Lucas Nápoli é psicólogo, psicanalista e professor. Possui os títulos de Doutor em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É autor do livro "A Doença como Manifestação da Vida".
Toda vez que você passa por uma experiência que não dá conta de digerir emocionalmente, é como se um “cisco” penetra na sua alma.
E, da mesma forma que nossos olhos não param de piscar na tentativa involuntária de expulsar um cisco, assim também a nossa alma não para de… RECRIAR O TRAUMA na busca por eliminá-lo.
Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Esse corte foi extraído da nossa última aula AO VIVO de segunda-feira na CONFRARIA ANALÍTICA. Hoje, a partir das 20h, teremos mais um encontro. Estamos estudando linha a linha o texto de Freud “Sobre o narcisismo: uma introdução”. Te vejo lá!
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Neste vídeo: entenda como foi a história de criação dessa que é a técnica terapêutica mais “mineirinha” de todas.
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Cansada de não conseguir ser feliz no amor, Jussara, uma engenheira de 35 anos, decide procurar o psicanalista Pedro a fim de compreender o que acontece consigo.
Na primeira sessão, a moça fala sobre seus últimos relacionamentos e como eles terminaram:
“O Paco foi o último. No começo (como sempre) eu achei que finalmente tinha encontrado o homem da minha vida: atencioso, carinhoso, sensível…”.
“Mas, com dois meses, já vi que tinha entrado de novo numa furada. Você acredita que ele queria que eu parasse de trabalhar por que, segundo ele, ‘em obra só tem macho’?”.
— E o que você falou quando ele te disse isso?, pergunta o analista.
“Ah, eu virei uma onça! Falei com ele que eu tinha saído cedo de casa justamente porque meu pai queria controlar cada passo que eu dava. Foi aí que a gente começou a brigar”.
— Hum… Então quer dizer que o Paco se parece com seu pai?
“Ele e os outros, né? Todo homem que eu arrumo tem isso de querer me controlar. Às vezes eu acho que é karma, só pode”.
Entusiasmado por ter extraído da paciente a confissão desse padrão, Pedro decide formular uma interpretação explicativa:
— Toda menina se apaixona pelo pai quando criança. Talvez você ainda esteja inconscientemente apaixonada pelo seu.
Jussara faz um semblante de estranhamento misturado com uma leve irritação.
O analista continua:
— Por isso só escolhe homens parecidos com ele e relacionamentos que não dão certo. Dessa forma, você satisfaz a saudade do colo do papai e, ao mesmo tempo, não deixa ninguém ocupar definitivamente o lugar dele no seu coração.
A fim de estimular a paciente a ficar pensando sobre sua interpretação, Pedro decide encerrar a sessão logo depois dessa fala.
Apesar de dizer que voltaria na semana seguinte, a paciente sai do consultório pensando: “Esse cara é um completo maluco. Vê se pode? Eu, apaixonada pelo papai? Nunca mais volto aqui”.
Se Pedro tivesse assistido à AULA ESPECIAL que será publicada ainda hoje na CONFRARIA ANALÍTICA, ele provavelmente não teria perdido essa paciente.
Nessa aula eu comento algumas orientações de Freud acerca de como o analista deve trabalhar no início do tratamento.
Pedro saberia que não se deve fazer interpretações logo na primeira sessão.
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Esse termo designa basicamente uma atitude oposta ao excesso de autocobrança — queixa frequentemente encontrada nos consultórios de terapeutas atualmente.
Uma pessoa autocompassiva olha para si mesma de modo compreensivo e amoroso, ciente de que não é capaz de dar conta de tudo e de que pode cometer erros.
Em outras palavras, um indivíduo que desenvolveu a competência da autocompaixão NÃO PEGA PESADO CONSIGO MESMO.
Por outro lado, sujeitos que não são autocompassivos comportam-se como verdadeiros carrascos de si mesmos, fazendo-se cobranças exageradas e não admitindo nenhum tipo de falha.
Ajudar o paciente a desenvolver autocompaixão deveria ser um dos propósitos de qualquer tratamento psicoterapêutico, seja ele psicanalítico ou não.
Todavia, não devemos confundir autocompaixão com AUTOCOMPLACÊNCIA.
Não se cobrar de forma exagerada é diferente de pegar leve consigo mesmo.
Assim como o excesso de autocobranças, a autocomplacência também é um fator que contribui para a deterioração da saúde mental.
Há muitas pessoas, por exemplo, que permanecem presas a condições de adoecimento emocional porque não se dispõem a fazer o mínimo necessário para sair delas.
Volta e meia atendo jovens universitários que se queixam de uma suposta INCAPACIDADE de se concentrarem nos estudos em casa.
Quando eu pergunto se eles LUTAM contra a distração, a resposta é geralmente negativa.
Diante da DIFICULDADE de concentração, a pessoa simplesmente desiste de estudar. Ela não se ESFORÇA para retomar a atenção depois de momentos de distração.
O nome disso é AUTOCOMPLACÊNCIA, ou seja, uma propensão a exigir de si MENOS do que se é capaz de dar conta.
A concentração, por exemplo, assim como diversos outros aspectos do funcionamento psicológico, precisa de EXERCÍCIO para ser desenvolvida — e não exercício leve.
Você não se tornará fisicamente forte levantando pesos que não te causam nenhum desconforto.
Da mesma forma, não é possível conquistar uma saúde mental fortalecida pegando leve consigo mesmo e desistindo diante de qualquer mínimo obstáculo.
Seja autocompassivo, mas não seja autocomplacente.
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Imagine o quão chato, pobre e sem graça o mundo seria sem a obstinação dos obsessivos, a insatisfação dos histéricos, o olhar crítico dos deprimidos…
Não se trata de glamourizar ou romantizar as doenças da alma, mas de constatar o fato óbvio de que nossos sintomas, apesar de dolorosos, podem, como diz Clarice, sustentar o edifício de nossas vidas.
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Eventuais insights só acontecem quando falamos com a suposição de que TEM ALGUÉM OUVINDO o que estamos dizendo. É só falando livremente com um outro que a gente consegue SE ESCUTAR.
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No início dos anos 1920, Freud fez uma descoberta muito interessante:
A de que muitos homens desenvolvem na infância a fantasia de que podem ser castrados por seus pais.
Essa crença ilusória seria reforçada por ameaças dos adultos feitas geralmente em tom de brincadeira: “Pare de mexer no seu piupiu senão eu vou cortá-lo, hein?”.
Além disso, Freud deduziu que, diante do desconhecimento de como funciona a genitália feminina, crianças de ambos os sexos tenderiam a explicar a ausência do pênis nas meninas como sendo resultado de uma castração.
O medo imaginário de serem castrados levaria os meninos a renunciarem à prática da masturbação infantil e ao desejo incestuoso pela mãe.
As meninas, por sua vez, acreditando ilusoriamente que são castradas, seriam levadas a esperar uma compensação por tal infortúnio — geralmente, um bebê a ser gerado pelo pai.
Em ambos os casos, a fantasia de castração leva a criança fazer uma TROCA: ela abandona determinas coisas para poder desejar outras que acabam funcionando como SÍMBOLOS da primeira.
No caso do menino, ele abandona a satisfação autoerótica e o desejo pela mãe em troca da identificação com o pai e da possibilidade de desejar OUTRAS pessoas.
No caso da menina, ela renuncia ao anseio de ter um pênis em troca da identificação com a mãe e do desejo de receber OUTROS objetos.
Portanto, a fantasia de castração pode ser vista como um fator de promoção do amadurecimento na medida em que leva a criança a sofisticar e ampliar suas possibilidades de desejo no mundo.
A psicanalista francesa Françoise Dolto foi quem melhor desenvolveu essa ideia por meio da criação do termo CASTRAÇÃO SIMBOLIGÊNICA.
Para a autora, ao longo do desenvolvimento, a criança passa por diversos momentos que podem ser metaforicamente descritos como “castrações”.
Em todos eles, precisa acontecer um processo de TROCA de um objeto ou meio de satisfação por outros muito mais amplos, humanos e amadurecidos.
Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá ainda hoje (sexta) uma AULA ESPECIAL em que explico as quatro castrações propostas por Dolto e as condições para que elas sejam, de fato, SIMBOLIGÊNICAS.
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Em 1904, o psiquiatra Leopold Löwenfeld publicou um livro dedicado aos fenômenos obsessivos e compulsivos típicos da neurose obsessiva.
Freud foi convidado pelo autor a produzir um breve artigo, a ser incluído no livro, explicando como funcionava a terapia psicanalítica — pouco conhecida àquela época.
O resultado foi o elegante texto “O método psicanalítico de Freud”, em que o autor, escrevendo na terceira pessoa, expõe resumidamente a história de desenvolvimento da Psicanálise e suas características principais.
Esse trabalho está no volume 7 da Edição Standard e no volume 6 da edição da Cia. das Letras.
Nas páginas finais do artigo, Freud aborda os objetivos da Psicanálise.
Àquela altura, ainda influenciado pelo recém-abandonado método catártico de Breuer, ele entendia que a “a tarefa do tratamento é remover as amnésias”, ou seja, desfazer “todas as repressões”.
O próprio Freud, no entanto, reconhece essa meta é irrealizável, já que, mesmo numa pessoa saudável, ou seja, que não é neurótica, “esse estado ideal” não existe.
Portanto, mesmo que uma pessoa passe décadas fazendo análise, ela nunca se tornará completamente “transparente” para si mesma.
O Inconsciente, essa dimensão opaca e disruptiva da nossa alma, SEMPRE continuará existindo.
— Bom, Lucas, mas e aí? Se a Psicanálise, em tese, teria como objetivo final alcançar uma meta que, segundo seu próprio criador, é impossível de ser atingida, qual seria a utilidade desse método?
A resposta que Freud fornece a essa pergunta é muito boa:
Ele diz que, no fim das contas, se não dá para tornar o Inconsciente completamente acessível à Consciência, os analistas deveriam se contentar em alcançar um objetivo muito mais modesto:
“[…] a recuperação prática do paciente, o restabelecimento de sua capacidade de realização e de fruição”.
Em outras palavras, o terapeuta pode se dar por satisfeito se tiver conseguido ajudar o paciente a superar as inibições e sintomas que o impediam de agir no mundo e aproveitar a vida.
Relembrar essa formulação freudiana pode ajudar os analistas a moderarem suas pretensões muitas vezes messiânicas de transformação completa da vida de seus pacientes.
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Para ser vivenciada de forma saudável, ou seja, não-violenta, a agressividade precisa estar integrada ao conjunto da personalidade. Quando isso não acontece, ela é experimentada como uma força estranha, incontrolável.
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A terapia psicanalítica não é uma simples conversa. Apesar de analista e paciente falarem coisas um para o outro, esse diálogo é intencionalmente estruturado de uma forma específica para produzir determinados efeitos. E isso acontece por meio da aplicação de determinadas técnicas. Neste vídeo, comento 4 delas.
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A sexualidade dita “normal” não é natural — eis uma das maiores descobertas feitas por Freud.
Numa longa nota de rodapé sobre a homossexualidade nos “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade”, o pai da Psicanálise diz o seguinte:
“Na concepção da psicanálise, portanto, também o interesse sexual exclusivo do homem pela mulher é um problema que requer explicação, não é algo evidente em si, baseado numa atração fundamentalmente química.” (p. 35 da edição da Cia. das Letras)
Eu sempre gosto de evocar esse trecho quando me perguntam sobre uma suposta explicação psicanalítica para a homossexualidade.
Com efeito, geralmente quem faz esse questionamento parece pressupor que a heterossexualidade não precisaria ser explicada, pois seria, como diz Freud, “algo evidente em si”.
Nada disso.
Freud se opôs à opinião moralista de sua época segundo a qual as perversões sexuais seriam desvios de uma suposta norma biológica.
Ele demonstrou que, na verdade, não temos uma via natural na dimensão sexual, de modo que a noção de “desvio” só faz sentido se tomarmos como parâmetro uma norma SOCIAL.
Freud nos fez ver que boa parte dos comportamentos perversos que aparecem de forma isolada na vida adulta já se manifesta espontaneamente na infância.
Nesse sentido, o estado original da nossa sexualidade está muito mais próximo daquilo que se passa nas perversões do que da “normalidade” heterossexual-genital.
Isso significa que a sexualidade dita “normal” é resultado de um processo de EDIÇÃO, de FORMATAÇÃO, de MODELAGEM — realizado pela sociedade.
— Entendi, Lucas. Mas, então, o que acontece nas perversões? Nelas, esse trabalho de recorte realizado pela cultura seria “mal feito”?
Mais ou menos.
De fato, para Freud, o comportamento perverso, assim como a neurose, resulta de um fracasso do processo de edição necessário para a constituição da sexualidade “normal”.
No entanto, esse aspecto é apenas a pontinha do iceberg da LÓGICA DE FUNCIONAMENTO das perversões.
Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá ainda hoje uma AULA ESPECIAL em que falo sobre essa lógica e outros aspectos da estrutura perversa.
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