Da série “Postagens antigas que merecem ser repostadas”.
Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Da série “Postagens antigas que merecem ser respostadas”.
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A palavra alemã “Angst” já foi traduzida por “angústia”, “ansiedade” e até por “medo” em traduções brasileiras dos textos de Freud.
Eu, pessoalmente, prefiro o termo “ansiedade” por considerar que ele possui uma conotação menos filosófica que “angústia” e mais indeterminada do que “medo”.
No clássico texto “Hemmung, Symptom und Angst” (Inibição, Sintoma e Ansiedade), de 1926, Freud define a ansiedade como uma reação a uma situação de PERIGO, ou seja, uma circunstância que pode acarretar algum tipo de dano ao indivíduo.
O autor faz uma distinção entre ANSIEDADE REALÍSTICA e ANSIEDADE NEURÓTICA.
A primeira seria um sinal que indicaria a consciência de um risco real, externo e objetivamente constatável.
Trata-se da ansiedade que uma pessoa sentiria, por exemplo, ao perceber que o motorista do carro em que se encontra está dirigindo de forma imprudente em alta velocidade.
A ansiedade neurótica, por sua vez, se manifestaria frente a processos INTERNOS que o indivíduo foi levado a INTERPRETAR desde a infância como perigosos.
Que processos são esses?
Trata-se de determinados IMPULSOS — sexuais ou agressivos.
Na infância, o sujeito chega à conclusão de que permitir a expressão desses impulsos implicaria em algum tipo de prejuízo a ele, como a perda de uma parte do corpo (fantasia de castração) ou a perda do amor dos pais.
É o que acontece, por exemplo, com algumas pessoas que ficam extremamente ansiosas em situações de conflito.
A ansiedade não aparece porque elas se sentem ameaçadas pelo outro com quem estão discutindo.
Na verdade, o que de fato as assusta são seus próprios impulsos agressivos, que elas reprimem desde a infância e que, portanto, são vistos como perigosos.
Para Freud, os SINTOMAS são justamente barreiras que nós construímos para evitar essa situação interna de perigo e, consequentemente, o surgimento da ansiedade.
Mas isso é assunto para o vídeo especial que será recebido ainda hoje (quinta-feira) por aqueles que estão na CONFRARIA ANALÍTICA.
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Originalmente, histeria e neurose obsessiva eram termos que designavam tão-somente transtornos mentais.
Por outro lado, desde o início de sua abordagem dessas patologias, Freud observou que em cada uma delas haveria uma constelação específica de traços de personalidade.
Na histeria, por exemplo, haveria quase sempre uma atitude de repúdio à sexualidade ao passo que na neurose obsessiva normalmente se encontraria, dentre outros traços, um crônico sentimento de culpa.
Lacan, por sua vez, propôs que histeria e neurose obsessiva seriam, na verdade, não apenas categorias psicopatológicas, mas as duas posições subjetivas possíveis para uma pessoa neurótica.
No pensamento de Lacan, o neurótico pode ser pensado como o sujeito que trava sua vida em função da pergunta “O que o Outro deseja?”.
Empacado diante desse problema, o neurótico constrói uma fantasia e passa a viver nela, protegendo-se da constatação de que não há resposta definitiva para aquele mistério.
O obsessivo vive na fantasia de que precisa ser completo, autônomo, tendo tudo sob controle. Para se proteger da questão sobre o desejo do Outro, ele tenta fingir que o Outro não existe.
Daí o desespero em que se vê quando sua parceira se recusa a encarnar o papel de um simples objeto, ou seja, quando resolve se manifestar como uma Outra pessoa de verdade.
A fórmula do amor do obsessivo é “Eu amuminh’a mulher” (amor + múmia). Com efeito, para ele, a mulher ideal é uma mulher… morta.
A histérica, por sua vez, encara de frente a questão do desejo do Outro. Sua saída, no entanto, não é melhor que a do obsessivo:
Na histeria, o sujeito tenta encarnar o objeto que supostamente seria a causa do desejo do Outro. Percebam: a histérica não quer ser o objeto que satisfaz o Outro. Ela busca se converter no objeto que CAUSA o desejo.
É como se ela pensasse: “Se o Outro deseja, logo eu existo, pois sou exatamente o objeto que o faz desejar”.
Daí sua famosa insatisfação crônica: para ela nunca está bom, está sempre faltando alguma coisa…
Precisa faltar! Encarnando em fantasia o papel de objeto causador do desejo do Outro, a histérica só pode sustentar sua existência se mantiver o Outro num estado perpétuo de carência.
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Na clássica obra “O mal-estar na civilização”, Freud propõe a tese de que a sociedade humana, para sobreviver, exige dos indivíduos a supressão de parte da satisfação de seus impulsos.
Em outras palavras, só podemos viver em sociedade se estivermos dispostos a abrir mão do “direito natural” de fazer tudo o que quisermos.
Por outro lado, Freud também nos ensinou a perceber que aquilo que é suprimido num primeiro momento inevitavelmente reaparece em outro com novas roupagens.
Assim, a parcela de satisfação pulsional à qual renunciamos para viver em sociedade retornaria na forma do mal-estar inerente à vida em comunidade.
A palavra em alemão que Freud utiliza e que costuma ser traduzida por “mal-estar” é Unbehagen, que também pode ser traduzida por “desconforto”.
Trata-se de uma espécie de tensão psíquica básica que funciona como um lembrete das possibilidades de satisfação que a gente decidiu suspender para viver em sociedade.
Por outro lado, estamos sempre buscando formas socialmente aceitas de satisfazer nossos impulsos a fim de mitigar um pouco esse mal-estar.
De fato, a vida civilizada seria absolutamente insuportável se não houvesse “válvulas de escape” para compensar o sacrifício pulsional que cada indivíduo faz.
A cultura do cancelamento, a chamada polarização política e os programas de TV policiais são exemplos contemporâneos dessas válvulas de escape.
Por trás do linchamento virtual a famosos, feitos em nome da moral e dos bons costumes politicamente corretos, o que existe de fato são indivíduos aproveitando a oportunidade para descarregarem seu sadismo reprimido.
Por trás das aparentemente nobres e desinteressadas discussões sobre democracia, distribuição de renda e liberdades individuais temos tão-somente o bom e velho tesão de brigar, que a duras penas aprendemos a suprimir.
E os programas policiais, por sua vez, nada mais são do que veículos socialmente aceitos de satisfação de nossos desejos de vingança e de nosso apetite natural pela violência.
Sim, é também esse gosto por ver o circo pegar fogo (e o palhaço se f****) que nos anima a assistir com júbilo uma série como “Round 6” em que pessoas participam de um jogo estúpido apostando a própria vida.
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Quando a gente aprende que o Inconsciente é constituído de ideias recalcadas, surge a tentação de imaginá-lo como uma caixinha onde esses pensamentos são depositados.
Essa comparação não é boa porque ela sugere a falsa conclusão de que as ideias ficam paradas lá no Inconsciente à espera de serem resgatadas.
Na verdade, os pensamentos recalcados não param quietos!
Eles estão o tempo todo se manifestando.
Porém, como sua entrada na Consciência foi barrada, eles precisam recorrer a representantes, assim como grandes empresas utilizam parlamentares para fazerem valer seus interesses na legislação.
Tal como na relação promíscua entre empresários e políticos, o retorno do recalcado acontece debaixo dos panos, nos bastidores das nossas intenções oficiais…
É preciso ter olhos para ver a silhueta do recalcado numa inocente troca de palavras.
É preciso ter ouvidos para ouvir a voz do Inconsciente num inofensivo ritual cotidiano.
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Quando estamos estudando o pensamento de um autor, é muito importante separarmos o que ele efetivamente disse das RELEITURAS propostas por seus comentadores.
Em que pese o fato de ter formulado uma nova e robusta matriz teórica em Psicanálise, Jacques Lacan pode ser considerado um grande comentador da obra freudiana, talvez o maior de todos.
Ao exercer esse papel, Lacan muitas vezes expôs discordâncias em relação a certos pontos da teoria de Freud.
Muitos analistas, no entanto, seduzidos pela brilhante retórica lacaniana, acabam recalcando tais discordâncias e passam a achar que o que Lacan está propondo corresponde exatamente ao que Freud disse.
Isso acontece, por exemplo, na questão do desenvolvimento psicossexual.
Lá no Seminário XI, o analista francês faz questão de dizer: Freud acredita na maturação da pulsão sexual; eu, não.
Sabe esse negócio de fase oral, fase anal, fase fálica, período de latência e fase genital?
Então… Tem gente que acha que essa caracterização do desenvolvimento psicossexual em fases é irrelevante na obra de Freud porque Lacan não está de acordo com ela.
Quem pensa assim acredita que Lacan conseguiu extrair uma suposta “verdade verdadeira” que estaria implícita no texto freudiano.
Trata-se, a meu ver, de um baita engano!
Lacan não está para Freud como Paulo de Tarso está para Cristo.
Apesar dos evidentes pontos de confluência, trata-se de concepções teóricas distintas.
Sobre essa questão das fases do desenvolvimento psicossexual, não resta a menor dúvida de que Freud a considerava como um elemento importantíssimo em sua teoria.
Tanto é assim que num de seus últimos textos, o “Esboço de Psicanálise”, ele dedica um capítulo inteiro para falar do desenvolvimento da função sexual, entendendo-o como um processo de maturação biológica com começo, meio e fim.
Freud pensava assim. Lacan, não.
Você não é obrigado a concordar com Freud e pode preferir a leitura lacaniana, mas é preciso ter a honestidade intelectual de admitir que um fala uma coisa e o outro fala outra.
Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá ainda hoje uma pequena aula especial sobre essas diferenças entre as visões de Freud e de Lacan sobre o desenvolvimento da sexualidade.
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O psicanalista Karl Abraham, contemporâneo de Freud, escreveu o seguinte, em 1911, no artigo “Notas sobre a investigação e tratamento psicanalíticos da insanidade maníaco-depressiva e condições relacionadas”:
“Todo estado neurótico de depressão, assim como todo estado neurótico de ansiedade, com o qual se encontra intimamente relacionado, contém uma tendência para negar a vida”.
Esse é o arremate final de uma breve meditação que Abraham faz sobre a gênese da ansiedade neurótica e da depressão.
Ao tratar da primeira, ele recorre à tese original que Freud propôs para explicar os estados ansiosos de caráter patológico:
A tese de que a ansiedade neurótica seria resultante de uma repressão dos impulsos.
A experiência clínica do pai da Psicanálise mostrou a ele que, ao erguerem dentro de si rígidas barreiras contra os próprios impulsos, os neuróticos passam a encará-los como ameaçadores e perigosos e, desta forma, se sentem ansiosos.
Podemos dizer, então, que um estado neurótico de ansiedade brota de uma defesa contra a própria espontaneidade e, portanto, contra a vida.
Quanto à depressão, Abraham propõe uma tese inspirada nas ideias de Freud sobre a melancolia:
Uma pessoa se deprime quando, ao invés de reprimir seus impulsos, simplesmente desiste de tentar satisfazê-los.
Devido a uma dificuldade particular de reconhecer a presença do ódio e da agressividade dentro de si, o deprimido não se sente amado, por um lado e, por outro, se sente incapaz de amar.
Projetando sua agressividade no outro, ele se sente alvo da hostilidade alheia.
Ao mesmo tempo, com medo de acabar expressando seu ódio na relação com o outro, o deprimido tira o seu time de campo e desiste de amar.
Vemos que tanto na ansiedade neurótica quanto na depressão, o resultado, como diz Abraham, é uma negação da vida em toda a sua pulsação e intensidade.
O ansioso nega a vida estabelecendo uma ditadura moralista no interior de si mesmo.
O deprimido nega a vida desistindo de entrar em campo pelo medo de se machucar e de fazer falta no adversário.
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Neste vídeo: entenda por que o recalque é paradoxalmente uma maneira de evitar que um determinado desejo seja abandonado.
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Pessoas desorganizadas, que não conseguem seguir uma rotina e vivem procrastinando tarefas costumam admirar indivíduos disciplinados.
Ao mesmo tempo, têm dificuldade para entendê-los:
— Como você consegue acordar no mesmo horário todos os dias?
— Como consegue não assaltar a geladeira numa noite de insônia?
— Como consegue deixar de comer um docinho depois do almoço?
— Como consegue fazer atividade física todos os dias?
Essas são algumas das perguntas que os disciplinados costumam ouvir dos indisciplinados.
Quem não consegue ter disciplina imagina que a vida dos disciplinados é constituída puramente de sofrimento, sacrifícios e privações.
É essa falsa crença que deixa os indisciplinados atônitos.
Na cabeça deles, disciplina é sinônimo apenas de frustração e falta de prazer. Assim, não conseguem entender como uma pessoa se submete voluntariamente a isso.
O que não percebem é que a obediência a uma rotina e a privação de determinadas delícias como bebidas, comidas e horas a mais de sono podem ser fonte de MUITA SATISFAÇÃO.
Trata-se de um tipo de gozo que não vem exatamente na forma de prazer sensorial, mas que é vivido como alegria por quem é disciplinado.
É a satisfação que brota do CONTROLE sobre o próprio corpo, sobre os próprios impulsos e sobre o cotidiano.
É óbvio que há uma boa dose de masoquismo e defesas obsessivas em jogo, mas qual é o problema? Todo o mundo tem seus tesõezinhos perversos e suas defesas…
O fato é que, ao contrário do que pensam os indisciplinados, quem consegue ter disciplina GOZA com essa quase “tortura” autoinfligida, como os mártires antigos que cantavam louvores a Deus enquanto eram queimados.
Portanto, o segredo dos disciplinados não é nenhuma dessas bobagens de “força de vontade”, “mindset” etc.
O que diferencia uma pessoa que consegue ter disciplina de outra que não consegue é que a primeira tem um tesão danado em se conter, se privar, se controlar.
Ninguém daria conta de manter uma rotina e evitar cotidianamente prazeres se não GOZASSE com isso…
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Uma das contribuições mais interessantes de Jacques Lacan para o campo psicanalítico foi sua tese de que o Inconsciente poderia ser pensado como uma cadeia de significantes.
Ao propor essa ideia, Lacan está enfatizando o papel que as “palavras” em si mesmas (e não o significado que se supõe estar atrelado a elas) exercem nas formações do Inconsciente, isto é, nos sonhos, atos falhos e sintomas.
Coloquei o termo PALAVRAS entre aspas porque a noção de significante em Lacan não contempla apenas uma palavra especificamente, mas isso é assunto para outra postagem.
Na análise do segundo sonho de sua paciente Dora, por exemplo, Freud chega à conclusão de que a estação de trem tão buscada pela paciente no sonho representa o órgão genital feminino.
Tal dedução não foi feita por conta de uma possível semelhança entre uma estação e uma vagina, mas devido à presença na PALAVRA “Bahnhof” (estação, em alemão) do mesmo sufixo “hof” presente na PALAVRA “Vorhof” (vestíbulo da vagina, em alemão).
O significante é justamente o elemento material arbitrário que, unido, a uma ideia, compõe um signo linguístico.
Por que arbitrário? Por que não há nenhum motivo natural para que um significante esteja colado a um determinado significado.
Tanto é assim que um mesmo significante pode estar associado a significados completamente diferentes. O significante “livre”, por exemplo, está geralmente associado, em português, à ideia de um sujeito que goza de liberdade, ao passo que, em francês, ESSE MESMO SIGNIFICANTE pode estar vinculado à ideia de um texto escrito.
Ao formular a tese de que o Inconsciente é uma cadeia de significantes, Lacan está propondo que, no tratamento psicanalítico, trata-se menos de buscar significações profundas na fala do paciente e mais de mapear os significantes que se repetem na vida do sujeito.
Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá ainda hoje (sexta) uma aula especial em que comento um trecho da obra de Lacan nos qual ele trata dessa concepção do Inconsciente como uma cadeia de significantes.
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É impossível sobreviver socialmente sendo 100% espontâneo o tempo todo.
A gente aprende isso desde muito cedo, logo na primeira infância, quando descobrimos que o mundo é cheio de regras e padrões que precisam ser obedecidos.
Assim, aprendemos que frequentemente será necessário conter nossos impulsos e tendências naturais por trás de uma máscara que nos permita interagir socialmente.
Por outro lado, determinadas circunstâncias da vida podem levar alguns indivíduos a sufocarem sua espontaneidade de forma excessiva.
Por conta disso, eles passam a se IDENTIFICAR COMA PRÓPRIA MÁSCARA, esquecendo-se de que ela é tão somente uma “ferramenta” de sobrevivência social.
Mas sufocar os próprios impulsos e tendências naturais dá muito trabalho e, cedo ou tarde, a pessoa começa a se cansar de fazer tamanho esforço o tempo todo.
É geralmente quando bate esse cansaço e começam a aparecer fenômenos como sensação de vazio, crises de ansiedade e falta de interesse pela vida, que o sujeito considera procurar ajuda.
Se porventura ele se encontrar com um psicanalista, terá a oportunidade, talvez pela primeira vez em sua história, de finalmente DESCANSAR.
Numa terapia psicanalítica, essa pessoa será convidada a abandonar sua máscara e colocar em palavras, num contexto seguro e confiável, a espontaneidade que até aquele momento vinha sufocando dentro de si.
Ao buscar ajudar pessoas a se reencontrarem consigo mesmas e não a se moldarem a parâmetros externos, a Psicanálise muitas vezes funciona como uma estação de repouso para aqueles que estão “cansados e sobrecarregados” de sustentar o peso de suas máscaras farisaicas.
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De acordo com a resposta dada por Jesus de Nazaré aos fariseus, esse seria o segundo principal mandamento da Lei dos judeus.
O primeiro aspecto que me chama a atenção nesse imperativo é justamente o fato de ele existir.
Explico:
Eu não preciso mandar Fulano fazer a coisa X se Fulano já faz a coisa X de forma espontânea.
Não faz sentido, por exemplo, mandar uma pessoa que adora pizza comer esse alimento visto que ela já faz isso naturalmente.
Assim, Deus não precisaria instituir o mandamento do amor se acreditasse que os seres humanos espontaneamente amam uns aos outros.
A ordem de amar ao próximo só existe porque, “na cabeça de Deus”, o homem não possuiria uma inclinação natural para a solidariedade e a generosidade.
Essa conclusão fica ainda mais clara quando nos atentamos para o fato de que o mandamento curiosamente vem acompanhado de um parâmetro:
Nós devemos amar ao próximo na mesma proporção em que AMAMOS A NÓS MESMOS.
Isso mostra que o autor do mandamento (supostamente Deus) trabalha com o pressuposto de que os seres humanos NATURALMENTE se amam.
Com efeito, não existe a ordem “Amem a si mesmos”. Ela não é necessária. Afinal, a gente já faria isso de modo automático.
É como se Deus estivesse dizendo mais ou menos o seguinte: “Eu sei que vocês já são naturalmente apaixonados por si mesmos. Porém, eu preciso que façam um esforço para amarem uns aos outros também”.
Curiosamente, todo esse raciocínio sobre o que é natural no homem e o que precisa ser instituído por meio de um mandamento exterior vai ao encontro das ideias de Freud.
Com efeito, do ponto de vista freudiano, o narcisismo, essa tendência de amar, cuidar e proteger o nosso próprio eu, não precisaria ser ensinado à criança. Ele seria espontâneo.
Assim como está pressuposto no mandamento, para Freud todo o mundo desenvolve naturalmente esse amor pela imagem de si desde bebê.
Já o amor ao próximo precisaria ser apresentado à criança pelos pais como uma ordem para depois ser internalizado na dimensão do superego.
O problema é que Freud se equivocou ao pensar que todo o mundo desenvolve naturalmente e suficientemente bem o narcisismo.
Mais isso é assunto para outro momento…
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Por que será que a gente não sai de uma depressão apenas com força de vontade?
Por que será que permanecemos em relacionamentos ruins mesmo já estando convictos de que deveríamos sair deles?
Por que será que padrões doentios como procrastinação, crises de ansiedade e compulsões se repetem na nossa vida apesar do nosso desejo de mudar?
Em outras palavras, por que é tão difícil sair de um quadro de adoecimento emocional?
Isso acontece porque nossos problemas emocionais não são eventos que acontecem conosco. Na verdade, nós os CRIAMOS.
Sim, a gente CRIA nossas enfermidades psicológicas, só que inconscientemente.
E a gente faz isso por basicamente por duas razões: para se PROTEGER e para se SATISFAZER.
Explico: você provavelmente não conseguirá perceber isso com clareza sem passar por uma terapia psicanalítica, mas seus problemas emocionais protegem você… de você mesmo.
Por meio de crises de ansiedade, episódios depressivos, relacionamentos doentios etc. você evita entrar em contato com certos impulsos da sua alma que se encontram reprimidos.
Por outro lado, nossos sintomas também proporcionam uma satisfação indireta justamente para esses impulsos reprimidos.
Em outras palavras, você não percebe, mas pode estar satisfazendo impulsos sexuais ou agressivos de forma disfarçada e simbólica por meio dos seus problemas emocionais.
Por isso é tão difícil sair deles.
É como se inconscientemente a gente pensasse assim:
“Não posso largar essa doença. Do contrário, precisarei lidar com os meus impulsos de forma direta, sem disfarces… E eu não quero fazer isso, pois tenho medo do estrago que esses impulsos podem fazer na minha vida”.
A Psicanálise ajuda o sujeito a perder esse medo e, consequentemente, a não precisar mais de seus sintomas.
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Neste vídeo você vai entender as razões técnicas que explicam por que a maioria dos analistas fica boa parte do tempo em silêncio durante as sessões.
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