Não se esqueçam do Édipo invertido!

No senso comum, frequentemente a gente vê uma apresentação incompleta do complexo de Édipo tal como pensado por Freud.

Diz-se que no Édipo a criança desenvolve sentimentos amorosos pelo genitor do sexo oposto e uma relação de rivalidade com o genitor do mesmo sexo.

Pois bem, meus amigos: essa é apenas a faceta POSITIVA do complexo de Édipo.

Mas ela não é a única.

O Édipo de Freud não é o Édipo de Sófocles.

Freud afirma claramente que existe uma dimensão “invertida”, por assim dizer, do Édipo, que se caracteriza justamente pelo inverso do que acontece na dimensão positiva:

Ou seja, a criança tem fantasias amorosas com o genitor do mesmo sexo e rivaliza com o genitor do sexo oposto.

É preciso sempre lembrar que, para Freud, todos nós nascemos com disposições bissexuais, de modo que uma menina pode muito bem fantasiar ser um homem para sua mãe.

Nesse sentido, podemos dizer que, com o declínio do complexo de Édipo, o menino não abandona apenas a mãe como objeto sexual, mas também o pai.

Trata-se, na verdade, da renúncia ao gozo incestuoso de forma geral, isto é, à possibilidade de satisfação sexual no interior da família.

No fundo, é isso o que o complexo de Édipo representa para Freud: uma organização psíquica na qual o sujeito é confrontado à tentação de alcançar um gozo fácil, com papai e mamãe, sem sair de casa…

Quer saber mais sobre como Freud caracterizou o complexo de Édipo? Então não perca hoje nossa primeira aula do minicurso “O Édipo em Freud, Klein e Lacan”.

Será às 20h no meu Instagram!


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4 traços da histeria em homens

Há tempos, várias alunas da Confraria me pedem: “Lucas, fala sobre a histeria masculina!”.

Pois bem, caríssimas, aí está!

Como eu sempre digo, a grande maioria das pessoas que possui uma estrutura subjetiva histérica é do sexo feminino, mas isso não significa que homens não possam ser histéricos.

Desde a Antiguidade, é mais fácil para as mulheres se constituírem histericamente porque os traços dessa estrutura se confundem um pouco com as características que tradicionalmente sempre foram atribuídas ao sexo feminino, como a tendência a se fazer desejar pelo outro ao invés de cobiçá-lo ativamente.

Com efeito, a sedução, por exemplo, atributo tipicamente histérico, sempre foi uma atitude muito mais associada às mulheres do que aos homens.

É por isso que o homem histérico pode ser tomado como um sujeito atipicamente muito feminino: “Que saco! Ele passa mais tempo no espelho do que eu”, dizem suas parceiras — o que não significa que todo homem vaidoso é necessariamente histérico…

Bom, mas eu quero continuar essa conversa lá na Confraria Analítica. Bora?

Ainda hoje, quem está na comunidade receberá uma aula especial sobre a histeria nos homens.

Te vejo lá!


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Descubra seus vieses. As coisas podem não ser como parecem ser.

Ninguém enxerga a realidade espontaneamente tal como ela é.

É por isso que o grande epistemólogo francês Gaston Bachelard dizia que a investigação científica começa justamente pela remoção dos obstáculos psicológicos que turvam a nossa percepção do real.

Esses obstáculos derivam da interação entre nossas inclinações naturais e as experiências que a vida nos oferece.

Do encontro entre aquilo que trazemos de fábrica e aquilo que acontece conosco ao longo da existência surgem determinados VIESES que condicionam nossa percepção da realidade.

Uma moça, por exemplo, que, na infância, nunca pôde contar com pais que lhe proporcionassem segurança, pode se encantar com muita facilidade por qualquer mancebo abusivo e oportunista.

Enxergando o mundo através das lentes da criança insegura e carente que foi, essa jovem só consegue ver no boy lixo da vez a oportunidade de receber, finalmente, a segurança que lhe faltou na infância.

O viés introduzido em sua percepção pelo passado infeliz a faz ficar cega para todos os indícios (evidentes para outras pessoas) de que está entrando numa barca furada ao se envolver com aquele fulaninho.

É difícil tomar consciência de nossos vieses por conta própria. Somos mestres em inventar desculpas para justificá-los e provar que não são distorções da realidade.

Assim, a identificação dos vieses com os quais “editamos” nossa percepção do mundo é uma tarefa que só pode ser adequadamente realizada por meio do diálogo, da conversa.

Mas não qualquer conversa.

Tem que ser um tipo de conversa em que o outro se apague para que eu possa me escutar e, me escutando, possa me enxergar.

Essa conversa tem nome. Sigmund Freud a chamou de Psicanálise.

A terapia psicanalítica vai acabar com meus vieses, Lucas?

Pode ser que sim, pode ser que não, mas…

Sem dúvida, a Psicanálise ajudará você a tomar consciência deles — o que já é meio caminho andado.

Se a jovem do exemplo acima puder constatar que, apesar de ter crescido, ela continua inconscientemente olhando para o mundo em busca de segurança, isso já a ajudará a se livrar de muitas enrascadas…


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Qual é o grande problema da tal “graduação em Psicanálise”?

Vamos lá.

Vamos responder a essa pergunta sem complexificações desnecessárias, sem puxar a sardinha para nenhuma das várias orientações teóricas presentes no campo psicanalítico e sem acusar hipocritamente a instituição de ensino em questão por supostamente estar almejando o lucro (como se os psicanalistas fossem santos abnegados que trabalham exclusivamente por seu amor ao ofício).

O grande problema da proposta de graduação em Psicanálise feita recentemente aqui no Brasil por uma faculdade particular é que ela apresenta EXPRESSAMENTE a promessa de que, com base apenas nos 4 anos de uma formação 100% teórica, a pessoa já poderia atuar como psicanalista.

Esse é o grande problema.

Por quê, Lucas?

Porque o estudo teórico é importante, mas o elemento MAIS IMPORTANTE na formação de um psicanalista é a passagem pela EXPERIÊNCIA ANALÍTICA, ou seja, por uma análise pessoal.

A primeira coisa que alguém que deseja praticar a Psicanálise deveria fazer é procurar uma pessoa que já é psicanalista e submeter-se a uma análise pessoal.

É deitado no divã por anos e anos que o sujeito aprende o que de fato é fazer Psicanálise.

Vai por mim: eu sou um nerd de Psicanálise: estudo avidamente os conceitos desde o segundo período da graduação em Psicologia, tenho uma escola de Teoria Psicanalítica (a Confraria Analítica), mas só aprendi o que é a Psicanálise NA PRÁTICA tratando da minha neurose no divã de outros analistas.

Além disso, é só por meio de sua análise pessoal que o cara vai conseguir atingir as condições psíquicas necessárias para poder ocupar mais ou menos adequadamente a posição de psicanalista no tratamento de outras pessoas.

Hoje, às 19h, no Instagram, pretendo falar sobre isso e mais uma série de coisas numa live IMPERDÍVEL com meu caríssimo colega Marco Leite.

Até lá!


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Todas as doenças são psicossomáticas

Eu já falei sobre Georg Groddeck aqui, mas como se trata de um autor que foi, digamos, “recalcado” pela Medicina e pela própria Psicanálise, vale a pena relembrar quem é esse cara.

Groddeck foi um médico alemão contemporâneo de Freud que se especializou no cuidado de pessoas que tinham doenças crônicas, chegando a fundar um sanatório para a acolhida e tratamento desses pacientes.

Antes mesmo de ouvir falar qualquer coisa sobre a Psicanálise, Groddeck já suspeitava, com base em sua experiência clínica, que os problemas de saúde de seus pacientes não eram só disfunções físicas.

Groddeck sacou que a doença era TAMBÉM uma forma SIMBÓLICA de expressão de elementos que estariam presentes numa dimensão inconsciente da vida psíquica do paciente.

Sim, foi isso mesmo que você leu:

Enquanto, em Viena, Freud olhava para suas pacientes histéricas e dizia: “Gente, os sintomas dessas mulheres são símbolos do Inconsciente”, Groddeck, lá em Baden Baden, na Alemanha, chegava exatamente à mesma conclusão.

A diferença é que Groddeck construiu sua teoria do adoecimento como expressão simbólica do Inconsciente tratando de pacientes que tinham doenças “reais”, por assim dizer, tipo tuberculose, pneumonia, hemorragias, arteriosclerose etc.

— Lucas, mas a gente sabe que essas doenças possuem uma causalidade física. A tuberculose, por exemplo, é causada pelo bacilo de Koch.

Sim, meu caro leitor. Groddeck não nega essa realidade.

O que ele propõe é que, em todo processo de adoecimento, existe SEMPRE uma dupla causalidade: física E psíquica.

Afinal, nós não somos constituídos apenas de corpo.

Somos, na verdade, uma união indissociável entre corpo e alma.

Aqueles que estão na CONFRARIA ANALÍTICA terão o privilégio de receberem ainda hoje uma aula especial em que eu explico tim-tim por tim-tim essa revolucionária teoria do Groddeck.

Te vejo lá!


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Você é um mascarado?

Nos anos 1990 a gente costumava chamar certos jogadores de futebol de “mascarados”.

Romário, por exemplo, foi um dos que receberam esse epíteto.

Mascarado era o sujeito que exibia certa postura de arrogância e superioridade, meio que exigindo ser tratado de modo especial em função de seus atributos peculiares.

O termo provavelmente tem origem na ideia de que o indivíduo mascarado se deixa engolir pelo personagem que criou para si mesmo.

Na clínica psicanalítica também nos deparamos frequentemente com mascarados, mas não nesse sentido dos anos 1990.

Os mascarados que procuram ajuda terapêutica nem sempre são arrogantes e convencidos.

Pelo contrário: muitas vezes se autodepreciam e não conseguem se ver com bons olhos.

E isso acontece justamente porque, quando se olham no espelho da alma, não enxergam a si mesmos, mas a máscara, o personagem que criaram ainda na infância.

Os jogadores mascarados dos anos 1990 (que hoje em dia a gente chamaria de “marrentos”) talvez fossem levados a forjar uma máscara de superioridade para se protegerem um pouco do caráter invasivo do assédio do público e da imprensa.

É também como defesa que os “mascarados” que se deitam em nossos divãs criaram os personagens com os quais se confundem.

Vítimas de uma infância marcada por rejeição, negligência ou violência, são pessoas que tiveram que ocultar o próprio ser para se converterem naquilo que PRECISAVAM SER para sobreviverem psicologicamente (e, às vezes, fisicamente) num ambiente caótico e abusivo.

O problema é que, com o passar do tempo, o sujeito perde a noção de que ele não é o personagem que se viu obrigado a criar e se confunde com a máscara.

É por isso que a análise, para tais pessoas, é um processo extremamente doloroso.

Afinal, durante a terapia, elas precisarão fazer uma espécie de cirurgia de remoção da personagem.

Mas como a máscara está fortemente afixada, o sujeito tem a sensação de que está perdendo o rosto.

De fato, ele não sabe como é SER sem FINGIR SER.


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“Parece que esse desejo de morte, no filho, está voltado contra o pai e, na filha, contra a mãe.”

A primeira vez que Freud menciona fenômenos que serão abarcados futuramente pelo conceito de complexo de Édipo é no rascunho N da carta 64, enviada a seu colega Wilhelm Fliess no dia 31 de maio de 1897.

Nessa época, Freud mantinha uma correspondência farta com Fliess e volta e meia anexava a elas rascunhos de possíveis artigos e ensaios.

Nesses textos, podemos encontrar, num estado ainda embrionário, praticamente toda a base da teoria freudiana.

Freud começa esse rascunho N, anexado à carta 64, falando sobre um aspecto do complexo de Édipo que geralmente não é muito enfatizado.

Sempre que se pensa no Édipo, a primeira coisa que nos vêm à mente são os desejos sexuais incestuosos da criança em relação aos seus pais.

No entanto, é curioso observar que, na primeira vez em que Freud fala da questão edipiana, ele destaca os desejos de MORTE que a criança dirige aos genitores e não o vínculo erótico:

“Parece que esse desejo de morte, no filho, está voltado contra o pai e, na filha, contra a mãe.”

De fato, no Édipo freudiano típico, o menino apaixona-se por sua mãe e, em decorrência disso, passa a encarar seu pai como um rival que precisa ser vencido.

A menina, por sua vez, decepcionada com seu primeiro objeto de amor (que também é a mãe), desenvolve um vínculo erótico com o pai e, assim, começa a enxergar a mãe como uma adversária a ser eliminada.

Nesse sentido, quando o clímax do drama edipiano passa e ocorre aquilo que Freud chamará em 1924 de “dissolução do complexo de Édipo”, a criança se vê obrigada a reconhecer duas derrotas:

A de não ter realizado sua fantasia sexual incestuosa e a de não ter conseguido matar seu (sua) rival.
Tem gente que aceita tais derrotas e vida que segue.

Mas tem gente que passa a vida inteira desejando voltar no tempo para tentar sair vitorioso — até deitar no divã.


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Ela só arrumava boy lixo. Por quê?

Uma das situações que costumam motivar as pessoas a procurarem a ajuda da Psicanálise é a COMPULSÃO À REPETIÇÃO.

Sucessivos relacionamentos que nunca dão certo, crises emocionais que ocorrem periodicamente, maus hábitos que nunca são abandonados…

Enfim, as formas de manifestação da repetição podem ser as mais diversas.

Geralmente a pessoa que padece desse problema não consegue compreender por que ele ocorre:

“— Doutor, eu não entendo por que só me envolvo com caras abusivos. É sempre a mesma história: eu começo o namoro achando que dessa vez vai ser diferente e, quando me dou conta, lá estou eu de novo sendo tratada que nem lixo.”

Esse estado de perplexidade diante das próprias escolhas é totalmente compreensível.

Afinal, para a pessoa em questão, não faz o menor sentido que aconteça consigo exatamente o que ela estava tentando evitar.

Por que isso ocorre? Por que podemos repetir os mesmos erros embora estejamos tentando evitá-los?

A resposta, revelada pela experiência psicanalítica, é a seguinte:

Aquilo que conscientemente interpretamos como erro, sofrimento e dor pode muito bem estar sendo visto por nós mesmos, só que inconscientemente, como… acerto.

Em outras palavras, existe uma parte da moça que só escolhe boy lixo que está muito satisfeita com tais escolhas.

Mas, como, Lucas, como uma pessoa pode se satisfazer sendo maltratada?

Ora, caro leitor, como é que você me faz uma pergunta dessas?

Por acaso nunca ouviu falar dos masoquistas, indivíduos que sentem um tesão enorme em serem dominados, amarrados, chicoteados?

Pode haver uma inclinação masoquista reprimida na referida moça. Por que não?

Mas a coisa pode ser ainda mais profunda…Pode ser que a condição de SER ABUSADA seja a resposta que essa pessoa encontrou para determinados enigmas com os quais se deparou na infância.

Enigmas como “O que preciso fazer para garantir o amor de meu pai?”.

Vai saber…O buraco do nosso Inconsciente é muito mais embaixo.

Não o subestime…


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Sobre a formação do superego

Superego foi o nome que Freud deu para uma parte específica do nosso eu formada pela internalização da dimensão coercitiva do cuidado parental.

Não entendeu nada? 😅 Então deixa eu te explicar:

Por “cuidado parental” entenda as diversas práticas de cuidado que os pais desenvolvem junto aos seus filhos.

Essas práticas podem ser de ordem acolhedora (carinho, proteção, auxílio, segurança, reconhecimento etc.) e de ordem coercitiva (vigilância, ameaça, contenção, punição).

Ambas as dimensões do cuidado parental são necessárias para o desenvolvimento emocionalmente saudável da criança.

No entanto, na formação do superego ocorre a internalização apenas das práticas coercitivas.

Por “internalização” entenda o processo que vai levando a criança a fazer consigo mesma aquilo que num primeiro momento os pais faziam com ela.

Por exemplo: inicialmente eram os pais quem a alertavam dizendo que não deveria bater no coleguinha, pois, se o fizesse, seria castigada.

Ao internalizar essa prática de vigilância e ameaça na forma de superego, a própria criança passa a se alertar, como que dizendo para si mesma: “Não posso fazer isso senão serei castigada”.

Você percebe, portanto, que, nesse movimento de internalização, a criança precisa se IDENTIFICAR com os pais, ou seja, precisa inconscientemente imitá-los.

Mas não imitá-los por completo! A identificação que forma o superego é feita apenas com os pais ENQUANTO agentes coercitivos, ou seja, apenas com os pais que vigiam, ameaçam e punem.

Conforme o desenvolvimento avança, o indivíduo passa a ter contato com outras figuras de autoridade que também exercerão sobre ele um papel coercitivo, tais como professores, por exemplo.

Essas outras pessoas também podem ser objeto de identificação e, consequentemente, “alimentarem” o superego.


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Como é feito o diagnóstico em Psicanálise?

Todo o mundo sabe mais ou menos como é feito um diagnóstico de doença física na medicina.

O profissional inicialmente faz uma entrevista de anamnese com o paciente a fim de identificar o que ele está sentindo, quando os sintomas começaram a aparecer, possíveis antecedentes familiares, dentre várias outras informações.

Em seguida, comumente o médico faz um breve exame físico e solicita outros exames (como biópsia, endoscopia, exame de sangue etc.) com o objetivo de verificar o que de fato está acontecendo no corpo do paciente.

Com base nesse conjunto de informações colhidas na anamnese, no exame físico e nos outros exames, o profissional, então, classifica a condição apresentada pelo paciente em alguma categoria patológica.

Na Psicanálise, a gente também faz diagnóstico. Afinal, a condução do tratamento não pode ser a mesma para todas as formas de adoecimento emocional.

No entanto, o diagnóstico psicanalítico é bem diferente do modo de produção de diagnósticos na medicina.

Essa diferença se revela, em primeiro lugar, no fato de o psicanalista não ter acesso ao corpo de seus pacientes.

Isso significa que o diagnóstico psicanalítico estará baseado exclusivamente naquilo que o paciente diz e no modo como o diz.

Nesse sentido, se o médico faz uso de exames para formular um diagnóstico, o psicanalista emprega exclusivamente sua escuta (sustentada, evidentemente, pelo saber psicanalítico).

Ah, Lucas, mas um paciente pode se queixar de desânimo, por exemplo, e não saber que possui hipotireoidismo, disfunção que tende a deixar a pessoa sem energia.

Sim, é possível.

Então, diante de uma queixa de desânimo, o psicanalista não deveria, antes de formular seu diagnóstico, recomendar ao paciente que procure um médico para realizar um exame a fim de confirmar ou descartar essa possibilidade?

Não, não deveria.

Quer saber por quê?

A resposta estará na aula especial que os membros da Confraria Analítica receberão ainda hoje sobre as especificidades do diagnóstico em Psicanálise.

Te vejo lá!


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Somos todos recalcados

Sim, todos nós.

Não só aquela sua amiga invejosa ou aquele mancebo que lhe deu um perdido no último fim de semana.

Somos todos recalcados.

Recalque foi um termo que Freud utilizou para descrever um processo que ocorre quase que automaticamente (mas não involuntariamente) em nós quando experimentamos certos pensamentos, fantasias e impulsos que não são compatíveis com a imagem idealizada que temos a nosso respeito.

Sabe quando você se assusta consigo mesmo e diz: “Meu Deus, como eu pude pensar uma coisa dessas?”?

Quando isso ocorre, a tendência é fingir que nada aconteceu e simplesmente tentar esquecer que tais pensamentos passaram pela nossa cabeça, né?

Pois bem, recalcar é isso: jogar a “sujeira” psíquica para debaixo de um tapete chamado INCONSCIENTE.

Por essa razão, somos todos recalcados, afinal todos nós fazemos isso, pois amamos fingir que correspondemos à imagem idealizada que temos de nós mesmos.

Assim, quando brota dos nossos corações algo que vem macular essa imagem, a gente finge que nada aconteceu e continua vivendo no autoengano.

O problema é que a alma não possui apenas essa inclinação no sentido da hipocrisia, mas também uma tendência na direção da verdade.

Em outras palavras: não adianta recalcar, não, amigo…

O que foi recalcado retorna, pois exige ser visto, reconhecido, falado:

“A boca fala do que está cheio o coração.”.

Se a gente insiste no autoengano e no medo de se enxergar, a alma se revolta e, tal como um vulcão em erupção, lança sobre nós o recalcado na forma de padrões doentios de relacionamento, obsessões, sintomas físicos, pesadelos…

E aí a gente procura a Psicanálise – para abrir mão da imagem idealizada de nós mesmos — e vivermos menos recalcados…


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As diferenças entre o pequeno outro e o grande Outro em Lacan

Uma boa forma de entender a diferença entre essas duas categorias é pensando o pequeno outro como uma PESSOA QUALQUER e o grande Outro como uma instância (não necessariamente uma pessoa) que exerce sobre você uma função de DETERMINAÇÃO.

Pense, por exemplo, nas relações diferentes que uma criança normalmente tem com seus pais e seus irmãos.

Com os irmãos, a relação costuma ser DE IGUAL PARA IGUAL. A criança não dá um peso especial ao que eles dizem. São, portanto, pequenos outros para ela.

Já com os pais, a coisa é bem diferente. Eles podem falar exatamente a mesma coisa que os irmãos, mas o efeito da palavra parental sobre a criança é bem mais significativo.

Quando isso de fato acontece, os pais estão funcionando para a criança como grande Outro.

O pequeno outro é aquele cuja palavra não faz muita diferença na minha vida.

E não faz diferença porque, no fim das contas, as pessoas que estão nessa posição funcionam basicamente como extensões ou projeções de nós mesmos.

Se o que elas falam vai ao encontro do que já pensamos, ótimo. Se não, a gente se irrita, briga ou simplesmente deixa para lá.

Quando estamos lidando com pequenos outros todo o nosso esforço vai na direção do apagamento das diferenças, ou seja, a gente quer que a pessoa continue sendo tão-somente um SEMELHANTE e não um outro de verdade.

Com o grande Outro a relação é diferente.

No sentido estrito, o grande Outro designa o conjunto das instâncias que determinam a nossa existência a despeito da nossa vontade.

Pense, por exemplo, na nossa língua materna, nas estruturas sociais, na cultura, enfim… Todas essas coisas que necessariamente MOLDAM a nossa vida.

Mas não são só tais instâncias que exercem sobre nós esse impacto “modelador”.

Quando uma mãe, por exemplo, interpreta o choro de seu bebê dizendo: “Neném tá com fome.” ela está, de certa forma, moldando a criança com seu discurso.

Portanto, ela está exercendo a função de grande Outro para o bebê naquele momento.

Essa é a principal diferença: a palavra do grande Outro marca, determina, condiciona ao passo que o que o pequeno outro diz sempre passa pelo filtro EGOICO.


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As diferenças na forma como Freud e Lacan pensavam a interpretação em Psicanálise

A interpretação é uma das principais ferramentas de trabalho do psicanalista.

Por quê?

Porque a Psicanálise trabalha com o pressuposto de que o paciente expressa simbolicamente, ou seja, de forma codificada, os elementos inconscientes que estão na origem de seus problemas emocionais.

Logo, cabe ao analista interpretar aquilo que o paciente traz a fim de que esses elementos inconscientes sejam trazidos à luz e, assim, possam ser trabalhados.

Freud tinha uma concepção muito tradicional de interpretação.

Para ele, interpretar consistia basicamente em DEDUZIR e COMUNICAR ao paciente os elementos inconscientes a partir de uma observação minuciosa e cuidadosa de sua fala, de seus atos falhos, de seus sonhos e do comportamento dele na transferência.

Em outras palavras, para Freud, ao interpretar, o analista apresenta o comportamento do Inconsciente ao analisante como um detetive que, após a coleta e análise detalhada dos indícios e evidências, explica ao delegado de polícia como se deu um determinado crime.

É por isso que, nos grandes casos clínicos de Freud, vemos interpretações longuíssimas.

O “racional” freudiano é muito simples: o analista, como alguém que escuta de forma neutra e com atenção flutuante, está em condições de decifrar as manifestações do Inconsciente do analisante como um exegeta diante de um texto antigo.

Para Freud, portanto, o analista REVELA o Inconsciente por meio da interpretação.

O psicanalista francês Jacques Lacan pensava o ato analítico de interpretar de forma bem diferente.

Para ele, a interpretação não serve para revelar o Inconsciente, mas para COLOCÁ-LO EM MOVIMENTO.

Para Freud, essa era uma CONSEQUÊNCIA da boa interpretação, mas, para Lacan, trata-se do próprio OBJETIVO do ato de interpretar.

Nesse sentido, do ponto de vista lacaniano, o analista não deve fazer interpretações EXPLICATIVAS, mas PROVOCATIVAS.

Como assim, Lucas?

Quem está na Confraria Analítica vai saber! Ainda hoje, os assinantes vão receber uma aula especial sobre a interpretação na perspectiva de Lacan.

Te vejo lá!


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Há pessoas que estão tão acostumados à própria doença que sabotam seu processo de cura só para não terem que sair do lugar.

Um dos fatores que podem nos manter presos a um quadro de adoecimento emocional é o HÁBITO.

Sim, a gente se habitua a um padrão doentio de funcionamento, sobretudo quando ele tem início na infância.

A gente se acostuma tanto com nossas ansiedades, sintomas e inibições que, com o passar do tempo, a doença passa a fazer parte da nossa identidade.

Nesse sentido, a cura passa a ser temida, pois eliminar o adoecimento significaria abandonar uma parte de si mesmo.

Nossa experiência clínica mostra que um dos obstáculos que emperram o processo terapêutico é o fato de que o paciente, muitas vezes, simplesmente não suporta ficar bem.

A pessoa já está tão habituada a seus padrões doentios que, inconscientemente, sabota a terapia porque a cura demandaria necessariamente uma desorganização temporária da sua personalidade.

Nesses casos, o sujeito se comporta como um prisioneiro que, depois de muitos anos, finalmente recebe o alvará de soltura , mas prefere permanecer na cadeia por acreditar que não saberá viver em liberdade.


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Psicanálise não é para todo o mundo

Sashimi: tá aí uma coisa que eu não suporto e que faz muita gente salivar só de ouvir falar.

Já experimentei, tentei gostar, mas o sabor de peixe cru definitivamente não combina com o meu paladar.

Por outro lado, existe um alimento para o qual muita gente faz cara feia e que eu, na maturidade, aprendi a apreciar: jiló.

Empanado, frito, refogado, não importa: essa frutinha levemente amarga tem lugar no meu prato.

Aí você me pergunta: “Lucas, a postagem não é sobre Psicanálise? Então por que você está falando de comida?”.

É só uma analogia, caro leitor.

Se você me acompanha, sabe que meu método de ensino está fortemente alicerçado na construção de analogias.

Vamos lá:

Assim como tem um monte de gente cujo paladar se deleita com um belo pedaço de salmão cru, mas o meu não, assim também há muitas pessoas que se adaptam muito bem à experiência proposta pela Psicanálise e outras não.

Análise não é para todo o mundo.

Por exemplo, se você estiver procurando uma pessoa para te dar orientações sobre o que deve fazer para superar um episódio depressivo, Psicanálise não é para você.

Outrossim, pessoas que esperam que o terapeuta seja falante e lhes forneça explicações e diagnósticos também vão se sentir frustradas fazendo análise.

Por outro lado, quem tá a fim de falar sobre si, de refletir sobre sua existência, de colocar em questão suas escolhas, seus impasses, suas inibições; quem quer de fato ser escutado e SE ESCUTAR mais do que obedecer a vozes externas, essa pessoa, sim, vai se dar muito com a Psicanálise.

É claro que o sujeito pode chegar ao analista esperando ser aconselhado e diagnosticado e acabar gostando da experiência de falar-livremente-para-alguém-que-pouco-fala.

Assim como eu não curtia jiló quando era criança e acabei aprendendo a gostar.

Mas não é todo o mundo que consegue desenvolver esse “paladar” capaz de apreciar esse troço absolutamente atípico (e fascinante) que é a experiência analítica.

Como diz a bela canção de Milton Nascimento e Fernando Brant:

“Tem gente que chega pra ficar

Tem gente que vai pra nunca mais

Tem gente que vem e quer voltar

Tem gente que vai e quer ficar

Tem gente que veio só olhar

Tem gente a sorrir e a chorar


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