O que são espaço e objetos transicionais? (final)

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Autor: Lucas Nápoli

Lucas Nápoli é psicólogo, psicanalista e professor. Possui os títulos de Doutor em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É autor do livro "A Doença como Manifestação da Vida".

11 comentários em “O que são espaço e objetos transicionais? (final)”

  1. Olá, Lucas!
    São excelentes os seus textos…todos muito bem elaborados e de fácil assimilação para os leigos. Tenho uma dúvida: o que acontece quando a criança não elege um objeto de transição? Por mais que se ofereça possibilidades algumas crianças não se apegam a nenhum objeto específico. São crianças mais tranquilas ou isso indica problemas à vista no desenvolvimento emocional?
    Abraço,
    Anna Luisa

  2. Olá Anna Luisa. Winnicott se refere não apenas a “objetos”, mas também a “fenômenos transicionais” como, por exemplo, quando o bebê se diverte com a emissão repetitiva de determinados sons com a boca. É difícil discernir já na infância se tais fenômenos são efetivamente de natureza transicional. A psicanálise trabalha com a causalidade a posteriori, ou seja, a partir do presente é que se compreende o passado, de modo que é mais fácil verificar que um adulto não foi uma criança que não conseguiu desenvolver suficientemente bem um espaço potencial do que averiguar isso através da observação direta da criança. De todo modo, a ausência de um apego a um determinado PODE SER um indício de dificuldades na constituição de um espaço potencial, mas para que tal diagnóstico possa ser feito de maneira apropriada é necessária uma observação mais cuidadosa que poderia ser realizada por um terapeuta de orientação winnicottiana.

    Espero ter respondido sua pergunta. Do contrário, não se furte em fazer outras.

    Um forte abraço!

  3. Olá Lucas,
    Descobri o seu site navegando por aí e gostava de uma opinião sincera.
    Sou pré-mamãe, tenho 25 anos e desde os 4 tenho um objeto transitório MARAVILHOSO, o meu cobertor (nomeado ‘Cosquinho’ e com sensivelmente 21 anos!).
    Sou acompanhada pela psicologia de um hospital de renome na minha cidade, e logo a princípio ‘detectaram’ esse tal objeto transitório. Não consigo desprender dele de jeito nenhum, sofro quando vou de férias e meu marido não deixa eu levá-lo convosco.! O toque, o cheiro e as sensações que me traz são indescritíveis, e dá-me imenso prazer e segurança tê-lo comigo.
    Tive uma infância feliz, apesar de a partir dos 8, 9 anos sofrer grande violência física e psicológica. Hoje em dia não tenho contato com os meus pais, e odeio a minha mãe com todas as forças, por ter permitido que tudo aquilo acontecesse comigo. Por isso acho estranho dizer que o tal ‘cosquinho’ é um substituto dessa pessoa pela qual sequer tenho apreço.
    Gostava muito de uma opinião sua!
    Obrigada, e parabéns pelo site!

    Désirée Martins.

  4. Olá Désirée! Desculpe pela demora na resposta. Na verdade, não sei se o seu “Cosquinho” poderia ser de fato qualificado como um objeto TRANSICIONAL. A permanência do seu apego a ele até a idade adulta é justamente um traço que o desqualifica como tal… Geralmente, na saúde, os objetos e fenômenos transicionais da infância são substituídos por outras atividades na vida adulta, como elementos culturais, religiosos etc.

    Grande abraço!

  5. Olá!!
    Estava pesquisando sobre objetos transicionais e acabei achando seu site! Já faz bastante tempo desde sua publicacao, mas vamos lá!
    Acontece que compartilho do mesmo problema que Desiree. Durmo desde pequena com um “paninho” e nao consigo ter uma noite tranquila quando nao estou com ele. Talvez o cheiro, nao sei, é indiscritível, uma sensacao de conforto que vem de nao sei onde.
    Isso é problemático, nao é?
    Tive uma infancia tranquila, na verdade, como a de qualquer outra crianca.
    Como se explica isso???

  6. Olá Lucas,
    Em relação à pergunta anterior, então qual será o papel ou a importância deste objeto, na vida adulta, uma vez que são os mesmos da infância?! Alguns adultos mantém um laço com os seus objetos Transicional da infância, na adulta, sem conseguirem quebrar este lavo ou vinculo.

  7. Muito bom! Estou aprendendo isso na faculdade de psicologia. Você ajudou demais!

  8. Que bom saber disso, Larissa! Obrigado pelo comentário!

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