Modificar o olhar sobre a própria história: esta é uma das propostas da Psicanálise.


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Quais são os remédios que você inventou para tentar curar suas feridas de infância?

Ontem, atendendo uma paciente, eu utilizei uma analogia que gostaria de compartilhar com vocês, pois acredito que poderá servir para muitos como estímulo para alguns insights.

Eu dizia para essa paciente que nós geralmente criamos “remédios psíquicos” para “tratar” certos problemas emocionais que nos acometeram na infância.

Esses “remédios” são traços de personalidade e padrões de comportamento, ou seja, são formas de ser e de agir que se manifestam em nós de forma quase automática.

Há pessoas, por exemplo, que, sem perceberem, estão sempre se sentindo atacadas e, por isso, se mostram o tempo todo desconfiadas e “na defensiva”.

Quando a gente analisa a história de vida de indivíduos assim frequentemente encontramos em sua infância a passagem por experiências de negligência, injustiça e falta de amor.

Nesse sentido, é possível compreender as atitudes de desconfiança e reatividade como “remédios” que tais pessoas inconscientemente foram criando para se protegerem de um ambiente hostil e pouco acolhedor.

E esses remédios de fato funcionam!

Sem eles, a pessoa seria absorvida pela angústia desesperadora que invade a alma de uma criança que não recebeu por parte do ambiente AQUILO QUE LHE ERA DEVIDO.

Sim, meus amigos: existe a falta estrutural, inevitável, a impossibilidade de satisfação plena, mas existem faltas que não deveriam existir, pois não são da ordem do desejo, mas da NECESSIDADE.

Então, quando o sujeito não tem suas necessidades básicas atendidas na infância, ele vai precisar inventar esses remédios para não cair no abismo da angústia desesperadora.

O problema, como eu dizia para minha paciente, é que todo remédio tem efeitos colaterais…

E é por isso que a gente faz Psicanálise:

Para encontrar remédios melhores.

Para tratar as feridas anímicas e não precisar mais de nenhum deles.

Ou, no mínimo, para acertar a dose…


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O dia em que um paciente arrombou o carro do seu terapeuta

Certa vez, o psicanalista inglês Donald Winnicott passou por uma situação insólita.

Ele estava atendendo um menino bastante problemático, na faixa dos 10 a 11 anos.

O garoto costumava roubar, tinha surtos agressivos e chegou a subir no telhado da clínica onde Winnicott atendia para jogar água no recinto, alagando todo o espaço.

Para completar, certa vez o rapazinho arrombou o carro do analista para dar um rolê com o automóvel.

— Ah, Lucas, aí é demais! Depois desse episódio Winnicott parou de atender esse capetinha, né?

Nada disso. Apesar de todos esses ataques, o terapeuta permanecia firme, atendendo-o diariamente.

O tratamento só foi suspenso porque, depois de algum tempo sem praticar assaltos, o menino voltou a roubar e se tornar agressivo fora da terapia, o que levou a Justiça a interná-lo numa instituição que hoje chamaríamos de “socioeducativa”.

No artigo em que narra esse caso (“Psicoterapia dos distúrbios de caráter”), Winnicott diz que, se “tivesse sido muito mais forte” do que o garoto, talvez o guri tivesse conseguido se segurar e não teria sido apreendido.

— Uai, Lucas, como assim “mais forte”? Por acaso é papel do analista conter pacientes baderneiros? E outra: Winnicott fez certo em continuar atendendo um paciente que chegou a arrombar o carro dele?

Responderei essas e várias outras perguntas na aula especial que estará disponível ainda hoje (sexta) para quem está na CONFRARIA ANALÍTICA.

Falarei nessa aula sobre como o analista deve se comportar, do ponto de vista winnicottiano, em casos como o desse menino (que revelam uma “tendência antissocial”) e em outras situações clínicas nas quais o paciente regride ao padrão de funcionamento de um bebê de colo.

Ah, para finalizar, sabe o que aconteceu com o garoto na vida adulta?

Ele se casou, teve três filhos e se tornou… MOTORISTA DE CAMINHÃO. 😉

Te vejo lá na Confraria!


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Culpabilizar-se pode ser apenas uma forma de querer manter — imaginariamente — o controle a todo custo.


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“A interpretação é fundamentalmente isto: Eu te digo que você disse algo diferente do que pretendia dizer”. Jacques-Alain Miller

Certa vez eu sonhei com um lugar que tinha um formato de “L”.

Enquanto narrava esse sonho no divã e estimulado por algumas pontuações feitas pelo meu analista, me dei conta do fato óbvio de que “L” é a primeira letra do meu nome.

Por incrível que pareça, isso não tinha passado pela minha cabeça até aquele momento.

Impressionado com a IMAGEM insólita do lugar no sonho, não me atentei para o SIGNIFICANTE “L”.

E tem mais: constatei também que o termo “ele” (de letra “L”) é o mesmo que designa o pronome masculino da terceira pessoa do singular.

Esse pequeno fragmento de minha análise ilustra essa belíssima definição da interpretação psicanalítica feita pelo Miller.

Trata-se, é claro, de uma concepção lacaniana de interpretação, que se diferencia do modo freudiano de interpretar.

Eu diria que Freud propunha um método ALEGÓRICO de interpretação, baseado no esquema ISSO REPRESENTA AQUILO.

É o que vemos, por exemplo, na interpretação que ele faz do gesto de Dora de ficar enfiando e tirando o dedo de sua bolsinha porta-moedas.

Freud toma tal comportamento como uma alegoria do ato masturbatório.

Lacan, por sua vez, trabalhará com um método interpretativo diferente, que se vale da POLISSEMIA do significante, ou seja, do fato de que uma mesma palavra pode remeter a mais de um significado, dependendo do contexto.

O termo “ele”, por exemplo, pode tanto designar a letra “L” quanto se referir ao pronome masculino da terceira pessoa do singular.

Para Lacan, a interpretação analítica não deveria ter como propósito apontar o suposto significado verdadeiro daquilo que o sujeito diz.

Pelo contrário, ao interpretar, o analista deveria estimular o sujeito a se dar conta de que há outras possibilidades de leitura daquele mesmo texto que ele está apresentando.

Ou seja, ao invés de “fechar a questão”, fixando um determinado significado, a interpretação, para Lacan, deveria produzir justamente uma ABERTURA para novas significações.

E isso se torna possível quando o analista, ao invés de dizer para o paciente: “Isso que você diz significa aquilo”, opta por enunciar algo mais ou menos assim:

“O que você diz pode ser lido de uma forma diferente da que você pretende…”.


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Por isso, gostaria de contar com sua participação numa rápida pesquisa.

É rápida mesmo: dura menos de 4 minutos.

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Como exercitar na prática a atenção flutuante?

Na terapia psicanalítica, geralmente fazemos ao paciente um pedido mais ou menos assim:

“Olha, para que o seu tratamento funcione, é preciso que você converse comigo de uma forma diferente da habitual. No dia a dia, nós geralmente PENSAMOS ANTES DE FALAR. Afinal, a gente se preocupa em se fazer compreender pelo outro e também com a imagem que o outro fará de nós em função do que dizemos. Aqui na Psicanálise não deve ser assim. Você deverá dizer exatamente aquilo que vier à sua cabeça, ou seja, não impeça nenhum pensamento de ser verbalizado. Ainda que você ache que não vai fazer sentido, que pode parecer indecente ou que eu não vá gostar de ouvir, só fale. Não censure nada”.

Trata-se da famigerada regra fundamental da Psicanálise, a associação livre. Em suma, a gente pede para o paciente NÃO CONTROLAR a própria fala.

Beleza. Mas, se o paciente deve falar dessa forma, como o analista deve escutar o que ele diz?

— Uai, Lucas, deve escutar… escutando, não? Existe mais de uma maneira de escutar?

Mas é claro, caríssimo leitor!

Assim como a associação livre é um jeito de falar diferente da fala comum, o modo como o analista escuta o paciente também precisa ser diferente do habitual.

Se o paciente é convocado a falar sem censura, o analista também precisa escutar SEM QUALQUER TIPO DE FILTRO.

— Ah, Lucas, mas isso é fácil. Eu sei que dá para evitar falar certas coisas, mas não tem como o terapeuta deixar de ouvir alguma coisa que o paciente está dizendo, a não ser que ele tape os ouvidos. Afinal, escutar é um ato passivo.

Que bobagem você acaba de dizer, caro leitor!

A escuta é um processo tão ativo quanto a fala.

Assim como eu posso selecionar o que vou dizer, consigo também escolher cuidadosamente o que vou escutar.

E é EXATAMENTE ISSO o que Freud dizia que o psicanalista NÃO deve fazer.

Para alcançar esse modo diferente de escutar, o terapeuta deveria, segundo Freud, deixar a sua atenção “uniformemente suspensa” — procedimento cognitivo que ficou conhecido na Psicanálise como “atenção flutuante”.

Quer saber como o analista exercita na prática a atenção flutuante?

Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá ainda hoje uma aula especial sobre esse assunto.

Te vejo lá!


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Será que a sua ansiedade vem da incapacidade de confiar?

A experiência clínica tem me mostrado que, em alguns casos, o excesso de ansiedade e preocupações está relacionado a uma dificuldade básica de CONFIAR.

Não me refiro apenas à AUTOCONFIANÇA, mas à confiança no mundo, nos outros, na vida, no tempo…

Falta para algumas pessoas a tão singela capacidade de RELAXAR e acreditar que as coisas podem funcionar sem a intervenção delas.

Tais indivíduos estão sempre achando que, se não fizerem alguma coisa, uma grande catástrofe vai acontecer.

Por isso, estão sempre apressados. Não podem perder um minuto sequer, pois, do contrário, não haverá tempo suficiente.

Não se permitem ir fazer uma prova acreditando que, por terem se preparado, têm tudo para obter uma boa nota. Não. Apesar de terem passado horas e horas estudando, eles não conseguem REPOUSAR no conhecimento internalizado para fazer a avaliação com tranquilidade.

Tais pessoas nutrem a fantasia inconsciente de que PRECISAM estar sempre no controle.

Como toda fantasia, essa também está baseada, como se diz no cinema, em “fatos reais”.

Geralmente, pessoas que apresentam esse padrão são provenientes de famílias em que os pais (por diversas razões — não se trata aqui de culpá-los) não puderam oferecer para o sujeito uma dose suficientemente boa de suporte e auxílio.

Assim, muito precocemente a pessoa teve que se virar sozinha, não podendo contar com uma porção satisfatória de DEPENDÊNCIA em relação ao outro.

Essa experiência infantil tende a levar o sujeito à conclusão de que não pode contar com nada nem ninguém — nem consigo mesmo em certo sentido…

Nesses casos, a terapia psicanalítica ajudará o paciente a reconhecer e questionar essa fantasia, impulsionado principalmente pela relação com o analista — vínculo marcado justamente pelos elementos que faltaram na história do sujeito, a saber: DEPENDÊNCIA e CONFIANÇA.


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4 atributos do pensamento inconsciente

No artigo metapsicológico “O Inconsciente”, que estamos terminando de estudar linha a linha lá nas aulas ao vivo da CONFRARIA ANALÍTICA, Freud apresenta 4 características dos processos de pensamento no Inconsciente.

Muita gente não sabe, mas o Inconsciente NÃO é um lugar obscuro e misterioso dentro de nós, cheio de emoções reprimidas.

Na verdade, o Inconsciente nada mais é que um sistema psíquico.

E, como tal, constituído de PENSAMENTOS.

Isso mesmo: pensamentos, isto é, ideias, representações, desejos, memórias etc.

— Uai, Lucas, mas, então não tem diferença entre o Inconsciente e a Consciência? Porque, pelo que você tá falando, tem pensamento tanto em um quanto no outro…

Sim, caro leitor.

Só que os pensamentos inconscientes funcionam de uma maneira bem diferente dos pensamentos que estão localizados na Consciência (ou melhor, no Pré-consciente, que é o nome técnico que a Psicanálise dá para o sistema psíquico onde ficam armazenadas as ideias das quais a gente pode tomar consciência).

Veja nos cards quais são as particularidades dos processos de pensamento no Inconsciente.


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Por que os pais deveriam saber um pouquinho de Psicanálise?

Em 1913, Freud foi convidado pelo Redator-Chefe da revista científica italiana SCIENTIA a escrever um artigo apresentando as contribuições da Psicanálise para outras ciências.

O resultado foi um texto magnífico em que Freud praticamente resume o conjunto das descobertas que ele e seus alunos haviam feito até aquele momento.

A última seção desse artigo se chama “O interesse educacional da Psicanálise”.

Nela, Freud não fala de relação professor-aluno, aprendizagem, cognição… nada disso.

O foco dele não é a educação escolar, mas a educação familiar, aquilo que a gente costuma chamar aqui no Brasil de CRIAÇÃO.

Freud destaca que o grande problema com a forma como os pais tradicionalmente criam seus filhos é que ela não leva em conta as particularidades do psiquismo infantil.

Por força da inevitável amnésia infantil, os pais esquecem como se comportavam quando crianças e, assim, tratam as tendências e manifestações naturais dos filhos como se fossem impulsos anormais que precisam ser severamente reprimidos.

O resultado de uma criação desse tipo será fatalmente a NEUROSE, essa forma de adoecimento emocional em que o sujeito desperdiça a maior parte da sua preciosa energia psíquica se defendendo dos próprios desejos.

— Beleza, Lucas, entendi. Mas qual alternativa Freud apresenta para os pais? Deixar a criança fazer tudo o que quiser? Não dar limites?

Não, caríssimo leitor. Freud não está advogando uma educação do tipo “libera geral”, em que os pais se eximem do seu papel de grande Outro e deixam a criança entregue aos próprios impulsos.

— Uai, Lucas, mas você não acabou de falar que ele era contra uma educação repressiva?

Sim, perfeitamente. Mas é que não existem apenas esses dois pólos, caro leitor. Para-além da criação libertina e da criação repressiva, existe outra forma —  saudável — de educar.

Quer saber qual é?

Falarei sobre ela e sobre outros aspectos da visão de Freud sobre a educação numa AULA ESPECIAL que estará disponível ainda hoje apenas para quem está na CONFRARIA ANALÍTICA.

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Copo meio cheio ou meio vazio: essa analogia está errada!

Você certamente já ouviu essa velha analogia do “copo meio cheio ou meio vazio”.

Ela costuma ser utilizada quando se quer incentivar uma pessoa a ter um olhar mais positivo sobre uma determinada situação:

“Veja: quando um copo está com água só na metade, você pode enxergá-lo como meio cheio ou meio vazio, ou seja, de forma otimista ou pessimista”.

Qual é o problema dessa analogia?

É que ela supõe que enxergar o copo meio vazio é necessariamente fonte de tristeza, já que, nesse caso, eu estaria olhando mais para o que falta no copo do que para a quantidade de água que ele já possui.

Não sei se você percebeu, mas tal raciocínio supõe que pensar na FALTA é sempre ruim — o que não é verdade.

No fundo, essa analogia é só uma versão do absolutamente irritante “jogo do contente”, inventado pela personagem Pollyanna, de Eleanor H. Porter, que consiste em encontrar pelo menos uma razão para ficar feliz em qualquer situação problemática.

Olhar para o que falta, para o que não funciona, para o que tropeça só será fonte de infelicidade se eu adotar uma postura LAMENTADORA.

O lamentador é aquele sujeito que encarna o estereótipo da hiena Hardy, de Hanna-Barbera. Diante da falta, ele só sabe dizer: “Ó vida, ó azar…”.

Isso acontece porque o lamentador olha para a falta como DEFEITO e não como POTÊNCIA.

Sem saber, ele está comprometido com a visão fantasiosa de que a realidade deveria ser sempre completa, perfeitinha, nada complicada.

— Uai, Lucas, mas tem como olhar para a falta, para o copo vazio, de outra forma?

É óbvio! Trata-se da postura DESEJANTE!

Se algo falta, se algo não funciona, se há falha, isso significa que eu POSSO DESEJAR fazer alguma coisa!

NO MUNDO PERFEITO NÃO HÁ DESEJO: tudo já está feito.

Eu posso, por exemplo, olhar para um processo que não está funcionando no meu trabalho e lamentar o problema. Mas eu também posso pensar criativamente numa forma de resolver aquilo.

Perceba: não se trata de “ver o lado bom” das coisas. É para ver o lado ruim mesmo, só que de um modo desejante/ativo e não lamentador/passivo.

Se o copo está meio vazio, isso significa que ainda tem espaço para que eu coloque mais alguma coisa nele.

Olha que maravilha!


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A preparação pode ser apenas uma desculpa para continuar procrastinando

Descartes dizia que o bom senso é a coisa mais bem distribuída no mundo porque toda pessoa acha que o possui em larga medida.

Em contrapartida, eu diria que o autoengano é a coisa mais escassa do mundo, pois contam-se nos dedos aqueles que admitem estar providos dele.

O procrastinador é uma das categorias de pessoas que mais resistem a reconhecer o quanto estão afundadas no autoengano.

Primeiramente porque a própria percepção de si mesmo como um sujeito procrastinador já pode ser, ela própria, fruto do autoengano.

Com efeito, muitos daqueles que se dizem procrastinadores são, na verdade, preguiçosos mesmo. Não agem porque vivem sob o lema do simpático carteiro Jaiminho: “É que eu prefiro evitar a fadiga”.

Por outro lado, existem os procrastinadores de fato: aqueles que acreditam verdadeiramente que querem agir, mas possuem resistências inconscientes que os impedem de colocar a mão na massa.

Tais resistências podem ser as mais mais variadas: o sujeito pode, por exemplo, inconscientemente não desejar executar aquela tarefa que lhe parece tão necessária no momento aos olhos da consciência.

E é aí que o diabinho do autoengano se manifesta!

Para não ter que reconhecer o seu desejo inconsciente de não fazer o que acha que precisa ser feito, o procrastinador começa a inventar desculpas para si mesmo.

Uma das mais clássicas é a que pode ser formulada nos seguintes termos: “Não vou fazer isso agora porque preciso me preparar; ainda não estou pronto para agir”.

O cidadão já leu trocentos artigos e livros, mas acha que ainda não é o bastante. Antes de começar a escrever a monografia, ele precisa estudar um pouco mais.

A moça já assistiu centenas de vídeos sobre marketing digital e acompanha há anos perfis dedicados ao tema, mas ainda diz para si mesma que precisa se preparar um pouco mais antes de fazer o seu primeiro lançamento.

E, assim, a pessoa vai adiando, adiando, adiando, perdendo oportunidades e jogando para debaixo do tapete uma análise séria sobre as próprias motivações.

Como a gente diz aqui em Minas: ou caga ou sai da moita! Ou você começa esse negócio logo e para de enrolar ou vá investigar as razões inconscientes de sua procrastinação.

Só pare de se autoenganar.


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Bora entender as diferenças entre Real, Simbólico e Imaginário?

Um bom exercício intelectual que ajuda a gente a entender os três registros da experiência humana propostos por Lacan (Real, Simbólico e Imaginário) é o seguinte:

Imagine uma estante que contém 100 livros.

Se eu retiro um livro, a estante fica incompleta?

Sim e não.

Do ponto de vista do Real, a estante não está incompleta.

— Uai, Lucas, como não? Ela agora está com 99 livros. Tá faltando 1, sô!

Veja: o máximo que eu posso dizer, levando em conta apenas o registro do Real, é que a estante está DIFERENTE de como estava antes, que houve uma pequena mudança na sua configuração.

Mas incompletude e completude são IDEIAS e não fatos.

E ideias são sempre RELATIVAS.

Relativas a outras ideias (olha o significante aí, gente!).

Um aluno, por exemplo, pode considerar sua resposta à questão de uma prova como COMPLETA, ao passo que o professor pode avaliá-la como INCOMPLETA.

Percebe?

Vai depender do REFERENCIAL de completude com o qual você está trabalhando.

E esse referencial não está no Real. Está “na sua cabeça”, no… SIMBÓLICO.

A estante não está dizendo: “Estou incompleta. Traga minha parte faltante de volta.”

É a gente que ENXERGA a falta porque, na nossa cabeça, DEVERIAM existir 100 livros e não 99.

Entendeu?

No Real não existe falta nem completude. O Real é o que é.

É só a partir do momento em que eu introduzo SÍMBOLOS na minha relação com o Real (como os números, por exemplo) que eu passo a ver falta e completude.

Tanto é assim que, se eu não souber que alguém tirou um livro da estante e não contar o número de livros, talvez eu ache que a estante está completa.

É aí que a gente chega no registro do Imaginário.

Estamos no Imaginário justamente quando olhamos para a estante e dizemos com convicção: “Tá completa!” ou “Tá faltando!”.

Em ambos os casos estamos sendo iludidos pelas IMAGENS DE COMPLETUDE E INCOMPLETUDE produzidas pela atividade SIMBÓLICA de representação da estante.

Na terapia psicanalítica ajudamos o sujeito a desconstruir suas ilusões imaginárias por meio do discernimento das engrenagens simbólicas nas quais estão fundadas.

Tudo isso em meio à angústia gerada pelo Real que nos habita, o qual, diferentemente do Real da estante, resiste a se deixar representar pelo Simbólico.


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Para-além de papai e mamãe: o Édipo em Jacques Lacan

Ontem, na segunda aula do nosso minicurso, uma pessoa colocou a seguinte pergunta:

“Lucas, mas como se dá o complexo de Édipo em uma criança que não foi criada pelo pai?”.

E a minha resposta foi: é difícil pensar nessa possibilidade à luz da forma como Freud e Klein descrevem o Édipo.

Por quê?

Porque, na concepção do Édipo desses dois autores, existe a suposição de uma organização familiar tradicional: pai biológico + mãe biológica + filhos.

Ou seja, quando falam de pai e mãe, Freud e Klein não estão falando de funções, mas de figuras reais mesmo.

Essa dependência de um certo tipo de organização familiar fez com que muitas pessoas começassem a tratar as concepções desses autores como puras ficções.

Lacan não foi uma dessas pessoas.

Ao invés de jogar a criança fora junto com a água suja da banheira, Lacan olhará para os Édipos de Freud e Klein tentando discernir o que neles é verdadeiro/universal/invariável e o que é ficcional/ contingente/datado.

Em outras palavras, Lacan tomará as descrições freudo-kleinianas do Édipo como MITOS.

Uai, Lucas, mas mito não é uma ficção?

É e não é, caro leitor.

Sabe aquela história de que toda brincadeira tem um fundo de verdade?

Essa ideia também vale para os mitos: todo mito tem um fundo de verdade.

Pense, por exemplo, no mito de Narciso, aquele belíssimo mancebo que morreu de inanição por não conseguir parar de olhar para sua própria imagem refletida na água de um rio.

Quem não é capaz de enxergar que, por trás dessa “historinha”, existe a VERDADE UNIVERSAL de que o gozo excessivo com a própria imagem é mortífero?

Pois é! Lacan aplicará esse mesmo tipo de raciocínio ao abordar as descrições que Freud e Klein fizeram do complexo de Édipo.

É Lacan, por exemplo, quem vai propor a interpretação de que, quando Freud fala do pai, ele está se referindo, na verdade, a uma figura que ENCARNA uma FUNÇÃO que é ESTRUTURAL, ou seja, que SEMPRE estará presente, independentemente da existência concreta do genitor.

Quer saber mais sobre essa leitura estruturalista que Lacan fez do complexo de Édipo?

Então não perca hoje, às 20h, a nossa terceira e última aula do minicurso “O Édipo em Freud, Klein e Lacan”.

Não é preciso se inscrever.

Será no meu Instagram.

Até lá!


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Melanie Klein descortinou a mente infantil e mostrou que ela pode ser tão complexa quanto a do adulto.

Diferentemente de Freud (e da filha dele, Anna), Melanie Klein acreditava sinceramente na possibilidade de fazer Psicanálise com crianças.

Sigmund e Anna Freud achavam que a criança ainda estaria muito emocionalmente ligada aos pais e, por isso, seria incapaz de fazer transferências para o terapeuta, condição fundamental para o tratamento psicanalítico.

Melanie Klein não pensava assim.

SUA CLÍNICA não lhe permitia pensar dessa forma.

Atendendo meninos e meninas de 2, 3, 4 anos com graves problemas emocionais (experiência que Freud, por exemplo, não teve), Klein pôde perceber que a mente infantil é muito mais complexa do que se imaginava até então.

Colocando seus pequenos pacientes para brincar e desenhar (procedimento que ela considerava análogo à associação livre), Klein se deparou com fenômenos espantosos, como, por exemplo:

O caso de uma menininha de 2 anos e 9 meses (Rita) que, já nessa idade, vivenciava intensos sentimentos de culpa e tristeza, denunciando a presença de um superego extremamente feroz e cruel.

Por meio do desenho e da brincadeira, a pequena Rita já expressava fantasias que indicavam a presença de desejos genitais e rivalidades com os pais muito antes do que Freud pensava. Tudo isso em meio a batalhas internas com seios e pênis persecutórios.

No esforço de tentar entender o que se passava com crianças como essa e de que modo era possível que lidassem tão precocemente com tais experiências, Melanie Klein criará uma série de novos conceitos psicanalíticos como identificação projetiva, inveja primária, posição esquizoparanoide, posição depressiva etc.

Além disso, apresentará à comunidade psicanalítica uma nova visão do complexo de Édipo, que localiza essa formação psíquica já no primeiro ano de vida da criança.

E é justamente sobre a concepção kleiniana do Édipo que falaremos hoje às 20h na segunda aula do nosso minicurso especial “O Édipo em Freud, Klein e Lacan”.

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