Lucas Nápoli é psicólogo, psicanalista e professor. Possui os títulos de Doutor em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É autor do livro "A Doença como Manifestação da Vida".
Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Será que Lacan era machista? Neste vídeo, explico como devemos ler esse enigmático e polêmico aforismo do psicanalista francês.
Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Não só aquela sua amiga invejosa ou aquele mancebo que lhe deu um perdido no último fim de semana.
Somos todos recalcados.
Recalque foi um termo que Freud utilizou para descrever um processo que ocorre quase que automaticamente (mas não involuntariamente) em nós quando experimentamos certos pensamentos, fantasias e impulsos que não são compatíveis com a imagem idealizada que temos a nosso respeito.
Sabe quando você se assusta consigo mesmo e diz: “Meu Deus, como eu pude pensar uma coisa dessas?”?
Quando isso ocorre, a tendência é fingir que nada aconteceu e simplesmente tentar esquecer que tais pensamentos passaram pela nossa cabeça, né?
Pois bem, recalcar é isso: jogar a “sujeira” psíquica para debaixo de um tapete chamado INCONSCIENTE.
Por essa razão, somos todos recalcados, afinal todos nós fazemos isso, pois amamos fingir que correspondemos à imagem idealizada que temos de nós mesmos.
Assim, quando brota dos nossos corações algo que vem macular essa imagem, a gente finge que nada aconteceu e continua vivendo no autoengano.
O problema é que a alma não possui apenas essa inclinação no sentido da hipocrisia, mas também uma tendência na direção da verdade.
Em outras palavras: não adianta recalcar, não, amigo…
O que foi recalcado retorna, pois exige ser visto, reconhecido, falado:
“A boca fala do que está cheio o coração.”.
Se a gente insiste no autoengano e no medo de se enxergar, a alma se revolta e, tal como um vulcão em erupção, lança sobre nós o recalcado na forma de padrões doentios de relacionamento, obsessões, sintomas físicos, pesadelos…
E aí a gente procura a Psicanálise – para abrir mão da imagem idealizada de nós mesmos — e vivermos menos recalcados…
Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Uma boa forma de entender a diferença entre essas duas categorias é pensando o pequeno outro como uma PESSOA QUALQUER e o grande Outro como uma instância (não necessariamente uma pessoa) que exerce sobre você uma função de DETERMINAÇÃO.
Pense, por exemplo, nas relações diferentes que uma criança normalmente tem com seus pais e seus irmãos.
Com os irmãos, a relação costuma ser DE IGUAL PARA IGUAL. A criança não dá um peso especial ao que eles dizem. São, portanto, pequenos outros para ela.
Já com os pais, a coisa é bem diferente. Eles podem falar exatamente a mesma coisa que os irmãos, mas o efeito da palavra parental sobre a criança é bem mais significativo.
Quando isso de fato acontece, os pais estão funcionando para a criança como grande Outro.
O pequeno outro é aquele cuja palavra não faz muita diferença na minha vida.
E não faz diferença porque, no fim das contas, as pessoas que estão nessa posição funcionam basicamente como extensões ou projeções de nós mesmos.
Se o que elas falam vai ao encontro do que já pensamos, ótimo. Se não, a gente se irrita, briga ou simplesmente deixa para lá.
Quando estamos lidando com pequenos outros todo o nosso esforço vai na direção do apagamento das diferenças, ou seja, a gente quer que a pessoa continue sendo tão-somente um SEMELHANTE e não um outro de verdade.
Com o grande Outro a relação é diferente.
No sentido estrito, o grande Outro designa o conjunto das instâncias que determinam a nossa existência a despeito da nossa vontade.
Pense, por exemplo, na nossa língua materna, nas estruturas sociais, na cultura, enfim… Todas essas coisas que necessariamente MOLDAM a nossa vida.
Mas não são só tais instâncias que exercem sobre nós esse impacto “modelador”.
Quando uma mãe, por exemplo, interpreta o choro de seu bebê dizendo: “Neném tá com fome.” ela está, de certa forma, moldando a criança com seu discurso.
Portanto, ela está exercendo a função de grande Outro para o bebê naquele momento.
Essa é a principal diferença: a palavra do grande Outro marca, determina, condiciona ao passo que o que o pequeno outro diz sempre passa pelo filtro EGOICO.
Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Há pessoas que encaram a vida como um presente que merece ser valorizado e aproveitado ao máximo e há outras que SE consideram um presente para o mundo.
Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Neste vídeo você vai finalmente entender por que, na Psicanálise, olhamos com atenção especial para aquilo que se passou com o sujeito nos primeiros anos de vida.
Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
A interpretação é uma das principais ferramentas de trabalho do psicanalista.
Por quê?
Porque a Psicanálise trabalha com o pressuposto de que o paciente expressa simbolicamente, ou seja, de forma codificada, os elementos inconscientes que estão na origem de seus problemas emocionais.
Logo, cabe ao analista interpretar aquilo que o paciente traz a fim de que esses elementos inconscientes sejam trazidos à luz e, assim, possam ser trabalhados.
Freud tinha uma concepção muito tradicional de interpretação.
Para ele, interpretar consistia basicamente em DEDUZIR e COMUNICAR ao paciente os elementos inconscientes a partir de uma observação minuciosa e cuidadosa de sua fala, de seus atos falhos, de seus sonhos e do comportamento dele na transferência.
Em outras palavras, para Freud, ao interpretar, o analista apresenta o comportamento do Inconsciente ao analisante como um detetive que, após a coleta e análise detalhada dos indícios e evidências, explica ao delegado de polícia como se deu um determinado crime.
É por isso que, nos grandes casos clínicos de Freud, vemos interpretações longuíssimas.
O “racional” freudiano é muito simples: o analista, como alguém que escuta de forma neutra e com atenção flutuante, está em condições de decifrar as manifestações do Inconsciente do analisante como um exegeta diante de um texto antigo.
Para Freud, portanto, o analista REVELA o Inconsciente por meio da interpretação.
O psicanalista francês Jacques Lacan pensava o ato analítico de interpretar de forma bem diferente.
Para ele, a interpretação não serve para revelar o Inconsciente, mas para COLOCÁ-LO EM MOVIMENTO.
Para Freud, essa era uma CONSEQUÊNCIA da boa interpretação, mas, para Lacan, trata-se do próprio OBJETIVO do ato de interpretar.
Nesse sentido, do ponto de vista lacaniano, o analista não deve fazer interpretações EXPLICATIVAS, mas PROVOCATIVAS.
Como assim, Lucas?
Quem está na Confraria Analítica vai saber! Ainda hoje, os assinantes vão receber uma aula especial sobre a interpretação na perspectiva de Lacan.
Te vejo lá!
Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Um dos fatores que podem nos manter presos a um quadro de adoecimento emocional é o HÁBITO.
Sim, a gente se habitua a um padrão doentio de funcionamento, sobretudo quando ele tem início na infância.
A gente se acostuma tanto com nossas ansiedades, sintomas e inibições que, com o passar do tempo, a doença passa a fazer parte da nossa identidade.
Nesse sentido, a cura passa a ser temida, pois eliminar o adoecimento significaria abandonar uma parte de si mesmo.
Nossa experiência clínica mostra que um dos obstáculos que emperram o processo terapêutico é o fato de que o paciente, muitas vezes, simplesmente não suporta ficar bem.
A pessoa já está tão habituada a seus padrões doentios que, inconscientemente, sabota a terapia porque a cura demandaria necessariamente uma desorganização temporária da sua personalidade.
Nesses casos, o sujeito se comporta como um prisioneiro que, depois de muitos anos, finalmente recebe o alvará de soltura , mas prefere permanecer na cadeia por acreditar que não saberá viver em liberdade.
Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Sashimi: tá aí uma coisa que eu não suporto e que faz muita gente salivar só de ouvir falar.
Já experimentei, tentei gostar, mas o sabor de peixe cru definitivamente não combina com o meu paladar.
Por outro lado, existe um alimento para o qual muita gente faz cara feia e que eu, na maturidade, aprendi a apreciar: jiló.
Empanado, frito, refogado, não importa: essa frutinha levemente amarga tem lugar no meu prato.
Aí você me pergunta: “Lucas, a postagem não é sobre Psicanálise? Então por que você está falando de comida?”.
É só uma analogia, caro leitor.
Se você me acompanha, sabe que meu método de ensino está fortemente alicerçado na construção de analogias.
Vamos lá:
Assim como tem um monte de gente cujo paladar se deleita com um belo pedaço de salmão cru, mas o meu não, assim também há muitas pessoas que se adaptam muito bem à experiência proposta pela Psicanálise e outras não.
Análise não é para todo o mundo.
Por exemplo, se você estiver procurando uma pessoa para te dar orientações sobre o que deve fazer para superar um episódio depressivo, Psicanálise não é para você.
Outrossim, pessoas que esperam que o terapeuta seja falante e lhes forneça explicações e diagnósticos também vão se sentir frustradas fazendo análise.
Por outro lado, quem tá a fim de falar sobre si, de refletir sobre sua existência, de colocar em questão suas escolhas, seus impasses, suas inibições; quem quer de fato ser escutado e SE ESCUTAR mais do que obedecer a vozes externas, essa pessoa, sim, vai se dar muito com a Psicanálise.
É claro que o sujeito pode chegar ao analista esperando ser aconselhado e diagnosticado e acabar gostando da experiência de falar-livremente-para-alguém-que-pouco-fala.
Assim como eu não curtia jiló quando era criança e acabei aprendendo a gostar.
Mas não é todo o mundo que consegue desenvolver esse “paladar” capaz de apreciar esse troço absolutamente atípico (e fascinante) que é a experiência analítica.
Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Outro dia eu estava ouvindo um podcast em que o empresário Flávio Augusto dizia que um dos atributos de um bom líder é a capacidade de “se realizar com o sucesso de outras pessoas”.
Isso me lembrou algo que a psicanalista Melanie Klein assinala em seu clássico artigo “Nosso mundo adulto e suas raízes na infância”:
“Quando a voracidade e a inveja não são excessivas, mesmo uma pessoa ambiciosa encontra satisfação em ajudar os outros a dar sua contribuição. Temos aqui uma das atitudes subjacentes à liderança bem-sucedida. Novamente, isso já pode ser observado em alguma medida entre as crianças. Uma criança mais velha pode ter orgulho pelas conquistas de um irmão ou irmã menores e fazer de tudo para ajudá-los.”
Muitos líderes formam equipes medíocres justamente porque possuem quantidades excessivas de inveja e voracidade.
Com efeito, eles querem todas as conquistas para si e se sentem ameaçados quando algum de seus subordinados demonstra estar crescendo.
Assim, evitam agregar em seus times uma pessoa muito competente com medo de, no futuro, perderem sua posição de liderança para ela.
Além disso, tais líderes podem inconscientemente sabotar o progresso de suas equipes apenas para não terem que reconhecer o mérito dos colaboradores.
Para esse tipo de líder, o cenário ideal é aquele em que somente ele brilha.
Por isso, tende a ser centralizador: tudo tem que necessariamente passar por ele para que jamais se possa dizer que o outro foi bem-sucedido por conta própria.
Por incrível que pareça, muitas vezes tal líder tende a ficar contente quando fazem críticas a seus liderados, pois isso lhe proporciona alívio.
É como se ele pensasse: “Que ótimo ter subordinados ruins. Dessa forma, continuo sendo uma estrela solitária, uma pérola de competência em meio a esse mar de mediocridade.”
É óbvio que se trata de um raciocínio autodestrutivo e nada sustentável.
Afinal, se uma equipe não trabalha bem, isso geralmente tem a ver com uma liderança que não cumpre bem o seu papel de coordenação e gerenciamento.
Mas a insegurança e a inveja são tão grandes que o líder que pensa dessa forma não consegue perceber que está cavando a própria cova.
Você já conviveu com líderes assim?
Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Creio que a Psicanálise é o melhor tratamento para a dificuldade de esquecer eventos dolorosos pelos quais passamos.
No entanto, também acredito que é possível atenuar a tendência a ficar relembrando memórias ruins simplesmente deixando de alimentar esse movimento espontâneo da alma.
Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Neste vídeo: entenda como o conceito de falso self proposto pelo psicanalista Donald Winnicott nos ajuda a entender o que acontece com pessoas que se queixam de que suas vidas não fazem sentido e que estão vivendo por viver.
Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Na primeira fase de sua produção teórica em Psicanálise, Lacan dizia que estava fazendo um “retorno a Freud”.
Para o psicanalista francês, boa parte dos seus colegas vinha praticando e pensando a Psicanálise (estamos falando da década de 1950) de uma forma que contrariava os princípios fundamentais estabelecidos por Freud.
Por isso, era preciso resgatar a essência do que o pai da Psicanálise havia proposto.
Lacan levará a cabo esse projeto fazendo uma RELEITURA dos textos freudianos através dos óculos da Filosofia, da Antropologia e da Linguística.
Um exemplo dos resultados dessa releitura é a fórmula “O Inconsciente é estruturado como uma linguagem”.
Lacan acredita que essa proposição pode ser EXTRAÍDA dos textos de Freud.
Com efeito, para o analista francês, Freud teria mostrado que as formações do Inconsciente (atos falhos, sonhos e sintomas) são construídas de modo análogo à produção de um discurso.
O que significa isso?
Deixa eu te dar um exemplo:
No plano do discurso, eu posso dizer “Ontem tomei um Porto”.
Qualquer pessoa em sã consciência saberá que eu não estou dizendo que bebi um lugar para embarque e desembarque de navios, certo?
Na verdade, eu fiz uso de uma figura de linguagem chamada METONÍMIA, que me permitiu designar a expressão “vinho do Porto” apenas com uma parte dela: “Porto”.
Para Lacan, num sonho, por exemplo, pode acontecer exatamente o mesmo processo:
Eu posso sonhar que estou pedindo “Socorro” e essa palavra ser apenas uma metonímia para o nome da minha mãe (“Maria do SOCORRO”), verdadeiro objeto da minha demanda.
Tá vendo?
O sonho (assim como as outras formações do Inconsciente) pode ser enquadrado como uma FALA, um DISCURSO, ou seja, uma produção de linguagem.
Existem alguns trechos da obra de Freud que nos ajudam a entender com notável clareza essas releituras lacanianas.
Ainda hoje quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá uma aula especial em que eu comento justamente um desses trechos.
Nele, Freud nos mostra de forma cristalina por que Lacan insistiu tanto na importância de prestarmos mais atenção nas PALAVRAS que os pacientes dizem, ou seja, nos SIGNIFICANTES, em vez de ficarmos o tempo todo tentando deduzir significados.
Te vejo lá na Confraria!
Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
A Psicanálise nos ensina que a verdade incomoda, perturba e, não raro, se torna insuportável.
Pudera!
A mentira é confortável.
O autoengano tem lá suas vantagens.
As ilusões anestesiam…
Mas a verdade sempre retorna — onde menos se espera encontrá-la.
Lá onde se tropeça, se repete, se esquece…
A pedra que os construtores rejeitaram, tornou-se pedra angular.
Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Na última aula da Confraria Analítica eu comentei com os alunos um trecho do artigo de Freud “O Inconsciente”, em que ele diz o seguinte:
“É possível ao desenvolvimento do afeto proceder diretamente do sistema Ics.; nesse caso, o afeto sempre tem a natureza de ansiedade, pela qual são trocados todos os afetos ‘reprimidos'”.
O termo REPRIMIDOS aparece aí no finalzinho entre aspas porque, de acordo com Freud, não existem emoções reprimidas, apenas IDEIAS reprimidas.
No processo de repressão, uma emoção pode ser, digamos, “abortada”, mas não reprimida.
(Quem tá lá na Confraria me ouviu explicar isso detalhada e exaustivamente na última aula.)
Mas não é esse o ponto para o qual eu quero chamar sua atenção no trecho citado.
Meu objetivo aqui é destacar o que Freud fala sobre a ansiedade (ou angústia, dependendo da tradução).
No trecho, ele diz que todos os afetos que vêm do Inconsciente são “trocados” pela ansiedade.
Como eu expliquei para os alunos da Confraria, isso significa que, quando a gente se depara com a ansiedade, seja em nós mesmos, seja nos nossos pacientes, estamos na trilha do Inconsciente.
Pelo que Freud está dizendo, a ansiedade (neurótica, obviamente) é sempre a expressão de alguma coisa que está vindo do Inconsciente.
Talvez essa seja uma boa maneira de interpretar a fórmula lacaniana de que a angústia [ansiedade] é “aquilo que não engana” (Seminário 10).
Com efeito, os outros afetos podem se esconder atrás de outros. O ódio pode se fingir de tristeza, o tesão pode usar a máscara do medo.
A ansiedade, não.
Ela não se disfarça.
A ansiedade denuncia a presença incômoda do Inconsciente batendo na porta do Eu.
Se é por ela que os afetos desencadeados pelo Inconsciente são trocados é porque o Eu se sente ameaçado por eles.
Afinal, a imagem idealizada de si que o Eu utiliza como espelho só pode se constituir às custas da expulsão de todos os elementos que não se harmonizam com ela.
Elementos que, por sua vez, constituem a matéria-prima do Inconsciente.
Nesse sentido, a ansiedade é o sinal da aproximação do Real que precisou ser soterrado para a construção do belo, harmônico — e frágil — edifício da realidade egoica.
Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.