O que é falo? (parte 3)

04eve1No último post, interrompemos nosso relato mítico no momento em que meninos e meninas estavam lá no paraíso infantil, cada qual se divertindo como podia: o menino com seu recém-descoberto pênis e a menina com seu também recém-descoberto clitóris. Mas eis que em determinado momento eles se encontram e percebem que em relação a esse tipo de diversão eles não são iguais.

É nesse momento que as crianças se deparam com uma grande descoberta: a de que existe um tipo de ser humano diferente (de tipo diferente delas mesmas). E o que os diferencia? A imagem não mente: um deles possui algo entre as pernas e o outro não possui algo entre as pernas. É assim que meninos e meninas a princípio percebem a diferença entre homem e mulher. Mas, prestem atenção: até esse momento a criança não vai entender esse “um tem algo no meio das pernas e o outro não tem” como “um tem, aquilo que no outro falta”. Isso só vai acontecer no momento seguinte, em que a criança, neste caso o menino, se lembrar de uma ameaça geralmente feita pelo pai: a de que se ele ficasse mexendo no próprio pênis, este lhe seria cortado.

Nesse momento é como se o menino tivesse um insight: “Eureka! Agora entendi porque as meninas não têm pênis! Elas tinham mas perderam. É que elas ficaram mexendo muito em seus próprios pênis e por isso foram castradas!”

Do lado das meninas a coisa se passa de forma diferente. Como elas não receberam a ameaça de terem o pênis cortado, ao se depararem com a diferença entre seu pequenino clitóris e o pênis do menino, elas criam uma fantasia de que seu clitóris é como um “pênis filhote”, que logo mais irá crescer e ficar como o do menino. Após algum tempo, ao se dar conta de que ele não vai crescer mesmo, a menina então passa a entender que ela nasceu defeituosa. E se assim foi, a culpa é de quem? Da mãe, claro, que foi quem a botou no mundo.

Pois bem, meus caros leitores, não levem muito a sério essa historinha, mas também não pensem que se trata apenas de um simples historinha. Essa, que Freud deu o nome de complexo de castração, assim como o complexo de édipo são mitos. O que é um mito? Eu já disse em outro post: um mito é uma forma figurada de falar do Real. É isso que faz com que o mito não seja uma mera anedota.

Então, o que o mito do complexo de castração demonstra: que no caso específico da espécie humana, a única que se coloca a questão: “Qual a diferença entre um ser humano macho e um ser humano fêmea”, a diferença entre os sexos é entendida da seguinte forma: “Há dois tipos de seres humanos: aqueles que têm, mas podem perder e aqueles que não têm. É justamente esse “algo” que uns têm e outros não têm que a psicanálise chama de falo.

CONTINUA…

Sugestões de leitura:

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7 comentários sobre “O que é falo? (parte 3)

  1. Olá Lucas eu sou a Valdinéia, sou esudante de Psicologia estava zapeando pela internet à procura de algo que me explicasse de maneira clara e ambrangente o que seria o tal do “Falo” rs, bom gostei dos seus posts, espero que me ajudem na pesquisa q tenho em vista à realizar.Tem algum e-mail seu q vc possa me disponibilizar?
    Ficarei grata, abraços

  2. Acho maravilhoso a forma como você expõe os temas. Didático e simples.

    A respeito deste post, lembro-me de uma frase maravilhosa que li num livro de Hugo Bleichmar – “O pénis é, então, uma presença que se define em relação a uma ausência possível e uma ausência que se torna possível em relação a uma presença suposta.”

    Cumprimentos

  3. Cláudio, é exatamente essa a idéia: uma presença ausente e uma ausência presente!

    Abraços!

  4. A culpa é de quem? Da mãe, claro, que a botou no mundo….

    A mulher sempre leva a culpa das coisas, Eva, Madalena, Joana D’arc, a bruxa de Blair, Xuxa, Hebe camargo, Medusa, Elisângela, Francisca, Mariana, Darci….

    A culpa é delas?!

  5. Olá Senna! Perfeito! Foi bom você ter listado essas históricas culpadas. Não havia me atentado para isso. Trata-se de um fato de estrutura, que o velho Freud descobriu apenas ouvindo as queixas histéricas.

    Forte abraço e apareça sempre!

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