O que é o Simbólico em Lacan?

O Simbólico contempla a dimensão da nossa experiência que é condicionada pela linguagem.

Diferente de outros animais, o homem não vive apenas no mundo físico, mas também no mundo cultural que, por sua vez, é constituído basicamente de palavras, ou seja, de elementos simbólicos.

Por exemplo, pense no seu nome. Quando ele aparece na lista de funcionários da empresa onde você trabalha, aquelas palavras (digamos “João de Souza”) simbolizam a sua existência naquela empresa independentemente da sua presença concreta na firma. Entendeu? As palavras fazem com que você exista não só no mundo físico, mas também em outro mundo, o mundo do registro, o mundo da representação, o mundo simbólico.

Nesse outro mundo, as palavras estão ARTICULADAS e você acaba sofrendo os efeitos dessas articulações. Por exemplo, a palavra João, escolhida por seus pais para ser o seu nome, é a mesma palavra que se utiliza em português para a tradução do nome de um dos discípulos de Jesus, autor do quarto evangelho. É também parte do nome de um brinquedo infantil, o João Bobo. Você enquanto “pessoa física”, por assim dizer, não tem nada a ver com o João Evangelista nem com o João Bobo, mas o seu nome tem e isso é o suficiente para que você sofra eventualmente os efeitos dessas relações… simbólicas.

Isso não acontece, por exemplo, com um cachorro. O fato de se chamar Bob ou Rex não faz a menor diferença na vida de um cão. Já na vida de um ser humano, as consequências de se chamar João são muito diferentes das consequências de se chamar Pedro.

Portanto, o Simbólico diz respeito à dimensão da nossa vida que é dependente das articulações autônomas existentes entre as palavras.

A gente faz Psicanálise para transformar cicatrizes em tatuagens

 

Não é possível mudar o passado.

Não é possível voltar no tempo e fazer com que seus pais frios e distantes se tornem acolhedores e amorosos. Não dá para voltar há 20, 30, 40 anos e impedir aquele abuso sexual de acontecer ou convencer sua mãe de que violência e autoritarismo não combinam com educação.

Enfim, nos é vedada a possibilidade de alterar os fatos que atravessaram nossa existência.

Contudo, podemos, sim, mudar a maneira como os enxergamos. Não, eu não estou me referindo a essas bobagens polianescas que muitos pseudoterapeutas andam dizendo por aí. O que eu, como psicanalista, proponho não é uma mera ressignificação do passado, o tal do “enxergar o lado bom das coisas”. Não existe lado bom no abuso sexual, na opressão, na frieza, na violência. Não! Na vida, diferentemente do que acontece no Instagram, não existe filtro para fazer tudo ficar artificialmente belo.

A gente não faz Psicanálise para “olhar a vida de outra forma”. A gente faz Psicanálise para se APROPRIAR da vida tal como ela é e foi (aos nossos olhos): com suas dores, com seus abusos, com seus sofrimentos.

A tendência natural que todos nós temos é a de querermos nos livrar das memórias das dores que nos marcaram.  Ou seja, não queremos TOMAR POSSE da nossa própria história. Desejamos inutilmente voltar no tempo para mudar as coisas. E, por isso, muitos de nós vivem cronicamente frustrados.

A Psicanálise vai na contramão dessa tendência. Convocamos o paciente a resistir a ela e o exortamos a olhar para o próprio passado e dizer: “Isso sou eu, essa é a minha história. Apesar de não ter escrito todas as páginas, permaneço sendo o único autor dessa obra irrepetível que é a minha existência”.

[Vídeo] Histeria e Psicanálise: ENTENDA TUDO | Aula 02

Nesta aula: como Freud passou da teoria da sedução para a teoria da fantasia na busca por encontrar as causas da histeria na infância.

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[Vídeo] Histeria e Psicanálise: ENTENDA TUDO | Aula 01

Este é o primeiro vídeo da série “Histeria e Psicanálise” na qual pretendo explicar o que é a histeria, como se formam os sintomas histéricos e os traços constitutivos da estrutura histérica de personalidade. Nesta primeira aula, falo sobre o encontro de Freud (e de Breuer) com as histéricas do final do século XIX e as primeiras descobertas pré-psicanalíticas relativas à gênese dos sintomas histéricos.

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O que devo fazer para me tornar psicanalista?

1 PRECISO TER FORMAÇÃO SUPERIOR PARA SER PSICANALISTA? Não. A Psicanálise não é uma profissão regulamentada pelo Estado brasileiro. No limite, qualquer pessoa, independentemente do seu grau de escolaridade, pode se autonomear psicanalista e atender pessoas dizendo praticar a Psicanálise.

2 ENTÃO, QUEM GARANTE QUE UMA PESSOA É VERDADEIRAMENTE UM PSICANALISTA? Ninguém. Não existe uma entidade universalmente reconhecida por todos os psicanalistas que esteja autorizada a oferecer um “diploma” ou “certificado” de psicanalista. Existem diversas instituições que fornecem uma formação em Psicanálise mais ou menos organizada, mas nenhuma delas funciona como um tribunal supremo que define quem é e quem não é psicanalista.

3 NÃO SERIA MELHOR TER UM CURSO DE GRADUAÇÃO EM PSICANÁLISE RECONHECIDO PELO MEC SEMELHANTE AO QUE ACONTECE COM A PSICOLOGIA? Não. Isso faria o exercício da Psicanálise se tornar dependente de uma formação protocolar baseada em parâmetros de ordem estatal que poderiam ser estranhos e até avessos ao campo psicanalítico.

4 OK, ENTENDI, MAS E SE EU QUISER ME TORNAR PSICANALISTA. O QUE DEVO FAZER? Três coisas: a primeira e mais importante é submeter-se a uma análise e levá-la até o fim (o que pode levar muitos anos); a segunda é estudar sistematicamente a teoria psicanalítica, começando pelas obras dos grandes autores, a saber: Freud, Ferenczi, Klein, Winnicott e Lacan. Saiba que esse estudo não acaba nunca. Você precisaria de, no mínimo, umas 3 vidas para conseguir abarcar toda a literatura analítica. A terceira coisa é submeter-se a uma supervisão por parte de um analista mais experiente, sobretudo nos primeiros anos de prática clínica. Você pode fazer essas 3 coisas independentemente ou no interior de uma instituição.

5 E QUANDO PODEREI COMEÇAR A ATENDER PESSOAS? Não, não chegará uma carteirinha te dando habilitação para clinicar, ok? Quem decidirá isso é você mesmo. Já ouviu falar numa coisa chamada ética? Pois é. Trata-se de uma decisão ética. É você quem deve avaliar o momento em que considera estar preparado para escutar outras pessoas. Seja responsável.

4 boas práticas para aproveitar melhor sua terapia

1 Encare o processo terapêutico como tratamento: não trate sua sessão de terapia como um mero compromisso semanal ou como um simples momento de desabafo. Considere cada encontro com seu terapeuta como uma etapa do caminho que o levará à tão desejada cura.

2 Não utilize um roteiro: não faça uma lista de coisas que você deseja trabalhar nas sessões. Você talvez não perceba, mas esse tipo de planejamento acaba sendo uma forma inconsciente de evitar tocar justamente nos pontos que precisam ser abordados no tratamento. Em outras palavras, você lista algumas questões justamente para não falar de outras. Em vez de levar um roteiro, faça o que nós, psicanalistas, chamamos de “associação livre”, ou seja, fale o que vier à sua cabeça, sem preocupar-se com ordenação ou coerência. Dessa forma, você tornará seu discurso mais permeável à passagem do Inconsciente e, consequentemente, facilitará a identificação da origem dos seus sintomas.

3 Fique atento aos seus sonhos: quando iniciamos um processo terapêutico é comum passarmos a nos lembrar com mais frequência de nossos sonhos. Isso acontece porque a terapia afeta de forma mais significativa o Inconsciente, levando-o a se movimentar de forma mais visível. Por isso, é importante que você preste atenção aos seus sonhos enquanto estiver em terapia, pois eles revelam o que está se passando em você na dimensão do Inconsciente. Se possível, habitue-se a anotá-los e reflita sobre eles associando os elementos do sonho a aspectos da sua vida atual e de sua história. Trata-se de um material riquíssimo que não deve jamais ser menosprezado.

4 Não limite a terapia apenas ao que acontece nas sessões: a terapia não se dá apenas durante os 45 ou 50 minutos em que você se encontra com o terapeuta. O Inconsciente funciona 24 horas por dia! Por isso, é importante que você intencionalmente reflita sobre o que acontece consigo diariamente, sobretudo sobre atos falhos e esquecimentos, e também sobre os pensamentos e fantasias que lhe passam pela cabeça tentando conectar tudo isso com que vem sendo trabalhado durante as sessões. Às vezes, uma intervenção feita pelo terapeuta em uma sessão só fará sentido alguns dias depois em função de algum evento ou após uma reflexão.

[Vídeo] Como esquecer um amor: psicanalista explica

Entenda como funciona o mecanismo do esquecimento e utilize-o a seu favor para superar definitivamente aquele amor do passado.

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[Vídeo] Por que nos viciamos?

Neste vídeo você vai compreender a função psicológica que os vícios exercem e o caminho necessário para se livrar definitivamente deles.

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[Vídeo] A influência da sexualidade no adoecimento emocional

Neste vídeo explico a teoria freudiana referente ao peso determinante da repressão de impulsos sexuais na formação dos sintomas neuróticos.

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[Vídeo] A Síndrome do Aluno Nota 10

Você é perfeccionista? Tem dificuldade para delegar tarefas? Sofre muito quando fracassa ou é criticado? Tem dificuldade de para dizer não? Vive o tempo todo num estado de constante tensão e ansiedade? Talvez você sofra da Síndrome do Aluno Nota 10. Assista ao vídeo e entenda do que se trata.

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[Vídeo] Entenda por que você se critica tanto

Recentemente tenho atendido muitas pessoas que apresentam um padrão de personalidade marcado por uma constante autocrítica. Elas estão o tempo todo se achando erradas, falhas e incapazes apesar da realidade lhes dizer o contrário. Com base em minha experiência clínica, explico neste vídeo a gênese desse padrão de personalidade e apresento, ao final, uma técnica terapêutica que tem funcionado com alguns pacientes para amenizar a força da tendência autocrítica.

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[Vídeo] Como se proteger de pessoas tóxicas (parte 02)

Continuando nossa aula sobre como se proteger de pessoas tóxicas, neste vídeo proponho duas estratégias para evitar que a convivência eventualmente inevitável com indivíduos tóxicos produza danos à sua saúde mental. Assista à aula até o final.

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[Vídeo] Como se proteger de pessoas tóxicas (parte 01)

Muita gente adoece psicologicamente por conviver com indivíduos tóxicos, ou seja, opressivos, controladores, manipuladores, agressivos etc. Neste vídeo você começará a aprender o que fazer para se proteger dos danos emocionais provocados por tais pessoas.

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[Vídeo] Lidar com frustrações: visão da Psicanálise

Neste vídeo você vai conhecer a perspectiva da Psicanálise sobre as frustrações e as diferenças entre a forma saudável e a forma patológica de lidar com elas.

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[Vídeo] Somos todos falsos

Não é incomum ouvirmos pessoas dizendo que romperam vínculos de amizade por conta da suposta falsidade do amigo. Mas será que é possível ser sincero, espontâneo e o verdadeiro o tempo todo?

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