Aforismos – II

O ditado que diz que “em casa de ferreiro o espeto é de pau” não poderia ser melhor aplicado do que no caso dessa profissão impossível chamada “psicanalista”. Isso não é nenhuma novidade. Lacan já o dissera nas entrelinhas no início do seu ensino, quando, de cada 10 palavras que dizia, 11 eram críticas ao pós-freudianos. Lacan se indignava com a “contramão da contradição” – como diria Lobão – em que se prendiam os sucessores de Freud. Ao mesmo tempo em que diziam lutar em seus consultórios para ajudar o obsessivo a se libertar dos labirintos de sua neurose, constituíam uma associação de psicanalistas que não fazia mais do que reproduzir esse mesmo labirinto – com as mesmas formações reativas… Ora, esse não é nem de longe o exemplo mais cabal do modo  sintomático como os analistas tomam a palavra. A sombra do pai parece pesar-lhes nos ombros, de modo que, das duas uma: ou eles se esquecem do pai e resolvem andar cambaleantes com as próprias pernas, forcluindo o ensinamento paterno e voltando a praticar os mesmos vícios de outrora – esses são os pós-freudianos; ou eles fazem um altar para o pai, identificando-o quer a um monge, quer a uma esfinge, engalfinhando-se para ver qual deles consegue decifrar o oráculo. Esses não se permitem sequer um passo sem o consentimento do pai. Mas vejam: o pai está morto…

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6 comentários sobre “Aforismos – II

  1. Uma vez comentei com o Zanatta q na Psicanálise se fala tanto em transferência e é uma das coisas q mais existe entre os psicanalistas. Sempre estabelecendo um sujeito q detem o saber pra transferirmos nosso sintoma, o passe é uma prova disso.

  2. É, nessa coisa do passe acho que o Lacan foi extremamente infeliz. Lá no início do seu ensino ele metia o pau na análise didática da IPA, dizendo que ela parecia mais com aulas de auto-escola do que com psicanálise. Agora, o que é a banca dos “passadores” senão um simulacro de uma banca de auto-escola, pronta para entregar ou não a carteira de motorista segundo critérios nada, nada objetivos?

  3. Gostei bastante! É o primeiro post seu que leio aqui. Mas, veja, é justamente, por isso, que o passe é um disposito interessante, pois, ele apenas demonstra o que está escamoetado nos demais. Até,

  4. entrei pra dizer q o aforismo era muito bom, mas aí eu vi q já tinha dito… hahahaha…

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