O que leva uma pessoa a ser obsessiva ao invés de histérica?

Essa pergunta diz respeito ao clássico problema psicanalítico da “escolha da neurose”.

É óbvio que, ao utilizarmos o termo “escolha”, não estamos nos referindo a uma opção consciente e deliberada por uma forma de adoecimento em vez de outra.

O problema da escolha da neurose se refere aos FATORES que encaminham o sujeito na direção de uma forma específica de expressar seus conflitos psíquicos.

Com efeito, sabemos que o núcleo de ambas as neuroses é constituído por conflitos entre determinados impulsos sexuais e/ou agressivos e a imagem impecável que o sujeito aspira encarnar à luz de seus ideais.

Mas por que algumas pessoas “resolvem” esses conflitos reprimindo os impulsos e satisfazendo-os por meio de sintomas físicos e ataques de angústia ao passo que outras encontram uma saída para os conflitos construindo pensamentos obsessivos, rituais e outras formações defensivas?

Freud começou a tentar responder essa pergunta já no finalzinho da década de 1890.

Nessa época, ainda sem o conceito de sexualidade infantil, ele estava crente na teoria de que as neuroses eram causadas por experiências sexuais vivenciadas na infância.

Assim, inicialmente sustentou que a pessoa estaria sujeita a desenvolver histeria se tais experiências “precoces” tivessem sido PASSIVAS ao passo que a “escolha” pela neurose obsessiva ocorreria naqueles cujas vivências sexuais infantis tivessem sido ATIVAMENTE buscadas.

Em outras palavras, Freud acreditava que a histeria seria uma espécie de reação a abus0s sexuais sofridos na infância. Já a neurose obsessiva seria decorrente da prática prazerosa de atos sexuais protagonizados pelo sujeito quando criança — provavelmente como resposta a um abus0 prévio.

Em pouco tempo Freud descartou essa teoria ao se dar conta de que a presença de sexualidade nas crianças não é um acidente, mas uma propriedade essencial da vida infantil.

Tal constatação o levou a formular uma nova resposta para o problema da escolha da neurose.

Quer saber qual é essa nova resposta?

Falarei sobre ela numa AULA ESPECIAL que aqueles que estão na CONFRARIA ANALÍTICA receberão ainda hoje.

Até lá!


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4 traços da histeria em homens

Há tempos, várias alunas da Confraria me pedem: “Lucas, fala sobre a histeria masculina!”.

Pois bem, caríssimas, aí está!

Como eu sempre digo, a grande maioria das pessoas que possui uma estrutura subjetiva histérica é do sexo feminino, mas isso não significa que homens não possam ser histéricos.

Desde a Antiguidade, é mais fácil para as mulheres se constituírem histericamente porque os traços dessa estrutura se confundem um pouco com as características que tradicionalmente sempre foram atribuídas ao sexo feminino, como a tendência a se fazer desejar pelo outro ao invés de cobiçá-lo ativamente.

Com efeito, a sedução, por exemplo, atributo tipicamente histérico, sempre foi uma atitude muito mais associada às mulheres do que aos homens.

É por isso que o homem histérico pode ser tomado como um sujeito atipicamente muito feminino: “Que saco! Ele passa mais tempo no espelho do que eu”, dizem suas parceiras — o que não significa que todo homem vaidoso é necessariamente histérico…

Bom, mas eu quero continuar essa conversa lá na Confraria Analítica. Bora?

Ainda hoje, quem está na comunidade receberá uma aula especial sobre a histeria nos homens.

Te vejo lá!


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[Vídeo] Obsessivos nostálgicos do ser e histéricos militantes do ter

Neste vídeo: entenda por que o psicanalista Joel Dor designou os neuróticos obsessivos como nostálgicos do ser e os histéricos como militantes do ter.


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O dia em que um psicanalista proibiu sua paciente de cruzar as pernas

Certa vez o psicanalista húngaro Sándor Ferenczi estava atendendo uma paciente histérica que não melhorava de jeito nenhum.

Aí, ele resolveu adotar a mesma manobra técnica utilizada por Freud junto ao “Homem dos Lobos”: avisou à paciente que o tratamento acabaria dali a tantos meses, independentemente de como ela estivesse.

Funcionou?

No início, sim. A paciente deu uma melhoradinha, mas logo voltou a resistir à terapia, principalmente fazendo uso de uma intensa transferência erótica com Ferenczi.

Quando o chegou o prazo estabelecido, o médico honrou sua palavra e pôs fim ao tratamento.

Ferenczi acreditava que ainda havia muito trabalho a ser feito, mas a paciente se sentia bem.

E foi embora.

Alguns meses depois ela voltou a procurar o médico porque todos os seus sintomas haviam retornado.

Ferenczi relutou, mas acabou aceitando a paciente de volta.

Passou um tempo, ela melhorou um pouco, mas voltou a resistir ao progresso da terapia por meio da transferência erótica.

Ferenczi não sabia mais o que fazer para ajudar a moça, visto que até mesmo a manobra freudiana de fixação de um prazo não havia funcionado.

Foi aí que o médico passou a prestar atenção num detalhe:

Quando a paciente ficava descrevendo as fantasias eróticas que tinha com ele, ela volta e meia dizia que tinha “sensações por baixo”…

Depois de prestar atenção nisso, Ferenczi passou a observar que a paciente permanecia durante toda a sessão deitada no divã COM AS PERNAS CRUZADAS.

Ele se lembrou, então, que muitas mulheres se masturbam de forma disfarçada apertando uma coxa contra a outra…

O médico perguntou se a paciente costumava fazer isso, mas ela disse que nunca, jamais.

Depois de um bom tempo matutando, Ferenczi chegou à conclusão de que talvez aquela postura de pernas cruzadas poderia ser uma forma INCONSCIENTE de masturbação.

Em outras palavras, a paciente estaria, sem saber, se masturbando a sessão inteira fantasiando com seu terapeuta.

Apostando nessa hipótese, Ferenczi decidiu proibir a paciente de ficar com as pernas cruzadas!

Qual foi o resultado?

Isso eu te conto na aula especial que os membros da CONFRARIA ANALÍTICA receberão ainda hoje sobre a TÉCNICA ATIVA proposta por Ferenczi.

Te vejo lá!


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[Vídeo] Entenda a relação do obsessivo e da histérica com o desejo do Outro

Neste vídeo: conheça a estrutura das fantasias com as quais o sujeito responde ao desejo do Outro na histeria e na neurose obsessiva.


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Enquanto os obsessivos são nostálgicos do ser, os histéricos são militantes do ter

No clássico (e, infelizmente, esgotado) livro “Estruturas e Clínica Psicanalítica”, Joël Dor propõe a seguinte tese:

“Se pude dizer que os obsessivos são uns NOSTÁLGICOS DO SER, pode-se igualmente dizer que os histéricos são uns MILITANTES DO TER.” (p. 67, gritos do autor).

Para o autor, a gênese das estruturas histérica e obsessiva está diretamente relacionada a certas condições relativamente comuns que podem se apresentar ao sujeito quando criança.

No caso da obsessão, teríamos invariavelmente na infância a relação com um Outro que mantém o sujeito numa posição de objeto suplementar de seu desejo.

Em outras palavras, a criança percebe que o Outro deseja coisas que estão para-além dela, mas entende que essas outras coisas não são suficientes para dar conta do desejo do Outro.

Assim, o sujeito é levado a crer que ocupa uma posição privilegiada junto a esse Outro e que é o seu DEVER mantê-lo sempre satisfeito.

Por isso, o obsessivo teria essa eterna NOSTALGIA DE SER o objeto que não deixa o Outro “a desejar”…

Na histeria, por sua vez, teríamos uma configuração diferente, ligada ao momento da infância em que o sujeito precisa reconhecer que tanto ele quanto o Outro não são completos.

Dependendo do modo como é apresentada a essa “descoberta”, a criança pode ser levada a acreditar que a incompletude não vale para todos e que ela é, na verdade, uma INJUSTIÇA.

Para o histérico, existem alguns Outros que indevidamente possuem o privilégio de serem completos e, por isso, precisam ser “castrados”.

Colocar-se a serviço do Outro, por exemplo, costuma ser uma típica estratégia histérica para manter o Outro castrado: “Se ele precisa de mim, é porque é carente e incompleto. 😌”.

Quanto à sua própria incompletude, o histérico a reconhece, mas a considera, como eu disse acima, uma injustiça.

“Sou incompleto, sim”, ele diz, “mas só porque o Outro me fez assim, privando-me daquilo que me faria inteiro e feliz”.

Por isso, o histérico passa a vida MILITANDO, reivindicando, se queixando daquilo que ele acha que somente uns privilegiados têm, mas que, na verdade, NINGUÉM TEM…


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Histeria e obsessão: respostas neuróticas ao desejo do Outro

Originalmente, histeria e neurose obsessiva eram termos que designavam tão-somente transtornos mentais.

Por outro lado, desde o início de sua abordagem dessas patologias, Freud observou que em cada uma delas haveria uma constelação específica de traços de personalidade.

Na histeria, por exemplo, haveria quase sempre uma atitude de repúdio à sexualidade ao passo que na neurose obsessiva normalmente se encontraria, dentre outros traços, um crônico sentimento de culpa.

Lacan, por sua vez, propôs que histeria e neurose obsessiva seriam, na verdade, não apenas categorias psicopatológicas, mas as duas posições subjetivas possíveis para uma pessoa neurótica.

No pensamento de Lacan, o neurótico pode ser pensado como o sujeito que trava sua vida em função da pergunta “O que o Outro deseja?”.

Empacado diante desse problema, o neurótico constrói uma fantasia e passa a viver nela, protegendo-se da constatação de que não há resposta definitiva para aquele mistério.

O obsessivo vive na fantasia de que precisa ser completo, autônomo, tendo tudo sob controle. Para se proteger da questão sobre o desejo do Outro, ele tenta fingir que o Outro não existe.

Daí o desespero em que se vê quando sua parceira se recusa a encarnar o papel de um simples objeto, ou seja, quando resolve se manifestar como uma Outra pessoa de verdade.

A fórmula do amor do obsessivo é “Eu amuminh’a mulher” (amor + múmia). Com efeito, para ele, a mulher ideal é uma mulher… morta.

A histérica, por sua vez, encara de frente a questão do desejo do Outro. Sua saída, no entanto, não é melhor que a do obsessivo:

Na histeria, o sujeito tenta encarnar o objeto que supostamente seria a causa do desejo do Outro.
Percebam: a histérica não quer ser o objeto que satisfaz o Outro. Ela busca se converter no objeto que CAUSA o desejo.

É como se ela pensasse: “Se o Outro deseja, logo eu existo, pois sou exatamente o objeto que o faz desejar”.

Daí sua famosa insatisfação crônica: para ela nunca está bom, está sempre faltando alguma coisa…

Precisa faltar! Encarnando em fantasia o papel de objeto causador do desejo do Outro, a histérica só pode sustentar sua existência se mantiver o Outro num estado perpétuo de carência.


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Você possui um olhar HISTÉRICO em relação à vida?

Originalmente, histeria era o nome dado a um tipo de adoecimento conhecido desde a Antiguidade em que a pessoa pode apresentar sintomas físicos como dores, dormências, paralisias bem como desmaios e crises aparentemente convulsivas. Todavia, num quadro histérico, nenhuma dessas manifestações é causada por fatores orgânicos. A origem delas é totalmente psíquica ou, como se costuma dizer atualmente, emocional.

Atualmente, no meio médico, não se utiliza mais o termo histeria. Um psiquiatra, por exemplo, falaria em “transtornos dissociativos, conversivos e somatoformes” para se referir a um quadro clínico como o descrito acima.

Na psicopatologia psicanalítica, a categoria de histeria permanece válida. Contudo, hoje em dia os analistas entendem que a histeria não se refere apenas a uma entidade clínica, mas é também UM MODO DE SE POSICIONAR DIANTE DA VIDA ou, se você preferir, uma estrutura de personalidade.

A pesquisa psicanalítica evidencia que os sujeitos histéricos não conseguiram encontrar uma saída para uma questão humana fundamental que nos é apresentada já nos primeiros anos de infância: o problema da diferença entre os sexos.

Para todo o mundo é difícil fazer o reconhecimento de que homem e mulher são apenas diferentes, isto é, que não existe um sexo superior ou inferior ao outro. O histérico, contudo, ficou preso a essa dificuldade e não conseguiu sair desse impasse. É isso que está implícito nas noções freudianas de “medo da castração” e “inveja do pênis”. O menino só tem medo de ser castrado porque acredita que há seres que efetivamente o foram: as mulheres. A menina, por sua vez, só tem inveja do pênis porque imagina que esse órgão confere completude aos homens.

O sujeito histérico é aquele que não conseguiu ultrapassar essas ilusões infantis. Ele continua achando que existem pessoas que são completas, plenamente felizes, que possuem tudo, ao passo que outras (entre as quais ele se inclui) são impotentes, faltosas, incompletas. Cronicamente insatisfeito, o histérico está sempre numa postura de queixa e reivindicação, denunciando a suposta completude do outro.

Você possui esse olhar histérico em relação à vida ou conhece pessoas que o possuem?


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Dora: a jovem que disse NÃO para o dr. Freud

A partir do dia 10/05/2021 (segunda-feira) começaremos a estudar na CONFRARIA ANALÍTICA o caso clínico de Dora, uma jovem histérica de 18 anos, atendida por Freud e que abandonou o tratamento após apenas de 3 meses de terapia.

Quem era essa moça que ousou dizer não para Freud? Quais eram os seus sintomas? Como se estruturou sua neurose? Por que Freud fracassou na condução desse caso?

Essas são algumas das perguntas que buscaremos responder nos próximos meses ao longo de nossas aulas ao vivo, sempre às segundas-feiras às 20h.

Para participar dessa jornada de estudos, você precisa fazer parte da CONFRARIA ANALÍTICA. A Confraria é uma comunidade online para quem deseja estudar Psicanálise junto comigo de forma séria, rigorosa e profunda. Saiba mais clicando aqui.

3 traços da estrutura histérica

Na matriz clássica da Teoria Psicanalítica distinguimos duas grandes estruturas neuróticas: a obsessiva e a histérica.

Já falei em outro momento sobre alguns traços da estrutura obsessiva e agora é a vez de falarmos sobre os histéricos.

Assinalo que esses são apenas alguns dos principais traços que caracterizam a estrutura histérica. Existem vários outros sobre os quais podemos refletir em outro momento.

1 – RESSENTIMENTO: O sujeito histérico não conseguiu admitir o fato de que ninguém possui o falo, ou seja, o fato de que todo o mundo é faltoso, carente, incompleto, vulnerável. O histérico trabalha com a crença inconsciente de que existem pessoas inteiramente satisfeitas, poderosas, inabaláveis e de que ele faz parte do grupo daqueles que foram injustamente privados dessa plenitude. Na mulher, esse traço se manifesta amiúde no sentimento constante de estar sendo injustiçada e no homem apresenta-se na preocupação excessiva com sua virilidade (“Será que sou um homem de verdade?”).

2 – SUBMISSÃO AO DESEJO DO OUTRO: Como o sujeito histérico se sente injustamente prejudicado e privado de fazer parte do grupo dos poderosos, completos e inabaláveis, ele tende se colocar de maneira infantil diante do outro a quem atribui esse lugar de superioridade. De fato, o histérico encara esse outro como o detentor de todos os segredos e como aquele que sabe o que é melhor para ele (histérico). Por isso a hipnose funcionava tão bem com as histéricas do século XIX e é também por essa razão que os homens histéricos estão constantemente se lamentando por não serem como o fulaninho, a quem atribuem o status de “homem de verdade”.

3 – IDENTIFICAÇÃO FÁLICA: Outra crença inconsciente sempre presente no sujeito histérico é a de não ter sido suficientemente amado quando criança, de não ter ocupado juntos aos pais (especialmente a mãe) o lugar de falo, ou seja, de objeto ideal do desejo deles. Assim, o histérico passa a vida tentando exercer essa função fálica, só que agora para outras pessoas. É por isso que os histéricos tendem a ser sedutores: querem ser o tempo todo desejados, colocados no lugar de objeto privilegiado do outro. Excesso de ciúme e submissão a humilhações na tentativa de recuperar o amor do outro podem ser algumas das formas de manifestação desse traço em ambos os sexos.

Ao observar esses três traços, vem à sua mente a imagem de alguma pessoa específica? De você mesmo? 😅


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Não são as respostas que movem o mundo. São as histéricas.

Originalmente, histeria era um termo utilizado para designar uma variedade de quadros psicopatológicos, mais frequentes em mulheres, que tinham como traço comum a aparência de serem simulações. Com efeito, as histéricas apresentavam diversos sintomas físicos como dores, paralisias de membros e desmaios, mas não possuíam nenhum problema real em seus corpos. Pareciam, portanto, estarem simulando doenças para “chamar a atenção”.

Freud descobriu que, de fato, era isso mesmo. As histéricas inventavam doenças para chamar a atenção. No entanto, esse processo não acontecia de modo consciente. Além disso, Freud não olhou com menosprezo para o desejo histérico de chamar a atenção. Pelo contrário, decidiu investigá-lo para tentar entender o que levaria alguém a simular uma doença real e sofrer por conta disso apenas para conseguir chamar a atenção. Por que a atenção seria tão importante para aquelas mulheres?

A conclusão de Freud foi a de que elas precisavam da doença para chamar a atenção porque viviam em um contexto no qual não podiam se expressar espontaneamente. A fabricação de uma doença era o único meio de que dispunham para manifestar sua revolta contra a a civilização que, para funcionar, precisa necessariamente produzir dejetos, restos, lixo.

Ao adoecerem, as histéricas denunciavam a falsa paz da sociedade de sua época, obtida às custas do silenciamento da espontaneidade feminina. Foi graças a elas que Freud se viu levado a investigar o esgoto que a civilização produz em cada um de nós e batizá-lo de Inconsciente. Foi também pela incitação delas que o médico vienense se aventurou a mapear a sexualidade humana.

As histéricas são aquelas que não admitem a hipocrisia inerente ao laço social. São aquelas que se revoltam diante de situações para as quais a maioria das pessoas diz: “Deixa pra lá, é assim mesmo, sempre foi”. Incapazes de se submeterem passivamente às ordens do outro, são aquelas que questionam a tradição e apontam para aquilo que ela sufoca, reprime, apaga.

Se não fossem os gritos, as reclamações, os escândalos das histéricas, o mundo seria imóvel, previsível e chato.


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“Os histéricos sofrem de reminiscências”

A frase que dá título a esta postagem foi enunciada por Freud como uma fórmula conclusiva a respeito da origem dos sintomas dos primeiros pacientes histéricos que ele e Breuer atendiam lá no fim do século XIX.

Freud constatou que os sintomas físicos apresentados pelos histéricos eram uma espécie de monumento erguido em homenagem a um trauma emocional vivido há meses ou mesmo há anos. Os sentimentos que outrora não haviam sido expressos encontravam na doença uma forma de serem repetidamente descarregados.

Pensar o adoecimento emocional como resquício de um passado mal digerido é uma das principais contribuições da Psicanálise para a Psicopatologia. Afinal, quando olhamos ingenuamente para alguém em sofrimento, tendemos a pensar que se trata de uma resposta do sujeito a coisas que estão acontecendo atualmente com ele. De fato, as circunstâncias presentes são fatores importantes e devem ser levados em conta, mas o que aprendemos com a Psicanálise é que, na maioria dos casos, o que acontece no presente funciona apenas como um GATILHO para a evocação de traumas do passado.

Uma pessoa pode, por exemplo, desenvolver um episódio depressivo após ter sido demitida do trabalho. Isso não significa, contudo, que foi a demissão o fator que efetivamente causou a depressão. É muito mais provável que o fato de ter sido mandado embora tenha ATUALIZADO para esse sujeito outras “demissões” sofridas por ele na adolescência ou na infância e das quais nunca conseguiu de fato esquecer, como o período em que ficou distante da mãe e fantasiou que ela o havia abandonado.

Um dos objetivos da Psicanálise é alterar o modo como o paciente se relaciona com seu passado. Afinal, quem procura a ajuda de um analista o faz justamente por não suportar mais sofrer as consequências de viver fugindo da própria história. No divã, o paciente é convidado a integrar o passado, único caminho possível para evitar que ele continue se presentificando.

[Vídeo] Histeria e Psicanálise: ENTENDA TUDO | Aula 03

Nesta aula: quatro traços típicos da estrutura histérica: insatisfação crônica, sedução/dramatização, repúdio à sexualidade e compulsão a “castrar” o outro.

Vem aí a CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise a sério. Fique ligado nas minhas redes sociais para saber mais informações e data de lançamento.

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Desabafo não é terapia: entenda por que Freud abandonou o método catártico

Desabafo não é tratamento. Foi por se dar conta disso que Freud abandonou o método catártico. Lucas, mas o que é esse tal de método catártico de que você fala?

Vamos lá: no final do século XIX, Freud, um jovem neurologista que desejava ser pesquisador universitário, começou (meio a contragosto) a atender pacientes com o objetivo de fazer algum dinheiro. Com efeito, o pobre rapaz queria desposar sua amada Martha Bernays.

Um amigo e colega mais experiente chamado Josef Breuer, cuja clínica já era bastante reconhecida e bem-sucedida na Viena dos anos 1890, vinha experimentando um novo método de tratamento da histeria, baseado na aplicação da famigerada técnica da hipnose.

O tal método consistia em hipnotizar o paciente histérico e, durante esse estado de consciência rebaixada, exortar o doente a se lembrar e relatar as ocasiões exatas em que seus sintomas haviam aparecido. Quando o paciente conseguia fazer isso, o resultado era uma explosão emocional, indicando que a narrativa dos episódios que estavam na origem dos sintomas possibilitava a DESCARGA de sentimentos que estavam represados na mente do paciente. Não por acaso, após tais relatos acompanhados desses arrebatamentos emocionais, o paciente se via livre do sintoma que estava sendo investigado.

Eis, portanto, o método catártico. Esse termo foi cunhado por Breuer e Freud tomando como referência o termo “catarse”, de origem grega (“kátharsis”) e que designa a ideia de purificação ou purgação. Num sentido metafórico, o método inventado por Breuer levava o paciente a se “limpar” das “sujeiras” emocionais que ele vinha inconscientemente guardando.

Influenciado por Breuer, Freud inicialmente também experimenta o método catártico com seus pacientes histéricos e conquista muitos êxitos. Contudo, por não se considerar um hipnotizador muito bom e, principalmente, por se dar conta de que as melhoras obtidas por seus pacientes não se mantinham com o passar do tempo, o fundador da Psicanálise decide abandonar tanto a hipnose quanto o método criado por Breuer.

Freud se dá conta de que o método catártico possibilita que o paciente “coloque para fora” os sentimentos que lá atrás haviam sido sufocados, mas não ajuda o paciente a discernir os motivos pelos quais essa repressão havia acontecido. É por isso que a pessoa voltava a adoecer: com efeito, diante de novos desafios emocionais, o paciente voltava a utilizar a mesma estratégia defensiva do passado que havia dado origem aos antigos sintomas.

Além disso, Freud percebe também que não era necessário hipnotizar o doente para ter acesso à dimensão inconsciente da psique dele. Bastava exortar o paciente a falar de forma espontânea tudo o que lhe viesse à cabeça. É essa nova técnica, a associação livre, que estará na base do novo método terapêutico, desta feita inventado por Freud, denominado Psicanálise.

[Vídeo] Histeria e Psicanálise: ENTENDA TUDO | Aula 02

Nesta aula: como Freud passou da teoria da sedução para a teoria da fantasia na busca por encontrar as causas da histeria na infância.

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