Por que estamos tão ansiosos atualmente?

Se tomarmos a ansiedade como uma espécie de medo do futuro, podemos verificar com alguma clareza os fatores socioculturais contemporâneos que colaboram para o aumento expressivo do número de indivíduos que “sofrem de ansiedade”. Com efeito, o mundo atual eleva à enésima potência o foco moderno no futuro. Diferentemente dos medievais que conseguiam descansar no presente cientes de que “o futuro pertence a Deus”, nós, modernos, acreditamos que o futuro é resultado de nossas ações no presente. Ao mesmo tempo, sabemos que isso não é totalmente verdade visto que nossas ações concorrem com as ações de outras pessoas e não se pode negligenciar o peso de fatores absolutamente imponderáveis como uma pandemia, por exemplo.

Espero que você tenha percebido que, no fim das contas, na modernidade temos uma concepção incerta de futuro, uma visão que nos leva a pensar constantemente que “tudo pode ir por água abaixo”. A crença medieval em uma história com final feliz (a realização plena do Reino de Deus narrada no livro do Apocalipse) possibilitava ao sujeito viver sob a égide daquela velha frase água-com-açúcar: “No fim, tudo dá certo. Se não deu certo, é porque ainda não chegou ao fim.”. Não há como sofrer com ansiedade pensando dessa forma!

Já no mundo moderno, funcionamos com base na ideia de que “No fim, as coisas podem dar certo ou podem não dar; depende…”. Como não viver ansioso tendo essa visão de futuro? A ênfase moderna num futuro a ser inventado coloca sobre os ombros do sujeito uma autocobrança constante (“Se eu não agir, nada acontecerá!”) e uma ansiedade crônica, pois, como não se trabalha com a ideia de uma história com final feliz, mas com uma concepção infinita de história, o futuro só pode ser visto como meta… e perigo.

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