“Na dúvida, é melhor ser passivo”: Ronaldo, o ato-falho encarnado

ronaldo-gordoFoi com o chiste acima que o jogador Ronaldo Nazário de Lima, vulgo Ronaldo Fenômeno terminou de responder a uma pergunta sobre a influência do sexo antes de uma partida no programa Altas Horas da TV Globo.

Essa foi mais uma amostra da característica mais marcante de Ronaldo. Não, não estou falando de suas arrancadas ou de sua facilidade para marcar gols. Falo desse traço de caráter bastante comum nas celebridades que chamei de “auto-sabotador”. Ronaldo parece fazer questão de queimar o próprio filme. Que os freudistas de plantão não pensem que estou falando do tal masoquismo. Não! Apesar do jogador ter certa predileção por “mulheres com algo a mais” não creio que ele seja perverso.

Ronaldo está mais para aquele tipo de pessoa que Freud chamou de “arruinados pelo êxito” no texto “Alguns tipos de caráter encontrados no trabalho psicanalítico”, de 1916. Tais pessoas parecem ser incapazes de tolerar a felicidade, acabando por prejudicarem a si mesmas no momento em que realizam seus desejos e anseios. Isso é absolutamente paradoxal e sobretudo para Freud o foi, uma vez que ele estava acostumado a tratar pacientes cuja neurose se inciava a partir de uma frustração, de um desapontamento e não do sucesso.

O histórico de “auto-sabotagens” de Ronaldo começou a partir da Copa do Mundo de 98. Lembram-se da “amarelada”, que na verdade foi uma convulsão cujo mistério poderia estar no livro “Estudos sobre Histeria”? A partir dali, foi ruína em cima de ruína: a começar pelas contusões. A cada vez que Ronaldo estava num momento ótimo de sua carreira, sobrevinha uma contusão no joelho, que, salvo a selvageria analítica, poderia muito bem ser enquadrada no que a gente chama de “compulsão à repetição”. A partir do ano passado as “auto-sabotagens”, além do corpo, foram estendidas para a imagem de Ronaldo na mídia: o escândalo com os travestis, as fotos tiradas do jogador bem rechonchudo fumando e, mais recentemente, as baladas e atrasos nos treinos.

Como é que a gente explica todos esses comportamentos esdrúxulos?

Para Freud, trata-se do bom e velho superego dizendo: “Você pode ser tudo menos igual ou maior que seu pai. Goze da vida do jeito que dá: sendo mais um Zé Mané como os outros.”  Forbes  compartilha dessa idéia de Freud, mas prefere analisá-la sob um outro ponto de vista.

O psicanalista vê nas “auto-sabotagens” de Ronaldo, Amy Winehouse, Britney Spears, Michael Jackson e companhia limitada, uma maneira burra de lidar com a principal consequência do sucesso: o destaque do resto dos mortais. Quem faz sucesso torna-se só pois torna-se único (Só existe um fenômeno). Portanto, não pode mais se reconhecer nos outros, o que, em se tratando da espécie humana é terrível. A saudade desse reconhecimento faz com que os “fenômenos” tentem voltar a sermerosacontecimentos naturais. Alguns conseguem fazer isso de forma criativa: Romário, por exemplo, ficou mascarado; Pelé “dividiu-se” entre o Edson Arantes e o Pelé propriamente dito.

Outros, porém, e entre eles está Ronaldo, só conseguem descer do pedestal em que foram colocados levando tombo, se machucando, fazendo ato-falho…

SERVIÇOS:

Veja abaixo o vídeo com a entrevista de Ronaldo no Altas Horas:

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3 comentários sobre ““Na dúvida, é melhor ser passivo”: Ronaldo, o ato-falho encarnado

  1. Para mim esse tal “Fenômeno” não está com nada, é muito mais que um simples mortal, é um coitado. Não é nada além dos muitos milhões que ganhou sem fazer muito esforço durante uns anos de carreira. Se tornou um cara sem limites,que não dá valor a nada e nem a ninguém…muito menos a si mesmo…como se tudo fosse compravél…as Ferraris…as Mulheres…as Mansões…o Luxo…Pobre infeliz…quem realmente o “ama” pelo que é e não pelo que tem? Triste país, onde tantos passam toda uma vida na batalha e são pouco valorizados …e…uns poucos ganham tanto e se perdem no meio do caminho. Pelo menos uma coisa essas pessoas devem ao país que os destacou…o bom exemplo e o respeito. Está na hora desse “Fenômeno” crescer…a fase “Ronaldinho” passou há tempos…Que ídolo é esse?!

  2. Mas me contaram que ele pegou mesmo os travestis!
    Pode negar, mas pegou sim, queria experimentar algo novo, uma mulher “tunada”, com um acessório a mais.
    Procurem a foto do traveco, se ele realmente confundio “aquilo” como mulher, ele tem um disturbio sério de percepção de generos. O cara chamado “andreia” ou o traveco envolvido,tem mais caracteres masculinos que o próprio Ronaldo.

  3. Olá,
    Que importância teria o olhar, nesta questão ‘ronaldiniana’, então? Um ‘novo’ Ronaldo, um que obteve sucesso financeiro e profissional, teria que, necessariamente, ser dono de uma psique ‘reformada’, surgida deste sucesso? As mudanças exteriores poderiam, de fato, alterar a imagem que ele faz de si mesmo e, consequentemente, seu carater? De que forma seu superego sabotador poderia se transformar em um outro que pudesse aceitar um sucesso que, pelo que tudo indica, desencadeia um esforço inconsciente para que ‘um mesmo’ Ronaldo se restabeleça dele? E, ainda, a “solução Romário” não estaria mais de acordo com alguma espécie de ‘drible’ em uma verdade que é melhor escondida por ele ou por uma ‘máscara’ que pode enganar? Seria, para nós, mais fácil aceitar uma “máscara” do que uma cara deslavada de insucesso? Por que um Ronaldinho parece importunar mais que um Romário? Não seria, enfim, a questão desse olhar sobre si, a de todos nós, posto que todos temos a ‘triste incumbência’ de, para sermos capazes de assumir nosso desejo e, por conseguinte, nosso sucesso diante da vida, ‘matar’ esse pai que amamos e odiamos, esse pai que precisamos superar para sermos ‘iguais ou maiores’ que ele, e não seria essa, a questão da morte? Falta de identificação e a idéia da morte não estão sempre juntas? Falar, então, sobre esses dois rapazes, não me parece tão simples e acarreta, em mim, um olhar mais consternado que reprovador e me leva a pensar no desamparo e na solidão em que milhares de pessoas (milhões? mais?) se encontram, sendo relegadas a própria sorte e não-saber (burrice?), e confrontadas constantemente com uma cobrança sobre sucesso, seja ele em que aspecto desse nosso papel aqui, o de sermos humanos, especialmente hoje em dia, em que parecemos viver no que se tem chamado de “a Era do ego”. Uma Era, em que o olhar do outro só dificulta mais ainda o enfrentamento do olhar de um superego tirânico. O que faríamos nós, ‘cidadãos pacatos e anônimos’, se derepente fôssemos flagrados num deslize qualquer que só dissesse respeito a nós mesmos (como só a nós diz respeito nossas preferências sexuais) e esse deslize fosse levado à público, julgado e condenado (ou absolvido) por esse mesmo público? Talvez mentíssemos sim, e terminássemos por nos convencer de uma mentira que pudesse explicar e justificar a nós mesmos um deslize que poderia ter sido o de desfrutar de um sucesso que, públicamente, não tivéssemos coragem de assumir.

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