O que é pulsão de morte? (parte 2)

3eveContinuando: Freud então se vê às voltas com fenômenos que parecem contradizer sua teoria geral de que o homem age visando o prazer. O pai da Psicanálise resolve então publicar em 1920 um livrinho chamado “Além do Princípio do Prazer”, um dos raros escritos de Freud de difícil leitura.

Desde o início do livro Freud faz questão de dizer que as conclusões que se encontram no texto não devem ser levadas tão a sério por se tratarem basicamente de especulações. No entanto, por mais que a tradicional modéstia freudiana deva ser levada em conta, não se pode deixar de ver no texto que Freud está às voltas com uma descoberta revolucionária para o entendimento do homem.

A idéia-chave de “Além do Princípio do Prazer” é a de que o ser humano possui uma tendência que, diferentemente da pulsão sexual, não o leva a buscar o prazer, mas a buscar uma satisfação que ultrapassa os limites do prazer. Pensem bem, meus amigos: para que exista prazer é preciso haver antes um desconforto, um desprazer. O prazer da saciedade e do orgasmo só podem advir após um período prévio de privação de alimento e de sexo. Ou seja, o prazer é meramente o retorno a um estado de equilíbrio que foi perdido quando a gente começou a sentir fome ou tesão.

Mas o que Freud percebe é que nós, macacos inteligentes, não nos satisfazemos com o equilíbrio, com o prazer: a gente quer mais. E por a gente querer mais, acabamos nos estrepando. Freud prova isso com três exemplos interessantes, mas apresentarei um melhor em seguida.

Os de Freud se resumem ao fenômeno quase demoníaco chamado repetição: são os casos de pessoas que sempre entram em relações amorosas que lhes fazem mal, mas que inexplicavelmente não conseguem mudar: inconscientemente parecem procurar o próprio mal. Outro exemplo são os ex-combatentes de guerra que em seus sonhos, em vez de satisfazerem seus desejos, reviam as cenas de guerra. E o último exemplo é a visão do vovô Freud de seu neto brincando com um carretel. A criança repetia incansavelmente uma brincadeira que consistia em jogar o carretel para debaixo da cama e depois puxá-lo novamente com a linha. Freud nota nessa brincadeira que seu neto substitui simbolicamente a mãe pelo carretel. Assim, era como se com o desaparecimento do objeto ele quisesse representar as saídas da mãe e com o reaparecimento seu retorno. Mas, vejamos: a não-presença constante da mãe é um evento sofrido para a criança, concordam? Por que então ela se divertia fazendo uma brincadeira que reproduzia tal situação?

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