Não pense na morte

Não pense na morte. Nunca. Pensar na finitude da existência é como pensar na finitude do desejo após o gozo. O sexo levado às últimas conseqüências. Superlativo à enésima potência da expressão “vias de fato”. Mas saiba que o jorro do esperma e os gemidos escaldantes desembocam em silêncio no buraco-negro da repulsa. Mas nunca se esqueça: viva com a morte no limiar da consciência. Nós não somos capazes de acreditar em paraíso nenhum [muito menos em inferno]. Nós esperamos que o paraíso esteja aqui, aqui mesmo. Não, nunca pense na morte. Você acharia insuportável a eternidade. Já pensou num orgasmo infinito? Essa é a melhor imagem para descrever a eternidade. O orgasmo é uma experiência de morte. Sem saber que no final haverá um culpado não faz sentido ler um policial. É por isso que você não deve pensar na morte. Porque se pensar, vai se dar conta de que só existe o nada. O marasmo, a repulsa ao desejo, o limite. E aí você vai querer com todas as forças acreditar que existe um para-além. E terá a maldita certeza vagante de que não há. E você vai querer apressar as coisas…

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