3 traços típicos da personalidade oral

A formação da personalidade — conjunto de características que constituem o modo típico de funcionamento de uma pessoa — sofre a influência de diversos fatores.

Sigmund Freud descobriu que um deles é a sexualidade.

Baseado em sua experiência clínica, o pai da Psicanálise observou que certos traços de personalidade são derivados das diversas formas de satisfação sexual que temos à nossa disposição.

A avareza, por exemplo, seria uma expressão do erotismo anal.

O apego exagerado que o sujeito pão-duro tem às suas posses seria a manifestação simbólica do prazer de reter as fezes que toda criança descobre quando está aprendendo a usar o peniquinho.

Freud descobriu que as diversas modalidades de prazer sexual de que dispomos na infância podem sofrer quatro destinos (que não são mutuamente excludentes):

(1) Manutenção como parte do modo de satisfação sexual do sujeito.

(2) Sublimação.

(3) Repressão.

(4) Transformação em traços de personalidade.

Karl Abraham, um dos primeiros alunos de Freud, foi quem mais explorou a transformação do erotismo ORAL em características da personalidade.

Segundo o autor, essa forma de prazer sexual pode ser dividida em duas modalidades: o tesão em chupar, que se manifesta logo que a criança começa a ser amamentada, e o tesão em morder, que surge com o aparecimento dos dentes.

Abraham demonstra que todas as pessoas podem ter características derivadas do erotismo oral, mas há certos indivíduos cuja personalidade é dominada por traços provenientes dessa modalidade de prazer.

É como se esses sujeitos se posicionassem diante da vida sempre como bebês ávidos por chupar ou por morder.

Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá ainda hoje uma AULA ESPECIAL em que falarei de maneira mais detalhada sobre as características típicas da personalidade oral.

Será que você tem esse modo de funcionamento?


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Você se tortura?


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Quando a fantasia atrapalha

Certa vez, Ernesto esqueceu-se de que estava em um local fechado e acendeu um cigarro em pleno corredor da faculdade em que estudava.

Imediatamente, um segurança que estava próximo ao rapaz foi até ele e, de modo firme e assertivo, relembrou-o de que era proibido fumar naquele ambiente.

Ao invés de simplesmente apagar o cigarro e desculpar-se, Ernesto se sentiu ATACADO pelo funcionário.

O jovem sabia que sua conduta fora inapropriada, mas passou o dia inteiro remoendo a lembrança da forma enérgica com que havia sido abordado pelo segurança.

Desde então, Ernesto não perde a oportunidade de criticar a faculdade nas redes sociais e provocar tanto professores quanto outros funcionários da instituição.

A fantasia de ter sofrido um ataque por parte do segurança e não apenas uma repreensão normal fez com que o rapaz passasse a ESPERAR novos ataques.

Assim, por “precaução”, ele começou a ATACAR PRIMEIRO.

Resultado: a faculdade que, até então, era um ambiente amigável e acolhedor para Ernesto, passou a ser vista pelo aluno como um lugar hostil, cheio de pessoas dispostas o tempo todo a prejudicá-lo.

E como, para se defender, ele ataca, no fim das contas acaba sendo alvo de hostilidade mesmo. Afinal, os funcionários da instituição naturalmente vão reagir a tais ataques.

O caso de Ernesto é apenas um dos inúmeros exemplos das perturbações que as fantasias podem provocar na nossa relação com o mundo.

Esse rapaz construiu uma fantasia paranoica, provavelmente baseada em ataques REAIS sofridos na infância.

É como se ele estivesse ativamente procurando reencenar o trauma infantil a despeito do que efetivamente está em jogo na realidade.

Mas não existe só a fantasia paranoica.

Muitas pessoas, por exemplo, estão presas a uma fantasia de rejeição. Por terem sido preteridas ou desconsideradas quando crianças, tendem a tomar qualquer acontecimento insignificante como indício de que estão sendo rejeitadas.

Ao invés de atacarem primeiro — como faz o paranoico Ernesto — elas fazem de tudo para agradarem todo o mundo a fim de não serem rejeitadas.

E assim convertem suas vidas num trágico e eterno sacrifício ao desejo do outro.

A fantasia atrapalha.


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[Vídeo] Que bom que o copo está meio vazio!

Você já deve ter ouvido alguém usar a analogia do “copo meio cheio ou meio vazio” para fazer exortações vazias sobre a importância de se ter um olhar otimista para a vida.

Neste vídeo, quero demonstrar que olhar para o copo com água até a metade e percebê-lo como meio vazio não é nada ruim.


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[Vídeo] Simbólico, Real e Imaginário em Lacan: explicação com exemplos

Neste vídeo explico os conceitos de real, simbólico e imaginário — os três registros da experiência humana propostos pelo psicanalista Jacques Lacan — por meio de analogias e exemplos bastante simples.


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Você sofre da Síndrome do Penetra Existencial?

Muitos de vocês me pediram para falar um pouco mais sobre pessoas que parecem se sentir o tempo todo como se fossem penetras numa festa.

Em consideração a esse anseio, deixarei o tema que abordaria hoje para semana que vem e comentarei em mais detalhes como se constitui o que eu chamaria de “Síndrome do Penetra Existencial”.

Quero começar com uma citação do psicanalista húngaro Sándor Ferenczi, que se encontra no artigo “A criança mal acolhida e sua pulsão de morte”.

Comentando os casos de dois pacientes nos quais detectara tendências inconscientes de autoextermínio, Ferenczi diz o seguinte:

“Quando vieram ao mundo, os dois pacientes foram hóspedes não bem-vindos na família. […] Todos os indícios confirmam que essas crianças registraram bem os sinais conscientes e inconscientes de aversão ou de impaciência da mãe, e que sua vontade de viver viu-se desde então quebrada” (p. 57 do vol. 4 das Obras Completas).

Como é possível deduzir dessa passagem, toda criança nasce com o desejo de viver assim como Laura anseia participar da festa de aniversário de sua amiga, Bárbara.

No entanto, se Laura não for convidada, seu anseio se transformará em decepção, amargura e até culpa (“O que será que eu fiz para que Bárbara não me quisesse na festa?”).

Laura pode acabar arrumando um jeito de entrar na festa como penetra, mas, evidentemente, não se sentirá à vontade no lugar, pois SABE que não é bem-vinda.

Da mesma forma, uma criança que, por inúmeras razões, não é bem recebida no ambiente em que nasce, tenderá a não se sentir à vontade — só que NA VIDA.

Se, nos primeiros anos de vida, eu percebo que os anfitriões da “festa” na qual me colocaram (papai e mamãe) não têm muito tempo para mim, me tratam de forma indiferente ou com impaciência e hostilidade, qual será a conclusão que se produzirá em minha cabecinha infantil?

Óbvio: a de que eu NÃO DEVERIA ESTAR AQUI, ou seja, a de que, nessa festa, eu sou um PENETRA.

Quer saber mais sobre os sintomas da “Síndrome do Penetra Existencial” e os princípios que orientam o tratamento dessa condição?

Então venha conferir a AULA ESPECIAL que será disponibilizada ainda hoje para quem está na CONFRARIA ANALÍTICA.


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Você se sente um penetra na existência?


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Não existe ninguém desmotivado

Por ser psicólogo além de psicanalista, de vez em quando me convidam para proferir as famigeradas “palestras motivacionais”.

Como se sabe, o objetivo buscado por quem propõe esse tipo de palestra é “motivar” os trabalhadores de uma empresa ou instituição a atuarem com mais vigor e entusiasmo.

É óbvio que isso não funciona e que a ideia de que uma mera apresentação de 1 hora produzirá o efeito desejado é um ótimo exemplo de pensamento mágico.

Por essa razão, ao invés de ministrar uma “palestra motivacional”, eu geralmente faço uma conferência SOBRE motivação, expondo uma síntese do que as diferentes correntes teóricas em Psicologia falam sobre o tema.

E eu sempre começo a palestra com a frase que dá título a este texto:

NÃO EXISTE NINGUÉM DESMOTIVADO.

A palavra “motivação” deriva, evidentemente, do termo “motivo” que, por sua vez, está enraizado na palavra latina “motus” (movimento).

Nesse sentido, motivo pode ser definido como aquilo que leva uma coisa a se movimentar, ou seja, a causa do comportamento dessa coisa.

Ora, o ser humano nunca deixa de se comportar.

Estamos sempre fazendo alguma coisa, mesmo que seja dormir ou ficar parado pensando na morte da bezerra…

Nesse sentido, quando uma pessoa diz que está desmotivada, ela, na verdade, está contando apenas metade da história.

De fato, ela está desmotivada, MAS… somente PARA CERTAS COISAS. Para outras, ela continua bem engajada.

Isso vale, inclusive, para indivíduos em depressão.

Tais pessoas muitas vezes perdem a motivação para trabalhar ou saírem com os amigos, mas, por outro lado, podem se tornar extremamente motivadas a nutrir pensamentos negativos e comer em excesso, por exemplo.

Entendeu?

A motivação nunca está ausente.

Existe tão-somente uma MUDANÇA nos OBJETOS e FONTES de motivação.

Um sujeito pode não estar motivado para fazer as atividades do seu trabalho, mas estar supermotivado para assistir aos stories da sua blogueira preferida.

Moral da história:

Ao invés da pergunta “Por que estou desmotivado?”, deveríamos fazer as seguintes indagações:

(1) “Por que será que não me sinto mais motivado PARA esse trabalho/relacionamento/atividade/etc.?

(2) Para qual direção minha motivação está indo agora?”


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[Vídeo] A dor de quem vive mascarado

Na infância, a vida pode exigir que algumas pessoas criem um personagem para si mesmas a fim de conseguirem sobreviver a fatores como violência, abuso e negligência.

O problema é que, com o passar do tempo, o indivíduo pode acabar acreditando que seu ser se resume à máscara que criou.


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[Vídeo] Ansiedade: psicanalista explica por que algumas pessoas não conseguem relaxar

Neste vídeo você vai entender porque a ansiedade excessiva de algumas pessoas tem origem na incapacidade de confiar, condição que as impede de relaxar e as faz acreditar que precisam estar sempre no controle.


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3 funções que o terapeuta exerce na Psicanálise

A diversidade das situações clínicas e a complexidade dos quadros de adoecimento com os quais se depara exigem que o psicanalista alterne diferentes posições ao longo do tratamento.

As funções apresentadas nos cards não esgotam a totalidade dos papéis que o terapeuta pode desempenhar na clínica psicanalítica.

Todavia, entendo que essas três posições apresentadas são essenciais para que os objetivos do tratamento possam ser alcançados.

Eventualmente, duas ou mais funções podem ser exercidas simultaneamente, mas normalmente uma delas prevalece, até porque cada uma está articulada a visões específicas do próprio paciente.

Quando está desempenhando o papel de investigador, por exemplo, o analista encara o paciente como um “suspeito”, alguém que esconde uma verdade e involuntariamente se esforça para mantê-la oculta.

Por outro lado, quando o terapeuta adota a posição de testemunha, o paciente passa a ser visto como uma pessoa que apresenta um sofrimento até então silenciado e que precisa ser ouvido e validado.

Sacou? Funções diferentes pedem visões diferentes do mesmo paciente.

Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá ainda hoje uma AULA ESPECIAL em que explico detalhadamente cada uma dessas 3 funções.

Te vejo lá!


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Das pistas que a alma dá


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“Você não tem motivo para estar em depressão”

Outro dia uma paciente me disse que ouviu da parte de um familiar a seguinte pérola:

“Você não tem motivos para estar deprimida. Tem casa, filhos, marido, uma boa situação financeira… Não tem motivo para estar assim”.

Muitos de vocês provavelmente já escutaram coisas semelhantes.

Trata-se de uma visão completamente equivocada que o senso comum possui acerca de como funciona um episódio depressivo.

Muita gente acredita que uma depressão só é “verdadeira” se for uma resposta a situações adversas claramente observáveis.

Na realidade, é justamente o oposto.

Veja: se, por exemplo, uma pessoa pobre e desempregada, com 3 filhos pequenos, fica triste, desanimada e com vontade de colocar um ponto final na própria vida depois de perder todos os seus pertences e sua casa após uma enchente, essa pessoa não está, a rigor, com depressão.

Ela está simplesmente respondendo naturalmente à situação trágica e caótica na qual se encontra.

Essa pessoa não necessita de terapia e antidepressivo.

Claro, um acolhimento psicológico pode ser útil, mas o que ela precisa de fato é de ASSISTÊNCIA SOCIAL, ou seja, emprego, um lugar para morar e apoio para reconstruir a própria vida.

Acho que você já entendeu aonde quero chegar.

O que caracteriza um padrão de comportamento marcado por tristeza constante, desânimo e eventuais pensamentos de autoextermínio como depressão é JUSTAMENTE o fato de ele se manifestar na AUSÊNCIA de situações que o tornariam compreensível.

Em outras palavras, toda pessoa que está realmente deprimida APARENTEMENTE não tem motivos para estar tão para baixo.

Depressão é justamente isso: tristeza e desânimo sem motivo APARENTE.

Se eu grifo as palavras “aparentemente” e “aparente” é porque, na verdade, existem, sim, bons motivos para que o indivíduo esteja vivenciando um episódio depressivo.

O problema é que tais motivos não são óbvios, explícitos, claros.

Na maioria das vezes, nem o próprio deprimido tem consciência deles.

Para enxergá-los, é preciso ter OLHOS PARA VER E OUVIDOS PARA OUVIR.

E é fazendo terapia que a gente desenvolve esse olhar e essa escuta…


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[Vídeo] Autoengano e procrastinação

Há pessoas que se autoenganam pensando que sofrem de procrastinação, quando, na verdade, são preguiçosas mesmo.

Por outro lado, existem de fato procrastinadores e eles também costumam se autoenganar imaginando que precisam de muito mais preparo do que o necessário para colocarem a mão na massa.


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Por uma Psicanálise sem máscaras

Você certamente já deve ter ouvido por aí que os psicanalistas são frios, distantes e excessivamente silenciosos na relação com seus pacientes.

Também já deve ter lido que o analista jamais deve atender demandas do analisando. Pelo contrário, deve consistentemente frustrá-las para que o paciente enfrente sua angústia.

Da mesma forma, não ficaria surpreso se você me dissesse que ouviu em alguma aula ou palestra (inclusive de minha autoria, talvez) que o analista deve posicionar-se diante do paciente exclusivamente como um espelho (Freud) ou como um objeto provocador (Lacan).

Mas e se eu te dissesse que toda essa mistura de lendas com verdades e meias verdades foi justamente alvo de crítica de um dos maiores autores da Psicanálise?

Sim. O nome dele é Sándor Ferenczi, um psicanalista húngaro que ousou dizer em alto e bom som, em pleno congresso internacional de Psicanálise, que os analistas são hipócritas e insensíveis enquanto estão tratando de seus pacientes.

Alguns colegas sentiram tanto o golpe que houve quem dissesse que Ferenczi estava vivenciando um quadro psicótico…

A verdade é que ele estava chamando a atenção da comunidade psicanalítica para os efeitos adversos provocados pela posição tradicional do analista, marcada por atitudes artificiais como abstinência, distância e reserva.

Essa ideia aparece em vários dos trabalhos que Ferenczi escreveu em seus últimos anos de vida, mas o texto em que ele manifesta de maneira mais explícita suas críticas à técnica psicanalítica clássica é, sem dúvida, “Confusão de língua entre os adultos e a criança”.

Trata-se justamente do artigo que Ferenczi apresentou em 1932 no XII Congresso Internacional de Psicanálise, em Wiesbaden na Alemanha, em que chama a postura clássica do analista de “hipocrisia profissional”.

A partir de hoje, eu e as centenas de pessoas que estão comigo na Confraria Analítica estudaremos LINHA A LINHA esse texto a fim de compreendermos o que de fato Ferenczi diz e quais são as possibilidades e os limites da Psicanálise sem máscaras que ele propõe.

Você também pode fazer parte dessa jornada.

É só entrar na nossa comunidade.


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