Você é um mascarado?

Nos anos 1990 a gente costumava chamar certos jogadores de futebol de “mascarados”.

Romário, por exemplo, foi um dos que receberam esse epíteto.

Mascarado era o sujeito que exibia certa postura de arrogância e superioridade, meio que exigindo ser tratado de modo especial em função de seus atributos peculiares.

O termo provavelmente tem origem na ideia de que o indivíduo mascarado se deixa engolir pelo personagem que criou para si mesmo.

Na clínica psicanalítica também nos deparamos frequentemente com mascarados, mas não nesse sentido dos anos 1990.

Os mascarados que procuram ajuda terapêutica nem sempre são arrogantes e convencidos.

Pelo contrário: muitas vezes se autodepreciam e não conseguem se ver com bons olhos.

E isso acontece justamente porque, quando se olham no espelho da alma, não enxergam a si mesmos, mas a máscara, o personagem que criaram ainda na infância.

Os jogadores mascarados dos anos 1990 (que hoje em dia a gente chamaria de “marrentos”) talvez fossem levados a forjar uma máscara de superioridade para se protegerem um pouco do caráter invasivo do assédio do público e da imprensa.

É também como defesa que os “mascarados” que se deitam em nossos divãs criaram os personagens com os quais se confundem.

Vítimas de uma infância marcada por rejeição, negligência ou violência, são pessoas que tiveram que ocultar o próprio ser para se converterem naquilo que PRECISAVAM SER para sobreviverem psicologicamente (e, às vezes, fisicamente) num ambiente caótico e abusivo.

O problema é que, com o passar do tempo, o sujeito perde a noção de que ele não é o personagem que se viu obrigado a criar e se confunde com a máscara.

É por isso que a análise, para tais pessoas, é um processo extremamente doloroso.

Afinal, durante a terapia, elas precisarão fazer uma espécie de cirurgia de remoção da personagem.

Mas como a máscara está fortemente afixada, o sujeito tem a sensação de que está perdendo o rosto.

De fato, ele não sabe como é SER sem FINGIR SER.


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“Parece que esse desejo de morte, no filho, está voltado contra o pai e, na filha, contra a mãe.”

A primeira vez que Freud menciona fenômenos que serão abarcados futuramente pelo conceito de complexo de Édipo é no rascunho N da carta 64, enviada a seu colega Wilhelm Fliess no dia 31 de maio de 1897.

Nessa época, Freud mantinha uma correspondência farta com Fliess e volta e meia anexava a elas rascunhos de possíveis artigos e ensaios.

Nesses textos, podemos encontrar, num estado ainda embrionário, praticamente toda a base da teoria freudiana.

Freud começa esse rascunho N, anexado à carta 64, falando sobre um aspecto do complexo de Édipo que geralmente não é muito enfatizado.

Sempre que se pensa no Édipo, a primeira coisa que nos vêm à mente são os desejos sexuais incestuosos da criança em relação aos seus pais.

No entanto, é curioso observar que, na primeira vez em que Freud fala da questão edipiana, ele destaca os desejos de MORTE que a criança dirige aos genitores e não o vínculo erótico:

“Parece que esse desejo de morte, no filho, está voltado contra o pai e, na filha, contra a mãe.”

De fato, no Édipo freudiano típico, o menino apaixona-se por sua mãe e, em decorrência disso, passa a encarar seu pai como um rival que precisa ser vencido.

A menina, por sua vez, decepcionada com seu primeiro objeto de amor (que também é a mãe), desenvolve um vínculo erótico com o pai e, assim, começa a enxergar a mãe como uma adversária a ser eliminada.

Nesse sentido, quando o clímax do drama edipiano passa e ocorre aquilo que Freud chamará em 1924 de “dissolução do complexo de Édipo”, a criança se vê obrigada a reconhecer duas derrotas:

A de não ter realizado sua fantasia sexual incestuosa e a de não ter conseguido matar seu (sua) rival.
Tem gente que aceita tais derrotas e vida que segue.

Mas tem gente que passa a vida inteira desejando voltar no tempo para tentar sair vitorioso — até deitar no divã.


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Ela só arrumava boy lixo. Por quê?

Uma das situações que costumam motivar as pessoas a procurarem a ajuda da Psicanálise é a COMPULSÃO À REPETIÇÃO.

Sucessivos relacionamentos que nunca dão certo, crises emocionais que ocorrem periodicamente, maus hábitos que nunca são abandonados…

Enfim, as formas de manifestação da repetição podem ser as mais diversas.

Geralmente a pessoa que padece desse problema não consegue compreender por que ele ocorre:

“— Doutor, eu não entendo por que só me envolvo com caras abusivos. É sempre a mesma história: eu começo o namoro achando que dessa vez vai ser diferente e, quando me dou conta, lá estou eu de novo sendo tratada que nem lixo.”

Esse estado de perplexidade diante das próprias escolhas é totalmente compreensível.

Afinal, para a pessoa em questão, não faz o menor sentido que aconteça consigo exatamente o que ela estava tentando evitar.

Por que isso ocorre? Por que podemos repetir os mesmos erros embora estejamos tentando evitá-los?

A resposta, revelada pela experiência psicanalítica, é a seguinte:

Aquilo que conscientemente interpretamos como erro, sofrimento e dor pode muito bem estar sendo visto por nós mesmos, só que inconscientemente, como… acerto.

Em outras palavras, existe uma parte da moça que só escolhe boy lixo que está muito satisfeita com tais escolhas.

Mas, como, Lucas, como uma pessoa pode se satisfazer sendo maltratada?

Ora, caro leitor, como é que você me faz uma pergunta dessas?

Por acaso nunca ouviu falar dos masoquistas, indivíduos que sentem um tesão enorme em serem dominados, amarrados, chicoteados?

Pode haver uma inclinação masoquista reprimida na referida moça. Por que não?

Mas a coisa pode ser ainda mais profunda…Pode ser que a condição de SER ABUSADA seja a resposta que essa pessoa encontrou para determinados enigmas com os quais se deparou na infância.

Enigmas como “O que preciso fazer para garantir o amor de meu pai?”.

Vai saber…O buraco do nosso Inconsciente é muito mais embaixo.

Não o subestime…


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[Vídeo] Você não é cachorro, não!

Diferentemente dos cães e demais seres vivos, o ser humano tem a capacidade de alterar o fluxo de sua existência por meio da reflexão e da decisão.


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[Vídeo] Cuidado com as crianças “que não dão trabalho”

Neste vídeo eu explico, à luz das contribuições do psicanalista Donald Winnicott, por que as crianças super boazinhas e obedientes podem estar gravemente doentes do ponto de vista emocional.


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Sobre a formação do superego

Superego foi o nome que Freud deu para uma parte específica do nosso eu formada pela internalização da dimensão coercitiva do cuidado parental.

Não entendeu nada? 😅 Então deixa eu te explicar:

Por “cuidado parental” entenda as diversas práticas de cuidado que os pais desenvolvem junto aos seus filhos.

Essas práticas podem ser de ordem acolhedora (carinho, proteção, auxílio, segurança, reconhecimento etc.) e de ordem coercitiva (vigilância, ameaça, contenção, punição).

Ambas as dimensões do cuidado parental são necessárias para o desenvolvimento emocionalmente saudável da criança.

No entanto, na formação do superego ocorre a internalização apenas das práticas coercitivas.

Por “internalização” entenda o processo que vai levando a criança a fazer consigo mesma aquilo que num primeiro momento os pais faziam com ela.

Por exemplo: inicialmente eram os pais quem a alertavam dizendo que não deveria bater no coleguinha, pois, se o fizesse, seria castigada.

Ao internalizar essa prática de vigilância e ameaça na forma de superego, a própria criança passa a se alertar, como que dizendo para si mesma: “Não posso fazer isso senão serei castigada”.

Você percebe, portanto, que, nesse movimento de internalização, a criança precisa se IDENTIFICAR com os pais, ou seja, precisa inconscientemente imitá-los.

Mas não imitá-los por completo! A identificação que forma o superego é feita apenas com os pais ENQUANTO agentes coercitivos, ou seja, apenas com os pais que vigiam, ameaçam e punem.

Conforme o desenvolvimento avança, o indivíduo passa a ter contato com outras figuras de autoridade que também exercerão sobre ele um papel coercitivo, tais como professores, por exemplo.

Essas outras pessoas também podem ser objeto de identificação e, consequentemente, “alimentarem” o superego.


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Como é feito o diagnóstico em Psicanálise?

Todo o mundo sabe mais ou menos como é feito um diagnóstico de doença física na medicina.

O profissional inicialmente faz uma entrevista de anamnese com o paciente a fim de identificar o que ele está sentindo, quando os sintomas começaram a aparecer, possíveis antecedentes familiares, dentre várias outras informações.

Em seguida, comumente o médico faz um breve exame físico e solicita outros exames (como biópsia, endoscopia, exame de sangue etc.) com o objetivo de verificar o que de fato está acontecendo no corpo do paciente.

Com base nesse conjunto de informações colhidas na anamnese, no exame físico e nos outros exames, o profissional, então, classifica a condição apresentada pelo paciente em alguma categoria patológica.

Na Psicanálise, a gente também faz diagnóstico. Afinal, a condução do tratamento não pode ser a mesma para todas as formas de adoecimento emocional.

No entanto, o diagnóstico psicanalítico é bem diferente do modo de produção de diagnósticos na medicina.

Essa diferença se revela, em primeiro lugar, no fato de o psicanalista não ter acesso ao corpo de seus pacientes.

Isso significa que o diagnóstico psicanalítico estará baseado exclusivamente naquilo que o paciente diz e no modo como o diz.

Nesse sentido, se o médico faz uso de exames para formular um diagnóstico, o psicanalista emprega exclusivamente sua escuta (sustentada, evidentemente, pelo saber psicanalítico).

Ah, Lucas, mas um paciente pode se queixar de desânimo, por exemplo, e não saber que possui hipotireoidismo, disfunção que tende a deixar a pessoa sem energia.

Sim, é possível.

Então, diante de uma queixa de desânimo, o psicanalista não deveria, antes de formular seu diagnóstico, recomendar ao paciente que procure um médico para realizar um exame a fim de confirmar ou descartar essa possibilidade?

Não, não deveria.

Quer saber por quê?

A resposta estará na aula especial que os membros da Confraria Analítica receberão ainda hoje sobre as especificidades do diagnóstico em Psicanálise.

Te vejo lá!


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[Vídeo] Tenha uma rotina

Apontada injustamente como vilã dos relacionamentos, a rotina permanece sendo uma condição indispensável para uma vida tranquila e produtiva.

Veja três motivos pelos quais você deveria estabelecer uma rotina caso ainda não tenha uma.


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[Vídeo] Por que Lacan disse que “A mulher não existe”

Será que Lacan era machista? Neste vídeo, explico como devemos ler esse enigmático e polêmico aforismo do psicanalista francês.


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Somos todos recalcados

Sim, todos nós.

Não só aquela sua amiga invejosa ou aquele mancebo que lhe deu um perdido no último fim de semana.

Somos todos recalcados.

Recalque foi um termo que Freud utilizou para descrever um processo que ocorre quase que automaticamente (mas não involuntariamente) em nós quando experimentamos certos pensamentos, fantasias e impulsos que não são compatíveis com a imagem idealizada que temos a nosso respeito.

Sabe quando você se assusta consigo mesmo e diz: “Meu Deus, como eu pude pensar uma coisa dessas?”?

Quando isso ocorre, a tendência é fingir que nada aconteceu e simplesmente tentar esquecer que tais pensamentos passaram pela nossa cabeça, né?

Pois bem, recalcar é isso: jogar a “sujeira” psíquica para debaixo de um tapete chamado INCONSCIENTE.

Por essa razão, somos todos recalcados, afinal todos nós fazemos isso, pois amamos fingir que correspondemos à imagem idealizada que temos de nós mesmos.

Assim, quando brota dos nossos corações algo que vem macular essa imagem, a gente finge que nada aconteceu e continua vivendo no autoengano.

O problema é que a alma não possui apenas essa inclinação no sentido da hipocrisia, mas também uma tendência na direção da verdade.

Em outras palavras: não adianta recalcar, não, amigo…

O que foi recalcado retorna, pois exige ser visto, reconhecido, falado:

“A boca fala do que está cheio o coração.”.

Se a gente insiste no autoengano e no medo de se enxergar, a alma se revolta e, tal como um vulcão em erupção, lança sobre nós o recalcado na forma de padrões doentios de relacionamento, obsessões, sintomas físicos, pesadelos…

E aí a gente procura a Psicanálise – para abrir mão da imagem idealizada de nós mesmos — e vivermos menos recalcados…


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As diferenças entre o pequeno outro e o grande Outro em Lacan

Uma boa forma de entender a diferença entre essas duas categorias é pensando o pequeno outro como uma PESSOA QUALQUER e o grande Outro como uma instância (não necessariamente uma pessoa) que exerce sobre você uma função de DETERMINAÇÃO.

Pense, por exemplo, nas relações diferentes que uma criança normalmente tem com seus pais e seus irmãos.

Com os irmãos, a relação costuma ser DE IGUAL PARA IGUAL. A criança não dá um peso especial ao que eles dizem. São, portanto, pequenos outros para ela.

Já com os pais, a coisa é bem diferente. Eles podem falar exatamente a mesma coisa que os irmãos, mas o efeito da palavra parental sobre a criança é bem mais significativo.

Quando isso de fato acontece, os pais estão funcionando para a criança como grande Outro.

O pequeno outro é aquele cuja palavra não faz muita diferença na minha vida.

E não faz diferença porque, no fim das contas, as pessoas que estão nessa posição funcionam basicamente como extensões ou projeções de nós mesmos.

Se o que elas falam vai ao encontro do que já pensamos, ótimo. Se não, a gente se irrita, briga ou simplesmente deixa para lá.

Quando estamos lidando com pequenos outros todo o nosso esforço vai na direção do apagamento das diferenças, ou seja, a gente quer que a pessoa continue sendo tão-somente um SEMELHANTE e não um outro de verdade.

Com o grande Outro a relação é diferente.

No sentido estrito, o grande Outro designa o conjunto das instâncias que determinam a nossa existência a despeito da nossa vontade.

Pense, por exemplo, na nossa língua materna, nas estruturas sociais, na cultura, enfim… Todas essas coisas que necessariamente MOLDAM a nossa vida.

Mas não são só tais instâncias que exercem sobre nós esse impacto “modelador”.

Quando uma mãe, por exemplo, interpreta o choro de seu bebê dizendo: “Neném tá com fome.” ela está, de certa forma, moldando a criança com seu discurso.

Portanto, ela está exercendo a função de grande Outro para o bebê naquele momento.

Essa é a principal diferença: a palavra do grande Outro marca, determina, condiciona ao passo que o que o pequeno outro diz sempre passa pelo filtro EGOICO.


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[Vídeo] Você é grato ou ressentido?

Há pessoas que encaram a vida como um presente que merece ser valorizado e aproveitado ao máximo e há outras que SE consideram um presente para o mundo.

Em que grupo você está?


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[Vídeo] Por que a Psicanálise dá tanta importância para a infância?

Neste vídeo você vai finalmente entender por que, na Psicanálise, olhamos com atenção especial para aquilo que se passou com o sujeito nos primeiros anos de vida.


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As diferenças na forma como Freud e Lacan pensavam a interpretação em Psicanálise

A interpretação é uma das principais ferramentas de trabalho do psicanalista.

Por quê?

Porque a Psicanálise trabalha com o pressuposto de que o paciente expressa simbolicamente, ou seja, de forma codificada, os elementos inconscientes que estão na origem de seus problemas emocionais.

Logo, cabe ao analista interpretar aquilo que o paciente traz a fim de que esses elementos inconscientes sejam trazidos à luz e, assim, possam ser trabalhados.

Freud tinha uma concepção muito tradicional de interpretação.

Para ele, interpretar consistia basicamente em DEDUZIR e COMUNICAR ao paciente os elementos inconscientes a partir de uma observação minuciosa e cuidadosa de sua fala, de seus atos falhos, de seus sonhos e do comportamento dele na transferência.

Em outras palavras, para Freud, ao interpretar, o analista apresenta o comportamento do Inconsciente ao analisante como um detetive que, após a coleta e análise detalhada dos indícios e evidências, explica ao delegado de polícia como se deu um determinado crime.

É por isso que, nos grandes casos clínicos de Freud, vemos interpretações longuíssimas.

O “racional” freudiano é muito simples: o analista, como alguém que escuta de forma neutra e com atenção flutuante, está em condições de decifrar as manifestações do Inconsciente do analisante como um exegeta diante de um texto antigo.

Para Freud, portanto, o analista REVELA o Inconsciente por meio da interpretação.

O psicanalista francês Jacques Lacan pensava o ato analítico de interpretar de forma bem diferente.

Para ele, a interpretação não serve para revelar o Inconsciente, mas para COLOCÁ-LO EM MOVIMENTO.

Para Freud, essa era uma CONSEQUÊNCIA da boa interpretação, mas, para Lacan, trata-se do próprio OBJETIVO do ato de interpretar.

Nesse sentido, do ponto de vista lacaniano, o analista não deve fazer interpretações EXPLICATIVAS, mas PROVOCATIVAS.

Como assim, Lucas?

Quem está na Confraria Analítica vai saber! Ainda hoje, os assinantes vão receber uma aula especial sobre a interpretação na perspectiva de Lacan.

Te vejo lá!


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Há pessoas que estão tão acostumados à própria doença que sabotam seu processo de cura só para não terem que sair do lugar.

Um dos fatores que podem nos manter presos a um quadro de adoecimento emocional é o HÁBITO.

Sim, a gente se habitua a um padrão doentio de funcionamento, sobretudo quando ele tem início na infância.

A gente se acostuma tanto com nossas ansiedades, sintomas e inibições que, com o passar do tempo, a doença passa a fazer parte da nossa identidade.

Nesse sentido, a cura passa a ser temida, pois eliminar o adoecimento significaria abandonar uma parte de si mesmo.

Nossa experiência clínica mostra que um dos obstáculos que emperram o processo terapêutico é o fato de que o paciente, muitas vezes, simplesmente não suporta ficar bem.

A pessoa já está tão habituada a seus padrões doentios que, inconscientemente, sabota a terapia porque a cura demandaria necessariamente uma desorganização temporária da sua personalidade.

Nesses casos, o sujeito se comporta como um prisioneiro que, depois de muitos anos, finalmente recebe o alvará de soltura , mas prefere permanecer na cadeia por acreditar que não saberá viver em liberdade.


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