Por qual livro devo começar a estudar Psicanálise?

Essa é uma das questões que mais me faziam na época em que eu abria diariamente a caixinha de perguntas nos stories do Instagram.

Quem me acompanhava naquela época sabe que eu jamais recomendei qualquer um desses manuais introdutórios, tipo aqueles do Zimerman.

Nunca sugeri também os textos de introdução à Psicanálise escritos pelo próprio Freud.

Eu indicava sempre a leitura de uma obra que possibilitasse ao neófito a conquista do MODO DE PENSAR necessário para estar no campo psicanalítico.

Que modo de pensar é esse?

Trata-se de um olhar sobre o comportamento humano que ultrapassa o senso comum.

Ontem mesmo eu estava conversando com um colega também psicanalista sobre o fato de que certas abordagens teóricas em Psicologia são basicamente senso comum disfarçado de linguagem científica.
A Psicanálise não.

A Psicanálise DESAFIA o senso comum.

E quem deseja se introduzir no campo analítico precisa aprender a pensar dessa maneira não convencional.

Esse olhar diferenciado é aquele que trabalha com a suposição do Inconsciente.

É essa suposição que leva o analista a não se contentar com as explicações mais ou menos óbvias do senso comum.

Portanto, quem deseja adentrar o universo psicanalítico precisa se habituar a olhar para o comportamento humano tendo sempre em mente a suposição do Inconsciente.

E o livro que, do meu ponto de vista, é o que melhor ajuda o neófito a desenvolver esse “hábito”  é “Sobre a Psicopatologia da Vida Cotidiana”, publicado por Freud em 1901.

Nesse volumoso trabalho, Freud vai simplesmente demonstrar, por meio de DEZENAS de exemplos, como o Inconsciente se manifesta no nosso cotidiano.

A argumentação do velho é desenvolvida de forma tão cristalina que somente uma pessoa com muita má vontade é capaz de sair da leitura desse texto sem estar convencida da existência do Inconsciente.

É como se o Inconsciente fosse um animal exótico e Freud estivesse convidando você a ir observar esse animal em seu hábitat natural, a saber: nos esquecimentos, nos lapsos, nos enganos, nos erros…

Esse foi o primeiro livro de Psicanálise que li na vida e, depois dele, nunca mais consegui olhar para a existência sem levar em conta o Inconsciente.


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Não dá para ver o Inconsciente a olho nu: a importância do olhar simbólico para a Psicanálise

Ontem eu conversava com os alunos da Confraria Analítica sobre como a prática da Psicanálise exige o exercício de um olhar SIMBÓLICO sobre a realidade.

É por isso que eu sempre recomendo “A Psicopatologia da Vida Cotidiana”, de Freud, como primeira leitura para quem deseja iniciar um percurso no campo psicanalítico.

Com efeito, nessa obra o leitor encontrará uma coleção imensa de relatos de pequenos erros e comportamentos aparentemente insignificantes interpretados simbolicamente por Freud.

Quem lê “A Psicopatologia da Vida Cotidiana” vai pouco a pouco se acostumando a encarar um simples esquecimento de nome, por exemplo, como um discurso eloquente.

Sim! Nesse livro, Freud nos convida a olhar para lapsos, equívocos e pequenos atos do dia a dia não só como eles se apresentam, mas enxergando o que eles REPRESENTAM.

É isso o que eu chamo de OLHAR SIMBÓLICO, que penso ser indispensável para quem quer exercer a Psicanálise na prática ou mesmo apenas estudá-la teoricamente.

É somente por meio da aplicação desse olhar simbólico que podemos enxergar no esquecimento da chave de casa, por exemplo, o desejo de não voltar para ela.

Só olhar simbólico também nos permite olhar para os sintomas de nossos pacientes e enxergá-los não só como problemas, mas fundamentalmente como MENSAGENS.

Quem não cultiva esse olhar julga as interpretações psicanalíticas como exageradas ou forçadas. De fato, não consegue ver para-além do imediato.

O olhar simbólico é justamente o que torna um analista apto a observar o Inconsciente em ação. Afinal, é próprio do Inconsciente não se mostrar de maneira explícita.

O terapeuta que não exercita o olhar simbólico é levado a crer equivocadamente que seus pacientes estão apenas descrevendo objetivamente  a realidade.

Olhar simbolicamente para a fala do analisando habilita o analista a percebê-la como um discurso muito mais RETÓRICO do que descritivo…

Em suma, para ser psicanalista é preciso ter olhos para ver. E ouvidos para ouvir.

Você tem facilidade para aplicar esse olhar simbólico?


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