
— Racionalmente eu sei que uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas não consigo ficar tranquilo enquanto não converso com ela.
Essa foi uma das falas mais marcantes de Marcelo em sua primeira sessão de análise.
Pouco antes, o rapaz de 25 anos havia dito que, após se tocar no banheiro, fica sempre com a sensação de que alguma coisa ruim acontecerá com sua mãe.
Esse mau presságio só sai de sua cabeça depois que fala com ela e se certifica de que estava bem.
O problema é que, às vezes, Marcelo se toca quando a mãe não está em casa e pode não atender o telefone.
Resultado: até conseguir fazer contato, o rapaz fica imaginando que ela pode ter sofrido os mais diversos infortúnios.
Certa vez, Marcelo chegou a pensar que a mãe poderia ter morrido, o que lhe gerou uma crise de pânico que demorou a passar — mesmo tomando ansiolítico.
Foi depois desse dia que ele tomou a decisão de fazer terapia.
O rapaz não aguenta mais sofrer por conta de um pensamento que ele mesmo sabe que não faz sentido.
O aspecto autopunitivo do sintoma obsessivo de Marcelo salta aos olhos até de quem é leigo.
É evidente que a ideia de que algo de ruim pode acontecer com a mãe é fruto da autocondenação por se tocar.
No entanto, para além desse conteúdo, a FORMA do sintoma também é um aspecto que merece ser explorado.
Marcelo sente que uma ação sua, íntima, feita de modo completamente privado, tem o poder mágico de mexer, à distância, com a vida da mãe.
Sándor Ferenczi, psicanalista húngaro, contemporâneo de Freud, chamou essa crença absurda, tipicamente obsessiva, de “sentimento de onipotência”.
E no texto “O desenvolvimento do sentido de realidade e seus estágios”, o autor mostra a origem dessa tendência dos obsessivos de se acharem superpoderosos.
Eu comentei os trechos desse artigo em que Ferenczi nos brinda com tal explicação numa aula que acaba de ser publicada na CONFRARIA ANALÍTICA.
O título dela é: “LENDO FERENCZI 12 – O sentimento de onipotência do obsessivo” e está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – FERENCZI.
A Confraria é a maior e mais acessível escola de teoria psicanalítica do Brasil, com mais de 400 aulas, o que equivale a mais de 600 horas de conteúdo.
Se você quer estudar Psicanálise de forma profunda, mas, ao mesmo tempo, simples, leve e sem complicações desnecessárias, lá é o seu lugar.
Participe da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
➤ Adquira o meu ebook “Entenda-se: 50 lições de um psicanalista sobre saúde mental”
➤ Adquira a versão física do livro “Entenda-se: 50 lições de um psicanalista sobre saúde mental”
➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”
➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”
➤ Adquira o pacote com os 3 e-books