do sintoma.


Você já percebeu como a gente diz que quer mudar… mas faz de tudo pra continuar igual?

🧩 É sobre isso que fala o texto de hoje: sobre a resistência, um dos conceitos que comentei ontem na Masterclass Psicanálise: o Básico do Básico.

Se você perdeu, ainda dá tempo de assistir!

O replay da aula ainda está disponível, mas só por tempo limitado.

🎥 Corre lá: https://youtube.com/live/AbWlf0lXElg?feature=share


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“A psicoterapia tem a ver com duas pessoas brincando juntas” (D. W. Winnicott)

Você se lembra de como se sentia na infância quando estava brincando?

Nem via o tempo passar, não é mesmo?

Essa falta de percepção da passagem do tempo só acontece quando estamos imersos numa situação, nos sentindo à vontade e agindo com espontaneidade.

Por outro lado, quando fazemos algo por obrigação, simplesmente respondendo a pressões ou demandas externas, parece que o tempo não passa, né?

Na ânsia de que aquilo acabe logo, a gente acaba prestando muita atenção no relógio e aí vem a sensação de que as horas passam mais devagar.

Às vezes, fazendo análise, a gente pode experimentar isso, sobretudo nos dias em que nos sentimos meio bloqueados, “sem nada para falar”.

Mas, na maioria das vezes, a gente não vê a hora passar. De repente, o analista diz que a sessão acabou e temos a sensação de que mal havia começado.

Isso mostra que a experiência de fazer análise frequentemente é parecida com nossas brincadeiras de infância.

Ainda que falemos de sofrimentos, na relação com o terapeuta nos sentimos tão à vontade e espontâneos quanto nos sentíamos quando estávamos brincando.

Foi por isso que o psicanalista inglês Donald Winnicott dizia que a psicoterapia “tem a ver com duas pessoas brincando juntas”.

Esta frase está no capítulo 3 do livro “O Brincar e a Realidade” e eu comento vários trechos desse capítulo na aula publicada hoje na CONFRARIA ANALÍTICA.

O título da aula é “LENDO WINNICOTT 13 – A importância do brincar na clínica de adultos” e já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – WINNICOTT.

Nesta aula, você verá que a experiência de estar brincando é um requisito básico para o êxito de qualquer processo psicoterapêutico.

Verá também quais são os sinais de que o paciente não está tendo essa vivência e como o analista pode ajudá-lo a resgatar sua capacidade de brincar.

🎓 Se você quer aprofundar sua escuta e compreender, de forma viva, como o brincar se manifesta na clínica de adultos, assine a Confraria Analítica.

A Confraria é a maior e mais acessível escola de teoria psicanalítica do Brasil, com mais de 500 horas de conteúdo e milhares de alunos.

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A ideia de Winnicott de que “a psicoterapia tem a ver com duas pessoas brincando juntas” revela algo essencial sobre a Psicanálise:

Ela não é só uma técnica, mas uma experiência viva entre duas pessoas.

Quando paciente e analista se encontram num espaço de confiança, algo do brincar acontece: a possibilidade de ser espontâneo e se transformar de verdade.

Mas pra isso, o analista precisa ter passado por um processo de formação sério, que envolve estudo, análise pessoal e prática clínica.

E é sobre isso que vou falar na masterclass gratuita “Psicanálise: o Básico do Básico”, no dia 23/10, às 20h.

Você vai entender como se forma de verdade um psicanalista e o que diferencia a Psicanálise das abordagens que se popularizam nas redes.

A inscrição é gratuita – https://bit.ly/masterclassbasicodobasico.

🗓️ Te espero lá.


Participe da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

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Não existe curso de Psicanálise

Agora há pouco uma colega me perguntou:

— Qualquer pessoa pode atuar como psicanalista?

E eu respondi:

— Não. No Brasil, qualquer pessoa pode se nomear psicanalista, pois a Psicanálise (felizmente) não é uma profissão regulamentada em nosso país. Porém, para de fato atuar como analista, a pessoa precisa passar por uma formação.

— Um curso, né? — indagou minha interlocutora.

— Não. Não existe curso para ser psicanalista. Todos os “cursos de Psicanálise” que você vê por aí estão fazendo falsas promessas.

— Por quê?

— Porque o pressuposto básico de um curso profissionalizante é que você estará habilitado para desenvolver uma determinada atividade depois de passar por ele. E isso não vale para a formação em Psicanálise.

— Uai, para ser médico, engenheiro, assistente social não é suficiente fazer um curso? Por que com a Psicanálise seria diferente? — perguntou ela com o semblante de quem realmente não estava entendendo nada.

— É que, para ser psicanalista, não basta aprender a teoria. Sabe por quê? Porque o nosso principal instrumento de trabalho não é nosso saber, mas o nosso ser.

Vou interromper a conversa para compartilhar com vocês a explicação que dei à minha colega.

Qual é o principal objetivo que um psicanalista busca atingir com seus pacientes?

A resposta é simples: ajudá-los a enxergar o avesso da imagem consciente que possuem de si mesmos. É vencendo esse desafio que eles conseguem abandonar seus sintomas e inibições.

Ora, para que eu consiga ajudar uma pessoa a enxergar seu avesso, não basta que eu tenha na cabeça as teorias construídas pelos autores da Psicanálise.

Se eu mesmo não tiver passado pela experiência de enxergar o MEU avesso, não conseguirei ajudar o paciente a enxergar o dele.

Sabe por quê?

Porque eu terei medo do meu próprio avesso e, consequentemente, ficarei com medo de levar o paciente a encontrar-se com o dele.

Por isso, o requisito mais importante para que uma pessoa possa praticar a Psicanálise é ter passado muito tempo no divã de outro analista.

Porque é só sendo paciente durante ANOS (anos!) que essa pessoa conseguirá perder o medo do seu avesso e, assim, se tornará SUBJETIVAMENTE apta a ajudar outros sujeitos a se encontrarem com seus respectivos avessos.

Concorda comigo que é IMPOSSÍVEL oferecer essa experiência por meio de um curso?

— Ah, Lucas, mas eu vi na internet um curso que oferece sim a análise pessoal, além da teoria.

Como? Curso é um programa de duração pré-estabelecida (3 anos, 4 anos, 5 anos etc.).

Já a análise PESSOAL, não. Cada paciente caminha num ritmo singular, pois é um processo que se desenvolve individualmente com um analista.

E mais: esse analista precisa ser alguém que VOCÊ escolhe — e não uma pessoa designada por uma suposta entidade formadora.

Portanto, não existe “curso de psicanálise”.

A formação psicanalítica é um PROCESSO.

Um processo que passa, sim, pela assimilação de muita teoria, mas que exige fundamentalmente a preparação subjetiva do candidato a analista.

E essa preparação só pode acontecer no divã, e não numa sala de aula.

***

✨ Na quinta-feira, 23 de outubro, às 20h, vou ministrar a Masterclass gratuita “Psicanálise: o Básico do Básico”.

Vou explicar como realmente se forma um psicanalista, o que é preciso para começar esse percurso e por que a teoria, sozinha, nunca é suficiente.

🎓 Se você sente o chamado da Psicanálise, esse é o primeiro passo. Inscreva-se gratuitamente aqui.


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Bruno se viciou em apostas para fugir da depressão

Bruno costumava acordar por volta das oito da manhã, mas, naqueles últimos dias, antes das seis ele já estava de olhos abertos, com o celular nas mãos.

Há tempos o rapaz não se sentia tão vivo!

Excitação, ansiedade, alegria, tensão, motivação: tudo isso se alternava dentro dele freneticamente desde que conhecera o “Jogo do Leão”, um tipo de cassino online.

De férias do trabalho, passava o dia todo apostando. Às vezes, até esquecia de tomar banho.

Conhecera o Jogo do Leão pela propaganda feita no Instagram por Juninho Mayer, um humorista do qual o rapaz era fã.

Nos stories em que fazia tal divulgação, Juninho dizia que o jogo era muito divertido e poderia ser uma fonte de renda extra.

— Olha aqui, gente — dizia o influenciador mostrando o próprio celular — eu coloquei 50 reais e olha o quanto já ganhei só nessa rodada: 200! 200!

Bruno não sentia necessidade de uma renda extra, pois estava satisfeito com o ótimo salário que ganhava como gerente de vendas na empresa onde trabalhava.

O que lhe chamou a atenção na propaganda foi a empolgação do humorista, que gritava e dava pulinhos enquanto mostrava o número 200 na tela do celular.

Desde o término do namoro de três anos com Taís, Bruno vinha se sentindo abatido, apático, sem vontade de fazer absolutamente nada.

O rompimento havia reaberto uma ferida emocional muito antiga: o falecimento da mãe, vítima de câncer, quando ele tinha apenas quatro anos.

O rapaz sentia que passara a vida inteira à beira da depressão. E agora, com o término, estava finalmente caindo…

Porém, desde o dia em que começou a apostar no Jogo do Leão, seu estado de ânimo havia se transformado radicalmente.

Ele passou a ter uma sensação de vitalidade, muito parecida com a que viveu no início do relacionamento com Taís.

A experiência excitante de ver seu dinheiro ora se multiplicando ora diminuindo parecia ter tirado Bruno da depressão na qual estava começando a mergulhar.

O que você acabou de ler é apenas um resumo da primeira parte do relato feito por esse rapaz em sua primeira sessão de análise.

Após perder todo o dinheiro que havia guardado como reserva financeira (cerca de 80 mil reais), Bruno decidiu procurar ajuda, reconhecendo-se como um viciado em apostas online.

— Eu simplesmente não consigo parar. É mais forte do que eu… — disse ele aos prantos, no fim da sessão.

Sensibilizado, o analista olhou fixamente para o rapaz e encerrou aquele primeiro encontro dizendo:

— É possível sair dessa repetição. Mas, para isso, nós vamos precisar olhar para um outro “leão”: o leão feroz e assustador da depressão, do qual você vem fugindo…

No caso de Bruno, o vício em apostas funcionou como uma defesa maníaca, uma forma patológica de driblar o confronto com a dor de suas perdas.

Na aula publicada hoje na CONFRARIA ANALÍTICA, eu falo sobre esta e outras dinâmicas psíquicas que podem levar uma pessoa a se tornar apostadora compulsiva.

O título da aula é: “Vício em apostas: um olhar psicanalítico” e já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – TEMAS VARIADOS.

A Confraria é a maior e mais acessível escola de teoria psicanalítica do Brasil, com +500 horas de conteúdo e milhares de alunos.

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Você usa seus relacionamentos para consertar ou repetir o que viveu na infância?

O único tipo de vínculo que rivaliza em grau de intimidade com aquele que temos com nossos pais é a relação que estabelecemos com nossos parceiros amorosos.

Existem certas dimensões da nossa personalidade que só nossos pais conhecem e que só nos sentimos à vontade para revelar a quem amamos.

Por isso, não é surpreendente perceber que usamos nossas relações afetivas como palcos para a encenação de questões mal resolvidas com nossos pais.

Nossos companheiros são os atores perfeitos para representar os papéis parentais no drama infantil que reproduzimos de modo inconsciente.

E isso não ocorre só porque temos com eles uma proximidade comparável à que tínhamos com nossos pais.

Acontece também porque  escolhemos nossos parceiros justamente por reunirem traços que os tornam aptos a personificar as imagens de nossas figuras parentais — tanto as de quem elas foram quanto as de quem gostaríamos que tivessem sido.

Felipe frequentemente se sentia perdido e desamparado na infância. Achava que os pais não lhe davam apoio nem cuidado suficientes.

Resultado: casou-se com Fátima, uma mulher que só falta dar comida na sua boca, mas que, em contrapartida, não admite que ele vá sequer à padaria sozinho.

Beatriz, por sua vez, foi abandonada pelo pai aos cinco anos. O genitor mantinha um caso extraconjugal e decidiu ir morar com a amante em outro estado.

Sem se dar conta, a jovem acaba sempre se envolvendo com homens que, assim como o pai, jamais estão totalmente disponíveis: é o sujeito que desde o início avisa que não quer nada sério; é o rapaz comprometido…

Enquanto Felipe fez sua escolha pela via da compensação, Beatriz seguiu pela trilha da repetição. Mas ambos tentam, no campo amoroso, resolver o que ficou pendente nas relações com seus respectivos pais.

— A simples tomada de consciência seria suficiente para que interrompessem esse processo e buscassem vínculos não contaminados por suas questões infantis?

Não.

Primeiro, porque quem toma consciência é a parte adulta do sujeito, e não a dimensão infantil — que é justamente a responsável pelas escolhas amorosas.

Essa dimensão infantil não se transforma pela simples constatação racional da realidade. Ela precisa ser convencida de que o passado é imutável.

E, para que isso aconteça, podem ser necessários anos de elaboração psíquica, ou seja, de conversas entre a parte infantil e a parte adulta.

Em segundo lugar, porque é impossível eliminar de nossas escolhas afetivas as influências de nossas questões infantis mal resolvidas.

Como eu disse, é a dimensão infantil que decide. Logo, as escolhas sempre carregarão o viés das marcas indeléveis de nossa infância.

Depois de alguns bons anos de análise, talvez possamos fazer escolhas que nos causem menos sofrimento ou aprender a surfar nas ondas das que já fizemos.

Beatriz pode, enfim, conseguir se relacionar com um homem disponível e sublimar o anseio pelo pai ausente lendo romances ou assistindo doramas.

Felipe, por outro lado, pode começar a sair da posição de filho na relação conjugal e, assim, conquistar mais liberdade e autonomia.

Para isso, ambos precisarão renunciar ao gozo infantil, ou seja, à satisfação inconsciente que sentimos ao reencontrar, na face de quem amamos, aquele velho olhar do papai ou da mamãe.


Às vezes, o que chamamos de “amor” é só o eco de antigas carências.

Na Confraria Analítica, você encontra diversas aulas que ajudam a entender como nossas vivências infantis continuam influenciando o modo como amamos hoje.


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Da indiferença dos pais ao superego rígido

Imagine uma pessoa extremamente contida, controlada, que mal expressa suas emoções, está o tempo todo ocupada e não se permite relaxar.

Imaginou?

Beleza. Agora, me responda com toda a sinceridade: que tipo de criação você acredita que esse sujeito teve?

É muito provável que você tenha pensado num ambiente autoritário, repressivo, com excesso de disciplina e pais controladores.

Mas e se eu te disser que nada disso esteve presente na infância dessa pessoa?

E se eu te disser que os pais dela foram justamente o oposto de pais controladores Que ao invés de vigiarem minuciosamente seu comportamento, eles o IGNORAVAM?

Pois é… Esse sujeito chegou a se castigar certa vez porque os pais não estavam nem aí para o que ele fazia.

Aí você pode me perguntar:

— Mas como isso é possível, Lucas?

—  Como uma pessoa que foi criada com toda essa liberdade se tornou tão embotada, reprimida, controlada?

Eu explico isso na aula “ESTUDOS DE CASOS 22 – O embotamento afetivo como resposta à indiferença dos pais”, que acaba de ser publicada na CONFRARIA ANALÍTICA, a minha escola de formação teórica em Psicanálise.

Essa aula faz parte do módulo ESTUDOS DE CASOS, no qual comento casos clínicos reais relatados por alunos da Confraria.

Como será que a indiferença dos pais em relação ao comportamento do filho pode levá-lo a criar um superego extremamente rígido?

E o que a analista desse sujeito pode fazer para ajudá-lo a se libertar do embotamento afetivo e do excesso de autocontrole?

Quer entender tudo isso? Então, faça parte da nossa escola e assista à aula.

Ao entrar, você terá acesso imediato a mais de 500 horas de conteúdo que vão mudar sua forma de compreender a clínica psicanalítica.

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O jovem rico e o autoengano neurótico

Certa vez, um jovem muito rico se aproximou de um sábio judeu e lhe perguntou:

— Mestre, o que preciso fazer para ser uma pessoa boa?

O sábio intuiu que o rapaz só queria uma oportunidade para se exibir diante do grupo que ali estava. Mas, mesmo assim, resolveu dar corda:

— Ah, você já sabe, meu caro: seja leal, não minta, respeite seus pais, não faça mal às pessoas, essas coisas…

Essa era a deixa que o rapaz precisava.

Ele olhou para todos à sua volta, estufou o peito, e com a empáfia típica daqueles que sofrem de autoengano, disse ao sábio:

— Que bom saber disso, mestre! Eu sempre agi assim, desde que era criança. Então, não me falta nada para ser uma pessoa boa!

Olhando fixo para o horizonte, o sábio respondeu:

— Bem… Acho que falta só uma coisa, meu amigo, só uma coisa. Você é um homem muito próspero, né? Mas, para ser uma pessoa boa de verdade, não pode ter apego a todo o dinheiro que ganhou. Por isso, vou lhe propor um desafio.

— De… desafio? Como assim? — disse o rapaz desconcertado.

— Sim, um desafio: venda todos os seus bens e doe o dinheiro. Se fizer isso, não lhe faltará mais nada para ser uma pessoa realmente boa.

O sábio já sabia que o vaidoso mancebo não seria capaz de cumprir o desafio. Por isso, não se surpreendeu ao vê-lo afastar-se dali cabisbaixo e entristecido.

— Estão vendo? — disse o mestre para o grupo que o acompanhava — É impossível ser uma pessoa boa. Sempre falta alguma coisa que a gente não dá conta de fazer…

A postura do jovem rico ilustra muito bem a dinâmica psíquica da neurose: seduzido pelas cobranças e exortações do superego e querendo narcisicamente ser amado por ele, o neurótico acredita que é possível atingir seus ideais.

Por isso, acaba se obrigando a recalcar certos desejos que não se encaixam nesses ideais. E, ao fazer isso, ele está se enganando, pois recalcar nada mais é que fingir que certas coisas, em nós mesmos, não existem.

Para sustentar sua imagem ilusória de boa pessoa, aquele rapaz precisou recalcar o imenso amor que tinha por suas posses. Esses obsessivos…

O sábio, porém, adotando uma postura muito semelhante à de um psicanalista, ajudou o mancebo a se confrontar com essa dimensão de si mesmo que ele não queria enxergar.

O resultado foi uma espécie de luto, você percebeu?

O jovem saiu da conversa abatido, desolado, pesaroso. Com efeito, a imagem idealizada de si mesmo como boa pessoa havia sido delicadamente destruída.

Por outro lado, após aquele diálogo, ele provavelmente se tornou um sujeito mais livre, pois a confrontação com seus limites internos tirou-lhe dos ombros o anseio de se conformar ao ideal superegoico.

Ao perceber que não conseguiria ser uma pessoa boa, o rapaz talvez tenha ganhado a chance de ser suficientemente bom.

É esse duplo efeito — luto e libertação — que a Psicanálise produz no tratamento da neurose.

Enquanto assiste consternado ao falecimento do eu ideal com o qual se identificava, o paciente passa a se enxergar com mais honestidade e, assim, se torna livre para ser, simplesmente, o que dá conta de ser.


⚖️ Entre o ideal de perfeição e a possibilidade de ser “suficientemente bom”, está o trabalho analítico.

👉 Na Confraria Analítica, você encontra aulas semanais que aprofundam esse tipo de reflexão, unindo teoria e clínica.


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Entenda o conceito de FALO em Psicanálise

Hoje em dia, o que mais tem no Instagram é gente dizendo o que você deveria estar fazendo.

Nunca fomos tão moralistas.

É homem dizendo como um homem de verdade deve se comportar.

É mulher pregando como mulheres devem ser verdadeiramente femininas.

É marqueteiro ensinando como ter “permissão” para ser bem-sucedido.

É coach explicando como viver uma “vida épica”.

Sim, é ridículo, eu sei.

Mas por que tais cagadores de regra fazem tanto sucesso?

Simples: essa gente explora uma vulnerabilidade do “sistema operacional” humano.

Todos nós temos essa sensação crônica de precariedade, de insuficiência, de incompletude.

Estamos sempre achando que nos falta algo para sermos plenamente realizados.

Esse “algo” é o que a Psicanálise chama de “falo”.

Ele funciona como aquela cenoura inalcançável que, segundo a velha fábula, é colocada diante do burro para incentivá-lo a continuar caminhando.

Os cagadores de regra da internet vendem a ilusão de que é possível alcançar a cenoura.

Eles fazem seus clientes acreditarem que podem ser 100% felizes se adotarem certos comportamentos ou tiverem certas coisas.

E isso só funciona, repito, porque nosso psiquismo vem “de fábrica” com essa ideia de que existiria algo capaz de nos tornar completos, o FALO.

Quer entender melhor esse conceito?

Quer saber por que ele recebe esse nome na Psicanálise?

Quer aprender qual é sua utilidade na clínica psicanalítica?

Então, você precisa assistir à aula “CONCEITOS BÁSICOS 24 – Falo”, já disponível na CONFRARIA ANALÍTICA.

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Atos falhos: você nunca se engana por acaso

Toda vez que me pedem uma indicação de livro introdutório sobre Psicanálise, eu recomendo “A Psicopatologia da Vida Cotidiana”, do Freud.

Por quê? — Porque o requisito fundamental para que uma pessoa comece a estudar Psicanálise é a constatação de que o Inconsciente é uma suposição indispensável para a compreensão do comportamento humano.

E “A Psicopatologia da Vida Cotidiana” é a obra freudiana mais convincente em relação a isso.

Nela, o pai da Psicanálise reúne centenas de exemplos de esquecimentos, lapsos, pequenos erros, ou seja, tudo aquilo que a gente costuma chamar de “atos falhos” e mostra que eles só podem ser explicados se admitirmos a existência de pensamentos inconscientes.

Tomemos um exemplo clínico “baseado em fatos reais”:

Durante um encontro casual, uma jovem se desespera ao verificar que a data de validade do preservativo utilizado por seu parceiro era dois anos atrás.

No dia seguinte, mais calma, ela pega novamente a embalagem do produto e constata que, na verdade, 2023 era a data de fabricação e não de validade.

Aqueles que se recusam a enxergar a realidade poderiam argumentar que esse engano acontecera simplesmente porque a moça estava distraída ou ansiosa.

É óbvio que tais estados psíquicos podem ter FACILITADO a ocorrência do erro, mas não podem ser tomados como a CAUSA do ato falho.

Se fosse assim, nós só cometeríamos lapsos e enganos quando estivéssemos distraídos, com sono ou emocionalmente perturbados.

Mas a experiência mostra que é perfeitamente possível, por exemplo, trocar o nome de uma pessoa pelo de outra estando suficientemente alerta e tranquilo.

E mesmo se os atos falhos só acontecessem quando nossa atenção estivesse prejudicada, ainda restariam duas perguntas sem resposta:

1. Por que, então, eles NÃO ocorrem SEMPRE que estamos com a atenção comprometida?

2. Por que, num lapso de fala, por exemplo, trocaríamos o nome da pessoa X pelo da pessoa Y e não das pessoas A, B, C ou D?

Percebe? Não há como explicar os atos falhos sem supor que certos pensamentos inconscientes se colocam entre a intenção do sujeito de fazer X e o ato propriamente dito.

No caso do exemplo mencionado acima, podemos inferir que, na hora em que a jovem olhou para a inscrição “Fabricação: mês tal de 2023”, certos pensamentos inconscientes de natureza autopunitiva distorceram sua percepção, de tal modo que ela foi levada a concluir equivocadamente que aquela era a data de validade do preservativo.

Se você conhecesse a paciente em questão e soubesse o quão problemática e culposa é a relação dela com a própria sexualidade, essa explicação pareceria tão óbvia para você quanto é para mim.

Concluindo: os atos falhos mostram (até mais do que os sonhos, na minha opinião) que a existência do Inconsciente, tal como descrito pela Psicanálise, não é uma especulação dispensável, mas uma suposição absolutamente necessária para a compreensão do comportamento humano.


🔎 Os atos falhos não são simples distrações.

Eles são janelas para aquilo que você tenta esconder de si mesmo.

E a Psicanálise é a chave para entender o que se passa por trás desses pequenos “erros”.

Na Confraria Analítica, mergulhamos fundo nessas questões.

Toda semana, novas aulas ajudam você a compreender conceitos como este, de forma clara, organizada e aplicada à clínica.

🎓 Se você quer realmente entender o que Freud quis dizer quando falou de Inconsciente, está na hora de dar o próximo passo.

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