A jovem psicóloga trabalha em um hospital público e teve muita dificuldade para lidar com a crise de ansiedade de uma mulher grávida que se recusava terminantemente a fazer a cesariana.
A equipe médica convocou a presença de Vanessa esperando que a profissional conseguisse acalmar a paciente.
Mas isso não aconteceu.
Foi preciso administrar uma medicação ansiolítica para que a gestante se tranquilizasse.
Vanessa chegou em casa sentindo-se fracassada, incompetente e, ao mesmo tempo, revoltada com a falta de preparo da equipe médica para lidar com aquela situação.
Para compensar o agudo mal-estar que tomou conta de sua alma, ela passou no supermercado e comprou um delicioso bolo de chocolate, sua sobremesa preferida.
Embora esteja fazendo dieta e sendo acompanhada por nutricionista, a jovem não conseguiu resistir e comeu quase metade do bolo assistindo um reality show culinário.
Hoje de manhã, sentindo-se melhor, mas arrependida pelo descontrole alimentar da noite anterior, Vanessa decidiu levar o restante do bolo para seus colegas de trabalho e retomar a dieta.
O que aconteceu com essa psicóloga?
Metaforicamente, abriu-se um buraco dentro dela em função da experiência malsucedida do trabalho.
Contudo, por se tratar de um buraquinho superficial, ela deu conta de tamponá-lo com o bolo de chocolate e seguir em frente.
Pequenos buracos como esse fazem parte da vida de todo o mundo.
Tem dia que as coisas dão errado mesmo e a gente acaba precisando recorrer a algum meio de compensação. E que bom que eles existem!
O bolo de chocolate foi útil para ajudar Vanessa a suportar seu mal-estar. Ela comeu, se sentiu bem, percebeu que exagerou, se arrependeu e voltou para a dieta.
É assim mesmo. Faz parte. Ninguém é de ferro.
Porém… É importante deixar claro que essa moça só conseguiu se reequilibrar porque, como eu disse, o “buraco” que se abriu em sua alma era pequenininho e superficial.
Um buraco maior e mais profundo jamais seria preenchido com um simples bolo de chocolate.
Cuidado para não confundir um com o outro…
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O que acontece com uma pessoa que é criada por pais controladores e autoritários?
Existem, basicamente, duas possibilidades:
O sujeito desenvolve um caráter rebelde, reativo, revoltado ou se torna reprimido, tolhido, sufocado.
Esse segundo destino foi o de Cíntia, pseudônimo da paciente cujo caso clínico comentei na AULA ESPECIAL que foi publicada hoje (sexta) na CONFRARIA ANALÍTICA.
Na infância, essa moça conviveu com um pai distante e uma mãe que controlava sua rotina de forma extremamente rígida e minuciosa.
Um ambiente marcado pelo excesso de controle leva a criança a olhar para seus impulsos e tendências espontâneas como se fossem elementos perigosos.
Ao ser obrigado a se submeter a tantas exigências e imposições do outro, o sujeito acaba chegando à conclusão de que não pode confiar em si mesmo.
E foi justamente isso o que aconteceu com Cíntia. Ela se tornou uma pessoa insegura, sem autonomia e com medo do próprio desejo.
A repressão exercida pelo controle materno foi tão forte que a moça não conseguiu integrar sua s3xualid4de.
Resultado: falta de vontade de tr4ns4r, vagynysmo e… pensamentos obsessivos.
Sim. Como não é possível virar as costas para a próprio desejo sem algum tipo de “compensação”, Cíntia acabou desenvolvendo sintomas neuróticos.
Sua analista tem sentido dificuldade para ajudá-la. A paciente resiste a falar sobre suas obsessões e o tempo todo demanda conselhos e orientações.
Como manejar esse caso?
De que forma os pensamentos obsessivos de Cíntia estão articulados com a postura controladora da mãe?
Por que a paciente espera que sua terapeuta seja uma conselheira?
Estas e outras perguntas são respondidas na aula especial “ESTUDOS DE CASOS 06 – Da mãe controladora aos pensamentos obsessivos – o caso de Cíntia”, que já está disponível na Confraria.
Trata-se de uma mais uma aula do módulo ESTUDOS DE CASOS, em que comento casos clínicos reais enviados por alunos da nossa escola.
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Você está na cama, deitada, rolando o feed do Instagram, vendo alguns stories.
De vez em quando, vai para outra rede social enquanto à sua frente a TV exibe alguma bobagem dominical.
O dia foi ótimo. Após uma intensa semana de trabalho, você finalmente pôde acordar mais tarde, tomou um delicioso café da manhã e, como de costume, foi almoçar na casa dos seus pais.
Mas agora, no início da noite, você começa a experimentar um conhecido mal-estar — uma mistura de tristeza e ansiedade que te leva a pensar:
“Deve ser assim que pessoas deprimidas se sentem o tempo todo…”.
Você sabe muito bem de onde vem esse estado afetivo: ele anuncia a chegada de uma nova semana de trabalho no dia seguinte.
Há dois dias você estava eufórica, postando “Sextou!” no grupo das amigas e perguntando qual era a boa do fim de semana.
Pode parecer estranho que seu estado de humor tenha se alterado de forma tão drástica em tão pouco tempo.
Mas não é.
POR MAIS GRATIFICANTE E SIGNIFICATIVO que seja o seu trabalho, a verdade é que ele inevitavelmente envolverá boas doses de esforço, renúncia e comprometimento.
Ou seja, todo trabalho envolve necessariamente RESTRIÇÃO DE LIBERDADE.
Ainda que você goste muito do que faz, há dias em que gostaria de simplesmente passar o dia todo na praia. É ou não é?
Mas, evidentemente, 99% das pessoas não podem fazer isso.
Por quê? Por conta dos compromissos profissionais que assumiram.
Isso é normal, gente! É assim que a vida adulta funciona.
E é por essa razão que festejamos a sexta-feira!
Não é porque necessariamente não gostamos de nossos trabalhos, mas porque, para a maioria das pessoas (que não trabalham nos fins de semana), ela funciona como uma CARTA DE ALFORRIA:
Finalmente estamos livres para fazer o que QUISERMOS e não só o que TEMOS que fazer.
Nesse sentido, o mal-estar que nos acomete no fim do domingo é perfeitamente NORMAL e compreensível.
Se comemoramos nossa “libertação” na sexta-feira, é natural que lamentemos o retorno à “prisão” na segunda.
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Esta é uma pequena fatia da aula especial “O analista pode fazer anotações durante a sessão?”, que já está disponível no módulo “AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS” da CONFRARIA ANALÍTICA.
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Freud tinha uma visão utópica acerca do trabalho do psicanalista.
Ele acreditava que o terapeuta deveria ser capaz de escutar tudo o que o paciente diz com o mesmo nível de atenção e de forma absolutamente imparcial e objetiva.
Dessa forma, pensava Freud, o analista conseguiria fazer interpretações sem distorcê-las com suas expectativas ou inclinações pessoais.
Ora, qualquer profissional de Psicanálise (que seja franco e honesto) reconhecerá que essa visão é totalmente IDEALIZADA.
Na prática, por mais “analisado” que seja, nenhum psicanalista é capaz de apagar completamente sua pessoa e converter-se tão-somente num espelho 100% puro e cristalino.
Mas por que estou falando isso?
Porque foi nessa concepção utópica que Freud baseou sua clássica recomendação de que os analistas não deveriam ficar fazendo anotações durante as sessões com seus pacientes.
O médico vienense acreditava que tomar notas era algo que atrapalharia a atenção flutuante, isto é, a prática de prestar o mesmo grau de atenção a tudo o que o paciente fala.
E por que atrapalharia?
Porque, ao anotar a frase X, por exemplo, e não a frase Y, o terapeuta estaria fazendo uma SELEÇÃO do material, dando mais atenção à frase X do que à frase Y.
Ora, é óbvio que essa “seleção” é um processo praticamente inevitável, que acontece na cabeça de todo analista, ainda que ele não faça nenhuma anotação.
Porém, por conta de sua visão idealizada do psicanalista, Freud realmente achava que era possível manter a atenção flutuante o tempo todo…
Em 2007, Howard B. Levine escreveu um pequeno artigo em que apresenta um contraponto a essa recomendação freudiana de não fazer anotações.
Partindo de sua experiência clínica, o psicanalista norte-americano demonstra que, em certos casos, tomar notas durante a sessão pode FAVORECER a atenção flutuante ao invés de atrapalhá-la.
Ficou curioso para conhecer a visão de Levine?
Então, você precisa assistir à AULA ESPECIAL de hoje (sexta) na CONFRARIA ANALÍTICA.
Nela eu comento o artigo do autor e mostro que fazer anotações pode ser uma ótima ferramenta para certas situações muito comuns na clínica contemporânea.
O título da aula é “AULA ESPECIAL – O analista pode fazer anotações durante a sessão?” e já está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS.
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Desde o início de sua carreira como psicoterapeuta, Sigmund Freud, o criador da Psicanálise, se deparou com um fenômeno curioso, que ele chamou de RESISTÊNCIA.
O médico austríaco observou que seus pacientes pareciam EVITAR deliberadamente certos pensamentos que apontavam para a origem de seus sintomas neuróticos.
Eu digo que esse fenômeno é curioso porque ele aparentemente não faz muito sentido. Afinal, por que uma pessoa doente intencionalmente atrapalharia o trabalho do médico que deseja curá-la?
Estranho, né? Mas foi exatamente isso o que Freud constatou: seus pacientes queriam melhorar, mas, ao mesmo tempo, NÃO QUERIAM passar pelo processo necessário para a cura.
Como explicar essa aparente contradição com a qual todo psicanalista se depara em sua clínica?
A resposta está no entendimento de como se formam as nossas doenças emocionais.
Freud descobriu que a gente desenvolve problemas psicológicos na esperança de que, por meio deles, possamos resolver certos CONFLITOS PSÍQUICOS.
Conflitos entre certos desejos e nossas convicções morais.
Conflitos entre a percepção de uma realidade e a expectativa que tínhamos sobre ela.
Conflitos entre o amor e o ódio que sentimos por uma mesma pessoa.
Enfim, na tentativa de solucionar dilemas como esses, nós adoecemos. É como se os sintomas e inibições nos fizessem “esquecer” dessas questões.
Nesse sentido, o tratamento exigirá necessariamente levar o paciente a repensar seus conflitos a fim de ajudá-lo a encontrar outras formas de resolução que não passem pela via da doença.
É daí que vem a resistência!
Com efeito, se o sujeito adoeceu na esperança de resolver os conflitos, isso aconteceu justamente porque tais batalhas mentais provocam uma angústia quase insuportável.
Assim, é natural que ele RESISTA a retomar o contato com essas questões. A pessoa tem MEDO de voltar a experimentar aquela angústia.
Por isso, uma parte significativa do tratamento psicanalítico consiste em oferecer ao paciente o apoio necessário para que ele perca esse medo.
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Imagine que você está de boa na sua casa, mexendo no celular e aí, de repente, invadem seu domicílio e o sequestram.
Ao chegar ao suposto “cativeiro”, você descobre que, na verdade, será obrigado a participar de um JOGO.
Sim, um jogo.
Após retirarem a venda que haviam colocado sobre seus olhos, você percebe que está numa imensa sala com várias outras pessoas, igualmente sequestradas.
Os sequestradores simplesmente empurram você na direção de dois outros sujeitos que estão isolados num canto e dizem:
— Vocês três vão jogar juntos.
Aparentemente, aquelas duas pessoas parecem saber como funciona o game. Então, você resolve perguntar a elas como deve agir.
— Apenas faça o que a gente mandar e tente imitar o nosso comportamento. — diz uma delas.
Com medo de sofrer alguma punição, você resolve acatar essa orientação e começa a obedecer e a imitar aquelas pessoas mesmo sem entender nada do que está acontecendo.
Depois de algumas horas, uma delas (a mesma que lhe deu a orientação) aponta para o segundo sujeito e diz a você:
— Siga-o. Ele vai te mostrar onde está o manual do jogo. Depois de ler o documento, você poderá fazer jogadas por conta própria. Mas ainda não saia de perto de nós.
Essa historinha é uma alegoria que retrata metaforicamente o que acontece com a maioria de nós no início da vida.
O sequestro é o nascimento.
A sala que serve de cativeiro é o mundo.
O jogo é o que Lacan chamava de “ordem simbólica”.
As duas pessoas com quem você foi obrigado a jogar são seus pais.
E o manual do jogo é o que Lacan chamou de “Nome-do-Pai” ou “significante primordial”.
Eu disse que a alegoria representa o que acontece com a MAIORIA de nós porque o finalzinho da história é um pouco diferente para algumas pessoas.
Com efeito, os PSICÓTICOS não recebem aquela última instrução acerca do manual. Ou seja, eles não têm acesso ao significante do Nome-do-Pai.
Na AULA ESPECIAL desta sexta na CONFRARIA ANALÍTICA, eu exploro didaticamente essa alegoria para explicar como funciona esse processo atípico que Lacan chamou de “foraclusão”.
Além disso, com o auxílio de fragmentos do documentário “Estamira”, descrevo algumas das consequências da ausência do Nome-do-Pai na psicose.
O título da aula é “AULA ESPECIAL – Introdução à teoria lacaniana das psicoses (parte 02)” e já está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – LACAN.
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