A gente faz Psicanálise para descobrir o que estamos ganhando quando perdemos.

Outro dia eu estava assistindo a um vídeo do Rica Perrone em que ele explicava a abordagem que utiliza para lidar com fatos públicos que aparentemente são ilógicos e contraditórios.

Trata-se de uma forma de pensar que me parece muito semelhante à psicanalítica.

Ele dizia que quando se depara com uma situação que não parece fazer sentido, sempre tenta identificar quem estaria obtendo vantagens com ela.

Por exemplo: no Brasil, há um consenso de que os árbitros de futebol cometem muitos erros e, com isso, acabam prejudicando várias equipes.

Por que, então, os dirigentes dos clubes não se esforçam para exigir que haja a profissionalização da atividade de árbitro de futebol, já que o amadorismo causa tantos danos?

Por que eles “lucram” com isso, argumenta acertadamente o Rica Perrone.

Sim, as falhas dos juízes sempre poderão ser utilizadas pelos presidentes e diretores dos clubes como justificativas para o mau desempenho dos seus times.

É isso o que explicaria o fato de continuarem permitindo que o trabalho como árbitro de futebol seja apenas um “bico” e não uma profissão regulamentada.

Essa abordagem que tenta enxergar quais são as vantagens ocultas que podem estar por trás de situações de aparente prejuízo é a mesma que nós, psicanalistas, utilizamos na clínica com nossos pacientes.

Com efeito, ajudamos o analisante a identificar os ganhos primários e secundários que ele obtém com seus sintomas, inibições e ansiedades.

Assim como quem olha de fora não consegue perceber por que os clubes não lutam pela profissionalização dos árbitros, o paciente também não entende, de início, por que permanece preso a seus padrões doentios.

Um dos grandes diferenciais da Psicanálise é a sua capacidade de mostrar ao analisante que, se ele não consegue evitar seus problemas emocionais, é justamente porque PRECISA deles, assim como os dirigentes dos clubes PRECISAM de árbitros ruins para justificarem suas derrotas.

Por trás do aparente sofrimento, há sempre algum tipo de satisfação que precisa ser trazida à luz.

É preciso reconhecer de que forma ganhamos quando estamos perdendo.


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Você tem trocado sua liberdade pelo conforto?

Outro dia eu estava atendendo uma pessoa que me dizia, dentre outras coisas, que “não conseguia dizer ‘não’”.

Segundo ela, recusar-se a atender um pedido lhe fazia se sentir mal por imaginar que isso traria duas consequências indesejáveis: o demandante ficaria chateado e ela seria vista negativamente por ele.

Assim, para evitar esses possíveis efeitos incômodos, ela preferia aceitar tudo o que lhe solicitassem.

Em outras palavras, ela troca a LIBERDADE de poder dizer “não” pelo CONFORTO de saber que não está chateando o outro nem sendo vista por ele como egoísta ou algo do tipo.

Liberdade e conforto são duas experiências que frequentemente são incompatíveis: muitas vezes ou você tem uma ou tem a outra.

É maravilhoso quando temos a sorte de podermos ser livres sem precisar passar pelo desconforto de bater de frente com o mundo, mas amiúde isso não é possível.

Não raro, a liberdade precisa ser conquistada mediante confronto, conflito, luta e, portanto, o sacrifício do conforto.

Pense, por exemplo, numa população que vive sob um governo ditatorial.

Se esse povo quiser gozar de liberdade, ele precisará inevitavelmente se indispor com as autoridades, renunciando ao (pseudo)conforto que só existe enquanto as pessoas se mantêm obedientes à tirania.

Da mesma forma, um jovem adulto que deseja gozar da liberdade de poder trazer para sua casa quem desejar terá obviamente que abrir mão do conforto de viver na casa dos pais.

Geralmente, quem tem dificuldade para fazer essa renúncia, seja por medo ou pela inércia do gozo, fica esperando que o mundo mude para que não precise abrir mão do conforto.

Tais pessoas comportam-se exatamente como uma população que bovinamente aceita os desmandos de um governo autoritário esperando que algum “salvador da pátria” a liberte.

Você é assim?

Valoriza tanto o conforto e a paz (sem voz) que topa jogar sua liberdade no lixo para não precisar entrar em conflito com ninguém?


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[Vídeo] Por que a força de vontade não é suficiente?

Nossos problemas emocionais nos protegem e, ao mesmo tempo, satisfazem elementos inconscientes. Enquanto não perdemos o medo de reconhecê-los, todo esforço de mudança pode ser inútil ou meramente paliativo.


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[Vídeo] O segredo das pessoas disciplinadas: psicanalista explica

Esqueça todas essas bobagens de “força de vontade” e “mindset”. O segredo das pessoas disciplinadas é o tesão pelo controle. Assista ao vídeo e entenda.


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O neurótico é feliz. Mas não sabe…

Da série “Postagens antigas que merecem ser repostadas”.


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Tesão pelo controle: o segredo dos disciplinados

Pessoas desorganizadas, que não conseguem seguir uma rotina e vivem procrastinando tarefas costumam admirar indivíduos disciplinados.

Ao mesmo tempo, têm dificuldade para entendê-los:

— Como você consegue acordar no mesmo horário todos os dias?

— Como consegue não assaltar a geladeira numa noite de insônia?

— Como consegue deixar de comer um docinho depois do almoço?

— Como consegue fazer atividade física todos os dias?

Essas são algumas das perguntas que os disciplinados costumam ouvir dos indisciplinados.

Quem não consegue ter disciplina imagina que a vida dos disciplinados é constituída puramente de sofrimento, sacrifícios e privações.

É essa falsa crença que deixa os indisciplinados atônitos.

Na cabeça deles, disciplina é sinônimo apenas de frustração e falta de prazer. Assim, não conseguem entender como uma pessoa se submete voluntariamente a isso.

O que não percebem é que a obediência a uma rotina e a privação de determinadas delícias como bebidas, comidas e horas a mais de sono podem ser fonte de MUITA SATISFAÇÃO.

Trata-se de um tipo de gozo que não vem exatamente na forma de prazer sensorial, mas que é vivido como alegria por quem é disciplinado.

É a satisfação que brota do CONTROLE sobre o próprio corpo, sobre os próprios impulsos e sobre o cotidiano.

É óbvio que há uma boa dose de masoquismo e defesas obsessivas em jogo, mas qual é o problema? Todo o mundo tem seus tesõezinhos perversos e suas defesas…

O fato é que, ao contrário do que pensam os indisciplinados, quem consegue ter disciplina GOZA com essa quase “tortura” autoinfligida, como os mártires antigos que cantavam louvores a Deus enquanto eram queimados.

Portanto, o segredo dos disciplinados não é nenhuma dessas bobagens de “força de vontade”, “mindset” etc.

O que diferencia uma pessoa que consegue ter disciplina de outra que não consegue é que a primeira tem um tesão danado em se conter, se privar, se controlar.

Ninguém daria conta de manter uma rotina e evitar cotidianamente prazeres se não GOZASSE com isso…


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Quando a gente alimenta o que nos faz sofrer

Ontem uma supervisionanda narrava para mim o caso de uma paciente que se queixa da atitude invasiva e dominadora que tanto o pai quanto o namorado exercem na relação com ela.

Nas sessões com minha supervisionanda, a moça costuma dizer que o parceiro só aceita as coisas “do jeito dele” e que o pai vive tentando controlar a vida dela.

Por outro lado, essa paciente, que tem por volta de 20 e poucos anos, ou seja, é uma jovem adulta, aceita passivamente as imposições de seu pai como se ainda fosse uma criança.

Não, o pai não é violento. Sem dúvida, trata-se de um sujeito controlador, mas, se a filha quisesse, poderia desafiá-lo e ir gradualmente se afastando de seu domínio.

Quanto ao namorado, ela está sempre solicitando a ajuda e a opinião dele na hora de tomar decisões e pede desculpas quando, porventura, deseja fazer coisas que o cara não aprova.

Não é preciso ser nenhum gênio para constatar que essa moça transfere para o parceiro o mesmo padrão relacional que desenvolveu na interação com o pai.

Contudo, não é para isso que eu quero chamar sua atenção.

O que eu espero que você perceba nesse caso é que essa paciente se queixa justamente daquilo que ela própria mantém.

Como eu disse para minha supervisionanda, ela se comporta como uma pessoa vegana que decide comemorar o aniversário numa churrascaria e reclama que lá só servem… carne!

Ela percebe, mas sua postura passiva, dependente e subserviente diante do namorado e do pai reforça a atitude invasiva e dominadora deles.

Ah, Lucas, entendi! Então, sua supervisionanda tem que falar para essa paciente se colocar de modo mais firme, assertivo e autônomo na relação com eles, né?

Óbvio que não! Você acha que essa moça nunca pensou em fazer isso?

Psicanálise não é coaching.

O que essa paciente precisa é COMPREENDER por que ela age dessa forma.

Ou seja, o que ela GANHA agindo assim, de que perigos imaginários ela se DEFENDE, que FANTASIAS estão sendo realizadas por meio dessa postura de submissão etc.

Mas o primeiro passo é ela perceber que seu padrão de funcionamento alimenta aquilo que a faz sofrer. Como dizia minha mãe, “enquanto tiver cavalo, São Jorge não anda a pé”.

Você já se deu conta desse processo na sua própria vida?


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[Vídeo] Quais são os preconceitos que você tem em relação a si mesmo?

Atualmente, gostamos de dizer que não se deve ter preconceito contra ninguém, mas e se eu te disser que você pode estar sendo preconceituoso em relação a si mesmo?


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Autossabotagem: uma visão psicanalítica

Clara é uma jovem de 25 anos e está em seu terceiro relacionamento de longo prazo. Guilherme, seu atual namorado, a humilha na frente dos amigos, não aceita ser contrariado em hipótese alguma e, em algumas brigas, quase chega a agredir fisicamente a parceira. Curiosamente, os dois primeiros namorados de Clara tinham um padrão de comportamento muito semelhante. As amigas dizem que a moça sofre de “dedo podre”, pois só se relaciona com homens que inicialmente parecem príncipes encantados, mas acabam se revelando sádicos abusivos.

Pedro, 35 anos, é engenheiro civil. Sempre muito estudioso, era o aluno que tirava as maiores notas tanto na escola quanto na universidade. Embora não tivesse uma paixão pela Engenharia, decidiu seguir essa carreira por recomendação do pai que trabalhava como mestre de obras e sempre nutriu um verdadeiro fascínio pela profissão de engenheiro. “Na minha época, pobre não tinha oportunidade de fazer faculdade, meu filho. Se tivesse, hoje você seria filho de engenheiro.” era o que o pai costumava dizer a Pedro na época do vestibular. Hoje, apesar de ter se formado com louvor, o rapaz não consegue prosperar na profissão. Tentou alguns concursos públicos, mas, procrastinando o estudo para as provas, nunca conseguiu ser aprovado. Depois de passagens rápidas por duas grandes construtoras, nas quais, segundo ele, “não conseguiu se adaptar”, Pedro decidiu trabalhar por conta própria, mas sofre para conseguir novos projetos.

O que Clara e Pedro têm em comum? Ambos vivenciam o fenômeno que nos acostumamos a chamar de “autossabotagem”. Aparentemente eles agem de uma forma que acaba produzindo resultados prejudiciais para si mesmos, como se inconscientemente estivessem trabalhando contra os próprios interesses.

Leia o texto completo clicando aqui.


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A gente faz Psicanálise para se respeitar

É natural que as pessoas procurem ajuda psicoterapêutica com o objetivo de mudarem, isto é, de se livrarem de traços e comportamentos que as fazem sofrer.

Todavia, esse legítimo desejo de mudança pode vir contaminado pela busca de certos ideais que não têm nada a ver com aquilo que o sujeito verdadeiramente deseja.

Deixa eu te explicar isso melhor com o apoio de uma ilustração factual.

Tomemos, por exemplo, o caso de um jovem que se deleita ficando em casa sozinho, estudando, tocando instrumentos musicais e assistindo aos filmes de sua preferência.

Navegando por perfis de desenvolvimento pessoal no Instagram, esse jovem é levado a crer que não deveria passar tanto tempo sozinho e que o “correto” seria tornar-se mais sociável.

Esse imperativo evoca nele as duras palavras que sempre ouviu de seu pai: “Sai desse quarto, menino! Parece um bicho do mato! Você precisa dar umas voltas com seus amigos!”

Pronto! Agora esse pobre rapaz acredita que sua forma espontânea de curtir a vida (mais reclusa, sem tantas interações) é um problema e que ele deveria mudar para se adequar.

Para se adequar a quê?

A um suposto ideal de saúde emocional que parece ser natural e universal, mas, na verdade, foi inventado por algumas pessoas (coincidentemente, sociáveis…).

Em casos como esse, o objetivo da Psicanálise não é o de ajudar essa pessoa a mudar a sua forma habitual de se comportar.

A terapia psicanalítica não está a serviço de nenhum ideal normativo.

A meta passa a ser auxiliar o paciente a relativizar o peso do imperativo superegoico de adequação ao ideal de sociabilidade.

Em outras palavras, trata-se de ajudar o sujeito a RESPEITAR o seu próprio jeito de ser.

Afinal, é só quando reconhecemos e legitimamos aquilo que, em nós, é mais forte do que nós que nos tornamos flexíveis o bastante para fazermos diferente – quando necessário.


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A gente goza com corpos, mas também com palavras. E até com o sofrimento.

Seres humanos são movidos por impulsos.

Essa é a conclusão de Sigmund Freud.

E o que é um impulso (em alemão, língua nativa de Freud: Trieb)?

Todo o mundo sabe por experiência própria: é um estado mental de desejo produzido por uma excitação que nasce no corpo.

O impulso nos motiva a fazer alguma coisa para apaziguar essa excitação — temporariamente, afinal, uma característica fundamental dos impulsos é que eles sempre retornam.

fome, por exemplo, é um impulso. Trata-se de um estado psicológico induzido pela excitação desconfortável que o corpo produz quando ficamos algum tempo sem alimentação.

Temos também o impulso sexual, com o qual costumamos ter problemas, visto que a busca pela satisfação dele sofre uma forte regulação social, diferentemente do que acontece com a fome.

Nenhuma sociedade, por exemplo, estimula seus membros a ficarem anos e anos sem se alimentar, mas há diversos grupos que orientam seus adeptos a não fazerem sexo até estarem casados.

Quem está fora desses grupos não se encontra necessariamente numa situação melhor. Não existe sexualidade livre. A própria existência da sociedade exige a contenção do impulso sexual.

Imagine uma civilização na qual incesto e estupro fossem permitidos. Quanto tempo ela duraria?

Conter o impulso sexual não significa deixar de satisfazê-lo. Foi isso o que Freud descobriu — e que muita gente até hoje insiste em negar…Freud provou que o impulso sexual é tão forte que inconscientemente nós conseguimos satisfazê-lo APESAR de todas as regulações sociais.

Um monge, por exemplo, pode satisfazer seu impulso sexual de forma sublimada por meio da devoção e dos rituais presentes na mesma religião que o impede de transar.

Uma jovem pode dar vazão a seu desejo incestuoso pelo pai casando-se com um homem bem mais velho.

O CEO de uma grande empresa pode encontrar alívio para seu tesão sádico torturando a si mesmo com autocobranças e preocupações.

Enfim… O impulso sexual é plástico, flexível, resiliente, implacável…E aí, o que você pensa sobre essa descoberta de Freud?


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[Vídeo] Não dá para ser assertivo e ficar bem com todo o mundo

Pessoas que ficam remoendo situações pensando no que gostariam de ter dito e não disseram sofrem da resistência neurótica a abrir mão de um desejo em prol de outro.


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A gente faz Psicanálise para mudar, mas, na maioria das vezes, não sabemos o que precisa ser mudado.

Muita gente imagina que o principal objetivo da terapia psicanalítica é promover mudanças no comportamento do paciente.

Faz sentido pensar assim. Afinal, via de regra as pessoas procuram ajuda psicoterapêutica quando estão insatisfeitas consigo mesmas e desejam mudar.

No entanto, diferentemente do que acontece em outras modalidades de psicoterapia, na Psicanálise nós não tomamos a demanda consciente e expressa pelo paciente de forma acrítica. Em outras palavras, não é porque o sujeito nos diz que deseja deixar de ser tímido que o analista estabelecerá como objetivo do tratamento reduzir a timidez dessa pessoa.

Na Psicanálise, não vale o velho jargão comercial: “Seu pedido é uma ordem!”.

Uai, Lucas, mas como assim? O paciente não sabe o que precisa ser mudado?

Frequentemente, não. Isso acontece porque naturalmente nós não temos consciência da maior parte dos fatores que influenciam nosso comportamento e, consequentemente, formatam nossas ideias acerca do que precisa ser mudado em nós.

Assim, é bem possível que o rapaz que chegue ao analista dizendo que quer deixar de ser tímido possa estar formulando essa demanda em função do que ele tem ouvido desde criança da boca de seu pai: “Você precisa ser mais pra frente!”, “Desse jeito você nunca vai conseguir transar!”, “Pare de ser tão retraído!”.

Percebe? O desejo de ser extrovertido não é do paciente, mas de seu pai. Portanto, ao questionar a demanda inicial desse sujeito, o analista pode ajudá-lo a se dar conta de que não é ele efetivamente quem almeja deixar de ser tímido.
Ah, Lucas, mas a timidez não é um problema em si mesmo? O certo não seria mesmo esse rapaz deixar de ser tímido?

Sim, seria certo… do ponto de vista do ideal do pai dele!

Como em Psicanálise a gente não fica tentando encaixotar o sujeito em ideais de saúde, sucesso e felicidade, um trabalho verdadeiramente analítico com esse paciente iria na direção de ajudá-lo a compreender as razões pelas quais ele assumiu a timidez como posição diante da vida. Que fantasia estaria na base desse modo de ser?

Dessa forma, o sujeito estaria em melhores condições para decidir se quer manter-se nessa posição ou se deseja dar outro destino à fantasia subjacente a ela.


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O Real angustia, a fantasia conforta.

Muitos indivíduos encaram a realidade apenas como um conjunto de evidências que comprovam as fantasias que nutrem a respeito de si mesmas.

Você pode conhecer pessoas assim ou mesmo ser uma delas.

Há, por exemplo, aqueles que acreditam firmemente que NUNCA conseguirão ter um relacionamento amoroso duradouro porque percebem que a realidade SEMPRE lhes mostra o quanto são desinteressantes.

A despeito da aparente coerência desse pensamento, trata-se tão-somente de uma FANTASIA.

Sem perceberem, tais pessoas estão generalizando encontros singulares ou, em outras palavras, interpretando o acaso como se fosse destino.

Mas por que alguém criaria uma fantasia tão destrutiva como essa? Uma das razões é que, por mais dolorosa que seja, esse tipo de crença falaciosa funciona como uma poderosa defesa psíquica. Com efeito, aqueles que a sustentam acabam se privando de novos encontros, pois supostamente “sabem” que não serão bem-sucedidos. Evitam, assim, o confronto com a incerteza e a ansiedade inerentes a toda possibilidade de relação amorosa.

Protegem-se também do risco de obterem sucesso e serem obrigados a abandonar suas queixas. Por mais paradoxal que possa parecer, não poder mais contar com uma realidade que sustente uma reclamação crônica é um dos maiores temores de muita gente.


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[Vídeo] Por que a neurose é o negativo da perversão?

Neste vídeo: entenda de forma simples, clara e didática por que Freud disse nos “Três Ensaios” que a “neurose é o negativo da perversão”.


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