Homens – Cena 1

74Ele está na casa da namorada. É domingo, único dia da semana em que a sogra e o sogro se lembram que ainda são casados e que, sim, eles podem trocar a revista de fofoca e o jornal barato pelo aconchego da própria cama – nem que seja para fazer palavras-cruzadas juntos…

Enfim, o casal de namoradinhos está sozinho. Ele se mantém na mesma posição, apenas a afagar-lhe os cabelos, com medo de que os velhos tenham ido apenas buscar uma munição reforçada (no caso, uma Marie-Claire ou A Folha de São Paulo). Ela, conhecendo a estratégia do inimigo e sabendo que a retirada foi estratégica, já inicia uma massagem provocante. Ele apenas fecha os olhos e aprecia o caminhar das mãos dela, pensando: “Não há motel de luxo que substitua o sabor do perigo de uma transa na casa da namorada…”

Eis que o telefone (dele) toca.

– Alô.

– Alô. Beto?

– Fala Nogueira! Beleza?

– Tudo em cima! Vai no jogo hoje?

– Que jogo?

– Como que jogo? A final do Campeonato Tupinambense, homem! Cê tá doente?

– Putz! Tinha me esquecido! Não posso perder mais esse triunfo do 7 de setembro!

– Pois é, é melhor correr senão a gente não acha ingresso.

– Me espera aí que já tô chegando…

A namorada, compreensiva, pára a massagem, resignada. Ela sabe que ele preferirá ser massageado pelos braços e cotovelos de dezenas de homens na arquibancada de um estádio (porque dá mais emoção). Todos eles a soltarem gritos e urros que não são de orgasmo.

Tudo por mais um triunfo do 7 de setembro…

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