O que a Psicanálise chama de resistência?

Uma das coisas que eu sempre digo em supervisões para alunos de Psicologia que estão começando a fazer atendimentos clínicos é o seguinte:

Lembrem-se sempre disso: nossos pacientes querem e, ao mesmo tempo, NÃO QUEREM estar em terapia.

Por que faço esse aviso?

Porque a experiência psicanalítica mostra com muita clareza que boa parte das formas de adoecimento emocional com que nos deparamos na clínica só existe porque as pessoas em questão não dão conta de lidar com certas VERDADES relativas a si mesmas.

Por exemplo: um sujeito pode desenvolver uma fobia social porque o contato com pessoas funciona para ele como gatilho para desejos homossexuais que ele insiste em reprimir desde a infância.

A cura definitiva desse paciente precisará envolver necessariamente o reconhecimento dessa dimensão de sua sexualidade que ele tanto repudia.

Mas você concorda comigo que tal indivíduo não vai querer passar por isso?

É claro! Se ele reprimiu os desejos homossexuais é justamente porque não quer ter que lidar conscientemente com eles.

Assim, se o terapeuta for dirigindo o tratamento no sentido de ajudar o paciente a reconhecer essas tendências, o que acontecerá?

Óbvio: o sujeito apresentará uma… RESISTÊNCIA.

Ele pode começar a chegar atrasado às sessões, desmarcar os encontros de última hora, recusar as intervenções do analista com argumentos aparentemente irrefutáveis, não ter “assunto” para falar em terapia, pedir para encerrar o tratamento por acreditar que já está bem etc. etc. etc.

Os métodos que o paciente pode empregar para resistir são os mais variados.

É por isso que eu digo para meus alunos que os pacientes querem e não querem ser tratados:

Todo paciente quer parar de sofrer, mas não quer, A PRINCÍPIO, pagar o preço necessário para alcançar esse resultado.

É por isso que o analista tem que ter muita paciência e sensibilidade para compreender o quão difícil é abrir-se para a verdade.

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Escute seu Inconsciente ou adoeça fugindo dele


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Como tratar pacientes que querem mudar o seu jeito de ser?

Muitas pessoas procuram terapia porque estão insatisfeitas com o seu JEITO DE SER.

Elas não estão deprimidas, tendo crises de ansiedade ou lutando contra pensamentos obsessivos.

O que as faz sofrer é sua própria personalidade, ou seja, o modo como NORMALMENTE funcionam.

Fazem parte dessa categoria de pacientes aqueles que se queixam de que são muito passivos, muito fechados ou muito explosivos, por exemplo.

Tais pessoas não são capazes de dizer quando esse padrão de funcionamento começou porque têm a impressão de que sempre foram assim.

Por isso, a demanda que fazem ao terapeuta não é a de se livrarem de certos sintomas, mas a de SE TORNAREM OUTRAS PESSOAS.

No tratamento de tais pacientes, o olhar do terapeuta deve estar voltado para a relação do sujeito com as figuras parentais (ou com aqueles que as substituíram).

Por quê?

Porque o nosso jeitão típico de ser é constituído fundamentalmente por IDENTIFICAÇÕES, isto é, pela imitação INCONSCIENTE de determinadas figuras que foram objeto de nosso amor na infância — especialmente, é claro, papai e mamãe.

Chegamos ao mundo dotados de certo temperamento e determinadas propensões genéticas para certas atitudes, mas a consolidação da nossa maneira peculiar de estar no mundo (passiva, fechada ou explosiva, por exemplo) vai depender bastante das pessoas que nós “escolhemos” inconscientemente imitar.

Uma paciente que não consegue deixar de “explodir” com as pessoas com quem convive, por mais que tente se controlar, pode ter uma forte identificação com o pai que, “coincidentemente”, também era um indivíduo de pavio curto…

Nesses casos, o objetivo do tratamento deve ser ajudar o sujeito a se dar conta de suas identificações e COMPREENDER de como modo elas foram estabelecidas.

A moça do exemplo anterior pode ter inconscientemente chegado à conclusão de que a única maneira de estar próxima do pai seria tornando-se parecida com ele.

Assim, enquanto ela não elaborar essa demanda infantil pela presença paterna, a identificação com o traço explosivo do genitor precisará se manter intacta.


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[Vídeo] A rotina é um antídoto contra você mesmo

Alcançar objetivos desafiadores depende fundamentalmente de CONSISTÊNCIA, ou seja, da capacidade de fazer regularmente determinadas tarefas. Sem o estabelecimento de uma rotina, é praticamente impossível ser consistente.


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[Vídeo] Projeção: psicanalista explica como ela funciona

Neste vídeo: entenda de uma vez por todas como funciona a projeção, o mecanismo de defesa que está na base de fenômenos como a homofobia e o ciúme doentio.


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Só consegue ficar bem sozinho quem teve a sorte de estar muito bem acompanhado no início da vida.

Algumas pessoas não possuem a CAPACIDADE de ficarem sós.

Elas até podem ficar eventualmente sozinhas em função de circunstâncias contrárias à sua vontade, mas a experiência de não terem ninguém por perto lhes causa grande aflição.

Tem gente, por exemplo, que mora sozinha, mas precisa estar sempre com a TV ligada para escutar vozes de outras pessoas e ter a sensação de estar acompanhada.

Com efeito, são indivíduos que não suportam a vivência silenciosa de estarem na companhia apenas de si mesmos.

Esse é o seu caso?

Há também pessoas que são incapazes de ficarem sozinhas NA PRESENÇA do outro.

— Uai, Lucas, como assim? Tem como estar só acompanhado de outra pessoa?

Claro que tem!

Sabe aquele momento de êxtase e relaxamento que a gente vivencia logo depois de fazer amor?

Tem gente que não consegue simplesmente curtir essa experiência e começa imediatamente a entabular uma conversa com o parceiro.

Essa pressa para restabelecer a interação verbal com o outro pode ser reveladora de uma incapacidade do sujeito de FICAR A SÓS com a própria vivência pessoal de prazer…

Outra situação em que podemos ter a experiência de estarmos sós na presença de alguém é a terapia.

Pessoas que tiveram a sorte de conquistar a capacidade de ficarem sozinhas conseguem fazer terapia com mais facilidade, pois dão conta de colocar o analista “entre parênteses” e se dedicarem individualmente ao processo de autodescoberta.

Por outro lado, indivíduos que não lidam bem com a experiência de estarem sós acabam demandando o tempo todo a interação com o terapeuta, o que inviabiliza a necessária livre associação de ideias.

Para essas pessoas, o silêncio do analista é extremamente angustiante justamente porque as faz terem a impressão de que estão sozinhas.

Num artigo de 1958 chamado “A capacidade de ficar só”, o psicanalista inglês Donald Winnicott propõe uma teoria que explica essa dificuldade que algumas pessoas têm de ficarem sozinhas.

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“Eu não consigo”


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Não fique esperando essa pessoa mudar!

Em uma de suas cartas para a comunidade cristã de Corinto, Paulo de Tarso escreveu o seguinte:

“Você, mulher, como sabe se salvará seu marido? Ou você, marido, como sabe se salvará sua mulher?”.

Com tais perguntas retóricas, o ex-fariseu estava exortando homens e mulheres recém-convertidos ao Cristianismo a não ficarem insistindo em querer se manter casados com parceiros descrentes que desejassem se separar.

É como se Paulo estivesse dizendo mais ou menos assim:

“Minha filha, se seu marido não aceita sua conversão e quer se separar de você, deixe-o ir embora. Você não tem como saber se algum dia ele vai pensar diferente.”

Trata-se, evidentemente, de um sábio conselho.

Mas não pense que ele vale apenas para aquele contexto religioso específico.

A esperança de que a pessoa com quem nos relacionamos um dia vai mudar é um dos principais fatores que nos mantém presos a vínculos doentios.

“Meu pai me trata com indiferença, mas eu sei que, no fundo, ele morre de amores por mim. Por isso, vou continuar me relacionando com ele e aceitando ser tratada que nem lixo. Minhas demonstrações de afeto vão acabar fazendo ele mudar.”

Aham. Confia…

“Minha namorada nunca me apoia. Está sempre me acusando e me humilhando na frente dos amigos. Mas eu sei que ela só faz isso porque tem traumas do relacionamento anterior. Um dia eu a convencerei a fazer terapia e aí ela vai mudar. Eu sei que tem um filé mignon escondido por trás dessa carne de pescoço…”

Ora, se um dos principais nomes de uma religião centrada na experiência da FÉ disse para seus discípulos NÃO CONFIAREM na possibilidade de mudança em seus parceiros descrentes, você tem certeza de que vale a pena permanecer num relacionamento ruim em função da expectativa de transformação do outro?

Geralmente, pessoas que nutrem esse tipo de vã esperança são aquelas que, na infância, tiveram o azar de conviverem com pais e/ou mães não muito legais.

Diferentemente do adulto, a criança não pode simplesmente dizer: “Você é uma mãe péssima. Não quero mais viver com você. Estamos terminados.”

Não. Ela é obrigada a ficar ali, aguentando os maus tratos.

Assim, só lhe resta… esperar que o outro mude.


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[Vídeo] Você vê o mundo dividido entre Bem e Mal?

Se sua resposta para a pergunta que dá título a este vídeo for “sim”, sinto lhe informar, mas você sofre de imaturidade emocional. São as crianças que, incapazes de suportar a complexidade do comportamento humano, precisam enxergar as pessoas como 100% boas ou 100% más.


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[Vídeo] Os três destinos da mulher segundo Freud

Para Freud, na infância toda mulher vivencia a inveja do pênis ao constatar que não possui o órgão masculino. Neste vídeo comento as três respostas possíveis que a mulher pode dar a essa ilusão infantil de incompletude e os desdobramentos de cada uma delas no comportamento feminino.


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A Psicanálise explica a paixão?

Não é por acaso que esta sexta-feira é chamada “Sexta-feira da Paixão”.

Com efeito, uma das traduções de PATHOS, a palavrinha grega da qual se origina o termo paixão, é SOFRIMENTO e a cristandade rememora hoje justamente a dor implicada no sacrifício redentor do Messias.

Paixão, portanto, pode ser sinônimo de padecimento, martírio, aflição…

Qualquer pessoa que já se apaixonou na vida — e não teve seu amor correspondido — sabe muito bem disso.

Por outro lado, quem teve a sorte de contar com o desejo recíproco do objeto amado pode atestar a alegria indizível que emerge, feito torrente, de um coração apaixonado — incontrolável, avassaladora, deliciosamente angustiante.

Será que podemos traduzir essa avalanche emocional que está em jogo na paixão em termos metapsicológicos?

Em outras palavras, será que a Psicanálise pode explicar a paixão?

Essa pergunta é pertinente porque, quando estamos apaixonados, nosso psiquismo sofre alterações profundas que beiram os limites da loucura.

Por exemplo: a gente passa a enxergar a pessoa que amamos como perfeita, sem mácula, indefectível (com ou sem o vestidinho preto de Chico Amaral e Samuel Rosa).

A coisa é tão maluca que, em certos casos, a gente é capaz até de cometer crimes se isso for do agrado do objeto que agora manda e desmanda em nosso coração.

Só quem nunca se apaixonou pode colocar isso em dúvida.

De fato, no início dos anos 2000, um rapaz foi capaz de, juntamente com seu irmão, esp4nc4r os pais de sua namorada até a m0rt3 atendendo a um pedido dela…

Quem soube muito bem capturar esse estado de semiloucura gerado pela paixão foi a escritora portuguesa Florbela Espanca, no poema “Fanatismo”, brilhantemente musicado por Fagner.

Nos últimos versos ela diz, dirigindo-se ao objeto amado:

“Ah! podem voar mundos, morrer astros,

Que tu és como Deus: princípio e fim!…”

Mas, e então, será que a Psicanálise explica esse desvario do apaixonamento?

A resposta é… Sim! E quem está na Confraria Analítica receberá ainda hoje uma aula especial justamente sobre esse tema.

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A adaptação ao sofrimento faz a mudança parecer impossível. Mas não é.


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Talvez você não saiba que pode EXIGIR respeito

Uma das razões que levam algumas pessoas a se manterem presas a relações abusivas é a falta de reconhecimento do próprio valor intrínseco.

Parece papo de auto-ajuda, né?

Dane-se!

Prefiro que algumas de minhas contribuições pareçam auto-ajuda, mas EFETIVAMENTE ajudem pessoas em sofrimento do que ficar posando de intelectualzão erudito que apenas quer gozar narcisicamente com seu saber vazio e inútil.

Dito isso, voltemos ao assunto do texto.

Quando eu falo de vínculos abusivos, não me refiro apenas a relações amorosas, mas também a laços familiares, de amizade e de trabalho.

Entre os vários fatores que podem fazer uma pessoa SE DEIXAR ABUSAR pelo outro, um deles é a incapacidade que alguns indivíduos têm de EXIGIREM RESPEITO.

Geralmente, essas pessoas confundem o reconhecimento do próprio valor intrínseco com vaidade e egoísmo.

Elas acreditam que, se deixarem de colocar os interesses do outro em primeiro lugar, tornar-se-ão mesquinhas, arrogantes e soberbas.

Essa confusão é muito comum na cabeça daqueles que conviveram na infância com pais que, DE FATO, eram egocêntricos e autoritários.

Como pais desse tipo não conseguem dar todo o amor e validação que a criança precisa (afinal, só pensam nos próprios interesses), os filhos não olham para essas figuras parentais com admiração.

Pelo contrário: a criança as toma como exemplos do que ela NÃO QUER SER.

Afinal, pais assim geralmente tratam seus filhos de forma excessivamente castradora, intimidadora ou com indiferença.

E é aí que se forma a confusão!

Como o exemplo que o sujeito teve de ALGUÉM QUE SE PRIOPRIZA foi o desse pai ou mãe egocêntrico(a) e autoritário(a), na cabeça da pessoa a ideia de RECONHECER O PRÓPRIO VALOR passa a estar diretamente ligada a… egocentrismo, autoritarismo, arrogância etc. — características que ela não quer ter jamais!

Nesses casos, um dos objetivos de um bom processo psicoterapêutico deve ser o de ajudar o sujeito a desfazer esse mal-entendido.

RECONHECER O PRÓPRIO VALOR INTRÍNSECO não é ser narcisista ou vaidoso, mas simplesmente admitir o fato óbvio de que NINGUÉM tem o direito de nos desrespeitar — não por aquilo que fazemos ou temos, mas pelo simples fato de existirmos.


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[Vídeo] Você tem uma alma dividida

E se eu te disser que existe uma forte e espessa parede separando sua alma em duas partes? E que, por conta disso, existe uma luta por cidadania sendo travada dentro de você?


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[Vídeo] Psicanálise não é uma conversa

Muita gente que nunca fez análise imagina que as sessões são constituídas basicamente de um bate-papo com o terapeuta. Neste vídeo eu explico por que essa ideia é equivocada.


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